Lembrança, uma palavra que todos conhecem assim como seu significado. Algumas lembranças são ótimas, outras péssimas. Nesse tempo tive varias lembranças poderosas, muito poderosas, que me deixaram exausta. Porém elas revelaram coisas esquecidas, antigas, ridículas, importantes. Lembranças na minha opinião, são uma das coisas mais importantes do mundo, com ela lembramos quem realmente somos ou fomos, enfim...

Essa lembrança foi uma das mais importantes que tive, ela me revelou que não vivemos só no presente e sim, que já vivemos no passado, em um passado bem distante...

Eu estava voando junto Agatha em um céu formando chuva, voava nela como se fosse rotina, estava de pé em suas costas usando um vestido de cetin azul, meus cabelos estavam mais leves e compridos que agora, minha aparência era um pouco mais nova que agora, aparentava ter uns 16 anos, porém parecia uma mulher madura, que passou por varias coisas, mas que não abaixou a cabeça, seguiu em frente. Agatha estava um pouco mais nova que agora, suas asas estavam um pouco menores assim como seu bico.

Com certeza era de meu “poder”, pois estava vendo tudo em minha frente como fosse um filme no ar. Comecei a rir feito uma boba, a qualidade daquela imagem era muito boa, parecia ate em full hd, ou melhor ainda, em 3D, o que fez involuntariamente minha mão se levantar, ir ate aquela imagem. Assim que toquei em meu cabelo da imagem, pude sentir realmente os fios finos de cabelo do meu eu passado. Foi muito estranho aquilo. Retirei minha mão imediatamente, fazendo assim a imagem sumir.

–Senti muita falta disso, faz tempo que não nos reencontramos, não é? Nossa eu era bem mais magra antigamente. Mas então... Se lembrou agora?- disse Agatha em minha mente.

–Você... Você viu isso? Como... Como isso é possível?

–É, pelo visto você não se lembrou de tudo. Isso vai ser muito mais difícil que eu pensava...- ela fez uma pausa- Eu e você somos especiais. Estamos conectadas.

–Como?

–Vamos ver se isso ajuda a você se lembrar.

Não entendi o que ela quis dizer, mas resolvi confiar nela. Agatha foi abaixando, como se fosse pousar e foi o que fez. Desceu até uma floresta densa e comprida, assim que suas patas tocaram ao chão um vento “morto” bateu sobre minha face.

Olhei em volta, tudo estava velho, como se a floresta estivesse morrendo. As árvores estavam cansadas, as folhas caindo do topo da copa, porem não era como se estivessem no outono, elas caiam duras, e estavam secas. Literalmente aquela floresta estava morrendo.

–O que acontece com este lugar?- perguntei á Agatha.

–Já chegou a hora deste lugar. Você tinha que ver essa floresta na primavera, era lindo... Quer dizer, você viu.

–O quer dizer com isso?

–Sente criança, temos muito o que conversa.

Agatha se sentou assim como eu.

–Essa floresta vive a mais ou menos uns 2 séculos. Ela fez parte da minha história, e da sua também.

–Como assim?- perguntei confusa.

–Há muito tempo atrás houve uma guerra muito violenta e sangrenta, eu estava nela, minha espécie era comum naquela época, mas depois daquela porcaria de guerra, fui uma das únicas que sobreviveu.

–Que guerra? Por que ela aconteceu?

–Você já ouviu falar da história de John e Liria?

Demorei um pouco para responder. Lembrava muito bem dessa história que Yanna me contou, sobre a maldição, o amor entre um anjo e um demônio, o como era proibido isso, e que o conselho odiava os nefilins...

–Sim.

–Que bom, não vou ter que falar toda aquela história... Enfim, você estava lá, porém não era um nefilin, era um demônio.

Com certeza minha cara não era uma das melhores depois dessa informação pois Agatha parou de falar assim que olhou pra mim. Como assim eu era um demônio? Eles são dos mau, com certeza eu não era má, ou era?

–Eu sei, é estranho, mas você aqueles demônio horríveis, você era linda, e má, era como aquela vilãs que todo mundo gosta, entende?

Do que ela estava falando? Eu não podia ser um demônio! Balancei a cabeça negativamente.

–Você era tipo a Liria, na verdade, ela era sua irmã mais velha. Você era má sim, mas um má bom, não consigo explica direito... Mas então, você não apoiou quando soube que Liria estava namorando um anjo do conselho, Liria estava mudando, estava ficando boa, você pensava que estava a perdendo para o conselho.

–Como sabe de tudo isso? Como posso confiar?

–Porque eu estava ao seu lado, ajudando você a superar tudo isso. Se eu fosse você confiava em mim sim, não tem mais ninguém que conheça essa história e que queira ajuda-la.

Fiquei sem graça, ela tinha razão, estava tentando me ajudar a lembrar de tudo.

–Posso voltar?

–Claro, desculpe.

–Como estava dizendo, você não gostou nadinha disso no começo, mas o próprio John fez você mudar de ideia. Você começou a mudar de ideia, ele fez você percebe que sua irmã só estava melhorando e não piorando, assim como você estava melhorando também, estava ficando boa. Você tinha uma família nova, Liria e John eram sua única família, seus pais... eles...

