–O que esta fazendo aqui?!- perguntei.

–O que VOCÊ esta fazendo?- respondeu ele.

Como odiava quando ele fazia isso, e com essa fala me fez lembrar de tudo que aconteceu. Veio como um tiro. É, parece muito, mas isso foi como me senti, levando um tiro na cabeça, a dor era grande, até mesmo para alguém mais velho do que eu aguentar. Lembranças, e mais lembranças passando na minha frente, logo ao lado de James que me olhava decepcionado. Lembrança do primeiro dia que conheci Wesley, era como uma cena de um filme, as palavras que falou, como estava vestido, e pude me ver também. Não estava entendo o que acontecia naquele momento.

Era algo sobre meu poder? Ou estava tendo uma alucinação?

Lembranças iam e vinham. Dias e mais dias que presentei na minha vida inteira, pude me ver pequena com minha avó, que morreu quando tinha 14 anos, me balançando no balanço de madeira velha da chácara. Pude ver também quando estava com Wesley naquela chácara, nosso beijo, uma lembrança que tinha até esquecido que um dia foi algo real. Lembranças de Felicia, minha melhor amiga, de Jennifer e Julieta, minhas irmãs casulas, pude até ver quando meu cachorro Kevin morreu, o que foi uma lembrança horrível.

Pude sentir algo saindo de meu nariz, era sangue, nunca sangrara pelo nariz antes, é uma sensação estranha e esquisita. Até que as lembranças começaram a ir mais de vagar, foram ficando mais recentes, então se concentrou em uma única imagem, que não era uma lembrança, parecia quando pude ver Felicia abraçando Wesley , e quando vi Wesley cantando aquela musica, ou seja, parecia algo que estava acontecendo naquele momento em outro lugar.

A imagem era de Marius, tio de James, que me sequestrou para que o ajuda-se a ser a pessoa mais poderosa do mundo, estava ele e mais um homem que era o Jorge, um segurança dele. Eles estavam em uma sala grande e “chique”, então percebi que essa sala era a sala que toquei para James, o piano, os sofás antigos... Estava tudo lá em seus respectivos lugares e em perfeito estado, como se nada tivesse acontecido. Como é de meu “poder”, parecia que eles estavam presente naquele ambiente que eu estava, porém estavam no “castelo” de Marius. Até que Marius começou a falar com Jorge.

–Quero que o chame, preciso bater um papinho com meu sobrinho querido- disse Marius, pude sentir um pouco de ironismo nessa ultima frase “meu sobrinho querido”.

–Sim senhor... E a garota, senhor?- disse Jorge.

–Preciso bater um papinho com ela também, mas ainda não é a hora, ela tem que se preparar antes, e para entender um pouco, tem que ter inteligência naquela cabecinha. Mas tenho um ótimo destino para ela, e o conselho certamente vai apoiar, eles a odeiam assim como eu- disse Marius com uma risada medonha no final de sua frase, me deixando arrepiada, ou seja, me desconcentrou e sua imagem desapareceu fazendo com que eu caísse de joelhos no chão.

–Ruby!- disse James me segurando antes que eu caísse de cara no chão.

–Você conhece ela?- perguntou Wesley se ajoelhando ao lado de James me ajudando a sentar no chão.

–É claro que sim! Ela é minha namorada- disse James.

–Namorada?! Como assim? Que história é essa?- perguntou Wesley irritado.

–É uma longa história, agora temos que ajuda-la- disse James.

–Ok, vamos leva-la para a mesa- disse Wesley pegando meus pés.

James pegou meus braços e me levaram até uma mesa.

–Ruby, você esta bem?- perguntou James.

–Eu... Eu vi você- apontei para o Wesley- depois vi você- apontei para James- e por fim vi Marius.

Estava tão fraca que nem conseguia falar direito, ou ao menos apontar o dedo para os garotos que me olhavam totalmente confusos, principalmente Wesley. James me olhava com pena e ao mesmo tempo com agressividade.

–Quem é Marius?- perguntou Wesley tocando em minha testa.

–É uma longa história também. O que ele estava fazendo, Ruby? Ele te machucou?- perguntou James preocupado.

–Não, mas ele falou que queria falar com você- respondi.

–Nossa! Ruby! Você esta queimando em febre- disse Wesley colocando a mão em minha face toda.

–É efeito colateral, precisamos leva-la a enfermaria- disse James.

–Efeito colateral? Do que? E a enfermaria é na principal, é longe- disse Wesley.

–Você consegue se levantar?- perguntou James.

Me levantei com dificuldade. Sentei na mesa e percebi que havia um espelho na parede de frente da mesa, o que me fez olhar diretamente em meu reflexo. Eu estava totalmente molhada pelo suor quente que corria sobre minha pele, minha aparência estava horrível, cabelo bagunçado e oleoso, uma alça do vestido cairá de meu ombro revelando uma marca de nascença em meu ombro. Me levantei da mesa e cai diretamente no chão, batendo fortemente meus joelhos que provavelmente ficaram roxos.

Wesley e James me ajudaram a levantar assim que desabei ao chão. James passou meu braço direito sobre seu ombro e Wesley fez o mesmo com meu braço esquerdo. Mancando e com grande dificuldade de andar com aquele vestido que grudava na superfície de meu corpo por causa de meu suor, saímos da sala e depois saímos do saguão. Atravessamos metade do campo e desabei ao chão novamente, estava muito fraca. Cai de joelhos em algo pontudo que o perfurou.

