O Imaginário
1 O estranho sonho de uma criança
Notas iniciais
Eles pareciam vultos se movimentando além dos pinheiros, eu pensei que fosse impossível, mas eu conseguia vê-los. Haviam asas negras que cortavam galhos e se rasgavam a cada espinho e eu também me via, congelando de medo por dentro, sem poder fazer nada. (Meus pés pequenos sagravam em cascalhos.)
Eram dois e esqueci de quem eram.
Tudo parecia turvo, de repente, eu via o céu se transformar em sangue, os dois vultos se chocavam entre folhas e caiam novamente a floresta de espinhos. Eu sentia uma dor no peito, parecia que ia morrer de angústia, porque queria ajudar a alguém, só que este... Ainda não tinha um nome.
Meu frágil corpo de criança estava preso a dor. Dor que perfurava minha mente também. As imagens que vinham na minha memória eram de dois olhos ferozes, como de um lobo, eram azuis e velhos. E das asas que quebravam o céu, mas ainda não podia sequer vê-las.
O sonho terminou quando um deles gritou e eu desmaiei e no meio do desmaio eu pude ouvir alguém me chamar. Isso lentamente ocorreu e desapareceu ao abrir meus olhos. Era exatamente 6:30, do dia mais confuso de minha vida. Quando perdi contato com meus pais e ganhei um amigo.
Faz cinco anos...
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