O Informante
33 Missão 004 – O Resgate, parte II
Notas iniciais
– Ca-dê a... Bobbi? – Kate perguntava grogue, sentindo o peso de mil doses de tequila rodando na sua cabeça.
– Ela está sedada, senhorita Bishop. – Jemma respondia meio fria, embora seu tom de voz suave tenha prevalecido no fim das contas. – Ela ainda está fora de controle. Estou colhendo algumas amostras de sangue para procurar possíveis substâncias indesejáveis no sistema dela.
– Isso é coisa... da IMA. – Kate ainda sentia tudo girando ao seu redor e praguejou ao sentir o corpo todo dolorido praticamente preso à cama. – Ela está bem?
– Ela só está dormindo para que não ataque ninguém. Colocamos ela na sala das colmeias.
– E eu achando que só eu chamava aquela sala por esse nome – A gaviã riu fracamente e tossiu algumas vezes. Jemma entregou-lhe um copo de água de uma jarra que havia ao lado da cama. – Olha, obrigada... eu sei que foi você que cuidou de mim por aqui.
– Agradeça à May e à agente Romanoff. Elas lhe salvaram da versão assassina da Bobbi.
– O nome disso é Karma. – ela respondeu sorrindo, não conseguindo segurar piadas tragicômicas de seu estado crítico. – Eu mandei Bobbi para aquele lugar, achando que a IMA ia me descobrir se eu me recusasse... fui uma idiota...
– Todos nós fazemos coisas idiotas na vida, não esquenta. – Uma voz masculina surgiu detrás de Jemma, fazendo com que a cientista se assustasse. – E aí, Katiezinha... cê tá melhor?
– Tô ótima, Barton. – ela fez uma expressão de sarcasmo. – Traz o meu arco que eu quero treinar minha pontaria nessa sua cara pálida.
– É a mesma Kate de sempre. – Clint sorriu e olhou para Jemma, divertido. – Você poderia ter morrido, cabeçuda!
– Não me enche, cara... não me enche. Tô numa baita de uma ressaca no momento.
– Fica bem, traidora. – Clint insultou uma última vez antes de sair do quarto e Kate lhe mostrou o dedo do meio.
– Vocês parecem meio irmãos – Jemma comentou divertida, cruzando os braços e indo em direção a Kate.
– É tipo isso mesmo – Bishop respondeu com um suspiro. – “Meio irmãos”
– Simmons?
A voz de Coulson adentrou o quarto onde estavam e seus olhos vasculharam o quarto rapidamente.
– Cadê a Skye?
(...)
– May? May!
Skye percorria os corredores, sentindo o coração bater mais rápido do que May havia lhe ensinado a controlar. Por que ela havia enganado a equipe e voltara para salvar a Cavalaria e a Viúva-Negra? Ela só podia ter perdido a cabeça de vez. Antes de dobrar o último corredor, Skye avistou três sombras pela janelinha de uma das portas. Duas pessoas discutiam com uma terceira, e eram todas mulheres. Ela achara.
– Raina?!
Skye invadiu a sala com um chute na porta exatamente ao mesmo tempo em que Natasha e May quebraram uma janela e fugiram do local.
E exatamente no momento em que Raina deixara o Cristal escapar de sua mão.
Alguns segundos se passaram e Skye não via mais Natasha e Melinda. Apenas uma névoa branca as cobria por segundos que pareciam horas. Raina ainda estava lá. E ela sabia. O tempo todo ela sabia.
(...)
– A Skye entrou lá dentro!
May praticamente lutava com Romanoff para poder voltar à sala de monitoramento que Raina havia transformado em um sei-lá-o-que coberto de poeira e cinzas. A ruiva a segurava com todas as forças, à despeito dos chutes e murros que Melinda desferia contra ela. A Asiática podia ser a Cavalaria, mas Natasha era uma espiã precoce na KGB, uma assassina, uma Agente da S.H.I.E.L.D. Força e habilidade eram duas coisas que elas partilhavam igualmente.
– Romanoff, pra trás! Eu preciso ver se a Skye... EU PRECISO!
– Você precisa esperar. – Natasha a puxou com ferocidade para si e a abraçou, mesmo que a asiática ainda tentasse fugir dela e correr até Skye. – Melinda... não.
– Natasha... – May pronunciou fracamente, quase sem perceber que abraçava a espiã como se algo muito ruim a esmagasse por dentro. – A Skye não pode...
– Melinda.
Natasha encaixou a curva do seu pescoço no ombro de May e esperou alguns segundos. Ela ainda a conhecia.
– Eu sinto muito, Naty. – May agora sentia os olhos arderem com a iminência das lágrimas. – Eu não estive ao seu lado em tantos momentos que você precisou...