Agatha não completou a frase, entendi completamente o que não conseguia dizer.

–Tudo bem, entendo.

Pude ver um sorriso em seu bico, o que me fez confiar mais naquela criatura estranha e bonita.

–Quando eles pretendiam fugir, ia levar você junto, mas isso nunca aconteceu. A irmã de John os deduraram. Você ia mata-la, porém Liria conseguiu te impedir, só que não conseguiu impedir John, ele a matou, o conselho pegou John e Liria. Quando você soube que John ia morrer e Liria ia ser presa, não aguentou. Planejou um ataque contra o conselho. Estavam todos apostos, conseguiu juntar muita gente. Mas quando Liria morreu, foi de mais até para mim. Você ficou arrasada, não conseguiu se concentrar no começo da luta. Você conseguiu chegar onde eles colocaram o bebê, o pegou e levou para longe. E depois se convencei que se você salvasse aquela criança, tudo poderia melhora. Então voltou para a luta. Lutamos bravamente naquela guerra entre anjos, nefilins e demônios. Porém você... você não conseguiu sobreviver, eu tentei de tudo, mas não conseguiu... Depois disso, fiquei arrasada, mas continuei minha missão, protegi a criança até ela conseguir viver sozinha, e foi assim que você nasceu, através dessa criança que salvamos, deve ser seu tatatata vô. Quando soube que você estava novamente a vida, vim correndo até seu encontro, e aqui estamos.

Aquilo foi demais, muita informação ao mesmo tempo, tudo de uma vez. Fiquei um tempo pensando em cada palavra que Agatha falou. Como tudo aquilo aconteceu e eu nem sabia? Tudo tinha acontecido comigo, não comigo exatamente, mas foi comigo...

–Nossa, eu não sabia...

–Claro que não, ninguém se lembra de suas vidas antepassadas, mas eu lembro, pois sou um pouco imortal, só morro se for em alguma guerra ou algo assim, mas não morro com a idade.

–E... E o que essa floresta tem haver com meu antepassado?

Agatha demorou um pouco para responder, parecia um assunto delicado, foi então que entendi.

–Foi onde eu morri, não foi? –disse olhando em volta.

–Você se lembrou de algo?- disse ela esperançosa.

–Não, mas deduzi. Só tinha me lembrado que essa não foi a primeira vez voava com você.

–É, não foi mesmo. A primeira vez que voou comigo, tinha apenas 3 anos de idade, você caiu, me xingou por isso, mas montou de novo e foi indo até que conseguiu subir em mim ate de olhos fechados.

–E você esperou todo esse tempo por mim?

–Sim, você ainda é importante para a história, Ruby. A profecia que John fez... O fim é inevitável perante as mãos do incontrolável. Uma escolha rematará que os anjos uma vez renunciaram. Ela se refere a você, querida, você é a incontrolável nessa história. Não gosto de falar isso, pois você já é difícil controlada, imagine incontrolável, mas saiba que estarei aqui para apoia-la no que der e vier.

–O que? Como assim sou a pessoa da profecia? Yanna é. Todos acho que ela é, e ainda mais a profecia fala que é um anjo, não um nefilin. Yanna vais e torna um anjo.

–O que? Como assim anjo? Que pensou isso, teve uma imaginação muito grande, hein? A profecia não se refere a um anjo, os anjos são o que o conselho mais gosta, como seria um anjo? “Uma escolha rematará que os anjos uma vez renunciaram” Vai se volta contra os anjo, ou seja, é um nefilin ou um demônio.

–Não, não, não. Não pode ser. Eu sou nova aqui, não sei fazer escolha desse tipo. Não sou eu não.

–Rubi, você não é nova nessa área, sua mãe é um anjo, seu pai... E você, querida, você já viveu algo parecido, não é nova não.

Como assim? Eu não tinha nada a ver com aquela profecia, não podia, eu, eu não aguentaria...

–Me leve de volta.

–Mas por que...?

–Só me leve de volta, preciso pensar, sem ninguém ao meu lado.

Agatha ficou um pouco chateada, mas era preciso. Ela me levou de volta a escola, depois desapareceu na floresta. Sorte minha, ninguém me esperava para fazer milhares de perguntas. Fui até a candelária, e sentei no banco, estava tudo muito confuso para raciocinar tudo. Saber que você teve alguém no passado, seu antepassado, não é nada fácil, e ainda mais, saber que ele sofreu e morreu em uma guerra idiota.

E ainda mais, como eu seria a pessoa da profecia, não podia ser. Eu não sou incontrolável, sei me controlar muito bem. Meus pensamentos foram intrometidos por alguém que sentara ao meu lado e eu nem percebera.

–Posso conversar com você?- disse aquela voz nunca esqueceria.

Notas finais
Bom, quero pedir novamente desculpa pela demora, eu sei q pedi isso nos capitulos anterioes, mas é que eu estava muito ocupada e só consegui postar agora :S desculpem. Mesmo assim, espero que tenham gostado, comentem :D podem em xingar nos comentarios que eu mereço por ter demorado muito pra postar :S
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.