O Homem da Lua Cheia
1 O Homem da Lua Cheia.
- E ai Lucas! – Disse Roberto – Cara, essa semana tem noite de lua cheia, bora fazer uma maratona de World of Warcraft nesse dia?
- Lua cheia? Hm... E se a gente fizesse aquilo?
- Aquilo o que?
- Invocar o Homem da Lua Cheia...
Após ouvir isso, Roberto começou a suar frio, um calafrio subia pela sua nuca, gaguejando, ele disse :
- M-Mas isso é loucura!!!
- Haha, você esta com medo? – Disse Lucas, enquanto passava a mão no nariz – Essa coisa não existe cara. Vamos, vai ser legal!
- Ok, eu posso até ir, mas, o que te deixa tão confiante que isso não existe?
Lucas ficou sem resposta, mordendo os lábios, disse que estava atrasado para um compromisso. Roberto sabia que aquilo era apenas uma desculpa, e isso só o deixou com mais medo. Após esse pequeno incidente, Roberto foi para a biblioteca de Lajeira, para pesquisar mais sobre como invocar o Homem da Lua Cheia e etc.
Ele ficou 3 horas procurando, mas sem resultados. Quando estava prestes a desistir, ele achou um livro estranho, a capa era de algo que parecia couro, as letras eram quase como arranhados (tinham até um certo relevo), ao sentar-se para ler, o gerente da biblioteca lhe chamou a atenção, dizendo que ele tinha que sair, pois já havia dado as 21 horas.
Roberto voltou para sua casa com várias dúvidas, a maioria sobre aquele livro. Em sua cama, ele pegou seu celular, e ligou para Lucas, para dizer o que aconteceu, e se ele tinha alguma ideia do que poderia ter acontecido.
— Roberto, por que você está me ligando essa hora? – Questionou Lucas – Já são quase meia-noite! Ok que amanhã é sábado, mas não era pra você me ligar!!
- Lucas, escuta... Após a nossa conversa, mais cedo, eu fui até a biblioteca, para saber mais sobre o Homem da Lua Cheia, eu fiquei umas 4 horas lá, mas isso não importa muito, quando eu já estava pra sair, eu achei um livro muito estranho...
- Como assim estranho? Explica melhor.
- Cara, abre a sua janela, a chamada ta xiando.
- Roberto, não tô entendendo o que você está falando!!!
A chamada desligou sozinha, ambos acharam isso estranho, mas Roberto chegou a conclusão de que era meio óbvio que isso aconteceria, pois ambos estavam falando dentro de seus quartos, com as janelas fechadas, então o mais lógico seria a chamada cair cedo ou tarde. Roberto foi dormir, pois ele não tinha nada para fazer. Ao acordar, ele mal tomou café e foi até a biblioteca, para ver o que tinha por trás daquele livro.
Ao chegar lá, ele encontrou Lucas, sentado nas escadas. Após uma breve conversa, ambos entraram na biblioteca, que estava com um clima meio tenso, o gerente estava inquieto, as atendentes tremiam a boca e as pessoas que liam, pareciam estar com medo de algo. Roberto e Lucas, porém, não repararam nisso, e foram direto pra seção onde estava o livro que queriam.
— Lucas, talvez eu demore um pouco. – Disse Roberto – Por favor, veja quando é a próxima lua cheia, para nós termos alguma ideia de quando buscaremos o necessário.
Lucas concordou, e enquanto Roberto procurava pelo livro, ele foi perguntar para as atendentes a data da próxima lua cheia. Enquanto perguntava educadamente para uma senhora que estava sentada, ele foi interrompido pela mesma :
- Meu filho, não faça isso... Vidas inocentes serão perdidas!
Lucas arregalhou os olhos, e pensou : ‘’ Como ela pode saber o que queremos fazer?!?!’’. Depos de passar as mãos nos olhos, e olhar novamente para a senhora, não tinha ninguém naquele acento. Uma mulhere da recepção foi perguntar por que ele estava falando sozinho, e sem uma resposta, ele disse que estava ensaiando uma peça. Ela lhe deu um pequeno sermão, e perguntou se ele precisava de algo, Lucas não perdeu tempo, e perguntou sobre a lua cheia.
