O Horizonte de Claire
15 O Encontro de Dois Mundos
O dia amanheceu com um céu de brigadeiro, um azul tão límpido que parecia fundir o reino ao oceano. O sino da catedral de Lâfrer começou a badalar ao meio-dia, mas o som era acompanhado pelos disparos de canhão do Horizonte Negro, que anunciavam: hoje, o mar e a terra se tornariam um só.
A Cerimônia
O palácio estava decorado com guirlandas de flores brancas entrelaçadas com redes de pesca de fios de prata. Claire caminhava pelo corredor da capela real, não como a princesa hesitante de anos atrás, mas como uma visão de poder e beleza. O vestido de seda branca tinha uma cauda longa, mas por baixo, ela usava botas de couro macio, pronta para partir a qualquer momento.
Yaman a esperava no altar. Ele vestia uma túnica de couro negro com detalhes em ouro, o cabelo rebelde preso para trás, e o olhar... o olhar era de um homem que finalmente encontrara seu tesouro.
Quando Claire parou à sua frente, o Rei Richard entregou a mão da filha a Yaman. O silêncio na capela era absoluto.
— Eu passei a vida fugindo de correntes, Claire — começou Yaman, a voz ecoando, profunda e sincera, sem precisar de roteiros. — Mas descobri que estar preso ao seu amor é a única liberdade que realmente importa. Eu não posso te prometer um reino de paz, mas prometo que cada tempestade que enfrentarmos, enfrentaremos com a mão no mesmo leme. Você é meu norte, minha calmaria e meu furacão.
Claire sorriu, e uma lágrima solitária de felicidade rolou por seu rosto.
— Eu esperei pelo amor como quem espera o amanhecer em uma noite eterna — respondeu ela, segurando as mãos calejadas dele. — Muitos tentaram me dar o mundo dentro de muros, mas só você me deu o horizonte. Eu não sou apenas sua esposa, Yaman; eu sou sua parceira de navegação. Minha coroa eu deixo no altar, mas meu coração eu levo comigo, para onde quer que o vento nos sopre.
O beijo que selou a união foi recebido com um estrondo de aplausos que uniu a nobreza e os marinheiros presentes.
A Festa no Porto: A Noite das Estrelas
Conforme o sol se punha, a celebração desceu do castelo para o porto. Foi uma festa como Lâfrer nunca vira. Tochas iluminavam o cais, e mesas longas foram montadas entre os navios e as tavernas.
O contraste era magnífico: duques de casacas bordadas brindavam com piratas de dentes de ouro e lenços coloridos. Kaelen estava no centro de uma roda, ensinando o Príncipe James a dançar uma giga marinheira, enquanto Elisandra ria, sentada em um caixote de especiarias, observando a alegria do marido.
Claire havia trocado a saia volumosa por uma mais curta e prática. Ela e Yaman dançavam no centro do cais, ao som de violinos e acordeões.
— Olhe para eles, Capitão — disse Claire, encostando a cabeça no ombro de Yaman enquanto rodopiavam. — Meu pai está conversando com o seu mestre de armas sobre tipos de pólvora. Acho que você corrompeu o reino.
Yaman riu, apertando-a contra o peito.
— Ou talvez o reino estivesse apenas esperando por um pouco de vida real, minha princesa.
— Não me chame de princesa — ela brincou, mordendo o lábio. — A partir de amanhã, sou apenas Claire Olivier.
— Para mim — ele sussurrou no ouvido dela, fazendo-a estremecer —, você será sempre a mulher que domou o pirata mais selvagem dos mares.
A festa durou até altas horas. Houve fogos de artifício que refletiam nas águas escuras, e o som das risadas abafava o barulho das ondas. Em um momento de quietude, os dois se afastaram para a ponta do píer, olhando para o Horizonte Negro que brilhava sob o luar, pronto para a partida ao amanhecer.
— Pronta para a página em branco? — perguntou Yaman.
Claire olhou para o palácio no topo da colina e depois para o homem ao seu lado. Ela não sentia medo, apenas uma paz vibrante.
— Eu nunca estive tão pronta em toda a minha vida.
E ali, entre o cheiro de flores cítricas e o salitre do mar, a história da princesa que se tornou horizonte e do pirata que encontrou seu porto chegava ao seu capítulo mais feliz. O sol nasceria em breve, e com ele, uma nova lenda começaria a ser escrita nas águas do mundo.
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