O Hóspede.
12 Confusão.
Notas iniciais
O H Ó S P E D E
A voz da do Sr. Hernandez explicando matemática passava longe, pois minha mente estava em outro lugar, nos últimos acontecimentos. Minha vida estava uma bagunça, era sonhos estranhos, gente me perseguindo e aí se vai... Mas o incrível disso tudo era que todas essas coisas só começaram a acontecer depois que Patch apareceu em minha vida.
Eu me sentia confusa quando ele estava por perto, e alguma coisa dentro de mim me puxava para perto dele, enquanto a minha parte racional me mandava ficar longe. Eu não sabia mais de nada. Eu estava confusa, chateada, e principalmente ansiosa para ver Patch, e isso me assustava. Não o tinha visto hoje, pois saí de casa mais cedo que o normal, e por incrível que pareça, eu fui caminhando até a escola.
Sabia que estava fugindo, sabia que estava sendo covarde por não encarar o problema de frente, mas não queria ver Patch. Eu temia que se vê-lo eu não fosse mais me controlar. Aquele sonho ontem à noite havia realmente mexido comigo. Os sentimentos intensos da minha outra eu de alguma forma estava impregnado em mim. E eu não sabia se aquilo era bom ou era ruim. E a melhor coisa que eu encontrei foi fugir.
— Ei, em que planeta sua mente anda?
Vee que estava ao meu lado me cutucou com o cotovelo, me tirando de meus devaneios. Olhei para ela e depois para o professor que ainda escrevia uma conta monstruosa no quadro negro enquanto dizia algumas coisas.
— Só estou pensando. – respondi, voltando a copiar.
— Nora, você está estranha hoje, aconteceu alguma coisa? — Vee insistiu, ainda olhando para mim.
Suspirei, parando de escrever. Passei a mão em meus cabelos. Eu queria respostas para todas essas coisas estranhas que andavam acontecendo comigo ultimamente.
— Planeta terra chamando Nora. — Vee passou uma mão na frente ao meu rosto, chamando minha atenção. – Amiga, você está muito esquisita. Sei que alguma coisa está acontecendo e então pode desembuchar.
Olhei para Vee que esperava alguma explicação de mim. Pensei que eu poderia contar para ela que um lunático estava me perseguindo. Bom, Vee é minha melhor amiga, e apesar dela sempre ficar de gracinha e não levar as coisas a sério, mas mesmo assim ela era confiável. Nós tínhamos feito um juramento quando nós tínhamos sete anos de que uma nunca iria esconder nada da outra. E pensando por esse lado eu iria me arriscar e dizer o que havia acontecido.
— Tem alguém que anda me perseguindo. – soltei, fitando seu rosto. Suas sobrancelhas franziram enquanto me fitava com mais intensidade.
— Alguém te perseguindo? Como assim? Quem iria te perseguir? Você não tem inimigo, não que eu saiba. Nora, você não faz mal nem para uma mosca.
Voltei a olhar para frente e suspirei. Realmente eu não tinha inimigos, bom, tinha a Mercie, mas ela ladra mais não morde. E o que ela ganharia em ficar me seguindo? Me assustar? Não. Isso não fazia o feitio dela. Mercie só sabe ver ela mesma e mais ninguém.
— Eu não sei. — respondi, e a olhei. — Ontem quando saí de sua casa, alguém estava me seguindo.
— Eu falei para você ficar. Eu poderia ter te levado até em casa e você não passaria por isso. Mas, me conta, o que aconteceu?
— Eu corri é claro. Tentei ligar para você, mas na hora do desespero eu não estava conseguindo discar seu número.
— E, aí? — seu tom tinha saído um pouco mais alto que o normal, e o Sr. Hernandez olhou para trás.
Vee e eu disfarçamos enquanto olhávamos o caderno, fingindo que estávamos copiando. O Sr. Hernandez olhou toda a sala e depois voltou sua atenção para o quadro.
— E, aí? — Vee voltou a perguntar, agora baixinho.
Olhei para ela e percebi que ela estava com o seu corpo todo virado para mim.
