O Homem Por Trás Da Coroa (Luspian)
1 Caspian X - Por Lucia Pevensie
Notas iniciais
POV Lucia Pevensie
Todos o conhecem como Caspian X, Rei de Nárnia, Senhor de Cair Paravel e Imperador das Ilhas Solitárias, e ainda como Caspian, o Navegador ou Caspian, o Explorador dos Mares. Foi em uma de nossas viagens a Nárnia que conheci o jovem príncipe de cabelos longos e escuros, pele levemente bronzeada, e olhos castanhos escuros, mas extremamente gentis. Caspian ainda era menos que um garoto quando se viu obrigado a fugir de seu próprio reino para salvar sua vida ameaçada pela inveja de seu tio telmarino, Miraz. Quando este recebeu a noticia de que sua esposa havia dado a luz a um filho homem, incumbiu seus soldados a irem até o quarto do príncipe e assassiná-lo durante seu sono. Mas felizmente Caspian foi avisado com antecedência do nascimento da criança, por seu amado tutor Cornelius, que correu até o quarto do garoto no meio da noite o tirando de seu leito e o avisando do perigo que o mesmo corria ficando no castelo e assim o aconselhando a fugir. Após atravessar a grande e temerosa floresta negra, e ser arrastado por seu cavalo após bater com a cabeça em um galho dentre as árvores, Caspian encontrou-se com os antigos habitantes de Nárnia dos quais ele apenas havia ouvido falar pelas historias de seu tutor. Assim ele se comprometeu a ajudar o seu povo, e lutar para defender o trono que era seu por direito. Usando a trompa de minha irmã Suzana para nos trazer de volta, Caspian pode contar também com nossa ajuda até que finalmente pode assumir o seu lugar no trono como Caspian X, o rei de Nárnia. Aslam o chamava de: a maior contradição dos tempos, o telmarino que salvou Nárnia.
Eu ainda era apenas uma menina com pouco menos de doze anos quando tudo isso aconteceu. Mas entendia perfeitamente a importância de todas aquelas guerras, e batalhas travadas em nome de Aslam. Então, certa vez quando eu já não era mais apenas uma garotinha e vivia com meu irmão Edmundo, e meu primo Eustáquio, que até então era um garoto terrivelmente insuportável. Nós três regressamos a Nárnia através de um quadro pendurado no quarto da casa de nossos tios. Encontramos um Caspian mais maduro, e mais firme em suas decisões também. Conhecemos seu lindo navio, o Peregrino da Alvorada, assim como seu capitão um tanto quanto resmungão Drinian. Caspian estava à procura dos sete fidalgos, enviados por Miraz em uma missão de desbravamento nos oceanos orientais, que fez isso apenas para evitar sua oposição quando ele assumisse o trono que antes pertencia ao seu irmão, pai de Caspian, cujo mesmo ele assassinou.
Naqueles dias em que passamos viajando pelos mares orientais, eu pude conviver mais intimamente com Caspian e conhecê-lo um pouco mais do que apenas como o grande rei que ele era. Tornamos-nos muito próximos e amigos. Estávamos o tempo todo juntos, e falávamos sobre tudo. Caspian parecia sempre muito à vontade para conversar comigo sobre qualquer coisa, até mesmo sobre minha irmã Suzana, cuja mesma havia se despedido dele de uma maneira digamos, romântica em sua última viagem a Nárnia. Coisa que jamais entendi, afinal, eles nunca passaram tanto tempo juntos para ficarem apaixonados. Mesmo assim, Caspian nutria uma admiração bastante forte por minha irmã, o que confesso que passou a me incomodar.
– Quer mesmo saber como está Suzana? –perguntei com certo ciúme aparente enquanto conversávamos debruçados sobre a beirada do navio.
– Imagino que ela esteja indo bem. –respondeu com um olhar vago.
– Na verdade está! –sorri e senti que fui um pouco cruel. – Está estudando na América e recebo cartas suas o tempo todo falando dos inúmeros admiradores que ela tem, e de suas propostas para cortejarem ela.
Tudo bem, eu não precisava ter dito isso, mas era a pura verdade, e Suzana sequer falava de Nárnia, e muito menos dele em suas cartas. Estava deslumbrada com os rapazes que a pediam em namoro, e lhe enviavam presentes o tempo todo, chegava a ser chato. Eu sempre quis ser bonita como minha irmã, mas, confesso que às vezes achava que Suzana era um pouco fútil. Caspian forçou um sorriso amarelo e disse olhando o oceano:
– Fico feliz por ela. Sua irmã é uma mulher incomum!
– É ela é... –fitei o mar à frente e creio que amarrei os burros.
