Notas iniciais
Finalmente chegamos ao último capítulo da história, só to postando agora porque tive que fazer uns exames de manhã, perdi a manhã toda neles...

Boa leitura!

Capítulo 80: Feliz ano novo

Numa rua próxima a escola, numa casa, uma movimentação chamava a atenção de quem passava, parecia uma mudança, caixas e mais caixas eram carregadas de um caminhão até a casa.

- Aonde eu posso deixar isso Tereza? – Adriano perguntou com uma grande caixa em mãos.

- Não sei... Pode deixar aí mesmo, essas são coisas do meu irmão, ele arruma depois! – a jovem de olhos azuis falou.

- É a última caixa! Caminhão completamente descarregado! – Adriano falou empolgado. – Quando você falou que ia se mudar eu na hora pensei que você ia pra outra cidade longe igual à Irene, os gêmeos, a Alicia, a Rebeca e o Mário...

- Era inevitável pensar assim depois de tudo que aconteceu, mas a minha família só se mudou pra uma casa maior mais perto da escola... Eu tenho que te agradecer Adriano por ser tão gentil de me ajudar com a mudança.

- Sem problemas, também deve ta sendo difícil pra você esse fim de ano né?

- Pois é, peguei dengue no natal, daí quando tava melhorando fiquei doente de novo, nossa família ia passar o natal e o ano novo com parentes lá na Itália, por minha causa não viajaram no natal então falei que ficaria bem e que eles poderiam viajar pra comemorar o ano novo.

- Você falou que eles não queriam ir certo?

- Sim, eles só foram quando meu irmão falou que ia ficar comigo e cuidar de mim, mas como nós dois não somos de ficar parados adiantamos as coisas da mudança que a gente ia fazer...

- Isso sim é estranho, seus pais deixaram vocês dois cuidando de tudo da mudança, meu pai e minha mãe nunca deixariam eu fazer isso sozinho.

- Isso é questão de criação, eu fui criada com muita independência, meu irmão foi criado assim também...

- Por isso que quando você sai com alguém você sempre paga sua parte e não gosta que ninguém pague pra você.

- Sim, lembro que uma vez o Nicholas queria pagar um cachorro quente pra mim e eu não deixei... – ela falou e depois fez uma pausa reflexiva, o clima descontraído ficou pesado de repente.

- Você ainda gosta do Nicholas não é? – Adriano fala meio sem graça.

- Sim, eu ainda não consegui tirar ele da mina cabeça e...

- Você precisa superar isso! Você tem que seguir em frente Tereza! – Adriano falou alterando sua voz.

- Eu sei, mas é que é muito difícil...

- Você tem que tentar, existem tantas coisas, tantas pessoas no mundo, você não pode ficar sofrendo por causa de um relacionamento que não aconteceu, pensa em toda felicidade que você está perdendo...

- Eu sei é que... O Nicholas parecia que gostava de mim de verdade, parecia que... Eu pensei que poderíamos dar certo juntos... – ela deixou algumas lágrimas escaparem.

- Pára com isso! Você tem noção do quão difícil é pra mim escutar isso que você ta falando? – o garoto falou mais alterado assustando a jovem.

- Você ta bem Adriano?

- Não, eu não to bem, eu passei um ano inteiro tentando te impressionar e... Eu gosto de você ta legal!? Mas não é porque você é a garota mais linda que eu já vi e você é, não é porque você chama a atenção em qualquer lugar que você vá e você chama... Eu me apaixonei por você porque eu vi uma pessoa que, do alto de toda essa aparência de anjo, se sentia amedrontada e confusa num lugar estranho, uma jovem que teve medo de se enturmar por conta de um possível julgamento dos outros, eu me apaixonei pela menina assustada que veio de um país distante e que tinha medo de não ser aceita em um meio novo de pessoas diferentes... Por trás dessa força e confiança que você transmitia eu enxerguei o quão humana e delicada que você é, eu vi que o anjo nada mais era que uma delicada flor com medo de uma brisa um pouco mais forte...! – o garoto falou com muita sinceridade, não havia planejado aquilo, não havia ensaiado aquilo, apenas falou espontaneamente o que pensava.

Tereza ostentou uma feição surpresa olhando pra ele, ele, por sua vez, foi se afastando dela.

