Notas iniciais
Vocês pediram e eu atendi! Aqui está a continuação da one-shot "Amanhã Será um Recomeço". Espero que gostem. Me digam, se acham que devo continuar. Desculpem os erros ortográficos, não deu tempo de revisar. Por favor, me digam o que esta errado na escrita e irei concertar. Beijokas.

Muitos meses haviam se passado desde o trágico dia em que Camilo descobriu sobre a farsa do casamento. Julieta durante esse tempo batalhou arduamente para reconquistar a confiança e o carinho de todos novamente, mas ao contrário de todas as lutas que enfrentara anteriormente, dessa vez ela não estava sozinha, teve companhia para enfrentar as conseqüências do seus atos, alguém que a apoiou, a incentivou, a confortou e a defendeu, e este alguém era o seu amado Aurélio Cavalcante.

Lentamente ela foi sendo perdoada e principalmente se perdoando. Eles continuavam sem entender os motivos para a Rainha do Café ter feito tal ato, com exceção de Elisabeta e Aurélio que conheciam todo o seu passado e todas as suas mágoas e dores, mas tanto Ema, a família Benedito e Camilo era tão doces e amáveis que após passar o tempo necessário, a perdoaram e a aceitaram de volta.

Foram necessários mais longos meses para reconquistar a confiança de todos eles, mas parecia uma eternidade para Julieta. As noites em que a tristeza inundava todo a sua alma e o choro chegava com uma força avassaladora eram freqüentes, entretanto, o filho do Barão sempre estava ao seu lado nesses momentos deprimidos. Ele a aconchegava em seu abraço caloroso e protetor, acariciava os seus cabelos, distribuía beijos pelos seus lábios e sua pele, e proferia palavras de conforto, mantendo sempre a plena certeza de que a situação se reverteria. Aurélio estava certo. Atualmente eles a amavam e confiavam mais uma vez nela.

Haviam percebido o quanto a mulher havia mudado nos últimos tempo, já não era mais a mesma do que era quando cometeu tal atrocidade. A maneira com que tratava os demais demonstrava isso, até mesmo a sua aparência era prova para essa nova fase da Rainha do Café, já que agora ela trajava vestidos coloridos e os seus cabelos estava soltos, com apenas algumas mexas presas, tornando-a muito mais juvenil e surpreendendo a todos com a sua beleza e leveza.

Hoje todos estavam reunidos em sua casa. Aurélio e Julieta haviam planejado um almoço na fazenda. Já tinham almoçado e estavam agora sentados na sala de estar, apreciando um café com bolo de cenoura, acompanhado por muitas risadas.

Inicialmente Ofélia e Felisberto contaram as travessuras de suas meninas quando estas ainda eram crianças, as cinco tinham personalidades muito aventureiras que renderam boas histórias. Aurélio também relatou algumas das travessuras da pequena Ema, que parecia sempre ser arrastada por pura inocência para as confusões das irmãs Beneditos, uma personalidade completamente diferente do marido Ernesto que afirmou que sempre se envolveu em badernas por sua própria escolha, arrancando risos de todos. Até mesmo Camilo e Darcy compartilharam histórias engraçadas da época em que se conheceram, fatos este que Julieta desconhecia.

Riu com as memórias do seu filho e do amigo, mas ao mesmo tempo o seu coração se apertou. Perdeu tantos momentos de alegria pelos quais Camilo passou, perdeu inclusive as traquinagens que o menino aprontou, e isso a entristeceu. Tentou afastar tal pensamento e se concentrar no que Aurélio sempre dizia: o passado não pode ser mais mudado, mas o presente nos concede a oportunidade de nos redimir e o futuro nos dá a esperança de uma segunda chance.