- Ah, a lua cheia – Disse a atendente – Amanhã.
- Obrigado moça!!!
Lucas voltou para onde Roberto estava, em um passo meio rápido, e ao chegar, viu Roberto com dois livros na mão.
- Cara, por que dois livros? – Perguntou Lucas – Esse cara é tão tenebroso assim?
- Aparentemente sim... Esse é o livro que eu tinha te falado, e o outro é um dicionario Latim-PTBR.
- Se está escrito em Latim, é porque a coisa é meio séria... – Disse Lucas
- Meio? – Retrucou Roberto – Isso é totalmente sério... Aqui ta dizendo o que a gente precisa pra invocar ele, e também fala sobre algumas coisas que a gente tem que evitar fazer... O resto está ou rasgado, ou eu não consigo entender o que está escrito.
- Vamos lá, a lua cheia é amanhã... O que nós vamos precisar?
- Bom, segundo esse livro, a gente precisa ir até o cemitério da cidade, levando um caderno, pra anotar o que acontecer, uma faca banhada em sangue de cachorro, e um papel. Aqui também diz que a gente precisa encontrar o túmulo mais recente, com a pessoa mais jovem.
- Droga... – Disse Lucas, enquanto olhava para os lados – Quem vai conseguir tudo isso? E por que sangue de cachorro?!?!
- Bom, eu traduzi o livro... Eu posso ir até o cemitério e mapeá-lo, e a faca eu consigo levar também. E sobre o sangue, aqui diz que usando o sangue de uma criatura tão pura e tão fiél, a chance do ritual se concretizar será maior.
Lucas percebeu que ele ficaria responsável pelo sangue de cachorro, e limpando o suor da testa, ele perguntou como faria pra pegar pelo menos um pouco. Roberto lhe disse que como ele teve a ideia de invocar o Homem da Lua Cheia, ele que ficaria responsável de pensar em como pegar o sangue.
Após essa conversa, Roberto tomou seu rumo para o cemitério de Lajeira, onde após alguns minutos caminhando, achou um túmulo de um garoto chamado ‘’José Afonso’’, que morreu com apenas 3 meses de vida.
- É esse... – Disse Roberto, em uma voz meio baixa — Esse é o túmulo que usaremos para invocar o Homem da Lua Cheia...
Roberto pegou seu celular, e ligou para Lucas, para tentar saber se tudo havia dado certo. Sem resposta, ele decidiu ir até a sua casa.
Na rua da casa de Lucas, havia um aglomerado de pessoas, que pareciam rodear uma garota chorando, Roberto correu para ver o que estava acontecendo. Ao chegar perto o bastante para conseguir ver, Roberto viu uma menina abraçada ao torso de um cachorro, que não tinha nem as patas, e nem a orelha esquerda. Sabendo do que se tratava, Roberto começou a andar de costas, até cair no chão.
Pálido e jogado no chão, Roberto se levantou, e com dificuldade, caminhou até a casa de Lucas. Quando Lucas abriu a porta, Roberto disse no pé de seu ouvido :
- Você tá ficando louco? Matar um cachorro de uma garotinha?!?!
- Calma, Roberto, — Disse Lucas – Eu sei o que você ta pensando sobre mim, mas, aquele cachorro já tinha uns 12 anos, ia morrer a qualquer hora. Enfim, vamos entrar, pra não chamar muito a atenção.
Ao entrar na casa, Roberto sentou no sofá, e Lucas lhe trouxe um copo d’água.
- São 18h – Disse Lucas – Vamos dormir logo, amanhã o dia será longo... Por minha parte, já temos tudo pronto. E você, fez a sua?
- Fiz sim. Mapeei o cemitério até o túmulo de um moleque chamado ‘’José Afonso’’. Morreu faz umas 2 semanas, com apenas 3 meses de vida.
- Ótimo. – Disse Lucas – Alías, o que devemos fazer quando chegarmos ao cemitério?