- Eu falei demais, desculpa qualquer coisa... Desculpa eu ser um idiota sonhador, mas é o que eu sou desde menininho... Desculpa por ser eu e nenhum outro melhor... – falou saindo da casa dela.

- Pronto! Fiz um café pra nós... Cadê o seu colega? Você ta chorando Tereza?! Ele te fez algo mia sorella...?

- Ele me viu, ele enxergou minha alma melhor do que qualquer outro já enxergou... Ele...

- Non capisco... – o irmão falou confuso.

- Eu mesmo to tentando compreender... – ela respondeu ainda confusa, as palavras do garoto a tocaram profundamente.

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- To bem sim mãe, o doutor Miguel gosta muito de mim e ta me tratando bem... Essas festas de ano novo de rico são legais, mas eles comem pouco sabia? – Jaime falava com sua mãe ao telefone, ele estava numa festa de virada de ano na casa de sua namorada. – Sim mãe, eu prometo que eu ligo pra vocês todos quando for ano novo, e amanhã eu vou aí pra casa do vô... Também te amo... Daqui a pouco te ligo de novo minha gordinha! Tchau! – se despediu.

- Sua mãe de novo?! – pergunta retórica de Maria Joaquina.

- Pois é, é a primeira vez que passo uma virada de ano longe deles aí já viu né?

- Sua família é muito unida...

- Até demais às vezes... – Jaime falou olhando a janela, de repente segurou forte a mão de sua namorada. – Vem comigo!!! – falou a puxando pra fora da casa, foram até o jardim.

- Por que você me trouxe aqui? – ela pergunta curiosa.

- Escuta só... – ele falou tirando uma gaita do bolso, começou a tocar uma melodia muito bonita, algo que tinha um ritmo único.

- Que bonito Jaime! Não sabia que você tinha melhorado tanto com a gaita!

- Isso não é nada... Essa música tem uma mágica de verdade! Se você fechar seus olhos e esvaziar sua cabeça o ritmo dela vai tomar conta e sem querer você vai começar a dançar! – ele falou de modo engraçado, ela riu.

- Ta, então vou tentar... – ela falou fechando os olhos. – Não ta acontecendo nada...

- Porque você não esvaziou sua cabeça... Se você não tentar esvaziar a mente não funciona mesmo!

- Vamos ver então... – ela falou fechando os olhos novamente e tentando não pensar em nada, de repente o ritmo da música surgiu na sua cabeça, estranho, o Jaime tinha razão, realmente o corpo queria se movimentar por conta própria. O gordinho então segurou delicadamente as mãos dela e começou a conduzi-la naquele ritmo que só eles escutavam e que só eles entendiam, nesse ritmo seus rostos se aproximaram e seus lábios se tocaram, nesse ritmo o mundo deixou de existir para que apenas aqueles dois amantes desfrutassem de seus universos particulares partilhados.

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- Sabia que você tava aí, afinal onde mais estaria? – Nicholas falou ao chegar ao telhado do prédio onde morava. – De repente você sumiu da festa, o que ta acontecendo? – se referia a uma festa de ano novo que as duas famílias participavam, a dele e a de Larissa.

- Você se lembra que foi aqui que tudo começou pra nós? – ela fala quando ele se aproximou e sentou ao lado dela. – Foi aqui que a gente começou a conversar, aqui que demos o primeiro beijo e começamos a namorar...

- Esse telhado tem uma história legal pra nós... Aqui parece ser o melhor lugar de se ver os fogos!

- Por que é alto?

- Não, porque você está aqui... – Falou e selou os lábios dela, o mesmo beijo atordoante do primeiro dia, o mesmo beijo intenso dos dias seguintes, como aquela sensação indescritível poderia continuar igual a cada beijo? Eles não sabiam explicar e também pra que explicar? Às vezes é melhor sentir do que procurar explicação, às vezes é melhor viver o inexplicável do que procurar uma resposta que não existe.

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- Você continua o mesmo doidão não é Adriano?! Fico pensando se um dia você vai crescer! – um primo do loirinho falou com ele, na casa do jovem sonhador também acontecia uma festa familiar de virada de ano. O garoto não gostava muito de ver certos familiares por não gostar da forma como eles o tratavam, se sentia, muitas vezes, humilhado por alguns parentes. Subitamente sua campainha toca, será que algum parente seu se atrasou? Não, estavam todos ali... Foi até a porta curioso.