Olhou para o botânico que estava sentado ao seu lado. Ele exibia um sorriso divertido nos lábios, escutava atentamente as histórias que eram contadas pelos amigos e isso fez com que ela própria sorrisse. Nunca imaginou que poderia desenvolver tal sentimento por outra pessoa, mas Aurélio com a sua doçura, determinação e amor, aflorou o melhor de dentro dela, e isto se chama amor. Sentia também extrema atração por aquele homem, ele fazia o corpo dela sentir e experimentar coisas maravilhosas e inexplicáveis.

Nesse momento o filho do Barão olhou para ela e a encontrou fitando-o apaixonadamente. As bochechas da Rainha do Café ficaram imediatamente avermelhadas pois sabia que tinha sido pega em flagrante e isso fez com que o sorriso dele se abrisse ainda mais, provocando-a de certa maneira. Antes que Aurélio pudesse falar qualquer coisa, ela desviou olhar e se pronunciou, interrompendo o assunto por um breve momento.

— Se me dão licença, eu vou pedir para Judite preparar mais café. — Julieta disse e levantou-se, este apenas era um motivo para fugir do botânico e da petulância dele, sabia no momento em que foi pega que ele não deixaria passar em branco, a provocaria por isso.

— Mas ainda há bastante café, Julietinha! — Ofélia falou enquanto erguia a chaleira elegante de café que ainda estava cheia, todos ali poderiam repetir a xícara tranquilamente. Por conta do apelido, Julieta sorriu de maneira amável, a mãe de sua nora a chamava assim desde as primeiras vezes em que se conheceram.

— Mas com todas essas histórias incríveis sendo compartilhadas acredito que logo precisaremos de mais café. — A dona da fazenda educadamente respondeu. Isso era verdade, da maneira que estavam a tomar a bebida e conversar, rapidamente acabaria.

— Mas não seja por isso! Eu mesmo chamo! — Ofélia anunciou e as suas filhas, genros e marido puderam prever o que aconteceria — JUDITE! — A mulher gritou, fazendo com que as pessoas ao seu redor se sentissem desconfortáveis com a sua voz aguda e alterada.

— Não, não Dona Ofélia! — A Rainha do Café disse rapidamente, tentando se manter educada e assim, interrompendo o grito da mulher. — Muito obrigada, mas não é necessário, eu mesma irei até lá. Judite deve estar demasiadamente atarefada com a lavagem da louça e não quero interrompê-la apenas para vir até aqui.

— Mas... — Ofélia estava pronta para começar mais um argumento. Aurélio tentava esconder o riso ao ver como a sua amada tentava se desvencilhar da mulher grisalha, apenas para fugir das suas provocações.

— Mamãe! — Elisabeta interveio na situação, já que todos ali presentes estavam um pouco desconfortáveis com a insistência da mulher. — A senhora esta sendo inconveniente. Deixe a Julieta ir pedir para que preparem mais café. — A jovem exibiu um sorriso constrangido para a sua mais nova amiga, como se fosse um pedido de desculpas.

— Desculpa, Julietinha! Ora, eu sou desse jeito mesmo, desinibida, a senhora bem sabe — A mãe das cinco meninas se deu conta da situação que havia criado. — Pode ir pedir para preparem mais café que nós tomamos de bom grado!

— Não precisa se desculpar, Dona Ofélia! Não tem problema algum. — Apesar de muitas vezes a mulher Benedito agir de forma inconveniente e constrangedora, Julieta tinha grande apreço e carinho por ela, também se divertia muito com o jeito dela. — Demorarei apenas breves minutos, com licença.

A anfitriã da reunião se retirou rapidamente e foi até a cozinha. Ao chegar pediu para que a governanta preparasse mais café assim que possível, mas apenas pedir isso era muito rápido e ela precisava se manter mais alguns minutos longe de Aurélio, não poderia lidar com ele sendo atrevido e sensual em meio as outras pessoas, por mais discreto que o futuro Barão fosse, ela acabaria rindo ou ficando demasiadamente vermelha e assim sabia que chamaria a atenção dos demais para eles. Sendo assim, pegou um copo de água e tomou vagarosamente, tal atitude levantou suspeitas de Judite, que já conhecia e acompanhava Julieta desde os dezesseis anos de idade. A governanta se lembra até hoje de toda a dor a sofrimento que vira a menina passar, muitas vezes, foi ela quem cuidou dos machucados que Osório deixava pelo corpo de Julieta.

