O Homem que Lê Mentes
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Lembro bem que no inicio tudo era muito difícil, minha cabeça doía muito e eram muitas vozes em minha mente, não conseguia entender nenhuma delas e aos poucos, ainda criança, estava enlouquecendo...
“Mikoto cobria os próprios olhos, ajoelhada no chão do quarto todo azul do filho menor, este gritava se debatendo nas paredes e nos moveis, implorava para mãe lhe ajudar, mas ela só conseguia chorar e rezar que o filho parasse.
-Mãe... – Itachi, seu filho mais velho, adentrou no quarto se assustando com a cena, apenas dessa vir a se repetir quase que toda hora.
-Por favor, Itachi. Ajude seu irmão... – ela pediu segurando as mãos do filho a sua frente.
Ele assentiu indo até o irmão, o segurou com força e pode ver o menor gemer com a dor em seus pequenos braços, mas mesmo assim não conseguia ficar quieto, algo lhe perturbava mais do que as mãos medianas do irmão.
-Pare, Sasuke! – gritou vendo o menor lhe encarar com os olhos vermelhos e um pouco inchados.
-Faz parar...
-O que?
-As vozes, as vozes que não param de falar...”
Meus pais não entendiam o que estava acontecendo comigo, temeram que fosse algum transtorno grave que me levasse a morte, mas pelo menos tinha meu irmão que parecia sempre muito desconfiado do que eu realmente tinha...
“-O que faremos, Fugaku? – perguntava Mikoto com o pequeno nos braços adormecido, apenas dopado podia sair de casa.
-Eu não sei, Mikoto. Este é o vigésimo médico que procuramos... – ele olhou para o filho que parecia tranquilo – Queria o ver sempre assim...
-Dopado? – Mikoto o encarou – Quero que meu filho pare de sofrer, Fugaku. Não que se acostume com isto.
-Mas e se não tivermos outra escolha? – ele perguntou a esposa que apenas acariciou o filho.
-E se ele poder escolher? – perguntou Itachi vendo os pais a sua frente.”
Itachi começou a passar mais tempo comigo, deixou de lado seus amigos para poder me ajudar. Sempre que eu tinha uma “crise”, ele tentava me distrair de alguma forma que as vozes que havia em minha mente fossem ficando mais baixas a ponto de nem as ouvi-las.
Isto funcionou bem, tanto que aos poucos já nem havia mais crises e ficar com meu irmão por perto era mais do que para meu bem. Ele já não era só meu médico, estava sendo meu irmão mesmo e não buscava ter cuidados como se eu tivesse doente.
“-Itachi! – o pequeno chamava o irmão durante a noite chuvosa, não conseguia dormir por causa dos sons de trovões – Itachi...
Seguiu para fora de seu quarto pelo corredor escuro da casa, seus pais estavam dormindo e nem queria os acordar, então foi até o quarto do irmão que também não dormia, ele olhava pela janela as gotas de chuva deslizando por sua janela.
-Itachi... – o maior olhou para o pequeno vestido com seu pijama azul e o travesseiro branco arrastando no chão – Não consigo dormir...
-Venha... – Sasuke correu até a cama do irmão se deitando ao seu lado – Também não consigo...
-Também esta com medo da tempestade?
-Não, Sasuke. – ajeitou o irmão para que este adormecesse logo – Tive apenas um pesadelo...”
Queria poder ter lhe dito que aquilo que ele teve foi mais do que um pesadelo, aquilo havia sido um pressentimento. Três dias depois desta noite, Itachi depois de muito tempo havia saído com seus amigos e acabou num acidente de carro muito grave.
“A chuva era forte, as pessoas tristes vestidas de negro já deixavam o local do sepultamento, Itachi Uchiha morrerá num acidente de carro aos seus recém completados 18 anos.
Os poucos que ainda estavam ali eram seus pais, o tio mais próximo e seu irmão que não entendia ainda o que estava acontecendo, ele olhava para o lugar onde seu irmão havia sido enterrado, alternava olhando para seus pais que choravam e o rosto triste de Madara.
Encarou melhor sua mãe, as lágrimas que não cessavam, sua cabeça começou a doer e o medo de começar a ouvir aquelas vozes de novo tomou conta, olhou ainda mais para sua mãe, queria lhe pedir ajuda quando pode ouvir...
Itachi, porque tinha que ir... Meu filho...
Era a voz de sua mãe em sua cabeça, pode ouvir com clareza as palavras dela e até seu tom choroso.
