O Incontrolável
4 Capítulo 3
Depois de sairmos fomos para o quarto. E em todo o caminho Fanny não parava de falar que seria muito legal ter minha mãe como diretora, que a gente ia poder fazer tudo o que quisermos, e isso já estava me enchendo o saco.
–E ai? Como foi a visita na diretora?- perguntou Yanna me ajudando a colocar meus livros em um armário ao lado da cama.
–Ruby descobriu que a diretora Lucia é a mãe dela- disse Fanny pegando alguns salgadinhos que estava na bancada.
–O que?! Como assim?- perguntou Yanna derrubando um livro em meus pés.
–Ai!- disse pegando o livro do chão.
–Foi mau- disse Yanna me ajudando.
–É, não vai ser legal isso? Podemos fazer tudo o que quisermos- disse Fanny se referindo há Yanna e sentando na cadeira giratória.
–Tá bom Fanny, você já disse isso mil vezes- disse.
–Vai ser muito legal mesmo...- disse Yanna- Mas então, o que querem fazer nessa quinta-feira ótima de inverno?
–Estamos no inverno?- perguntei- Mas esta tão quente.
–Sim, é esquisito também, nosso inverno tem dias muitos diferentes. Amanha esta previsto que vai nevar- disse Fanny.
–Nevar? Mas como assim? No Brasil não neva- disse.
–E quem disse que estamos no Brasil?- perguntou Yanna.
–Ué, não estamos?- perguntei.
–Não, estamos em um mundo paralelo, por isso que nosso inverno é esquisito- disse Fanny como se fosse algo muito obvio.
–Um mundo paralelo? Que mundo?
–Nossa, você não sabe de nada?- disse Fanny um pouco grossa.
–O que a Fanny quis dizer, é que como você pode estar aqui sem ao menos saber onde esta?- perguntou Yanna.
–Olha, sinceramente, não sabia que viria para cá. Eu nem queria vir, queria ir para casa.
–Tá, bom, vamos ter que começa do zero- disse Yanna.
–Estamos em um mundo chamado Z, ele é pequeno, considerado um planeta anão, mas estamos aqui, então existe vida nele- disse Fanny.
–Planeta Z? Que nome hein?- disse.
–É, mas você vai aprender mais sobre ele nas aulas de história- disse Yana- E como vamos ter que começar do zero, que tal um passeio? Para conhecer a famosa Machilinie?
–Tá, pode ser, mas odeio história.
Yanna parou imediatamente.
–Como assim? História é vida, como pode odiá-la?- disse Yanna.
–É, ela é das minhas, Yanna ninguém gosta de história, só você. Vamos vai- disse Fanny puxando eu e Yanna para fora do quarto.
Fomos até a entrada do prédio.
–Bom, esse é o prédio B, onde fica os dormitórios das meninas- disse Fanny apontando para o prédio que era amarelo.
–E esse é o campo, ficamos aqui nas by Text-Enhance\">aulas vagas, ou o tempo livre, ou...- disse Yanna apontando para o campo atrás de nós, era o mesmo campo que vira uns minutos atrás.
–Ou nas aulas praticas- complementou Fanny.
–É, mas usamos mais a floresta para aulas praticas- disse Yanna.
–Aulas praticas? Do que?- perguntei.
–Ah, você vai saber, é depois de aprendermos a história, por isso ela é tão importante- disse Yanna.
–Eu desconsidero a aula de história, e na aula pratica, apenas improviso- sussurrou Fanny para mim.
Um pouco atrás do campo tinha um prédio, que foi onde elas me levaram. O prédio era mais moderno que o prédio B, parecia ter mais ou menos uns 10 andares, possuía um tom de verde claro nas paredes e janelas grandes em cada andar. E algo me chamou atenção, no lugar das paredes do “térreo” tinha vidro, o térreo era totalmente de vidro, o que permitia ver o que as paredes esconderiam, alguns sofás chiques e tapetes de pele de animal. Uma porta de elevador e uma porta de escadas de incêndio. O prédio era incrível, mas como isso poderia ser possível, não havia paredes na base para sustentar o prédio. Como ele estava em pé e firme?
–Uau!- disse impressionada.
–É, legal né?- disse Fanny- Esse é o prédio E, é onde fica a maioria das salas, foi reformado há pouco tempo.
