O Informante

29 Missão 003: O Resgate - Parte I


Notas iniciais
Olá amores!! Estou ansiosa pra postar esse capítulo, então... Não tenho muito o que falar aqui.. kkk Espero que curtam! #BoaLeitura! :)

– O quê? – Natasha bufou ao telefone. – Acha que iremos acreditar em você, sua traidora desgraçada?

– Natasha, eu tô falando sério! – Kate falava ao telefone, quase colocando os bofes para fora. – Eles queriam fazer alguma experiência com ela, mas algo saiu errado... Eles estão correndo de um lado pro outro! É o momento perfeito pra vocês agirem com discrição.

– E por que acha que vamos acreditar em você?

– Por que o único motivo pelo qual eu traí a S.H.I.E.L.D. foi para salvar meus amigos! – ela pronunciou, engolindo o choro. – Se não acredita, pode ligar para a Jéssica. Ela pode confirmar o que eu estou dizendo. Ela e Clint estariam mortos a essa hora se eu não tivesse... Eu não tive escolha, droga! – ela desatou a chorar. – Por favor, Nat! Eu não posso passar por todos eles e salvar a Bobbi. Eles sabem que eu me preocupo com ela, não sei nem como me deixaram entrar aqui novamente... Você tem que acreditar em mim!

Natasha olhou para May que ouvia toda a conversa pelo alto-falante. A mais velha revirou os olhos e acenou com a cabeça indicando que elas dariam mais uma chance para a Coisa Lilás. No entanto, se aquilo fosse algum tipo de truque, Kate Bishop com certeza estaria cavando a própria cova ao desafiar duas das mulheres mais letais da S.H.I.E.L.D.

– Já estamos na metade do caminho, Kate. – Natasha respondeu firme. – Barbuda era a nossa primeira opção. Sabia que a IMA tinha reativado a Ilha, não haveria um lugar mais apropriado para levar a Harpia do que para o lugar em que ela havia sido pega da última vez. Aguente as pontas por aí, chegaremos o mais rápido possível.

– Obrigada, Nat.

– Estou fazendo isso pela Bobbi, Kate. Não se iluda. – Nat respondeu firme. – Ainda não engoli tua historinha cem por cento.

– Isso não importa muito agora... Só estejam aqui.

– Vou desligar.

Natasha tocou a tela do telefone com mais força do que deveria. Bateu a cabeça no encosto do assento do co-piloto duas vezes, sem saber exatamente o que tinha acabado de fazer. Da última vez que ouvira Kate Bishop, não tinha acabado muito bem. Para ninguém.

– Nós vamos pegá-la, okay? – Melinda tentou acalmar os ânimos de Natasha. – A Morse é uma boa veterana.

– Eu sei, eu sei. – Romanoff mexia no próprio cabelo, como se precisasse ocupar as mãos com alguma coisa. – Mas Kate... Se tem uma coisa que me descontrola é traição.

As últimas palavras saíram quentes e afiadas. May apenas a olhou de relance e viu que Nat não havia esticado as pernas sobre a aparelhagem pesada do avião. E ela sabia que aquilo não era um bom sinal.

* Washington, onze anos atrás.

– Natasha, tira o pé daí de cima.

May dirigia a viatura, enquanto a ruiva sorria travessa para ela, voltando a dar mais uma mordida na maçã que comia. Já era a segunda fruta que ela comia naquele dia, e Natasha quase nunca comia frutas.

– Você não entende minhas manifestações de humor.

– Sim, eu entendo sim. – May respondeu, suavizando o tom. – Quando você põe os pés no painel, você está tentando me irritar.

– Não é isso não. – a ruiva soltou uma pequena gargalhada. – Eu faço isso quando estou tranquila. É automático. É um costume de décadas atrás.

– Você acabou de completar vinte anos, Nat.

– Ah, não seja assim, Melinda! – ela socou o braço da asiática fazendo-a perder o controle do carro por um segundo. – Você está séria demais hoje. – ela tirou os pés do painel e virou-se para a asiática. – Isso é por causa do Phil?

– Por causa do... O quê?! – ela pareceu ficar nervosa de repente. – O que que o Coulson teria a ver com isso?

– Eu vi ele saindo com aquelazinha do violoncelo.

– E?

– E acontece que eu não tenho quatro anos. Você é louca por ele, Melinda. – Natasha respondia, enquanto jogava o que restara da maçã pela janela do motorista. – Eu sei disso, você sabe disso... Acho que a Academia inteira já percebeu!

