O Hóspede.
9 Patch Gostosão.
Notas iniciais
O H Ó S P E D E
Uma semana havia se passado, depois daquele beijo que Patch e eu trocamos no corredor. Passei esses dias evitando ele o máximo que eu podia. Eu evitava ficar no mesmo cômodo sozinha com ele, muito menos respirar o mesmo ar que ele. Estava ainda atormentada com aquele beijo. Sempre quando eu estava sozinha as imagens que faziam questão de ficar projetadas na minha mente, me lembrava do quanto era bom a minha boca na boca dele.
Toda vez que nós nos olhávamos, ele sempre abria aquele sorriso cretino e malicioso. Como uma maldição, meu corpo reagia por aquele simples gesto. Eu não tinha o mínimo controle do meu corpo quando ele estava por perto.
E o que eu concluí nesse resto da semana, era que Patch, é um verdadeiro filho da puta. Ele me provocava de propósito, nas aulas de química. Eu evitava com todas as minhas forças de revidar, pois eu sabia que perderia.
Além de ter que aturá-lo na aula de química, eu tinha que aturá-lo na aula de educação física. Eu tinha que ficar aturando ele vestido com aquela bermuda de táctel cinza e a camiseta preta, que mostrava seus braços musculosos. Ele correndo com os outros garotos atrás de uma bola enquanto o suor respingava de seu corpo que o deixava irresistível.
Por que Patch não podia ser um cara feio, pançudo e com barba? Mas não, ele tinha que ser terrivelmente lindo, e como diz Vee, gostoso. O mundo estava conspirando contra mim.
— Terra chamando Nora. Helooou! Amiga, se você continuar olhando o moreno gostosão deste jeito, a sua baba vai cair e você nem vai perceber.
Despertei de meus pensamentos conturbados com os protestos de Vee ao meu lado. Estávamos sentadas nas arquibancadas, esperando a nossa vez de tomar posse da quadra enquanto os meninos se matavam jogando futebol. Desviei meu olhar para a minha amiga sentada ao meu lado.
— O que foi? – perguntei.
— O que foi? Eu estou a vinte horas te falando com você e você aí secando o seu hóspede jogando bola. – ela apontou para o canto de minha boca. – Isso é uma réstia de baba?
Passei minha mão rapidamente no canto de minha boca não encontrando nada. Fuzilei Vee com um olhar, o que a fez cair na gargalhada.
— Sua vaca. – ralhei revirando os olhos para aminha amiga maluca. – E eu não estava secando ninguém.
— Aham, sei. – ela me olhou apertando os olhos. – Você não me engana, Nora. Você está caidinha pelo Patch Gostosão.
— Estou não! – disse tão rápido quanto um culpado que é pego no flagra.
— Está sim. Eu vi como você estava o olhando jogar.
— Eu não estava olhando para ele.
— Ah não? – ela arqueou sua sobrancelha bem feita.
— Não. – senti meu coração acelerar. – Eu estava olhando para... para... para a bola, oras.
Vee riu de mim, e eu quis me chutar, ou melhor, chutar a Vee para ela deixar de ser enxerida.
— Conta outra, né Nora.
— Se você não acredita o problema é seu.
Como ela viu que eu não estava brincando e que estava com a cara emburrada ela parou.
— Tudo bem. Tudo bem. Não está mais aqui quem falou.
Como não respondi ela continuou:
— Ainda vai lá para casa depois da escola, né?
— Eu não sei.
— Qual é Nora, para de ser chata. – Vee insistiu. – Hoje é o dia das garotas. Dia de fazer unha. Comprei um esmalte verde grama lindo, e quero que você faça a minha unha hoje. Aí eu faço a sua, também faremos os nossos cabelos, e o seu está precisando ser domado.
— Eu gosto do meu cabelo. – eu disse, olhando minhas unhas horrorosas.
— Eu sei que você gosta, mas uma mudada de vez em quando não faz mal, né?
❊ ❊ ❊
Passei a tarde toda na casa de Vee, fizemos os deveres primeiro, com minha amiga reclamando a cada cinco minutos, que se ela fosse presidente ela iria banir de vez o dever de casa.
Depois que estudamos fiz as unhas dela, e as pintei com aquele esmalte verde vibrante e fiz chapinha em seus cabelos os deixando mais lisos. Depois que terminei o meu trabalho, ela fez o mesmo comigo.
Estávamos sentadas em cima da cama, enquanto Vee terminava de pintar as minhas unhas de rosa-bebê. As minhas unhas agora estavam parecendo unhas de verdade.
— Os cantos das minhas unhas estão ardendo. – comentei, sentindo o esmalte borrar em cima do machucadinho. – Você arrancou um monte de bife.
— Para de reclamar, você também arrancou bife das minhas unhas e quase queimou minha orelha com a chapinha. – ela me fitou de relance. – Se você vivesse de manicure e cabelereira, você morria de fome.
— Sua mal agradecia.
Vee terminou minhas unhas, e sacudi minhas mãos e assoprei, para secar o esmalte.
— Não assopra, se não vai dar bolinhas. – ela disse guardando os esmaltes na caixa, os jogando debaixo da cama.
— Tsc.
Vee se ajeitou na cama e me olhou atentamente.
— O que foi?
— Agora me conta o que está acontecendo Nora. – ela estava séria, e por um segundo me perguntei se era mesmo a Vee que estava em minha frente e não um clone. Ela nunca ficava séria.
— Não sei o que está falando.
— Como não? — seu tom saiu incrédulo. — Você está desde a semana passada estranha, some o intervalo inteiro. Só te vejo quando temos aulas juntas ou quando vamos embora. O que está acontecendo? Eu jurava que nós éramos amigas.