Caspian olhou para minha face e deu um sorriso de canto. Não sei o que isso queria dizer, nem se queria dizer alguma coisa, mas... Ignorei apenas... Depois disso, o que me lembro, é de ter passado por outro momento constrangedor nas ilhas, quando encontramos a estrela Ramandu. A tal da Liliandil... Quando ela tomou a forma humana e apareceu diante dos nossos olhos, tanto Caspian quanto Edmundo, ficaram babando por conta de sua beleza brilhante. “Como os homens são bobões, não podem ver uma mulher bonita e se derretem”. Revirei os olhos enquanto Caspian se aproximava dela e dizia com aquela cara de bobo:
– Você é muito linda! –disse ele.
– Se minha aparência for problema pra você eu posso mudar de forma! –disse ela toda sonsa.
– Não! –disseram os dois reis babões me fazendo levar o dedo na goela.
Pensei seriamente em pedir que ela gentilmente tomasse outra forma, talvez uma nuvem de fumaça e desaparecesse. Mas mantive a calma, e fui gentil afinal não estávamos ali para eu dar um pití, e sim por uma missão importante. Mas mesmo assim, tive que aguentar a troca de olhares entre Caspian e Liliandil.
– Me diga que a verei de novo! –disse ele ao se despedir da estrela.
Eu tinha uma espada em mãos, e pensei em usar sua coronha varias vezes para acertar a cabeça daquele rei desmiolado, que se encantava por toda moça bonita que via, sem nem parar pra pensar se ela era inteligente, ou divertida, ou boa companhia. Revirei os olhos outra vez, querendo meter o dedo na goela de novo e vomitar de cima daquelas pedras.
– O que foi Lu? –disse Edmundo vendo minha cara impaciente.
– Nada.
– Parece enjoada. –ele franziu a testa.
– É a altura... –respondi e me virei descendo as pedras enquanto a Liliandil vazava dali.
Enfrentamos um monstro terrível naquela noite em busca do último fidalgo, que quando encontramos já estava bem lelé da cabeça. Deu-nos mais trabalho do que o Eustáquio, que, aliás, naquelas horas tinha se transformado em um enorme Dragão por ser curioso e ganancioso demais. Mas por fim, quando o encontramos de novo, já reestabelecido em sua forma humana, ele havia aprendido mais coisas do que em sua vida inteira. Foi bom ele ter passado por aquela provação afinal, pois depois disso ele se mostrou ser um ótimo garoto, bem diferente daquele moleque mimado e resmungão. Voltamos ao mar e passamos mais alguns dias viajando em busca do país de Aslam, já que estávamos tão perto. Caspian e Edmundo só falavam na estrela o tempo todo, e isso me deixou muito brava a maior parte da viagem. Subi até a proa no Peregrino e lá fiquei sozinha com meus pensamentos.
– Lu! –disse Caspian ao se aproximar pelas minhas costas e tocar meu ombro. – O que faz sozinha aqui em cima? Está frio...
– Eu estava pensando. Logo Edmundo, Eustáquio e eu voltaremos para casa. –disse com expressão triste com os braços cruzados sobre a proa.
– Quem sabe um dia vocês possam voltar! –disse ele sorridente.
– Espero que sim. Mas deve saber que Ed e eu já estamos com a mesma idade que Pedro e Suzana quando foram embora de vez.
– Não fique assim. –disse se aproximando. — Não gosto de vê-la com essa carinha. –ele tocou meu rosto com ambas as mãos.
Confesso que tive vontade de beijá-lo naquele momento, mas não era apropriado naquela ocasião. Então apenas fechei os olhos e me lancei contra seu peito e o abracei dizendo:
– Você tem razão. Está frio aqui fora.
Caspian sorriu, senti isso quando seu queixo pressionou minha cabeça pra baixo. Ele me envolveu com seus braços e ficamos ali, abraçados um ao outro por alguns minutos em silencio. Depois voltamos ao interior do Peregrino. Quando encontramos com Aslam, ele me deu a noticia mais triste que recebi em toda minha vida. Edmundo e eu já tínhamos adquirido todo o conhecimento que podíamos absorver de Nárnia, e precisávamos seguir com nossas vidas em nosso mundo apenas, sem a previsão de volta. Caspian se despediu de Edmundo com um abraço de irmãos, e ao vê-los assim, senti um aperto no meu peito sabendo que nunca mais voltaria a ver Caspian novamente. Quando Ed se afastou, eu corri até Caspian e o abracei com toda minha força como se aquilo pudesse me prender a ele pra sempre, e evitar que eu partisse. Ele me segurou firme contra seu peito, e acariciou meus cabelos, enquanto me erguia do chão.
– Eu vou sentir muito a sua falta. –eu disse chorando.
– Também sentirei a sua Lucia. –disse em voz baixa.
– Eu nunca vou esquecer você Caspian, nunca. –eu mal conseguia falar, as palavras saiam tremidas.
– Nem eu esquecerei você Lucia. –disse e beijou minha testa por longos segundos.