— Me parece que esta demorando para tomar a água apenas com o intuito de fugir de alguma situação. — Judite disse com um olhar desconfiado, cruzou os braços e observou Julieta agir como se não entendesse o que ela estava dizendo. — E eu diria que o Senhor Aurélio esta envolvido nesta situação, já que você esta com as bochechas coradas e um riso escondido nos lábios. — A governanta tinha liberdade para dizer isso, já que vira a morena praticamente crescer. Com o tempo as duas desenvolveram uma linda relação de afeto e sentia como se Julieta fosse sua filha.

Para Judite a mulher em sua frente sempre será uma menininha, que bravamente passou por muitas coisas ruins em sua vida e agora, finalmente, encontrou a felicidade e descobriu que o amor existe. A viu passar por diversas mudanças durante os anos, se transformar na Rainha do Café, uma pessoa distante e fria com os demais, com exceção de Judite, pela qual sempre mostrou muito respeito. Entretanto, agora ela tinha voltado a ser aquela menina que conhecera anos atrás, voltou a soltar os cabelos, se vestir de maneira mais leve e principalmente, voltou a sorrir. Isso enchia o coração de Judite de alegria, ver a sua menina voltar para a própria essência.

Julieta deixou o copo em cima da mesa e soltou uma gargalhada que estava segurando desde quando saiu daquela sala, isso fez com que a mulher mais velha também sorrisse.

— Você me conhece tão bem! — Aproximou-se da governanta e a abraçou de maneira divertida, chacoalhando-a de um lado para outro e fazendo com a mulher soltasse um riso divertido.

— Então eu estava certa! — Judite continuou a rir, enquanto a menina a abraçava ainda mais apertado. Era bom sentir o abraço daquela que apesar de não ser biologicamente a sua filha, foi capaz de aflorar tal sentimento materno na governanta que nunca tinha tido um filho.

— Judite, você sempre esta certa e sabe disso. — Julieta se desvencilhou do abraços e depositou um beijo na bochecha da mulher. — Também sabe que não quero mais que continue a trabalhar, quero que aceite o seu quarto no segundo andar e apenas se permita ser servida e não mais servir. Eu queria tanto que tivesse almoçado conosco na mesa principal hoje, ou melhor, eu quero que almoce todos os dias comigo na mesa enquanto os outros criados nos servem

— Já conversamos sobre isso, Julieta. Eu não viverei as suas custas igual Susana e Olegário viviam, e muito menos serei sanguessugas como eles. — Judite afirmou e virou-se para começar a preparar o café que havia sido requisitado. — Agora vá, se não seu café não ficará pronto. Além do mais, é deselegante a anfitriã deixar os convidados sozinhos na sala de estar. — A governanta rapidamente disse antes que a morena começasse um novo argumento.

— Eu irei, mas saiba a senhora que a nossa conversa não encerrou por aqui, Dona Judite. — A morena depositou mais um beijo na mulher mais velha e se retirou da cozinha.

Enquanto caminhava pelo corredor podia escutar as vozes e os risos daqueles que estavam na sala. Parou na metade do corredor, onde era possível enxergá-los, mas não era possível que eles a vissem. Se deu ao luxo de apenas observá-los, estavam todos gargalhando enquanto Ernesto contava alguma de suas aventuras malucas, com exceção de Aurélio que por algum motivo havia se ausentado. Sua família estava confortável e feliz em sua casa. Sim, eles eram agora a sua família.

