Assim que sai de meu banho percebi que não tinha roupas para vestir, ao não ser as que usara, que estavam imundas e fedidas. Abri devagar a porta e chamei:

–Yanna.

–Eu- disse Yanna indo até a porta.

–Hum... Eu não... não tenho roupa para usar, poderia me emprestar alguma?

–É claro. O que você gostaria de usar?- disse indo até um guarda roupa que nem tinha percebido que existia.

–Qualquer coisa.

–Ah, desculpa Ruby, mas não tenho isso. O que você acha de um short e uma regata?

Ri e depois falei:

–Pode se, mas queria tanto o qualquer coisa, é a nova moda- disse rindo e pegando a roupa.

Yanna rio e disse:

–Depois quero ver essa qualquer coisa, adoraria usar.

Vesti o short jeans, que parecia com o qual Yanna usava, curto e delicado. E depois a regata que era lisa e amarela, coloquei o meu all star sujo e dei uma olhada no espelho.A roupa serviu certinho, tínhamos o mesmo tamanho. Meu cabelo estava solto, molhado e castanho, já que as mechas loiras desapareceram há algum tempo. Deixei como estava, só dei uma arrumadinha e sai do banheiro.

Yanna estava sentada no banco embaixo da janela e olhando através dela com um sorrisinho apaixonado e tímido. A observei um tempo. Yanna era mesmo muito bonita, parecia mesmo um anjo, acho até que é um. James falou que essa escola era para anjos também, então, ela poderia ser um. Andei até ela e passei a mão em seu ombro, o que a fez pular de susto.

–Nossa, você me assustou-disse.

–O que estava olhando?- perguntei.

Ela olhou para a janela e depois para mim, então percebi que estava envergonhada, pois estava vermelha que nem um pimentão.

–Eu? Eu não estava... olhando nada- disse gaguejando e se levantou.

Sentei em seu lugar e olhei pela janela. Havia uma quadra de basquete um pouco pequena no meio de um jardim incrível, cheio de flores de varias cores e tipos. Vi algumas rosas, girassóis, orquídeas, em fim tinha de várias espécies. Ao lado da quadra também havia um banquinho de madeira. Dois garotos estavam sentados olhando mais dois garotos jogarem basquete. Um era alto e jogava sem camisa, ele tinha um corpo muito... muito bonito. E o outro era um pouco mais baixo e usava camiseta.

–Quem é?- perguntei inda olhado para os jogadores e com um sorriso malicioso.

–Que? Quem é o que?-perguntou Yanna.

Olhei para ela e ela ainda estava vermelha e sorria envergonhada.

–Olha, eu sei que estava olhando os garotos lá embaixo, quero saber quem é?

–Eu? Não estava olhando... garoto algum, estava... estava olhando as flores- disse gaguejando.

–Sei...- disse ironicamente.

Yanna abriu a boca para falar algo, porem foi intrometida por um batida na porta, e logo depois de bater entrou. Era Fanny.

–Ah, trocou de roupa, não é? Legal, ficou legal em você- perguntou olhando para mim.

–Ah, valeu, a roupa é da...-Fanny nem deixou eu terminar a frase.

–Yanna, é eu sei, é bem o estilo dela. Em fim, falei com a diretora e ela disse que é para Ruby ficar com você- disse se referindo a Yanna.

–Tudo bem, acho que vamos nos dar bem- disse ela sorrindo para mim.

–E Ruby, a diretora quer falar com você- disse ela se referindo há mim.

–Ta bom –disse e me levantei do banco.

Fanny veio até mim, pegou minha mão e me puxou para a porta. Quando passamos perto de Yanna sussurrei para ela:

–Depois, precisamos conversar sobre o garoto.

–Não estava vendo nenhum garoto!-gritou rindo.

E então ouvi a voz de um garoto pela a janela:

“-Que garoto?!”- disse alguém com uma risadinha.