- Quem é? – perguntou abrindo a porta, se surpreendeu com quem vira. – T-tereza?! O-oi... – a beleza deslumbrante dela tirava o fôlego dele.

- Oi... Pensei em vir aqui te ver...

- Quem é aquela garota ali na porta?! Não é parente nossa! – um dos primos falou, observava próximo Adriano e Tereza conversando.

- É linda! Nunca vi uma garota tão bonita assim! – outro comentou.

- Talvez seja a namorada do Adriano. – uma prima comentou em tom de ironia, todos riram.

- Família bem humorada essa sua. – Tereza comenta com um leve sorriso.

- Não liga pra eles, devem estar me zuando... Olha se você veio aqui por causa do que eu te falei... É tipo... Eu sinto muito e... – ele falava sem jeito, seu raciocínio difícil se tornou impossível quando ela se abaixou um pouco e o beijou nos lábios. Num primeiro instante ele se assustou, mas depois fechou os olhos e curtiu o momento que por tanto tempo aguardou. Todo arredor deles se tornou mudo, o tempo não existiu por uns instantes, afinal quem é o tempo contra o sentimento desses dois jovens? O que é o mundo perto do que sentiam um pelo outro? Naquele momento Adriano tinha certeza do amor dele por Tereza, e ela, que duvidou do que sentia num primeiro instante, também teve total confirmação pós aquele beijo, um eterno beijo num breve minuto.

- Ta de tiração?! Ela beijou ele... O Adriano ta mesmo namorando aquela gata! – um dos primos comentou perplexo.

- Ele não deve ter nos contado por achar que a gente não ia acreditar, e, cá entre nós, a gente não ia mesmo... – comentário de outro.

- Parabéns pro priminho! – a prima falou.

- Uau! Isso foi mais que incrível! – Adriano falou após o beijo. – Sabe, tem muita gente que fala demais na minha família, todo mundo vai perguntar quem é você e tals... Será que eu posso dizer que você é minha namorada? – ele falou do jeito peculiar dele.

- Claro que sim, afinal nós somos namorados capisce?

- Sim, capisco sim! – ele falou não se contendo em felicidade. – Vamos, entra, eu vou te apresentar pra todo mundo!

- Será que meu irmão também pode entrar? Ele que me trouxe de carona até aqui... – ela falou apontando pro irmão dela no carro que acenava pros dois.

- Hoje você pode tudo! – Adriano respondeu sorrido de largo.

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- Meu anjo?! Ta tudo bem?! – Rafael pergunta a Marcelina, o jovem casal está na casa da moça, festejavam a passagem de ano. – A festa ta bem legal, minhas irmãs estão gostando, o senhor Firmino também, aliás, eu gostei muito dos seus pais terem convidado o senhor Firmino, passar a virada de ano sozinho não deve ser legal!

- Sim, eu que tive a ideia... A festa ta legal sim, mas eu to preocupada com o Paulo, desde que a Rebeca terminou o namoro ele nunca mais foi o mesmo... – ela estava à janela observando seu irmão no portão, ele olhava o nada.

- Mas ele mudou pra melhor, ele ta mais cooperativo e mais boa gente...

- Mas ele ta triste, eu não gosto de vê-lo assim, eu acabo ficando triste também!

- Meu anjo calma! As coisas vão melhorar pra ele, ele vai se encontrar como nós nos encontramos! – ele falou a abraçando, ela sorriu de leve.

No portão Paulo pensava nas coisas ruins e boas que fizera, ainda não havia se perdoado pelo que fizera com Rebeca, ainda sentia aquele sentimento forte por Valéria, doía muito saber que a jovem não queria nada com ele.

De repente um carro pára do outro lado da rua, Paulo consegue ver os professores Renê e Helena nos bancos da frente, “O que os professores estão fazendo aqui? A Valéria sempre convida eles pra passar o fim de ano com a família dela... Que estranho...” se questionava muito quando a porta de trás se abriu.

- V-Valéria?! – foi tomado pela surpresa ao ver a garota por quem era apaixonado, a jovem correu até ele e o abraçou.

- Eu precisava te ver... Eu precisava te ver hoje! – ela falou atônita.