–Wesley, seu idiota, não sabe carrega-la direito?! Não a deixe cair- disse James me levantou novamente.

–Não me chame assim, você é um idiota! E ela esta escorregando- respondeu Wesley pra James.

Continuamos nosso percurso com dificuldade até “a principal” se ouvi bem, que era a casa grande onde minha mãe ficava. Entramos, o saguão estava totalmente vazio, todos provavelmente estavam na festa, os meninos me levaram para um corredor a direita e no final dele tinha uma porta. Eles praticamente arrombaram a porta e me arrastaram para dentro da sala que a porta escondia, era como uma enfermaria, havia 10 macas com lenções brancos. Me colocaram na maca mais perto.

–O que fazemos agora?- perguntou Wesley para James.

–Chame a diretora Lucia e Srta Laureen, fala que Ruby esta precisando de ajuda- disse James.

–Ok...- disse Wesley que já estava caminhando até a porta- Espera... Não vou deixa-lo sozinho com ela.

–Eu já disse o que deve fazer, então vai fazer, ela vai ficar bem.

Wesley olhou para eu com uma expressão de preocupação e saiu correndo pelo corredor.

–Como o conhece?- perguntei a James.

–Isso não importa agora, vou fazer algo que possa doer um pouco, mas é para seu bem- disse ele colocando uma de suas mãos sobre meu peito, não encostando.

–Se quiser pode aperta minha mão quando doer muito.

Peguei sua outra mão e apertei.

– Prometa que vou ficar bem?- perguntei com dificuldade.

–Sim, eu prometo. Agora respira fundo e pense em algo bom...

Olhei para seus olhos verdes profundos e assenti. Ele começou a pronunciar palavras que desconhecia, parecia mais latin, mas não entendia nada que falava. Até que algo começou a sair de sua mão, era como uma luz profunda entrando em meu corpo. Quando aquela luz tocou em meu peito, foi como um varias agulhas perfurando meu corpo inteiro, doía muito, e a quantidade daquela luz aumenta a cada palavra que pronunciava, o que fazia doer muito mais, como se enfiassem lentamente uma lamina pontiaguda no meio de meu coração. Comecei a gritar, espernear de dor, apertava a mão livre de James, mas não adiantava nada, doía muito, muito mesmo. Nunca senti uma dor como essa. Meus gritos foram ficando cada vez mais altos e aterrorizantes.

Até que Wesley chegou com minha mãe totalmente aterrorizada junto com Srta Laureen, que percebi que era a mulher morena que ficava na recepção.

–Pare! Pare agora! Você esta matando-a!- gritou Wesly e foi para cima de James.

–Não!- disse minha mãe, segurando Wesley- Ele esta curando-a

–Esta usando o feitiço das Avessas- disse Srta Laureen.

James pronunciou as palavras com mais força e mais alto. Me fazendo gritar com mais foçar e mais alto. Agora a dor parecia quando você é torturada o dia inteiro e no final desse dia levasse um tiro no peito, porém você ainda respira, você sofre com a dor que permaneça no seu peito. Imagina todas as dores juntas, as agulhas, a lamina e o tiro, é horrível. Lagrimas saiam de meus olhos sem parar.

–PARA!! Por favor! PARE! Já é de demais!- gritei para James.

–Querida, alguente mais um pouco, já esta acabando!- gritou minha mãe.

Olhei para James, e seus olhos também se enxiam de lagrimas. Quando olhou para mim pronunciou as ultimas palavras, me fazendo gritar muito mais alto que antes. Até que a luz acabou e James desabou a cabeça em minha cabeça. Aquele alivio foi muito grande, doía muito, mas como ele parou, iria melhorar. Ele chorava sem parar, assim como eu e como Wesley.

–Calma... Eu... Estou bem- disse fazendo cafuné em seus cabelos.

–Me desculpa, é horrível ter ver sofrer, mas era preciso, você poderia estar morta, e a dor de não ficar com você é bem maior que essa.

Mais lagrimas saíram de meus olhos. Minha mãe, Wesley e Stra Laureen se aproximaram de mim.

–Você esta bem, queria?- perguntou minha mãe, fazendo cafuné em meus cabelos ensopados de suor.

–Vou ficar- disse dando um sorriso a ela.

–O que você é?- perguntou Wesley enxugando as lagrimas.

–O que VOCÊ é?- perguntei.

Ele deu uma risadinha.

–Sou um anjo.

–Por que não me contou?- perguntei irritada.

–Eu...

–Tá bom, depois vocês conversam sobre isso, Ruby tem que descansar- disse James.

–Ok, ele tem razão, estou com dor e cansada. Mas vou ficar bem, não é?- perguntei a James.

–Sim, vai sim.

Dei um sorriso para ele e deixei o cansaço me levar para um sono profundo e tranquilo.

Porém ele me levou para um sono totalmente horrível...

Notas finais
Ai mais um capitulo, acho que esse ta um pouco diferente dos que já fiz, acho que não fiz com a Ruby sofrendo tanto :S
Comentem :D