— A minha salvação foi... – hesitei, sentindo minha boca secar quando me lembrei de Patch. — Foi o Patch.
— Patch? Como assim?
— Eu estava atravessando a rua e ele vinha no carro do meu pai, quase me atropelou...
— Uau! — ela riu um pouquinho. — Então Patch Gostosão te tirou de uma fria?
Mordi o canto de minha boca enquanto olhei para a janela ao meu lado. O tempo estava excepcionalmente nublado, e o vento fazia as árvores balançarem para lá e para cá. Quanto mais eu tento me esquecer das cenas de ontem à noite, mais elas teimavam em ficar impregnadas em minha memória, como uma espécie de maldição.
— Espera aí? — olhei para Vee que tinha acabado de chamar minha atenção. — O que o Patch Gostosão estava fazendo com o carro do seu pai?
— Ele foi pegar umas bebidas que estavam faltando no restaurante.
— Ah.
— E pare de chamá-lo de Patch Gostosão. Isso é ridículo.
Vee olhava para mim, e sua boca estava tremendo por causa do riso que ela prendia.
— Nora, você está com ciúmes?
— Você sabe mesmo como me irritar. — voltei minha atenção para o dever enquanto eu a ouvia rindo baixinho ao meu lado.
Eu ainda pensei em contar sobre o sonho, mas conhecendo Vee como conheço ela era bem capaz de dizer que aquilo era tesão reprimido e que o melhor que eu possa fazer era desfrutar do meu hóspede. Eu não estava com cabeça para escutar as besteiras dela, e foi por isso que a ignorei o restante da aula.
❊ ❊ ❊
Na hora do intervalo nós duas sentamos em nossa mesa como de costume. Eu tinha pegado uma Coca Cola e um sanduíche natural. Vee só tinha pegado frutas. Ela estava numa dieta de frutas eu só queria saber até quando aquilo iria durar, como a sua dieta das cores que ela estava na semana retrasada. Cada dia era um alimento com cor diferente.
O refeitório estava cheio e a falação pelo local era alta. Vi Mercie passar por nós sem olhar em nossa direção. Nós costumávamos ser amigas no primário, isso era na segunda e terceira série, os primeiros anos dela em Coldwater. Ela tinha se mudado com toda a sua família para cá, os Millar. O pai de Mercie era o proprietário da concessionária Toyota, e na nossa época de amizade ela sempre convidava Vee e eu para passarmos o dia inteiro em sua mansão. Lembro-me perfeitamente que o quarto dela era tudo o que uma garota da minha idade queria. E por muitas vezes senti uma certa inveja dela, de ter tudo o que eu queria.
Mas isso era coisa do passado, as pessoas cresciam e mudavam. E Mercie mudou quando ela ficou amiga das líderes de torcida e se tornou popular.
— Eu ainda não sei por que eu era amiga daquela vadia. — murmurou Vee olhando Mercie que se sentava à mesa de seus amigos.
— Mas bem que você gostava quando ela nos convidava para passarmos o dia na casa dela. — comentei dando um gole da minha coca.
Vee olhou para mim pegando sua goiaba da bandeja.
— Aquilo era para esfregar na cara de nós duas que ela tinha dinheiro e nós não. A vadia não joga para perder não.
— E, aí gatas. — Scott apareceu no lado de nossa, mesa segurando sua bandeja. Ele sentou-se ao lado de Vee, colocando a bandeja na mesa e olhou para nós duas. — O que estão fofocando aí?
Senti uma presença ao meu lado, e quando olhei a minha direita, Patch estava sentado ao meu lado. Ele só estava com uma latinha de Sprite. Aquele garoto não comia nunca? Meu coração começou a bater descontrolado, e parecia que quanto mais eu o evitava, mas ele aparecia para me atormentar.
Patch olhou para mim com o seu olhar felino, mas desviei o olhar para a minha bandeja, me sentindo intimidada.
— Isso não é da sua conta. — a voz de Vee soou afiada, respondendo à pergunta de Scott.
