Ted, Chris e Jess, ficaram num quarto na metade do corredor, não era um quarto totalmente espaçoso mas não era de todo ruim, a parede era revestida com gesso o que dava a impressão de ser algo novo, porém a pintura antiga com detalhes de flores vermelhas pequenas e um verde escuro atrás já estava começando a descasar, o quarto tinha um banheiro e uma janela que aparentava ser muito antiga, as camas eram três, e houve uma disputa pra ver quem ficava com a de casal

–É minha!-Gritou Jess

–Eu vi primeiro, nem sonha.-Disse Chris

Ted apenas riu, porque isso era ridículo, eles iam apenas ficar lá por apenas uma semana, até todos irem embora, e cada um seguir seu caminho. A conversa com a recepcionista definitivamente tinha assustado Ted, mas ele preferiu não contar aos seus amigos, não, ele não ia fazer drama em plenas férias com seus amigos e toda a sua turma da escola.

–Por que pararam no corredor Ted?-Jess tinha feito a pergunta que estava atormentando Ted.

–O que?-tentou disfarçar embora sua expressão fosse de total e completa culpa

–É Ted, o que tu tava perguntando pra recepcionista, pegou o número dela pelo menos?

–Ah eu apenas tava...

–O jantar está sendo servido, se arrumem e vão direto para o salão.- Ted se safou, e se safou muito bem, e a partir desse momento amou a orientadora pelo resto do dia.

–Já estamos indo-Ted fingiu que não haviam perguntado nada antes da orientadora chegar-Escuta, é melhor nós nos arrumarmos logo, tô morrendo de fome.

Se vestiu da melhor forma possível tentando não parecer um sem cultura, porque, afinal, Ted era do tipo culturista e todas essas baboseiras.

Foi o primeiro a sair do quarto, Jess e Chris ficaram arrumando seus topetes, ou pelo menos era isso o que eles chamavam o cabelo.

‘’I remember you well in the Chelsea Hotel’’ – dizia uma música no corredor.

Ted não sabia nem pra que lado era a entrada do hotel, aquilo mais parecia um labirinto, com paredes velhas e abajures assustadores, janelas gigantes e estreitas, e tudo isso parecia se repetir de um corredor para outro. E o pior era que não ouvia absolutamente ninguém! Não tinha mais o som abafado da sala de refeições e muito menos circulação naquilo tudo.

Foi direto na direção que lembrava-se de terem vindo, esperando chegar diretamente no quadro que mais o animava. Finalmente chegou as escadas, junto ao quadro, nem deu tempo de se lembrar de determinados eventos, sua barriga estava totalmente cheia de nada. As portas do salão mais abaixo da escada estavam escancaradas, cheio de alunos e alguns senhores e senhoras que por ventura se atrasaram para o jantar.

O salão era muito bem iluminado, com pelo menos três grandes lustres posicionados em uma linha no teto da sala. A pintura mostrava várias árvores pretas em cada parte da parede e seus ramos com suas pequenas folhas se dirigiam ao teto formando um emaranhado de galhos, como se estivesse num bosque e árvores cobrissem-lhe a cabeça. As mesas eram grandes e cobertas por um tecido branco. Michell estava sentada numa dessas mesas e acenou para Ted.

–Michell, vou ali pegar alguma coxinha, me espera.

Michell riu. Os dois tinham uma grande simpatia um pelo outro, e embora a amizade não fosse tão antiga assim, Michell ganhara a confiança de Ted.

Ted foi até a bancada, pegou um pedaço de lasanha e uma latinha de refrigerante.

–Michell, Liza já tá descendo? — perguntou Ted.

–Sim, ela deve chegar logo, só está se vestindo – Respondeu Michell – Nossa Ted, eu não vejo a hora de dormir logo, puta merda que viagem longa!

–É, pois é, to sentindo o mesmo – Mas ele não estava, e sabia disso.

Jess, Chris e Liza chegaram juntos conversando e, como Ted não perdia nenhuma oportunidade disse:

–Ora ora, veja se não é o triângulo amoroso mais lindo desse país. Se reconciliaram então?

Chris e Jess riram

–Enche a boca de lasanha Ted, o mundo agradece – Disse Liza.

Michell quase teve um ataque de riso, mas segurou, afinal era amiga de Liza.

Liza pegou o jantar e foi rapidamente sentar ao lado de Michell

–Porra Ted, para com isso cara, tá ficando chato, por favor, para.

–Tá tá, eu paro, mas que foi zoado foi.

Chris e Jess chegaram com seus pratos gigantes feito animais pequenos com alimentos grandes.

–Que que deu pessoas? Só foi a gente chegar que a conversa acabou.

–A gente tava falando de vocês, e é óbvio que não iremos fazer enquanto vocês estiverem aqui.

Michell riu e Liza deu um chute na perna de Ted e sua risada foi abafada pela dor do chute.

A essa altura os senhores já tinham ido para seus respectivos quartos e a orientadora estava exausta demais para poder ficar vigiando o grupo, o que definitivamente era bom.

–Parece que alguém foi dormir, glória a Deus – Liza disse – Ainda bem que ela ficou cansada, eu já não tava suportando ela com os olhares em cima de nós o tempo todo e fiscalizando nossas conversas, a vai se ferrar porra!

Liza era a que menos gostava da orientadora, certa vez essa tinha se atrasado pra escola e a orientadora jurou ter visto ela ‘’passeando’’ no centro, o que não era verdade. E Liza passou a odiar desde então.

–Gente, vocês me perdoem mas eu vou dormir, Liza tu vai demorar muito, quer que deixe a porta destrancada ou você escancara ela e tenta me acordar?

–Hmm, pode deixar destrancada sim, eu já vou subir.

–Ok então, tchau rapazes.

–Tchau responderam- os três em sinfonia.

–Jess tem sobremesa cara, olha lá, corre.

–Como eu não vi antes? – Respondeu Jess com os olhos brilhando

–Puta merda, como vocês conseguem comer tanto gente? – Disse Liza

–Não sei, tanto é bom? Eu nunca comi.

–Ahahahaha não! – Liza tentou rebater a piadinha sem graça mas acabou rindo.

–Jess, Chris eu to indo pro quarto, vejo vocês lá em cima.

Os dois estavam totalmente vidrados na comida e então Ted subiu com Liza e aquele quadro novamente o encarou.

–Essa pintura me dá calafrios – Disse Liza

–É, você não é a única.

Por fim, chegaram ao corredor e foram pros seus determinados quartos.

Ted deixou a porta destrancada e apagou as luzes. Ele queria ficar acordado conversando com os amigos, mas nem ele, e nem os amigos iriam conseguir ficar em pé no dia seguinte então resolveu dormir.

O hotel era frio a noite, mas era um frio de arrepiar, não um frio comum. Estava quase conseguindo dormir quando algo ou alguém parou na frente da porta do quarto, e Ted conseguiu ver a sombra de um par de pés embaixo da porta. A pessoa ficou ali por tempo suficiente para deixar Ted sem fôlego e continuou ali até depois dele ter caído no sono.

Notas finais
Desculpa por não ter postado antes, porém fiquei meio perdido com algumas coisas e só voltei a dar atenção pra história agora.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.