Lembrou-se que dois anos atrás era solitária e amarga, não tinha ninguém que a pudesse fazer feliz ou sorrir, vivia em uma completa escuridão, onde só havia mágoa e infelicidade. Sua residência assim como ela, sempre estava vazia, apenas com os seus sócios entrando e saindo, não tinha calor e alegria, era mórbida e fria. Agora ali estavam essas pessoas, trazendo alegria, histórias e calor para a sua residência e para ela. O coração de Julieta se aqueceu ao ver tal cena e o seu lábios exibiram um sorriso feliz. Não era mais solitária, pelo contrário, era muito amada e querida. Ela só tinha alegria e amor em seu coração.

Sentiu dois braços fortes segurarem delicadamente a sua cintura por trás, sabia que era Aurélio e apenas por isso não impediu. Sentiu o corpo do homem colar no seu e a abraçar de uma maneira protetora e amorosa. Ele depositou um beijo demorado na curva do pescoço de Julieta, fazendo com que ela prendesse a respiração.

— Estou desconfiado que você seja um espiã. — Aurélio sussurrou perto da orelha de Julieta, fazendo-a sorrir com a brincadeira. — Antes estava me espionando, agora esta a os espionar.

A Rainha do Café se virou dentro do abraço do homem, ficando de frente para ele. Seus braços se enrolaram no pescoço do filho do Barão, enquanto as mãos dele continuaram repousadas na fina cintura, entretanto, ele fez questão de trazê-la mais para perto do próprio corpo.

— Você esta extremamente enganado, Aurélio Cavalcante. — Julieta disse com um tom de desafio e com uma expressão séria, mas ambos sabiam que ela estava segurando um sorriso. O botânico ergueu uma sobrancelha, questionando-a silenciosamente. — Eu não estava lhe espionando. Eu estava lhe admirando.

— Então você me admira? — O loiro disse enquanto exibiu um sorriso entreaberto e aproximou os lábios aos do dela, deixando apenas alguns centímetros de distancia. Estavam relembrando um dos primeiros diálogos que tiveram quando se conheceram, mas agora os papéis estavam invertidos e a situação era completamente diferente.

— Não apenas lhe admiro... — Julieta depositou um selinho rápido no lábios do futuro Barão. — Mas também como te amo, Aurélio. — Ela deu mais uma selinho nos lábios do homem, dessa vez mais demorado e acariciou com as pontas dos dedos a nuca dele. Quando se afastaram ambos exibiam sorrisos abertos apaixonados e encantados.

— Eu nunca me cansarei de ouvir isso, e muito menos de dizer. — Aurélio levou a sua mão direita até a bochecha da mulher e acariciou, fazendo com que o sorriso da mesma aumentasse. — Eu te amo, Julieta.

Assim que terminou a declaração ele cerrou a distância da boca dele com a dela e ambos fecharam os olhos. Aurélio abriu espaço nos lábios de Julieta com a sua língua quente e macia, e ela pode sentir a respiração dele quente em sua boca, logo a língua adentrou na boca da mulher. Aurélio virou um pouco o rosto e os lábios se encaixaram com perfeição, como se estivessem destinados um ao outro. As línguas se arrastaram uma sob a outra, trazendo uma sensação de prazer. Era um beijo calmo e amoroso.

O botânico desceu a mão direita novamente para a cintura da mulher, apertando-a e trazendo ainda mais para perto dele. Julieta por sua vez, tinha uma mão no cabelo dele acariciando os fios e a outra mão estava na nuca, raspando delicadamente a pele com suas unhas curtas. O beijo se tornou mais apaixonado, mais exigente e mais apressado, como se precisassem um do outro o mais rápido possível, logo, a respiração estava acelerada e o calor percorria cada parte do corpo dos dois.

Entretanto, um barulho estridente de um objeto caindo fez com que o casal afastasse os corpos rapidamente, alguém os tinha pego em flagrante. Quando olharam para frente estavam Jane e Camilo parados com os olhos arregalados e envergonhados.