Assim, eu me afastei mesmo contra minha vontade, mesmo com meu coração em pedaços, e com meu mundo particular desabando dentro de mim. Atravessei as ondas e quando dei por mim estávamos novamente naquele quarto. Ed, Eustáquio e eu nos entreolhamos com tristeza, e depois saímos do cômodo. Antes de fechar a porta, eu voltei a olhar o quadro da parede e disse baixinho:
– Eu te amo Caspian...
O tempo passou, eu fiquei mais velha, e passei a morar sozinha em um apartamento, junto com algumas amigas da faculdade. Recebia cartas de Eustáquio, contando como foi sua segunda viagem a Nárnia junto com sua amiga de escola, Jill. Ficava maravilhada com suas palavras, e minha ânsia de saber sobre Caspian era imensa. Fiquei muito infeliz ao descobrir que ele havia se casado com Liliandil e que juntos eles tiveram um filho chamado Rilian. Então percebi que continuar nutrindo amor pelo rei de Nárnia, era loucura. Nos dois anos seguintes, após completar vinte e um anos, eu pedia todas as noites para que Aslam me ajudasse a esquecê-lo ou me mostrasse um jeito de viver feliz sem o amor de Caspian. Então em uma linda tarde de verão, depois de um passeio no shopping com minhas amigas Anna, Keyla e Sarah. Eu acabei esbarrando com um rapaz alto, de cabelos curtos e de óculos escuros, que usava uma camisa branca, com alguns botões abertos, enquanto descia a escada rolante próxima à saída. No impacto, minhas sacolas voaram da minha mão e se espalharam no chão. Ele levou as mãos à cabeça e começou a se desculpar, enquanto nos abaixávamos e começávamos a recolher toda a bagunça.
– Eu sinto muito! –disse ele. – Eu sou muito distraído às vezes. Não vi você se aproximar...
– Ah tudo bem! Eu também devia olhar por onde ando... –respondi sem erguer os olhos.
Quando nos levantamos, ele tirou seus óculos escuros e sorriu. “MEU DEUS”. Aquilo devia ser uma alucinação, não podia ser real. Eu conhecia aqueles olhos castanhos, e aquele sorriso. Mas não podia ser...
– Caspian? –arregalei meus olhos enquanto ele olhava pra mim e sorria.
– Alejandro! Na verdade... –ele riu.
– C... Como... –não, não era ele claro que não.
– Como você se chama?
– Lucia... –eu ainda estava de boca aberta.
– Precisa de ajuda com suas sacolas Lucia? Meu carro está logo ali. –ele apontou para o lado de fora da porta. – Eu posso te dar uma carona, isso parece pesado.
– Ah eu... –não costumava entrar em carros de desconhecidos, mas... – Tudo bem. Eu aceito.
Alejandro me ajudou a carregar as sacolas até o carro dele, um carro simples, mas novo. Eu me sentei no banco do carona, e não conseguia tirar meus olhos de cima dele, acho até que isso o deixou um pouco sem jeito. Mas ele olhou pra mim antes de dar a partida no carro e disse:
– Engraçado! Vai parecer estranho, mas... Eu sinto como se conhece você de algum lugar.
– Talvez de um mundo paralelo! –eu sorri.
– Nunca se sabe! –ele sorriu olhando nos meus olhos.
Naquele momento eu soube de alguma forma que Aslam tinha ouvido as minhas inúmeras preces, e as tinha atendido. Durante o caminho que percorremos Alejandro e eu conversamos sobre muitas coisas, e descobrimos que tínhamos muito em comum. Ao passar por uma grande avenida, eu tive a leve impressão de ver um grande e majestoso leão parado na esquina. Meus olhos curiosos se arquearam naquela direção então o vi sorrir pra mim e acenar com a cabeça, fazendo com que sua juba sacudisse com a brisa. Depois ele simplesmente sumiu e eu soube. Que de algum jeito, aquele ao meu lado era Caspian. O homem por trás do rei de Nárnia!
POV AUTORA
Lucia Pevensie passou a se encontrar inúmeras vezes com o novo amigo Alejandro. Até que em certa ocasião, o mesmo se aproximou dela carinhosamente e tocou ser rosto, olhando fixamente em seus olhos azuis, e disse que estava apaixonado. Ambos ficaram juntos a partir daquele momento, e nada nem ninguém pode lhes separar. Lucia nunca se sentiu tão feliz na vida, quanto quando estava nos braços de seu amado. Quando Caspian X completou sessenta e seis anos em Nárnia, após perder sua esposa Liliandil, ele percorreu os territórios narnianos em busca de um novo rei que o pudesse substituir até que seu filho Rillian se tornasse adulto e pudesse assumir seu lugar no trono. Aslam tornou Caspian jovem outra vez e o enviou para o mundo dos Pevensie, onde ele recebeu o nome de Alejandro...
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