– Mas eu não...

– Olhe nos meus olhos e diga que eu estou mentindo. – ela desafiou.

– Não posso, estou dirigindo.

– Então pare o carro.

– Está bem, pode ir parando com isso! – May admitia, ligeiramente irritada. – Eu sinto algo pelo Phil já faz algum tempo...

– Algum tempo? – Natasha zombava. – Tente: “Desde a primeira vez que o vi”.

– Aí você já quer demais, garota.

Natasha ria descontroladamente. Ela simplesmente adorava voltar das missões com Melinda. As duas haviam sido enviadas para recuperar informações extraviadas de uma missão e acabaram por capturar dois fugitivos do Índice. Aquilo se chamava “Missão-mais-do-que-bem-sucedida.” E Natasha estranhamente tinha esse hábito de comer frutas quando se sentia em paz. May já havia percebido, mas nunca tinha lhe perguntado sobre aquilo.

– Outra maçã? – May a olhou, desconfiada. – Tem uma lagarta vivendo na sua barriga ou o quê?

– Eu estou com vontade de comer maçã. Só isso. – Natasha respondeu um pouco desconfortável.

– Percebi.

Romanoff permaneceu em silêncio, encarando a maçã por algum tempo, e então suspirou:

– Era uma coisa dos meus pais. – ela disse séria, olhando pelo seu lado da janela. – Nós não éramos o exemplo de família unida, mas quando meus pais queriam consertar alguma coisa no relacionamento deles, nós íamos acampar. Passávamos um fim de semana inteiro juntos e geralmente eles voltavam para a KGB depois disso, para mais uma rodada. – a ruiva girava a maçã com uma mão enquanto Melinda desacelerava o carro para observá-la. – Meu pai armava barracas e fazíamos fogueira. Lá ele me ensinou como sobreviver caso eu caísse numa selva inóspita ou algo assim. E nós passávamos dois dias comendo apenas frutas. Então, sempre que nós três íamos acampar, eu tinha essa sensação de que tudo ficaria bem. Minha mãe me deixava voltar no banco da frente, mesmo que eu não tivesse idade pra isso, e eu estirava as pernas sobre o painel, com uma sacola de frutas... Voltava o caminho todo comendo e olhando a paisagem.

– Nat, eu não sabia...

– Foi daí que eu tirei essa coisa louca de comer frutas quando me sinto confortável. – ela respondeu secamente, como se quisesse encerrar o assunto.

Melinda sorriu com pesar sem que a ruiva percebesse. Natasha agora olhava para frente, com os pés tocando o tapete do carro. A maçã ainda estava intacta, apenas servindo de distração para suas mãos inquietas. Nesse momento, May recordara-se do dia em que a encontrara, quebrada naquele aeroporto. Apenas queria ser capaz de voltar àquele dia e descobrir quem tinha armado para os pais dela. Natasha merecia respostas. Merecia entender o que havia causado a morte deles. Natasha Merecia justiça.

– E sim, eu amo o Phil desde o dia em que eu o vi. – Melinda despejou por fim, apenas esperando a gargalhada que Natasha daria ao ouvir aquilo.

– Eu sabia! – ela se remexeu no banco e bateu palmas, deixando a maçã cair sobre o seu colo. – Não tem como negar isso, May!

Melinda apenas balançou a cabeça negativamente enquanto Natasha colocava os pés em cima do painel de novo, sem perceber. A asiática sorria enquanto a ruiva lhe enchia de perguntas. A paz reinava novamente no coração delas.

(...)

– É aqui que nos separamos.

May olhou para Natasha, que distraía-se com qualquer movimento ou ruído próximo a elas.

– Natasha – May segurou o braço dela com mais força que o normal. – Foco, aqui!

– Eu odeio esse lugar! – a ruiva dizia, apertando os punhos.

– Não perca a cabeça agora! Precisamos salvar a Bobbi.

Natasha respirou fundo.

– Eu entro primeiro e abro caminho pra você.

– Essa é a viúva-negra que eu conheço. – May sorriu de lado e destravou as pistolas. – Está bem provida de munição?

– Como sempre. – Natasha sorriu de volta, também destravando suas pistolas.

– Vamos mostrar pra eles o que acontece quando sequestram nossas garotas.

– Te vejo no final do corredor, May.

– Qualquer problema, me avisa. Eu vou correndo para onde você estiver.

– Vai ficar tudo bem. – Natasha esboçou um sorriso.