Julieta e Aurélio assim como o jovem casal arregalaram os olhos. De todos presentes na residência, justo o casal mais envergonhado e tímido tinha que encontrar os dois nessa situação, e logo, tinha que ser o filho da Rainha do Café. A situação não poderia ser mais constrangedora. Julieta respirou fundo e engoliu seco, não sabia qual seria a reação de Camilo, quer dizer, o menino sabia que ela e Aurélio estavam em um relacionamento, mas nunca tinha visto tamanha demonstração de afeto.

— Desculpe, minha sogra. — Jane foi a primeira a quebrar o silêncio. O filho do Barão havia se recuperado do susto, entretanto, a Rainha do Café e o seu filho continuavam com as mesmas expressões perplexas. — Camilo e eu estávamos indo até o escritório, pegar um livro que ele me dissera que a senhora tinha e eu... eu acabei esbarrando na mesa. — A menina se agachou e começou a juntar os objetos que tinham caído da pequena mesa que ficava no corredor, felizmente nada tinha se quebrado. Aurélio também se abaixou e ajudou a moça. — Eu sou tão desastrada! — A nora disse tentando quebrar o silêncio.

Camilo e Jane estavam indo até o escritório de Julieta pegar um livro do qual ele havia contado para a esposa, sabia que a sua mãe não se importaria. Ao chegarem no corredor se depararam com a cena da sua mãe e do namorado se beijando, mas não era um simples beijo, era daqueles cheio de desejo e que geralmente levavam para uma coisa a mais, isso deixou o jovem perturbado. Ambos se apavoraram e tentaram rapidamente contornar o caminho, mas estavam muito afobados para sair daquela situação constrangedora e Jane acabou esbarrando na mesa que ficava no corredor e os objetos caíram, chamando a atenção do casal mais velho para eles.

Agora ali estava ele, olhando para a sua mãe com os lábios avermelhados por conta do beijo árduo, a respiração acelerada, as bochechas coradas e os olhos mais arregalados do que os dele estavam. Ele sabia que ela e Aurélio haviam iniciado um relacionamento amoroso e isso o encheu de alegria. Saber que um homem educado e carinhoso como o filho do Barão estava amando e protegendo a sua genitora o deixava contente, mas não esperava vê-los compartilhando carícias, na verdade, já os tinha visto de mãos dadas e sorrirem de forma boba e apaixonada um para o outro, mas nunca os vira se beijando.

Sinceramente, não se incomodaria ou se sentiria desconfortável em vê-los trocar selinhos ou beijos na bochecha, afinal, eram um casal e casais fazem isso, mas não esperava e nem queria encontrá-los trocando um beijo tão apaixonado, tão desesperado e com tantos toques igual o que ele tinha flagrado. Nunca imaginou que um dia pegaria sua mãe em tal situação, e nem ela mesma imaginou que um dia passaria por isso também, visto o olhar assustado e constrangido que possuía.

Ele estava embaraçado e envergonhado com a situação, mas viu que tinha duas opções: poderia ficar bravo e ciumento com Aurélio que tocava a sua mãe daquela maneira e zangado com Julieta que facilitava para que pudesse ser tocada e agarrada pelo namorado, assim provavelmente começaria uma discussão e uma situação desnecessária, ou poderia tentar agir normalmente, como se fosse natural estar em uma situação assim e não deixar o casal a sua frente ainda mais desconfortável, principalmente a sua mãe.

Jane e o filho do Barão já haviam ajuntado e organizados os objetos na mesa e agora fitavam mãe e filho, esperando que um deles tivesse alguma reação. Camilo pigarreou e levou a mão em sua cabeça, coçando-a de uma maneira desajeitada.

