O Homem do Fim do Universo

2 Capítulo 2 - Que as portas se abram!


Eu estava dando vários cochilos quando as luzes foram acionadas todas de uma vez, me cegando por alguns segundos, olhei o homem da cela ao lado: loiro, não muito alto, mas para minha estatura qualquer um é alto, blazer com um aipo, suéter e camisa, com toda certeza ele estava perdido no mundo da moda de décadas atrás, mas quem sou eu para julgar o jeito de alguém se vestir. Ele observava atento para fora da cela, acompanhei seu olhar, fiquei de pé e observei aquelas criaturas, meus olhos se impressionavam, mas minha mente parecia acostumada. Senti a dor de cabeça me atingir, apoiei na cela.

— Você devia cuidar do machucado — o tal Doctor falou, ele me analisou — E quem sabe vestir uma blusa, costuma ser bem frio durante a noite.

Olhei meu estado. Regata preta, jeans preto rasgado e coturnos. Meus pés deviam estar como batatas enormes dentro daquele estiloso sapato.

— O que são essas criaturas? — perguntei confusa.

— São os piores malfeitores do universo.

— E essa é a prisão deles? — ele confirmou e observou algo ao longe, algo que eu não conseguia ver. — O que eu fiz para vir parar no lugar onde esses seres estão?

— Não sei, mas deve ter sido terrível — ele pensava em outra coisa enquanto falava, me lembrava alguém... Mas quem?

— Você também — ele me olhou.

— Não, eu não — ele sorriu rápido e voltou a pensar.

— Senão fez nada, então por que está aqui?

— É isso que estou tentando descobrir.

Ele mergulhou em um longo silêncio, encostei na parede oposta da minha cela, o observei parado a frente da sua. Senti algo quente atingir minhas costas, virei bem lentamente e um ser de mais de dois metros me encarava enorme, ele fungava e babava, afastei num pulo e agradeci ter aquelas grades entre nós.

— Ele não costuma fazer mal a ninguém, a menos que invada sua área. — olhei o homem que falava — Inofensivo, na maior parte do tempo.

— Mas está aqui! — eu falei com a voz esganiçada.

Deu de ombros.

Fui até a porta e reparei nos seres em volta da minha cela, uns mais estranhos que os outros. Um 'clic', a porta da cela começou a se mover, observei que as outras também.

— Não, não, não — comecei a segurar a porta para que ela não abrisse. Abriu. — Droga!

Olhei o homem loiro, ele estava parado entre a passagem da porta, eu estava pendurada na grade da minha, nós dois observamos a confusão, todos os seres começaram suas fugas. Eu não sabia o que fazer, ficar ali ou seguir, ficar ou...

— Você não vem? — olhei o loiro — Depois de um tempo será bem perigoso ficar por aqui.

Eu o segui sem ter muita certeza de que deveria fazê-lo.

Alienigenas se digladiavam. Socos, pontapés e outros golpes que por não saber o nome daqueles órgãos não posso descrever, eram dados e nós desviavamos de toda a confusão.

— Vamos, menina, precisamos ser rápidos para chegarmos até o painel de controle.

— Painel...? — eu o observei mais uma vez, quem é esse tal de Doctor?

— Sim, precisamos saber como sair daqui. Ou você quer ficar presa aqui para sempre?

— Eu não sei, nem sei porquê estou aqui.

— Então fugir é uma boa ideia, não acha? — concordei e o segui.

— Como você consegue ficar tão tranquilo com todos esses... essas coisas — eu dei um pulo para o lado e desviei de um corpo que era nocauteado — São horríveis.

— Para eles, você é quem é horrível. — ele observou — Seu tamanho de atrapalha tanto a andar mais rápido.

Odeio que me apressem. Dei uma corridinha e parei ao lado dele, coloquei as mãos no bolso da calça e agradeci por ela ser mais larguinha. O homem andava rápido entre as brigas. Passava por espaços que eu nem fazia ideia de como cabiamos ali ou para que serviam, ele parou de fora de uma porta a observou por alguns minutos.

