O Homem do Fim do Universo
11 Capítulo 11 - O Primeiro Sobrevivente
Eu estava em um turno de um dos nossos descansos. Eu fiquei encostada contra a parede, mais próxima a saída da cela em que dormiamos. Fechei meus olhos por alguns instantes.
— Só isso? — eu perguntei e olhei a mulher, meu coração acelerou.
— Apenas.
— É uma ótima escolha... — sorri da forma mais simpática que eu conhecia.
— Mesmo? Não sou muito fã de doce de banana.
— Esse veio direto do Brasil — falei em português. Ela me olhou e sorriu.
Minha mãe saiu do mercado, eu respirei aliviada e continuei meu trabalho.
Um barulho no corredor me tirou da lembrança. Olhei para o corredor e um tiro cortou o ar. Meu corpo agiu tão rápido que nem sei como desviei do tiro. Fui até a porta da cela e comecei a fechá-la. Khunnie acordou, eu pedi para que ele fizesse silencio, ele preparou as correntes e se levantou. A porta transparente nos permitiu ver o ser que se aproximava, parecia um lixo metálico com uma arma, tinha uma voz mecânica. Meu corpo se agitou, eu não sabia porquê. Eu estava com medo e eu suava por isso. Olhei Nichkhun, ele me observava, parecia assustado com meu medo. Estiquei a mão para ele, peguei uma das correntes. O ser virou para a porta, e do outro lado outro como ele se aproximava.
— O que são essas coisas? — ele perguntou.
— Da... leks... — falei e engoli saliva sentindo minha garganta doer. — Cuidado! — pulei sobre o artista, a queda contra o chão e o som do tiro perto de nós me deixou desnorteada.
Levantei zonza, com a corrente corri até o ser, abri a porta e pulei sobre ele, pulei em sua cabeça, ele começou a rodar, com a corrente prendi sua arma e a mirei no outro, ele atirou e com sua voz metalica dizia coisas que não entravam na minha mente.
— Doctor! — ele estava com um olhar de ódio, eu nunca o tinha visto daquela forma e isso estava me amedrontando — Doctor, o que está... — ele pediu para eu me calar.
Estavamos cercados por esses seres.
Outro tiro, olhei para dentro da cela, os meninos acordavam. Eu sentia meu braço machucar com as correntes, fiz careta puxando a arma para apontar para o outro que surgia pelo outo lado, ele atirava e acertava seus semelhantes. Eu estava suando. Outro ser de outro lado, forcei, os dois atiraram, eu caí. Tirei a corrente do meu braço rapidamente, estava quente depois que o ser fora atingido. Khunnie e JunHo vieram até mim, me levantaram.
— Vamos sair daqui. — falei correndo. — Ah! — eu urrei de dor. Os meninos não se aproximaram, tudo doia, muito. Parecia que alguém apertava meu cérebro entre os dedos.
— Carla! — olhei para quem chamava.
— Doctor! — eu fui até ele cambaleando. — Doctor, como...
— Alguns de nós conseguimos fugir — ele me abraçou, era o loiro com aipo — Quando você deu o aviso percebemos o perigo.
— E para onde vocês estão indo?
— Buscando a TARDIS.
— Vocês não vão encontrá-la — falei, ele me olhou — O outro você, o da gravata — ele confirmou — Ele está com ela.
— Como assim?
— Ele partiu e acho que não vai voltar. — falei cansada — Vamos ter de sair daqui por conta.
— Eu não me abandonaria...
— Mesmo? — ele ficou pensativo — Se quiser, pode se juntar com a gente, estamos buscando uma forma de sair daqui.
Ele confirmou e nos seguiu.
Alarmes começaram a soar, nos olhamos sem entender. Tentamos chegar até um painel para que pudessemos ver o que acontecia. O Doctor começou a mexer no primeiro que encontrou, fiquei junto dele e lá vimos que portas tinham sido obstruidas, seres perigosos fugiam. Ele ficou preocupado.
— Você consegue entrar em contato com a TARDIS? — perguntei observando o que ele começava a digitar — Você pode avisar aquele você e informar os seres que estavam fugindo e você pode pegá-los.
— Boa ideia. — ele começou a digitar de forma desesperada, eu imaginava seus dedos dando nós.
— Pessoal? — olhamos quem chamou, Taec!
Minha cabeça rodou e minha mente deu um nó, aquele era o verdadeiro. Eu queria vomitar e eu ia, me afastei do grupo e coloquei para fora o nada que eu tinha em meu estomago.
Vários flashs de memórias malucas, eu em shows, eu feliz gritando pelos meninos, o Doctor rindo da minha cara de fangirl. Eu e Taec... Eu o olhei depois de colocar meu vazio para fora, ele estava suado, machucado.
— Ouvi dizer que existe um homem no fim do universo — o Doctor falou e eu ri.
— Isso é algum conto autobiográfico? — me apoiei no painel da TARDIS, estavamos partindo, ele riu. — Porque se for, acho bom nem começar.