— Nós somos amigas. – falei, percebendo aonde ela queria chegar com aquela conversa.
— Mas não é o que parece.
Desviei meu olhar fitando minhas mãos apoiadas nas minhas pernas. Vee tinha percebido minha ausência no refeitório, quanto nós lanchávamos. Patch agora fazia parte do nosso grupo, ele e Scott viraram uma espécie de melhores amigos. Eu estava o evitando, e estava passando os intervalos na biblioteca da escola, ou detrás do colégio.
— É por causa do Patch? –a voz de Vee tirou-me de meus devaneios, me fazendo a olhar rapidamente, um pouco desconfortável com aquela conversa. Ela percebeu meu desconforto e concluiu: — Eu sabia, é por causa dele sim.
— Vee...
— Pode abrir o bico, quero saber de tudo. Absolutamente T.U.D.O.
Suspirei pesadamente, já sabendo que seria impossível esconder alguma coisa dela. Não queria tocar naquele assunto, pois estava muito confusa. Não sabia o que eu estava sentindo, aquilo estava me matando por dentro. Eu queria ficar perto de Patch e ao mesmo tempo não. Eu sentia um desconforto, uma sensação entranha quando ele estava perto. Uma carga pesada que emanava nele, e isso me assustava. Mas também me sentia atraída por ele como se ele estivesse uma espécie de ímã que me puxava contra si.
Vee ainda me olhava, esperando que eu abrisse o jogo, e pensei que estava sendo uma má amiga escondendo isso dela. Nós éramos melhores amigas. Apesar de nossas pequenas brigas, eu sabia que podia contar com ela, como ela sabia que podia sempre contar comigo. Resolvi falar tudo.
— Patch e eu... nós... – eu começava a sentir meu rosto querer corar.
— Vocês? – ela ajudou a continuar, seus olhos brilhavam para saber aquela informação. – Ai meu Deus! Vocês...
— Nós nos beijamos. – falei de uma vez.
Vee soltou um grito ensurdecedor que tive que tampar os ouvidos para não ficar surda.
— Eu sabia que aí tinha caroço neste angu. – ela disse histérica, ficando de pé e me olhando. -Nora Grey está pegando o Patch Gostosão.
— Fala um pouco mais alto para a vizinhança escutar, sua maluca. – ralhei, fechando a cara com o ataque de minha amiga. – E eu não estou pegando ele. Foi só uma vez.
Vee ainda com o sorriso no rosto votou a sentar na cama, de frente para mim.
— E aí? Ele beija bem? – não respondi. – Vamos Nora, fale. Foi bitoquinha? Selinho? Beijo de cinema ou aqueles desentupidores de privada?
— Eca, Vee. Privada?
— Você me entendeu. Fala. — ela estava toda impaciente. – Foi o um, o dois, o três, ou o quatro?
Suspirei cansada e sussurrei, sentindo minhas bochechas corarem.
— O quatro.
— Oh meu Deus. Logo o desentupidor de privada? – ela estava energética, e me senti mais envergonhada quando ela me olhou maliciosa. — Sua safada, estava escondendo o jogo de sua amiga esse tempo todo. Poxa, Nora, é assim que fala que gosta de mim? Guardando para si esse babado forte?
Revirei os olhos com o excesso de exagero de Vee. Ela me olhou mais interessada e perguntou:
— Você ainda não respondeu se o Patch Gostosão beija bem. Ele beija bem?
As lembranças do beijo invadiram minha mente. Tinha se passado uma semana, e ainda sentia o gosto de menta da boca de Patch, na minha. Seus lábios macios, sua língua na minha...
— Nora!
— Sim, ele beija muitíssimo bem. Está satisfeita agora! – me exaltei, nervosa.
Vee colocou suas mãos na boca e riu.
— Own, minha menininha está crescendo. – o tom de sua voz era de zombaria. – Não se esquece de usar camisinha.
— Vee!
— É sério. Nós podemos ir à farmácia amanhã depois da aula e comprar. – ela disse empolgada, e eu só queria cavar um buraco e me enterrar lá dentro. – Sabe, é sempre bom andarmos prevenidas. Vai que o Patch Gostosão esteja desprevenido e na hora H?
— Eu não sou obrigada a escutar isso. – falei perdendo a paciência com aquele assunto.
— Eu só estou explicando a lei da vida para você.
— Como se você fosse experiente. – retruquei.
— Eu vejo A Lagoa Azul e American Pie, tá?
Revirei os olhos, e me levantei da cama, pegando minha mochila no canto do quarto.
— Aonde você vai? – ela me perguntou se levantando da cama.
— Para casa.
— Mas já? Ainda nem fiz seu cabelo...
— Eu não quero fazer o cabelo. – a interrompi, levando a mão na maçaneta.
— Qual é Nora, está nervosinha por quê? Só por que pegou o Patch Gostosão?
— PARE DE O CHAMAR DE PATCH GOSTOSÃO! – explodi com aquela lengalenga dela.
Vee ficou calada me olhando com os olhos arregalados. Também não entendi por que gritei daquele jeito.
— Você está com ciúmes?
— O quê?
Minha amiga maluca desatou a rir, e se jogou na cama, se contorcendo que nem uma cobra. Bufei irritada e saí do quarto, batendo a porta com força.
— Volta... – ela riu. – aqui, Nora! Prometo que não vou mais te zoar com o Patch Gostosão!
Sua voz saía aos berros dentro do quarto enquanto ela se matava de rir. Apenas a ignorei e caminhei em passos rápidos e pesados até a porta da frente. Era por isso que eu não queria contar nada para ela, pois sabia que Vee iria ficar me zoando. Ainda mais com esse apelido idiota que ela colocou nele.
Patch Gostosão.
Mas eu tinha que concordar, ele era mesmo gostosão.
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