O Homem De Preto
3 Capítulo 3 - A Descoberta
Dei um enorme pulo para trás e quase caí da cadeira onde eu estava, Bruna se assustou e perguntou o que aconteceu.
--- O ho-o-mem de preto, a-ali na frente! – Gaguejei
Mas quando olhamos de novo ele já não estava mais lá. Será que eu estava ficando louca?
--- Onde ele está? Não o vejo! – disse Let
--- Ele estava logo ali do outro lado da rua, ao lado daquela árvore!
--- Gio, não tem ninguém lá, tem certeza de que era ele mesmo? – Bruna pediu
--- Tenho certeza! Era ele sim, estava com a mesma túnica preta e o rosto encoberto pelo capuz exatamente como ontem a noite!
Let e Bruna trocaram olhares nervosos e ninguém falou mais nada durante um bom tempo. Por fim, quebrei o silêncio dizendo que iria para casa, e que precisava descansar.
--- Vamos com você! – anunciou Let.
Falei que não queria, precisava ficar um pouco sozinha para pensar sobre tudo o que aconteceu, mas elas insistiram em ir. Sempre teimosas. Chegamos na minha casa e eu desabei na cama. Let sentou na cadeira diante da escrivaninha e Bruna sentou ao pé da cama. Ficamos ali trocando olhares até que Bruna falou:
--- Você sabe quem é aquele homem? Você o conhece?
--- Não sei bem, acho que já o vi em algum lugar, só não consigo me lembrar onde. Se eu conseguisse ao menos ver seu rosto, talvez pudesse lembrar.
--- Mas como ele é exatamente? – perguntou Let um pouco desconfortável
--- Já disse, ele tem aparência normal, é consideravelmente alto, parece ser forte, e está sempre vestindo uma longa túnica preta, com um capuz, impossibilitando ver seu semblante. Apenas consegui identificar uma comprida cicatriz que compreendia toda a lateral de seu pescoço.
Bruna me olhou rapidamente de um jeito meio desconfiado, mas logo desviou o olhar e nada falou. Gostaria de esquecer isso, mas não é fácil, não consigo parar de pensar em como aquela cicatriz me é familiar, mas por que? Queria descobrir o que estava acontecendo, mas tenho medo do que, e de quem posso encontrar. Gostaria de saber por que aquele homem está me seguindo, ou o que ele quer comigo. E por que eu pareço ser a única que consegue vê-lo? São muitas perguntas para poucas respostas. Pedi para Bruna e Let se poderia ficar um pouco sozinha, precisava tomar um banho e precisava descansar. Despediram-se então, disseram para eu ficar bem e para eu tentar não pensar nisso, e seguiram para suas casas.
Fui até a cozinha e me servi um copo d’água, minha cabeça estava dolorida, eu estava tão confusa com tudo acontecendo tão de repente. Milhares de coisas se passavam por minha cabeça ao mesmo tempo, não sabia direito o que sentia, um certo desconforto, medo, tristeza. Subi para o meu quarto – agora com um novo quadro de guitarra na parede lateral, e discos de vinil espalhados pelo teto – e liguei o computador. Percebi que havia um novo e-mail de um contato desconhecido. Abri:
“Olá Giovanna,
Está gostando da minha companhia? Não se lembra de mim?
Nos conhecemos alguns anos atrás na floresta do parque central, lembra?
Seus pais estavam tão felizes ao comemorar o aniversário de sua pequena filha que completava 9 anos de idade. Tão felizes, que nem se deram conta de que algo estava errado.
Ah minha querida, tenho tantos planos para você! Se colaborar comigo, talvez você consiga permanecer viva. Esse seu poder pode ser muito útil a minha pessoa.
Faça o que eu lhe mandar, e pouparei sua vida. Caso contrário...
A decisão é sua!”
Cheguei ao fim do e-mail suando e tremendo, meu coração batia aceleradamente. Era ele, o homem de preto.
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