— Por incrivel que pareça — ele se apoiou ao meu lado — Não é. — eu ri. — Posso continuar? — confirmei — Certo. Essa fábula conta sobre o fim do universo, dizem que um homem será capaz de salvar a todos, como homem não entenda como um ser do sexo masculino, entenda apenas como um humanoide — confirmei para que ele continuasse — Esse ser será capaz de salvar a todos, mas todos não entenda todo o universo, apenas entenda como todos de um — eu franzi o cenho — Alguns seres são únicos nesse universo, alguns duram mais do que deveriam, outros duram pouco, mas vivem o suficiente para fazerem algo grandioso. E esse homem viveu o suficiente para isso, ele não era muito velho, pelo que me lembro, mas fez grandes coisas, conquistou grandes seres, os maiores do universo.
— Eu não entendi direito essa fábula — falei o ajudando com os controles.
— Ninguém entende as fábulas, até que elas façam sentido.
Abri meus olhos. Taec me encarava, ele parecia bravo comigo, mas porquê? Eu lembrava dos momentos que passamos juntos, meu primeiro encontro com ele. Momentos pós show e agora eu via os outros, senti meus olhos se encherem. O Doctor me permitiu viver um pouco com todos eles. Apertei minha cabeça conforme tudo pulava para fora de onde tinham sido tancados. Levantei escorada na parede, o Doctor loiro me observava e ao homem que me encarava com ódio no olhar.
— Taec... — falei, aquele não era um Ganger — Taec Yeon... — ele fechou os olhos de forma dolorida — O que aconteceu?
— Você aconteceu! — ele cuspiu aquilo sobre mim, foi como ácido, minha mente se contorceu mais uma vez, eu caí no chão sentada, tremendo, eu não sabia como controlar meu corpo — Você veio, nos entregou a alegria e depois arrancou tudo com seus dedos, você nem nos deu tempo de fazer nada.
— Taec... — eu chorava — Eu não...
— Você sim, você nos conquistou, você nos fez nos apegarmos a você, Carla, você permitiu que te amássemos e então arrancou nossos corações — ele chorou, lágrimas correram pelo rosto dele — E nem nos deu anestesia.
— Para! — eu falava me encolhendo em meu próprio corpo, talvez se eu conseguisse me encolher o suficiente para me fundir, pudesse virar um buraco negro e...
— Como se sente? — eu estava deitada ao lado de Taec, ele estava deitado de lado apoiado no braço me observando.
— Muito bem — eu ri — Muito bem mesmo.
— Que bom — ele brincou com uma mecha do meu cabelo — Posso te fazer uma pergunta?
Eu me virei para ele e deitei em meu braço, brinquei com os músculos de seu ombro, ele sentiu um arrepio. Confirmei.
— Quem é aquele com você?
— O Doctor? — ele não sabia — O da gravata? — confirmou — Apenas um amigo que me permitiu a melhor viagem da minha vida — ele riu e me abraçou, ele era bem maior do que eu, seu abraço era perfeito... Uma lágrima escorreu pelo meu rosto, era perfeito, mas não era o melhor que eu recebera.
Dormimos.
Acordei antes de Taec, eu precisava partir, o Doctor provavelmente estaria furioso comigo por eu ter me envolvido com o 2PM. Peguei uma folha da mesa, uma caneta, torci para que o clic não o acordasse, anotei algumas palavras apressadas, ele se mexeu. Dei um último beijo em seus lábios, eu estava chorando, era como se eu soubesse que algo ruim ia acontecer. Saí do quarto, caminhei pelas ruas de uma Seul deserta, abri a porta da TARDIS que estava no alto de um prédio que me deu trabalho para conseguir subir. Lá dentro não encontrei ninguém, olhei em volta e nada.
— Doctor? — gritei.
— Seu Doctor não está mais aqui — a voz mecanica.
Eu tentei correr, mas algo me atingiu na nuca, eu apaguei.
Encarei Taec a minha frente, eu estava sem folego. O oxigênio parecia pesado e tóxico para meus pulmões. Eu me levantei quando outro gosto azedo subiu pela minha garganta. Respirei fundo.
— Vamos, temos que descobrir uma forma de sair daqui — falei séria, como se nada do que eu tivesse me lembrado não fosse doloroso.
— Eu não posso te deixar ir — Taec segurou meu braço, parei ao seu lado, ele não me olhava, o olhei, ele era lindo com aqueles traços fortes, mesmo com aquele cabelo bagunçado e aquelas olheiras.
— Me solta. — falei respirando fundo.
— Não... Você precisa me dizer porquê.
— Por que eu te deixei? — ele confirmou. — Desculpa... — respirei — Não posso te dizer a razão. — ele apertou meu braço.
— Pode sim... Na verdade eu já sei, me encontrei com a outra razão — eu não pude esconder minha surpresa — Mas você podia ter me esperado acordar.
— Se eu tivesse, estariamos mortos agora — falei e soltei meu braço.
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