O Informante
15 A Coisa Lilás
Notas iniciais
– E então, o pilantra do Clint perdeu de novo a droga da flecha e me deixou na mão no alto de um prédio de vinte e cinco andares.
– Sério? O Arqueiro fez isso?
– Aquilo é um prego, isso sim! – Kate xingava sem dó o companheiro de equipe. – Se não fosse por aquele sorrisinho sacana e pela garrafa de café sempre cheia, eu nem pisava mais na casa dele.
Skye ouvia animada as loucas histórias de Kate Bishop, enquanto a ajudava a despachar a maleta minúscula pelo novo dormitório da garota. O bizarro era que quanto mais coisas elas tiravam de dentro, mais coisas apareciam. Kate era ótima na arte de esconder coisas. A Coisa Lilás, sem dúvida seria a parceira perfeita para as travessuras e rebeldias de Skye.
– Tá legal... Isso parece ruim – Clint pronunciou, ao ouvir ligeiramente a voz da arqueira.
– Oi querido... Sou sua parceira de arco novamente! – Kate o recepcionou com um sorriso irônico, aparecendo de braço dado com a Skye pelo corredor. – Sentiu minha falta? Não precisa responder...
– Isso é muito, muito... E devo dizer: MUITO ruim! – ele concluiu, escondendo o rosto entre as mãos.
– Uau, Clint... Obrigada pela consideração – ela apressou o passo e deu um soco bem seguro no ombro dele. – Fico feliz que tenha gostado da surpresa.
– Do que você tá falando? – ele perguntou, levando uma das mãos ao ombro atingido. – E... Ai! Você veio até aqui só pra me espancar? Quem te deixou entrar?
– Nossa, cara... Até parece que eu sou algum cão ou um animal... Okay, dá no mesmo, já que um cão é um animal, mas tipo... Algum terrorista iraniano, marroquino... Sei lá, daqueles países árabes! Eu estou aqui a convite do Phil, okay? Estou nessa equipe tanto quanto você!
– Não me lembre disso... – Romanoff reclamou lá atrás.
– Ela está aqui há meia hora e eu já não aguento mais ouvir essa voz esganiçada dela. – May acrescentou, numa expressão de desgosto.
– Essa garota é demais! – Skye gritou animada, ao avistar o diretor surgindo de seu escritório. – Podemos ficar com ela? – a hacker deu um sorriso descarado, apontando para a mais nova amiga, enquanto May e Romanoff se contorciam bem ao lado de Clint.
– Skye, ela não é um bichinho de estimação.
– Viu, Clint? – Kate mostrou a língua para ele. – É assim que se devem tratar as pessoas. – ela enfatizou a palavra “pessoas” – Obrigada, Chefia.
– E não, ela não pode ficar conosco. – Phil respondeu, animando as duas mulheres mais velhas.
– O que?! – Kate e Skye perguntaram em uníssono.
– Mas você acabou de me defender desse troglodita! – Kate tentou uma apelação.
– Eu sou o quê? – Clint apontou pra si, incrédulo.
– Um troglodita!
– Eu não sou um...
– Droga, Barton, cala a boca! – Natasha interveio na briguinha, massageando a própria testa com a mão esquerda. – Vocês dois querem deixar de ser infantis e ouvir o Diretor? – ela pronunciou altivamente, deixando todos os presentes completamente calados. – Obrigada – ela deu um sorriso cínico. – Sim, Coulson, você dizia...
– Obrigada, agente Romanoff. – ele deu um sorriso de lado e voltou a falar com as duas garotas. – Como estava dizendo, a Srtª Bishop não é um Pet ou um brinquedo. Após o término da missão, ela voltará para a sua rotina, bem como os vingadores que estão conosco aqui na base. Eles não ficarão aqui para sempre.
As duas garotas suspiraram de cabeça baixa. Kate fazia círculos no chão com seu tênis branco com círculos lilás, que a propósito, tinha ganhado de Clint no seu aniversário de vinte anos. Skye apenas movimentava os braços aleatoriamente, inconformada com a posição do Diretor.
– Tá bom, tá bom. – as duas responderam juntas.
– Ótimo. Chamem os outros para a sala de reuniões. Já temos boa parte do nosso plano de ataque. A agente Morse e Tony Stark devem chegar hoje mesmo à base, então... Preparem-se pra ter mais gente no grupo.
– Tony Stark está vindo pra cá?! – Skye e Kate estavam sintonizadas na mesma frequência.
– Sim. Ele vai fazer alguns reparos nos nossos sistemas de segurança. Encomendei alguns dispositivos especialmente para nossa missão. Hoje à noite teremos a última reunião geral, afinal, nossos alvos estão se movendo a todo instante.
– Sim senhor.
Eles responderam juntos e depois se dividiram em duplas, espontaneamente: Skye arrastou Kate para o seu quarto, Romanoff e May partiram para mais uma rodada de café e Clint acompanhou Coulson até o seu escritório. Sharon e o Capitão estavam entretidos conversando sobre ciências com Fitz-Simmons e praticamente não sentiram o tempo passar.
– Uau! – Sharon analisava tudo o que via, maravilhada com a genialidade dos cientistas. – Vocês fazem muita coisa por aqui. Coulson deve ter muito orgulho dessa equipe.
– Sim, ele tem. – Fitz confirmou, meio desengonçado. – E eu sei, porque ele já falou isso pra gente uma vez... Não que eu esteja sendo convencido ou arrogante... – O engenheiro começava a se esbarrar nas palavras, fazendo a Agente 13 soltar uma risada fofa.
– Você é um doce, agente Fitz. – ela despejou, sorrindo para ele de forma encantadora.