— Nós vamos até o escritório e logo encontraremos vocês na sala novamente, mãe. — O menino exibiu um sorriso aberto, tranqüilizando imediatamente o coração da sua genitora que estava apreensiva com a reação do filho. — Eu apenas aconselho que esperem alguns minutos antes de voltaram para lá, assim, podem se recompor e os demais não suspeitarão do motivo da demora de vocês. — Camilo soltou uma risada baixa e rápida, ele poderia fingir mais tarde que nada havia acontecido, mas agora não perderia a oportunidade de fazer uma gracinha com a sua mãe que agia sempre de maneira tão ética e correta. Pegou a mão de Jane e os dois se dirigiram até o escritório, rapidamente desaparecendo no corredor. Ao adentrarem no escritório os dois explodiram em gargalhadas.

Julieta estava tensa, apesar dos olhos agora não estarem mais arregalados, ainda demonstravam o desconforto da situação. Inicialmente ficou com medo da reação do seu filho, de que este ficaria bravo ou que não seria mais capaz de olhá-la por vergonha, mas agora tinha a plena certeza de que este estava tranqüilo a respeito da situação que tinha presenciado, e o pior, estava fazendo brincadeiras a respeito disso. Os pensamentos da morena foram atrapalhados pela risada divertida do botânico.

— Por que está rindo? — A Rainha do Café pronunciou enquanto fitava com expressão séria o homem ao seu lado, que continuava a gargalhar. — Não tem graça nenhuma, Aurélio! Você não entendeu a gravidade da situação?

— Que gravidade da situação, meu amor? — O filho do Barão disse em meio ao riso incessante. — Apesar das expressões assustadas dos dois jovens, Camilo esta tranqüilo com isso. Fez até mesmo uma brincadeira! — Observou a sua amada ajeitar os cabelos ondulados e alisar o vestido, em uma tentativa de se recompor do beijo e do flagrante.

— E você acha engraçado meu filho me caçoar por conta da situação... — A mulher procurou as palavras adequadas para utilizar. — Da situação íntima que nos encontrou? — Aurélio ainda rindo balançou a cabeça positivamente e recebeu um olhar irado e de desaprovação da sua amada, sabia que ela iria ficar enfurecida com a sua atitude, mas não pode deixar de provocá-la. Alguns segundos do olhar duro da mulher fez com que cessasse o riso. Ela voltou a arrumar a aparência e ele seguiu o seu exemplo, alisando o próprio paletó.

— Precisamos voltar para a sala de estar. Como eu estou? — Julieta perguntou, com o intuito de descobrir se sua aparência poderia levantar alguma suspeita do beijo caloroso trocado entre eles.

— Você está parecendo assustada, como se tivesse sido pega em flagrante. — Aurélio disse em meio ao riso novamente, brincando com ela e desse vez a Rainha do Café não foi capaz de se conter e riu também.

— Pare, Aurélio! Eu estou falando sério! — A morena continuava a rir e bateu levemente com a sua mão no ombro do homem, que imediatamente agarrou de maneira leve o braço desta e a puxou para perto dele. Ele a abraçou delicadamente enquanto os dois continuaram a rir. Após alguns segundos o riso de ambos cessou.

— Você está deslumbrante como sempre, Julieta. — Aurélio tocou novamente o rosto dela e depositou um selinho rápido nos lábios doces da sua amada.

— Obrigada, meu amor. — Julieta exibiu um sorriso doce e amoroso, afastando-se lentamente dos braços do homem. — Agora vamos voltar para a sala de estar para ouvir as histórias dos nossos amigos e mais tarde poderemos terminar o que iniciamos.

A Rainha do Café exibiu um sorriso atraente e um olhar sedutor que fez com que a respiração de Aurélio parasse por alguns segundos. Ela segurou na mão dele e se direcionaram para a sala de estar com um sorriso educado em seus lábios, na verdade, o filho do Barão estava mais feliz do que o normal, pois sabia que a noite prometeria uma aventura prazerosa e sedutora para ambos.

Notas finais
Se você leu esse capítulo comente, por favor. É muito importante e me é de grande incentivo. Acham que devo continuar?