–É, mas tem algumas salas mais antigas e legais que essas, elas ficam ali- disse Yanna apontando para uma casa a direita do prédio E.
A casa era parecida com a casa onde minha mãe estava. Era antiga e grande. Estava há pouco metros do prédio E, no possuía tinta e sim tijolos, era muito bonita. Não puder ver todos os detalhes, pois estava um pouco longe, mas mesmo assim era linda.
–Discordo, prefiro essas salas novas, são mais modernas e praticas- disse Fanny.
–E o que é isso?- perguntei apontando para algo que parecia um estádio, e que ficava no meio do prédio e da casa.
–É a quadra de basquete, meu lugar preferido- disse Fanny animada.
A quadra de basquete era grande e coberta.
–Não vamos entrar, certo?- perguntou Yanna.
–É lógico que vamos- disse Fanny puxando eu e Yanna para a quadra.
–Você joga basquete?- perguntei para Fanny.
–Ela é muito boa. É capitã do time feminino e nos treinos pesados joga no time masculino- disse Yanna- e não vou entre ai, ele pode estar lá.
Yanna parou.
–Ah, qual é?! Yanna, você esta com medo?- perguntou Fanny indo até ele.
–Não é medo, é que...
–É que nada, vamos, tenho que conhecer esse carinha- disse puxando Yanna.
Dessa vez ela veio sem reclamar. Entramos em um corredor comprido e no final havia uma porta.
–Mas então, você sabe jogar?- perguntei para Yanna.
–Não, não, não. O único esporte que sei jogar é arco e flecha- disse ela.
–Arco e flecha? Tem isso aqui? Sempre quis fazer arco e flecha- disse animada.
–Sim, é lá na floresta. Então vou lhe ensinar, será nossa próxima parada- disse Yanna.
Chegamos no final do corredor e Fanny parou.
–Bem vindas há minha casa- disse ela abrindo a porta.
Por fora não parecia tão grande. A quadra era gigante, como um estádio. A quadra estava incinerada, o que a deixava mais brilhante. As cestas estavam a mais ou menos 3 metro do chão, estavam muito altas e envolta da quadra tinha uma arquibancada incrivelmente grande.
–Uau!- disse novamente impressionada.
–Que bom que gostou da casa, sinta-se a vontade- disse Fanny indo em direção aos garotos que estavam jogando.
Havia apenas 2 garotos, um tinha olhos azuis e o outro olhos verdes. O de olhos verde era um pouco mais alto que o outro e estava sem camisa mostrando suas perfeitas linhas do peitoral. Tinha cabelos castanhos e bagunçados. O de olhos azuis usava um uniforme azul com detalhes brancos e o numero 10 na camiseta. Tinha cabelos castanhos e espetados.
–Oi garotos- disse Fanny, fazendo um sinal para que aproximássemos.
–Oi Fanny- disse o garoto de olhos verdes acabando de fazer uma cesta e dando um soquinho em sua mão.
–Oi Faniquita- disse o garoto de olhos azuis a abraçando forte.
–Já disse para parar de chamar assim- disse ela rindo e bagunçando seus cabelos- Bom, essa é a Ruby- disse me apresentando.
–E Ruby, esse é o Noa.
–Prazer em te conhecer- disse o cumprimentando.
–Sem formalidades- disse Noa e me abraçou.
–Nossa, você e a Fanny são muito parecidos- disse rindo.
–Tudo o que ele aprendeu foi comigo- disse Fanny colocando o cotovelo em seu ombro.
–Mentira- sussurrou ele.
–Oi Noa- disse Yanna- E oi fedido.
–Oi cheirosinha- disse o garoto de olhos verdes a abraçando e rindo.
–Esse é o Jean- disse Fanny.
Jean soltou Yanna e me cumprimentou com um abraço e pude perceber que não era tão fedido assim.
–Por que ela chama você de fedido? –perguntei ao Jean.
–Porque ela não gosta do meu perfume natural- disse Jean com uma piscadinha para Yanna- Mas então, quem era o garoto que você estava olhando?- perguntou a Yanna.
–Ah, então era você quem ela estava olhando?- perguntei.
Então olhei para Yanna, ela estava vermelha que nem um pimentão, pensei que fosse porque estava com vergonha, mas então ela começou a gritar e falar que não conseguia respirar até que apagou.
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