- Até onde eu li, esperar até que a lua fique totalmente visível, e então escrever nossos nomes no papel, usando o sangue de cachorro. Depois disso, ninguém sabe o que acontece...
Lucas fez um sinal com a cabeça, e então foi dormir. Olhando para o pote com o sangue de cachorro, ele começou a pensar no que fez, mas isso durou pouco tempo, até ele cair no sono.
Roberto, por sua vez, não conseguiu dormir, ele imaginava o que poderia acontecer com eles, mas nenhum de seus pensamentos foi positivo. Todos ele se via morrendo, nas mãos do Homem da Lua Cheia.
A noite passou, e Lucas acordou. Ao descer para sua sala, ele não viu nada, nem sequer os móveis.
- Droga... – Disse Lucas, em tom grosso – Essas alucinações de novo...
Colocando as mãos na cabeça, e começando a berrar, Lucas foi ‘acordado’ por Roberto, que colocou a mão em seu ombro, perguntando o que havia acontecido. Lucas explicou, e Roberto, mesmo duvidando um pouco, entendeu.
- Cara, já são 15h.... – Disse Roberto – Acordamos tarde demais! Vamos correndo para o cemitério, hoje que é domingo, ele vai fechar os portões mais cedo!! Pega a cerveja e vamos.
Roberto e Lucas partiram correndo para o cemitério, com tudo na mochila, eles entraram e ficaram em um canto, escondidos. A noite logo chegou, e quando a lua começou a aparecer, eles partiram para o túmulo que Roberto havia marcado.
Com o caderno na mão, Roberto começou a fazer suas primeiras anotações. A maioria não era importante, apenas dizia como estava o clima, e etc. Quando a lua pode ser vista por completo, eles não perderam tempo, enquanto Lucas escrevia seus nomes no papel usando o sangue, Roberto anotava cada passo. Quando lucas jogou os nomes em cima do túmulo, um raio caiu do céu, pouco depois, uma neblina densa cobriu o cemitério.
- Roberto, cadê você??? – Disse Lucas, com a voz bastante tremula
- Eu to aqui... Cara, acho melhor a gente tentar sair...
- Concordo!!
Ao começarem a caminhar, eles sentiram uma presença do lado deles, apesar de não ter nada. Eles começaram a correr, pra tentar sair dali, e quando viram o portão, abriram um sorriso de orelha a orelha, mas isso durou pouco. Quando estavam prestes a sair, a figura de um homem apareceu na neblina. Ele era alto, usava algo parecido com um chápeu, e estava abrindo e fechando suas mãos.
Lucas e Roberto, correram na direção oposta, como se não ouvesse amanhã. Lucas por sua vez, tropeçou, e Roberto não conseguiu parar de correr. Vendo o homem se aproximando, Lucas começou a chorar, e berrando, pediu por ajuda. Roberto ouvia os berros, mas não podia fazer nada, pois ele não queria morrer. Vendo uma pequena fresta em um jázigo, ele se jogou ali, e pegando o caderno, fez as suas ultimas anotações.
‘’ Está frio, eu estou com muito medo e muita fome... Ele é real, o Homem da Lua Cheia existe, me arrependo de ter provocado ele... Ele está aqui, eu sinto sua presença... Não sei se ele vai me achar dentro desse jázigo, mas se ele me achar, será o fim. Em memória ao meu grande amigo Lucas Souza, eu prometo que se eu escapar, eu irei me preparar, e derrotar esse cara. Lucas, você não morreu em vão!! ‘’
Após escrever isso, Roberto jogou o caderno no chão, e espiando pelos pequenos espaços do jázigo, ele viu que o Homem da Lua Cheia estava ali, olhando para ele. Em passos curtos, ele arrancou a tampa do jázigo e agarrou Roberto pelo pescoço. Olhando em seus olhos, o homem o jogou para longe, e em seguida, sumiu na neblina. Não se sabe se Roberto morreu ou se ele ainda está vivo, mas uma coisa é certeza : O Homem da Lua Cheia é real.
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