- Mas você... – antes dele terminar a frase ela o beijou, um beijo intenso carregado de todo sentimento dela, um beijo sincero que indicava somente uma coisa:

- Então você aceitou meu pedido de namoro?

- Não, aquele já passou, esse é o meu pedido de namoro! Você aceita? – ela falou sorrindo. – Talvez eu me arrependa, talvez eu sofra, mas tenho que tentar, tenho que tentar ser feliz com você! – ele não respondeu com palavras, ele a levantou feliz e a girou depois a colocou no chão e a beijou novamente.

- Olha só Rafael... O Paulo e a Valéria se beijando?! – Marcelina falou confusa.

- Eu imaginei que havia alguma coisa entre eles... Mas eu to com um pouco de inveja. – o gordinho comentou.

- Inveja do Paulo?! Você queria estar com a Valéria é? – Marcelina perguntou com uma leve alteração.

- Mas que garota ciumenta! Não, quando falei que sentia inveja não era dele, era deles por estarem se beijando... – ele explicou carinhosamente.

- Isso a gente resolve fácil... – ela falou selando os lábios dele apaixonadamente, subitamente algo os fez separar, um barulho conhecido e esperado numa noite dessas, o barulho dos fogos de artifício da virada de ano.

- Feliz ano novo Rafael!

- Feliz ano novo meu anjo! – falaram um pro outro observando o espetáculo da janela.

Os Jovens ao portão também tiveram sua atenção chamada pelos fogos de artifício, pararam pra observá-los.

- Feliz ano novo Paulo!

- Feliz ano novo Valéria! – eles falaram também observando os fogos.

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Na casa de Adriano um quase círculo se formou ao redor dele e de sua namorada, eles ali de mãos dadas enquanto a família falava e falava mais sobre eles, ninguém havia notado que o show de fogos havia começado, o jovem mesmo só notou quando olhou a janela e viu algumas explosões coloridas, ele olhou pra Tereza e ela olhou de volta, não chegou a falar, apenas movimentou seus lábios para que ela pudesse lê-los.

- Feliz ano novo!

- Feliz ano novo! – ela respondeu de igual modo, sorrindo pra ele da mesma forma que ele sorria pra ela.

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No telhado do prédio onde Nicholas e Larissa moravam o som dos fogos também os separou do beijo, as luzes pareciam os iluminar, a imensidão de ceu que viam era como um grande palco pro espetáculo sonoro e colorido dos fogos.

- Feliz ano novo! – ele falou sorrindo.

- Feliz ano novo! – ela respondeu de igual modo.

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No jardim da mansão Medsem aqueles dois jovens ainda se beijavam ao ritmo de sua música imaginária, se separaram quando o ar se fez necessário.

- Sabe o que é mais engraçado em nós? – ela perguntou. – Quando se para pra analisar toda a nossa vida juntos, o quando a gente se conheceu, o tempo que convivemos... É impossível dizer que nós teríamos algum relacionamento! – ela falou com propriedade.

- Talvez... Mas sei lá... O impossível é... O impossível, difícil de definir... – ele falou de modo meio desconexo, ela entendeu o que ele quis dizer e sorriu, o beijou novamente, porém o barulho das explosões se levantou aos ceus e os separou.

- Feliz ano novo senhor Grosso!

- Feliz ano novo Maria Chatonilda! – falaram trocando olhares e risadas diante daquele ceu colorido pelos fogos.

Aqueles fogos representavam o fim de um ciclo e o início de outro, e que ciclo havia se fechado! Um ciclo, um ano de muitos risos, lágrimas, felicidades, tristezas, desilusões, amores, perdas, surpresas, um ano que foi além do comum esperado por qualquer pessoa. Nesse ano, por muitas vezes, o impossível se fez presente na vida desses jovens através de escolhas não tão aparentes e situações de forma alguma esperadas, se bem que como concluir o que é impossível? Como julgar a impossibilidade de algo? No fim é bem como o Jaime disse, o impossível, difícil de definir...

Fim...

Notas finais
Seguinte, eu não vou fazer nenhuma consideração final agora, ainda vou postar um capítulo bônus sobre a Valéria e o Paulo semana que vem e nele vou fazer as considerações finais, por agora eu gostaria de reviews falando o que vocês acharam desse final e da fic como um todo...

Até semana que vem!