O Imaginário de Vincent Allen
7 A Magia do Halloween - Parte Dois
A sra. Colegard estava furiosa e mandara aqueles dois brutamontes darem cabo da vida da garota de pele suja, era tudo culpa dela.
Abigail, por sua vez, estava trancada em seu quarto. Chorava tanto que chegava a soluçar. Seus pais, comovidos com sua dor, decidiram sair dali imediatamente. Passariam alguns dias na casa da avó Swin. Uma velhaca quase cega e escandalosa, mas dotada de um coração generoso.
Saíram poucas horas depois, o dia ja estava amanhecendo. Gotas de orvalho preenchiam a grama pelo caminho e um sol aconchegante aquecia-os e os três Swin caminhavam silenciosamente.
— Esqueci uma coisa — Disse Abigail, lágrimas ainda escorriam pelo seu rosto. Correu de volta para sua velha casa na árvore para pegar o tesouro. Estava tão triste que acabara esquecendo.
Subiu as escadas com agilidade, mas antes que pudesse emergir dois braços fortes puxaram-na. Abigail recebeu um golpe forte em sua cabeça e sentiu o sangue quente escorrendo e empapando suas roupas. Com muita dificuldade encarou o agressor. Era um dos homens que acompanhavam a sra. Colegard quando ela fora ate sua casa.
— Sujeitinha de pele suja, claro que todos vocês são ladrões — Vociferou — Além de matar o pobre Vincent você ainda rouba todas as jóias da família dos Colegard?
Foi então que ela notou que o baú do tesouro elfico estava aberto e varias jóias estavam esparramadas no piso de madeira. Vincent roubara a própria família.
— É culpa sua o garoto estar morto! Agora você terá que morrer também.
Ele caminhava com passos lentos em direção à uma Abigail sem forças para se mover. Segurava uma faca com a mão direita e a esquerda ele mantinha nas costas.
O sr. Swin emergiu pelo buraco como um raio e acertou o homem com um soco. Estava com um corte profundo na barriga e sua boca sangrava. Aparentemente lutara contra o outro troll-assassino de aluguel.
— Filho da... — Urrou o homem.
Sacou uma pistola das costas e deu um tiro certeiro na testa do sr. Swin. O sangue escorreu pelo símbolo do ritual de Abigail, esta gritou e com a adrenalina seus movimentos voltaram. Ela desceu pelo buraco, sem nem ao menos utilizar a escada.
Sua mãe estava encurralada por um homem gigantesco la em baixo, mas o corpo do assassino que lutara contra seu pai estava estirado no chão, sem vida. Então quem seria aquele terceiro personagem desse teatro de horror?
— Abigail? — Chamou o terceiro — Abigail Allen?
Um arrepio percorreu todo seu corpo ao lembrar-se daquele rosto.
— Alfredo!
O mordomo-zumbi correu voraz para cima de Abigail e conseguiu, por pouco, evitar que ela fosse baleada. Os tiros acertaram sua carne morta e não fizeram dano algum.
Um gargalhar sinistro preencheu o ar da noite e um vulto, quase invisível de tão rápido, fora visto na mata. Um homem usando um sobretudo preto, assim como seus cabelos, aproximou-se do assassino e quebrou-lhe o pescoço. Segurou o homem inclinando sua cabeça e serviu-se de seu sangue. Tudo ficou quieto por alguns instantes, então o homem de sobretudo encarou Abigail com seus grandes olhos vermelhos e dentes afiados.
— Eu a protegi, senhor — Disse o mordomo-zumbi com sua voz grossa.
— Muito bem Alfredo, obrigado — Ele aproximou-se de Abigail e abraçou-a.
— Vincent? — Perguntou.
— Sim, minha dama da noite — Respondeu — E então? Aceitas ser eternamente minha?
—--------------Fim?---------------
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