— É... Vai dar trabalho. — ele acionou um teclado. Começou a digitar códigos aleatórios que para alguém com aquelas roupas foi surpreendente.

Depois de muito tempo dele tentando entrar, e eu de guarda observando os quatro corredores que estavam ali.

— Sai daí — eu o empurrei para longe. Prendi meu cabelo num coque, deitei embaixo do teclado — Por acaso você tem algo fino, tipo chave de fenda? — o olhei, isso me lembrou de algo, mas o quê?

— Espera, peguei isso de um dos guardas hoje cedo — ele tirou um canivete do bolso — Serve?

Confirmei e peguei a ferramente.

Comecei a desparafusar algumas peças, vários fios, eu não sabia como estava fazendo aquilo, mas estava. Alguns fios de cores bem florescentes, outros foscos, cortei dois, remendei outros. E encontrei uma peça ao fundo que eu arranquei, a porta fez um barulho de perda de pressão.

— Funcionou! — ele foi até a porta e a puxou. Se abaixou desviando de um tiro — Ei! Sou contra a violência. — ele gritou para dentro quando outro tiro saiu e quase o atingiu.

— Deixa comigo. — falei entrando correndo, a arma carregava, eu podia ver sua cor de aquecimento, pulei e acertei um homem com um soco, minha mão doeu, mas ele caiu desacordado — Pode vir.

— Eu não aceito esse tipo de violencia das minhas companhias — ele falou me analisando depois de ligar as luzes.

— Façamos assim, você é o cabeça, eu sou a força bruta, com isso sobreviveremos a isso aqui, seja lá o que isso for.

Ele reclamou, se aproximou de um enorme computador e começou a digitar várias coisas, parecia meio desesperado para encontrar informações.

— Achei! Nyssa! — eu observei a imagem da mulher que corria em meio as celas e desviava de ataques. — Agora... Por que estamos aqui?

— Boa, isso é uma boa busca — falei me apoiando ao lado dele ao verificar que ninguém estava ali.

— Isso... Achei! — ele me olhou e sorriu apontando para tela — Carla, não é? — confirmei — Você está aqui... Uou, nossa, eu não esperava ver isso. — eu olhei a tela.

— O quê?

— Isso — apontou para a tela — Sou eu. — ele engoliu preocupado. — Vou focar com um nariz enorme — eu ri.

— Eu não faço ideia do que você quer dizer — observei o que estava escrito — Eu fiz o quê? — gritei ao ler — Eu achava que eu não conseguiria machucar ninguém...

— Acho que você não viu o tamanho da criatura que derrubou — ele apontou pro chão. Ele tinha razão. — Mas, então, você tem que encontrar o eu certo — ele apontou para uma versão nova e com um nariz um tento grande, e usava gravata borboleta — Ele deve saber como te tirar daqui.

— E você o que fará?

— Olha, veja — ele acionou algo — Parece que você teve um bom motivo para vir aqui — ele pegou algo como uma ficha criminal — Invadiu a área para resgatar seis caras — ele ampliou as fotos, aquilo pareceu mexer comigo, mas não sei exatamente porquê. — Os conhece?

— Eu estou surpresa por saber meu nome — respirei calma e um barulho de fora.

Apagamos as luzes. A porta foi aberta.

Eu estava escondida, levantei correndo para atingir a pessoa, que se virou apontando uma arma para mim.

— River? — falei surpresa.

— Carla? — ela abaixou a arma.

— É ótimo te ver — falei aliviada — Está tudo bem, Doctor, ela está do nosso lado.

— Doctor? — River pareceu confusa, ela o viu e me encarou — Carla, ele é do passado ou do futuro?

— Eu não sei.

— Parece que você não está sabendo de muita coisa — o Doctor voltou pro computador.

— O que faz aqui? — ela me perguntou.

— Eu não sei porque estou aqui, viemos descobrir, ele, pelo menos veio.

— Alguma sorte?