Sentiremos muito a sua falta...
Ouviu então seu pai falando, a voz forte como sempre, mas mesmo assim um leve tom triste.
Como ficará Sasuke, agora?
Olhou para o tio que o encarava, arregalou os pequenos olhos negros .
-Está bem Sasuke? – Madara perguntou sorrindo levemente.
-Eu... – pensou se era certo falar que podia os ouvir – Estou bem.”
Naquele dia em diante pude controlar quem ouvia ou não, percebi quem era quem e como as pessoas parecem diferente do que realmente pensam.
Hoje meus pais continuam morando na mesma casa de sempre, sentem ainda a dor da perda do meu irmão e eu saio mundo a fora ganhando o máximo de dinheiro que posso. Contudo, tenho que visitar meus pais de vez em quando, como hoje.
Noite de Halloween, a cidade toda decorada do modo mais sombrio possível, crianças pediam doces porta a porta, não eram poucas as opções de festa que estavam ocorrendo e só acabariam no dia seguinte.
Mas a festa mais aguardada de todas era na mansão Uchiha, esta as vezes parecia estar o ano todo com a decoração de Halloween, tamanho o ar sombrio que tinha. A grande propriedade com a grama bem cortada, mas com algumas flores sem cuidados, as estruturas gigantescas em tons escuros lembravam mansões mal-assombradas.
Adentrando na mansão após deixar seu carro com o manobrista vestido de zumbi, este era o uniforme da noite, seguia pela grande entrada com tapete vermelho com manchas de sangue, a música em ritmo perfeito com o show de luzes já podiam ser vistos. Lá dentro pessoas dançavam na pista no centro da mansão que era decorada como um cemitério, outras estavam no bar que tinha um ar vampiresco onde garçonetes estavam vestidas de empregas zumbis, mas também havia aquelas pessoas que preferiam ficar na área egípcia, com múmias espalhas entres grandes almofadas onde poderiam ficar mais confortáveis.
Meus pais, Mikoto e Fugaku, ambos fantasiados de reis da Inglaterra, sorriam conversando com os convidados mais velhos, aqueles que não se misturavam tanto com outras pessoas, principalmente daqueles que julgavam não merecedores de sua presença. Talvez fosse essa interação que fizesse a festa na mansão Uchiha ser tão esperada por todos, só assim para aqueles que se diziam da alta sociedade eram vistos com a rale.
Do alto da escadaria estava eu, com minha fantasia de Lord, terno negro, camisa arroxeada, cartola um pouco torna escondendo levemente meu rosto, nas mãos luvas brancas e uma muleta em forma de uma cobra, olhava todos se divertindo.
Desci um pouco receoso, apesar de gostar do clima do lugar, não era muito grato por ter tantas pessoas ao seu redor, a grande maioria nem conhecia e alguns que conhecia preferia os ter longe.
-Boa noite, Sasuke... – a mulher vestida de meretriz se curvou diante de mim que nem sorri, muito menos lhe respondi.
Ainda irei ter este homem em minha cama...
Seu pensamento me fez rir.
Segui sem muito interesse até o bar, viu alguns sorrisos voltados para mim, mas continuei calado, me sentei no lugar mais vazio dali dando atenção agora para o barman que assentiu pegando uma bebida, nossos empregados já sabiam nossos gostos e isso era algo que apenas me poupava ter que gastar seu latim.
Levei o copo de uísque até a boca, meus olhos viram através dele uma imagem embaçada, uma figura com tons avermelhados chamou um pouco sua atenção, deixei o copo sobre a bancada engolindo o liquido forte, olhei então com mais atenção a figura se aproximando.
A mulher de estatura média, pele alva, cabelos presos num coque malfeito, sua cor de cabelo um tanto quanto peculiar: rosa. Uma mascara cobria metade de sua face, mas destacava seus olhos verdes esmeralda e sua boca com um vermelho sangue, assim como o vestido que usava. Este era longo, mas com uma grande venda aperta no lado esquerdo dando ampla visão de sua perna torneada, no decote generoso sem ser vulgar haviam algumas cartas de baralho, deixando claro que sua fantasia da noite era inspirada em Las Vegas.
A mulher se sentou ao meu lado, mas não me deu atenção apenas para o barman que esperava seu pedido. Fiquei atento, estava curioso para saber o que tinha em sua mente ver se sua voz era tão bela quanto ela...
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