Olhei para Yanna e ela congelou, então Fanny fechou a porta do quarto e a segui. Voltamos até o campo que estava com menos gente do que antes. Seguimos até a trilhazinha que eu e James passamos e por fim fomos até a casa principal que ficava a poucos metros do portão.

Agora que podia ver a casa de perto pude ver que ela era mesmo antiga e bonita. Parecia ter mais ou menos três andares. Possuía varias janelas em todos os andares.Ela não tinha cor, os tijolos antigos preenchiam o lugar das tintas na parede. A porta era grande e de madeira velha e uma coisa na maçaneta me chamou atenção. Ela tinha o formato parecido com a letra B deitada, ou como um 8 deitado, e prateada.

Parei um pouco e suspirei:

–Uau!

–É eu sei, muito bonito não é? Também gosto dessa vista, mas você tem que olhar dentro, é mais bonito ainda- disse Fanny me puxando para a porta com a maçaneta engraçada.

Quando atravessamos a porta senti um ar em meus cabelos, era como abrir algo trancado há muito tempo, mas em vez de sair um ar podre, com cheiro de mofo, saiu um ar fresco e com cheiro de baunilha. O lugar era como uma recepção de um hotel chique. O piso de mármore se estendia por toda a recepção, havia alguns sofás nos cantos, um grande lustre bem no centro. Abaixo dele havia um balcão de madeira, e nele uma mulher alta de cabelos negros e cacheados, com a pele morena estava sentada lendo um livro.

Fanny me levou até lá, assim que nos viu a mulher parou de ler e se concentrou em nós.

–O que foi Fanny?- perguntou.

Sua voz era calma e firme, mas a mulher parecia um pouco triste e distante. Como se estivesse perdida escuridão profunda e sem fim.

–Srta.Laureen, a diretora pediu para que eu traze-se a Ruby- disse Fanny com respeito, de cabeça baixa e apontando para mim.

Srta Laureen me olhou de corpo inteiro e deu um sorriso.

–Nossa, quanto tempo querida. Lembro de você quando era pequenina. Não sabia que tinha crescido tanto- deu mais um sorriso largo e sincero para mim e depois continuou sem tirar os olhos do meu- Podem entrar.

Não entendi nada, quem era essa mulher? Olhei para Fanny na esperança de alguma resposta mas ela ainda estava de cabeça baixa e um pouco confusa. Então ela agradeceu e me puxou para um corredor que ficava a esquerda do balcão. No fim do corredor tinha um hall. Um bebedouro, uma janela grande, banquinho ao lado de uma porta e um vaso grade ao lado da janela.

–Espera ai, acho que ele ainda está ai dentro- disse Fanny entrando na sala que a porta escondia.

Sentei no banquinho e depois de alguns segundo escutei vozes:

“- Pronto, ela esta lá fora- disse uma voz que reconheci rapidinho. Era Fanny”.

“-Eu a trouxe pois sei que ela é sim a garota da profecia- disse uma voz ignorando Fanny. Demorei um pouco para reconhecer, mas então ele entrou na minha cabeça. Era a voz de James”.

O que James estava fazendo lá?- pensei. Então um terceira voz surgiu na conversa.

“-Olha, James, eu sei que pensa nisso, mas esta enganado. Ruby não é a garota da profecia, pois na profecia fala que é um anjo, e eu sei muito bem que Ruby não é um anjo. E você só a trouxe porque eu pedi- disse uma voz suave e firme”.

Conhecia aquela voz muito bem. Paralisei, fiquei espantada. Como ela poderia estar ali?

Me levantei e abri a porta para ter certeza. A conversa parou imediatamente. Fanny estava sentada em uma cadeira perto da mesa principal. James estava em pé ao lado de Fanny. E ela estava em pé na frente de Fanny, do outro lado da mesa. Era mesmo ela, mas o que estaria fazendo aqui?

–Mãe!- disse completamente espantada ao vela em pé e não em uma cama de hospital onde pensei que estaria- O que esta fazendo aqui?!

Notas finais
Bom, está ai o "primeiro capitulo". Espero que gostem :)