— Parece que tenho que encontrar uma tal versão mais velha dele que parece mais nova, um cara de gravata borboleta, seja lá o que esse cara for todas as suas versões têm um péssimo gosto para roupas. E descobrimos que tenho que resgatar seis caras.

— 2PM... — River sussurrou — Você não se lembra deles?

— Eu nem sei quem é esse tal de Doctor- falei meio irritada.

— Eu sou Doctor, ele — apontou para tela — é eu, logo, é Doctor, já são dois para sua lista.

— Calma — River veio até mim — Droga! Eles brincaram com você, Carla. Isso é uma armadilha.

— Para quem? — perguntei olhando para ela.

— Para ele — apontou par ao loiro.

— Para mim?

— Para ele?

— Sim, mas não o você você, o você do futuro, no caso, ele — apontou para a tela.

— E por que me pegaram e a você e a ele? — apontei pro loiro.

— Eles erraram — o Doctor falou pensativo, River confirmou — Eles tentaram pegar o engravatado e não conseguiram, fizeram várias tentativas... Então, os outros eus estão por ai.

— Provável — River se aproximou da máquina, começou a digitar e várias imagens surgiram.

— Ei! — eu aproximei — Eu lembro dele — apontei para um homem de óculos e magro.

— Lembra? — River pareceu surpresa, olhou o outro, os dois tinham percebido algo.

— Lembro, ele destruiu minha vida — falei brava.

— Não... — River falou.

— Ele não fez isso — confirmei — Carla — ela segurou meu rosto, parecia que um sentimento de raiva e vingança crescia em meu peito — eles querem que você sinta raiva, eles querem que você o destrua. Mas você não pode.

— Mas e essa lembrança?

— Você não se lembrava de nada — olhei o loiro — Como pode confiar nessa lembrança? — eu o observei, mas algo crescia dentro de mim, olhei a River.

— Tira isso de mim, por favor. — falei com a River — Eu quero saber das coisas que sei, quero ter certeza das minhas lembranças.

— Eu não posso — ela falou parecendo cansada, era a primeira vez que a via assim — Tirar isso pode te matar.

— Então o que eu faço?

— Complete a missão — olhei o loiro — Resgate os seis e encontre esse eu do futuro, ele deve saber te ajudar.

— Mas qual deles? — falei confusa, minha mente parecia esquentar sobrecarregada.

— Os dois. — River falou — Doctor me contou algo, algo sobre isso aqui e eu me lembro vagamente — ela digitou algo no computador — Droga! Agora me lembro. — uma melhor corria valente por meio da confusão e derrubava vários seres — Carla... Você vai ter de me parar.

— Eu? Como assim? — ela apontou para a tela.

— Essa sou eu... Do passado. — ela olhou o loiro — Eu fui criada para acabar com você — apontou pro Doctor — E eu não vou parar até que alguém me barre e acabe com tudo isso.

— E está me dizendo que quem fará isso, sou eu? — ela confirmou — River... Eu não posso...

— Confie em mim, Carla. Eu sei o que estou falando, está tudo aqui — ela bateu na própria cabeça.

— Ta, e como eu faço isso?

— Confie nos seus instintos e não em suas emoções. E sobre as suas lembranças... Evite a maioria.

— E como vou sobrevier a tudo isso?

— Você vai... — olhamos quem entrava, era um senhor com um rosto bem enrugado. — Eu sei, eu já vivi isso.

— Quem é você? — perguntei arisca.

— Doctor.

— Mas ele e ele... Eu não estou entendendo...

— Logo você vai, não se preocupe. — o novo Doctor falou, olhei o loiro que se examinava. — Mas você tem de correr Carla, corra como se sua vida dependesse disso.

— Como posso confiar em você? — olhei a River, ela sorria. — Certo... — ele quase sorriu — Eu vou tentar.

— Ah! A prisão gosta de brincar com sua mente, não confie nela.

Confirmei e saí correndo daquele lugar sem entender nada. Mas eu precisava chegar a algum lugar, mesmo que eu não soubesse que lugar é esse.