Romanoff apenas esperou alguns segundos antes de invadir a base por uma das janelas despedaçadas pela explosão do laboratório. May esperou que ela sinalizasse e entrou, seguindo pelo mapa digitalizado que Natasha conseguira acessar através da sala de controle.

– Tem muita movimentação em torno da saída noroeste! – Natasha guiava a asiática de dentro da sala de controle. – Talvez ela esteja sendo levada por lá.

– Estou indo para lá agora!

May corria pelo corredor quando encontrou um dos agentes da IMA desacordado. Era isso. Aquela roupa horrível de Apicultor seria o disfarce perfeito.

– Valeu Natasha.

– O que foi que eu fiz? – a ruiva perguntou confusa.

– Você me deixou um presente pelo meio do caminho.

– Como assim?

– O agente que você abateu. Estou pegando a roupa dele como disfarce para chegar até a Bobbi.

– Mas eu não derrubei nenhum cara nesse setor. – Natasha percorria as câmeras de vigilância, procurando alguma movimentação suspeita. – Eu não passei por esse corredor, estou na sala de comunicações te guiando.

– Se não foi você, então quem...

– Abaixe-se!

Melinda apenas jogou-se no chão a tempo de ver um agente da IMA caindo ao lado dela. O sangue dele já começava a jorrar quando a asiática levantou-se pronta pro combate.

– De nada. – Kate amarrava os cabelos em um coque no alto da cabeça. – Ele ia acabar com você.

– Não, ele não ia mesmo. – May esboçou um sorriso.

– Mas ele estava...

– Vamos, não temos tempo. – May a segurou pelo braço. – Se você quer ajudar essa é a chance. Leve-me até onde estão levando a Bobbi.

– É pra já, chefia.

As duas usaram os uniformes de apicultores para caminharem livremente pela base. Em questão de dez minutos, Kate e Melinda a encontraram. Mas aquela não se parecia muito com a Bobbi que haviam conhecido. Um rastro de agentes mortos indicava claramente o que ela havia se tornado: Uma arma letal fora de controle.

– Mas o que... – Kate deu um passo para trás quando viu Bobbi avançando em sua direção.

– Livre-se dessa roupa, rápido!

– Uou, uou, Bob! Somos nós! – Kate tirou o visor amarelo e preto que cobria sua cabeça. – Katiezinha e Melinda!

Bobbi não esboçou nenhuma reação. Apenas levou as mãos à cabeça, gritando como se uma dor descomunal se instaurasse no seu cérebro.

– O que você tem?! – Kate aproximou-se dela, mas foi jogada para longe apenas com a força de um braço dela.

– Coulson! – Melinda apertava o comunicador, enquanto observava Kate sangrando no canto da parede. – Precisamos de reforços! A Agente Morse... Kate está ferida! Estamos na Ilha IMA. Preciso da Simmons pra checar a Kate e algo para sedar a Bobbi...

– Acalme-se, May. Estamos a caminho.

Coulson desligou e Melinda levantou os punhos, pronta para enfrentar aquela que não era sua parceira de equipe. Kate continuava desacordada com um corte visível na boca e nas têmporas. Bobbi aproximava-se como se ela fosse um pedaço de bife pronto a ser devorado.

– Harpia, essa não é você. Pare! – May tentava argumentar. – Não estou aqui para machuca-la. Apenas quero ajuda-la e tirar você daqui!

– Isso não será possível, agente May.

May virou-se e três figuras surgiam do corredor. Mentallo e Belova apareceram sorrindo, arrastando um corpo que parecia até frágil visto dessa maneira. “Droga, Natasha.

– Vamos jogar um jogo. Vamos chamar de... “Melhor de três”.

– O que fizeram com ela?! – May aproximava-se de Natasha que também estava desacordada nos braços arrogantes de Belova.

– Se eu fosse você me preocuparia mais com o que vai acontecer a seguir. – Belova respondeu sorrindo, voltando a olhar para Marvin.

– Você terá de escolher, agente May. Salvar a pobre garotinha sangrando ali na parede – ele apontou para Kate. — Ou resgatar a Agente Morse... Bem, na sua versão evoluída. Ou – ele levantou a cabeça de Natasha, seu rosto estava roxo e ensanguentado. – Salvar a sua protegida. – ele olhou para May, que estava com os olhos arregalados. – Você tem dez segundos.

FIM DA PARTE I...

Notas finais
Okay, alguém chama a cavalaria? Ops... #Itsallconnected!