– Sim, ele é. – Jemma confirmou num tom estranho, ligeiramente enciumada. – E ele é muito dedicado também. Nós somos amigos desde sempre.
– Você é uma garota de sorte, agente Simmons. – a loira falou, cutucando Rogers sem que a cientista percebesse.
– É, eu sei disso, agente Carter.
– Agora, se nos dão licença – Steve apareceu na conversa, pigarreando e sorrindo mais do que o normal. – Temos que rever alguns detalhes da missão.
– Com licença. – Sharon acenou com a cabeça para os dois e deixou o laboratório juntamente com Steve.
– O que foi aquilo? – Rogers a interrogou depois que já estavam há alguns metros de lá.
– Você não percebeu, Steve?
– Perceber o quê?
– Ah, homens! – ela balançou a cabeça negativamente e depois o segurou pelos ombros. – Aquela garota é louca pelo outro cientista! Eu só fiz comprovar o que eu já vinha percebendo desde que coloquei o primeiro pé aqui dentro.
– Jemma Simmons?
– Claro, Rogers! Você viu outra cientista lá dentro? – ela revirou os olhos e o largou. – Tá na cara que ela é apaixonada por ele...
– E o que você vai fazer? Vai dar uma de cupido?
– Eu mesma não! Só pra constar, eu já passei dessa fase, querido. – ela deu de ombros, andando em direção ao seu dormitório.
– Mulheres sempre estão nessa fase, Sharon. – pontuou o Capitão, que no final das contas, estava mesmo certo.
– Não me venha com essa, Steve! Eu vi o modo como você olhou para a Skye da última vez que a viu!
– O modo como eu olhei? Eu olhei pra ela como olho pra todo mundo!
– Hahaha – ela zombou na cara dele. – Eu te conheço há séculos, Steve! Nós já até namoramos... Aquele olhar que você lançou para ela... É O Olhar, Capitão. Você está na dela... E pode ter certeza de que não é pouco.
Steve Rogers teve que concordar com a parceira. Ela não o via assim desde que haviam terminado, há mais ou menos um ano e meio. Sharon sabia lê-lo muito bem, sabia exatamente o que aquilo significava.
– Droga, Sharon – ele levou uma das mãos aos seus cabelos dourados. – O que eu vou fazer pra tirar essa garota da cabeça?
– Não olha pra mim, Steve... Eu não tenho cara de cupido.
– Oh droga, o Coulson vai me matar.
– Ih, vai mesmo... Aquela menina é o mundo pra ele... E pelo que eu vi, Melinda também morre de ciúmes dela...
– Qual é, Sharon? – ele levantou as mãos, desnorteado. – De que lado você tá? Isso não tá me ajudando!
– Mas tá me divertindo. – ela sorriu e segurou a porta do quarto, deixando o sorriso de lado para falar sério. – Olha Rogers, vai conversando com ela, de boa, sem pressionar a garota. Se ela gostar de você e cair na tua lábia, você ganha e o Coulson vai ter que desencanar. – ela instruía amigavelmente. – Mas tudo depende dela. Vê se não estraga as coisas dessa vez.
– Valeu, Sharon... Você tem razão, não há motivos pra tomar atitudes precipitadas.
– Exato. – ela calou-se e pensou por um instante. – Hey, sabia que é a primeira vez que eu dou conselhos amorosos pra um cara de 95 anos?
– Ah, não enche! – ela sorriu, enquanto ele franziu o centro, um pouco irritado. – Vou tomar um banho, nos vemos na reunião.
– Não se atrase.
Ela prestou continência para ele e adentrou em seu quarto, deixando Steve para trás.
– Identificando... – Uma voz robótica anunciava que as portas do Bunker estavam se abrindo novamente. – Agente Antoine Triplett, confirmado. Seja bem-vindo à base.
(...)
Ele parecia estar bem familiarizado com a traição para fazer uma coisa daquelas. Grant Ward dirigia um dos carros esportes que faziam parte da missão. A equipe Charlie o seguiria até o Iraque se ele os ordenasse, então não foi nada difícil controlar as coisas por lá. Contudo, ele não poderia fugir de uma coisa: Ele ainda tinha um ponto fraco.
Antes de seguirem viagem, Grant abriu discretamente a carteira e segurou uma foto manchada nas mãos. Skye sorria largamente, com os braços abertos e ligeiramente constrangida. Era a única coisa que ele tinha para lembrar-se dela e de seu sorriso. Uma mera foto, borrada pela umidade daqueles canos sujos. Pensava em como ela estaria, se ela o havia esquecido, se não se importava mais. Ele sabia que era melhor ficar longe dela, mas seu coração lhe mandava tentar mais uma vez, mesmo que isso lhe resultasse um belo tapa na cara.
– Estou indo por você, Skye. – ele sussurrou, olhando para a foto e logo em seguida a beijou delicadamente, como se o papel tivesse tomado a textura macia da pele de sua amada. – Vou mostrar pra esses idiotas o que acontece quando se metem com a gente.
O agente sorriu para si mesmo. Aquela era a hora de dar o troco. De mostrar quem realmente sabia brincar. Ward preparara a maior cilada para os comboios da Hydra e estaria levando-os para uma emboscada, na antiga e abandonada base Providence, que já havia sido tomada pelo exército norte americano. De quebra, os marcadores de Fitz estariam guiando a S.H.I.E.L.D até a base secreta da Hydra em Washington, já que ele deixou a sua arma escondida embaixo do colchão.
– Seus dias estão contados, besta maldita. – ele abriu a mochila e segurou seu distintivo da S.H.I.E.L.D, apertando-o com força entre os dedos – Eu sou um agente da S.H.I.E.L.D. É o meu dever.
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