— Isso é tudo TPM? — ele questionou sem a olhar, desembrulhando seu sanduíche.
— Tem certas coisas que é melhor ficar calada. — Vee murmurou dando sua atenção para sua fruta.
Scott a olhou de ombro com um sorriso debochado.
— Admite Vee, você está com raiva de mim só por que eu estava com Joyce, né?
O rosto de Vee ficou vermelho de raiva, enquanto ela o olhava para ele como se fosse o matar a qualquer momento.
Scott e Vee ficaram uma vez, fazia algum tempo. Vee queria romance, já que ela era doida por ele, mas Scott só queria se aventurar, e por isso que o lance deles não durou nem dois dias. O que deixa Vee chateada, pois ela gosta dele de verdade e Scott... sei lá o que se passa na cabeça daquele conquistador de quinta.
— Você é ridículo garoto, se toca.
— Viu só como você está agressiva comigo? — Scott admitiu sem tirar aquele sorriso convencido dos lábios. – Admite, você ainda é louca por mim.
Vee se levantou da cadeira num rompante, enquanto suas narinas inflavam. Suas bochechas estavam vermelhas e a sua cara não era das melhores.
— Você pensa que o mundo gira ao seu redor, mas vou te dizer uma coisa seu idiota. Ele não gira! Nem morta eu perderia meu tempo, e prefiro pegar a peste negra a ficar com um cachorro safado que nem você.
Com isso Vee pegou sua bandeja e caminhou para fora do refeitório com passos largos e pesados. Olhei para Scott que estava atônito com o ataque de minha amiga. Por essa ele não esperava. Ser esculachado desse jeito, mas bem que ele merecia. Mas também sabia que no fundo ele sentia uma pontinha de sentimentos por Vee, até por que, as burradas que ele fazia eram tudo para atingi-la. Era um meio esquisito dele chamar a atenção dela.
— O que você está esperando? — falei e ele me olhou. — Vai atrás dela!
Scott não pensou duas vezes e correu para fora do refeitório atrás de Vee. Percebi que só havia ficado eu e Patch sozinhos naquela mesa, e na mesma hora eu me arrependi de ter mandado Scott ir atrás de Vee. Minhas mãos estavam brotando suor pelo nervosismo, e sequei-as disfarçadamente na minha calça.
— Está nervosa. — a voz de Patch havia não tinha soado como uma pergunta e sim como uma afirmação.
Olhei para ele tentando ignorar as borboletas em meu estômago. Eu me sentia eufórica por ele está ali. Não sabia como eu comecei a ansiar pela presença dele, mais isso estava sendo constante. Era intenso e reconfortante ao mesmo tempo.
— Não estou nervosa. — quis parecer dura, mas minha voz saiu como um miado.
Patch soltou uma pequena risada e abriu seu refrigerante que estava fechado. O som do gás explodiu quando ele abriu a latinha e deu um gole. Parando para pensar, aquela era a primeira vez que eu o via comer. Em casa ele sempre estava em algum canto, eu tinha saído de casa na hora das refeições ou quando estava em casa ele dizia que estava sem fome. Aquilo era um pouco estranho, mas ele poderia ter algum transtorno alimentar, o que eu achava difícil, já que o seu porte físico era perfeito.
Ele deu mais um gole de seu refrigerante e olhou para mim.
— Não precisa ficar nervosa quando eu estou perto de você.
— Eu já disse que eu não estou nervosa! — minha voz amentou uns dois décimos, mas Patch não se sentiu afetado.
— Eu vou ficar te esperando no estacionamento depois da aula. — foi tudo o que ele disse antes de se levantar.
— O quê? — perguntei confusa, tentando me atualizar o que ele me disse.
Patch empurrou a cadeira para trás e depois a empurrou para dentro da mesa. Ele olhou para mim com aquele pequeno sorriso de escárnio, debochado.
Franzi o cenho.
— Eu não vou para o estacionamento. Esquece!
— Você que sabe.
Foi tudo o que ele disse antes de sair de lá, me deixando com uma cara de tacho. O que será que ele quer comigo no estacionamento?
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