– Isso está no passado, Chinesa. Você sempre será a minha S.O.
S.O. Uma chama pareceu arder em seu coração ao ouvir aquelas palavras. “Skye”. Antes que Melinda pudesse raciocinar direito, sentiu o chão tremer debaixo de seus pés. “Skye” seu cérebro gritava cada vez mais alto. Ela recordou-se da garotinha em Bahrein. “Não pude salvá-la” as lembranças atacavam como faca afiada. O grito de Natasha a fez retornar de seu transe.
– Romanoff!
– Merda! – Gritava a Ruiva, arrastando a perna que foi comprometida com o bloco de concreto que despencou por cima dela. – A droga da base tá entrando em colapso! Esses malditos da IMA! Precisamos sair daqui!
– Não vamos sair daqui sem a Skye... eu não posso... não posso voltar para o Bus sem ela. Coulson ficaria arrasado, Fitz-Simmons nunca mais seriam os mesmos e eu... – Melinda titubeou por um instante. – Ficaria presa em Bahrein novamente.
– Então vamos procura-la. Vai na frente que eu vou chamar nossa carona.
May corria desenfreadamente, tal como Skye a procurava minutos atrás. Os tremores ficavam cada vez mais fortes até ela encontrar Skye desmaiada, intacta no meio do que parecia ser o foco principal do tremor. Seus cabelos moviam-se como se o corredor inteiro tivesse sido preenchido por uma tempestade no meio do mar. May segurou o rosto da garota ligeiramente pálida e tocou seu pulso. Ela com certeza não estava morta. Na verdade, a velocidade de sua pulsação praticamente vibrava, denotando o quão rápidos estavam seus batimentos cardíacos. May sentiu um calafrio percorrer a sua espinha, mas a despeito de todas as inconsistências, pegou a garota no colo e seguiu, procurando Romanoff para saírem logo daquele covil.
(...)
– Onde ela está? – Rogers irrompeu na sala onde Simmons estava com Bishop. – A Romanoff acabou de dizer que Skye se feriu no combate...
– O quê?! – Jemma praticamente gritou e o sono leve de Kate fez com que a morena mais nova do Bus acordasse de um susto. – Coulson veio aqui e perguntou por ela há meia hora atrás, mas...
– Saiam da frente! – May gritava, enquanto andava apressadamente com Skye ainda nos braços, para o desespero de Coulson e de todos que as seguiam, assustados. – Simmons! Traga uma maca agora mesmo! Ela está inconsciente!
Jemma não precisou ouvir duas vezes para atender à ordem da piloto. Com a ajuda de Fitz, montou a maca rapidamente e a colocou ao lado do leito onde Kate se encontrava – a arqueira agora estava sentada e assustada – assistindo Skye daquela maneira e se sentindo mais culpada do que estava antes.
– Ela está bem... quero dizer... viva? Digo... quais são as implicações? – Rogers passava as duas mãos no cabelo, sua testa suava, mesmo que não estivesse fazendo nenhum esforço físico. – Agente Simmons...
– Ela acabou de chegar, Capitão Rogers – Jemma estava tão assustada quanto ele, mas tentava manter-se com a cabeça no lugar, pois sentia todos os olhares a pressionando por respostas a respeito da saúde de Skye. – O que eu posso afirmar é que ela está viva. Só está instável, sua temperatura e batimentos estão alterados e eu preciso apenas descobrir o que está causando isso... Por favor – Jemma sinalizou para que Rogers e os outros agentes recuassem. – Skye precisa de espaço para respirar.
May respirou fundo e tocou o ombro de Coulson, que não dissera palavra alguma. A dor de ver Skye tão frágil daquela maneira roubava completamente suas palavras e até mesmo sua ação. Rogers, Clint, Sharon e Romanoff estavam imóveis, cada um sentado de uma maneira diferente no sofá branco do que havia se tornado a “sala de espera” do Bus. Harpia permanecia sedada e Jemma tentava dar conta de Kate e Skye, enquanto Fitz visitava a sala da colmeia de vez em quando para injetar mais uma boa quantidade de sedativo na Bobbi Morse versão “Boneco de Vodu”.
Todos estavam ocupados/abalados demais para prestar atenção em alguns detalhes básicos: Raina estava livre – e sabe-se lá em que forma – Aleh Kevork ainda odiava Natasha e tinha sua parcela na HIDRA; Belova e Mentallo não eram os únicos integrantes da IMA; Bobbi Morse era uma bomba-relógio dentro do Bus; Grant Ward não dormiria para sempre com apenas alguns disparos da ICER; a última base conhecida da HIDRA estava agora espalhada – depois que eles descobriram uma possível traição de Ward – e Skye não era mais a mesma depois do pequeno incidente na ilha IMA. Problemas demais para uma equipe fragilizada.
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