O Homem De Preto

5 Capítulo 5 - Ameaças


Notas iniciais
O capítulo está curto, estou procurando aumentar os próximos, mas espero que gostem!

Chegamos em minha casa e nos dirigimos até a cozinha, branca, com uma mesa de centro de madeira, com seis cadeiras em volta. Não sabíamos ainda o que iríamos fazer para o jantar. Eu não tinha muita coisa em casa pois comprava apenas o essencial para mim, já que o dinheiro que meus tios me mandavam por mês não era uma quantia tão grande, apenas era suficiente para que eu pudesse comprar comida, algumas roupas e sair de vez enquando. As despesas da casa eram pagas por eles e a escola permitiu que eu conseguisse uma bolsa de estudos devido a minha situação.

–-- Poderíamos pedir uma pizza! – Sugeriu Sama

–-- Acho uma ótima ideia! – falou Bruna entusiasmada – Pizza e coca-cola, a melhor janta de todas!

Todas concordaram e caímos na gargalhada. Fazia tempo que eu não me divertia assim. Ainda era cedo para pedirmos a pizza, então subimos ao meu quarto. Peguei meu violão – Azul marinho, com cordas de aço e afinador embutido – e comecei a cantar. Cantamos todas as nossas músicas favoritas, Stairway to Heaven, Wish You Were Here, American Idiot, Send Me an Angel, entre várias outras.

Passamos mais ou menos uma hora e meia cantando, tocando e rindo. Decidimos ligar para a pizzaria para fazer o pedido antes que ficasse muito tarde. Discamos o número que havia no folheto e um homem, de voz grave, atendeu e pediu o que iríamos querer. Pedimos uma pizza grande, com três sabores: quatro queijos, calabresa e chocolate branco com nozes. Pedimos também dois litros de coca-cola. O homem concordou, e disse que estaria pronto dentro de 30 minutos.

Ficamos conversando no grande sofá da sala de estar enquanto esperávamos. Quando a campainha finalmente tocou, fui atender enquanto as outras foram arrumar as coisas na cozinha. Abri a porta e me deparei com um homem alto e forte, com cabelo castanho, meio rebelde, e olhos verdes intensos. Usava uma camiseta preta com as palavras “Bon Appétit” – nome da pizzaria – escritas no centro, em azul celeste, uma calça jeans escura e um all star preto. Carregava em uma das mãos uma caixa branca grande contendo a pizza, e na outra uma sacola de plástico com a coca. Chamei a Let para me ajudar a levar as coisas até a cozinha enquanto eu pagava o homem, que agradeceu, e foi embora.

Nos sentamos à mesa e começamos a comer. Cada uma comeu três pedaços de pizza, um de cada sabor. Ao final da janta, estávamos todas satisfeitas. Recolhemos as coisas e voltamos para o meu quarto. Sentei na cadeira em frente à escrivaninha, enquanto Bruna, Sama e Let sentaram ao pé da cama logo atrás. Liguei o computador e percebi que havia um novo e-mail na caixa de entrada. Novamente de um contato desconhecido. Abri o e-mail hesitante. Comecei a ler:

“Minha querida Giovanna,

Está se divertindo com suas amigas?

Está gostando de passar o domingo a noite ao lado das pessoas que ama?

Aproveite esta noite o quanto puder, pois você pode não vê-las em breve novamente!

Pense nisso...”

Cheguei ao final do e-mail novamente com as mãos tremendo. Olhei para minhas amigas, que estavam tão perplexas e assustadas quanto eu. Afastei-me relutante do computador e caminhei até a cabeceira da cama, Let, Bruna e Sama me acompanharam. Estava tonta, confusa. Caí sentada na cama com um certo desconforto. O que ele queria dizer com aquilo? Porque eu não veria minhas amigas em breve? Como ele sabia que elas estavam aqui? Meus pensamentos foram interrompidos ao ouvir o familiar som de “Eye of The Tiger” vindo do meu celular. Paralisei. Quem poderia estar me ligando? Bruna veio em minha direção trazendo-me o celular. Número restrito. Apertei no botão verde que dizia “Atender” e levei o celular ao ouvido. Ninguém falou nada, eu podia apenas escutar uma forte respiração vindo do outro lado da linha. Coloquei o celular no viva-voz para que as outras também pudessem ouvir. Chegaram mais perto e me olharam nervosas. Eu estava a ponto de apertar no botão de desligar quando uma voz muito grave, que parecia ser mecânica, falou calmamente: “Preparem-se!”. O celular caiu no chão com um baque surdo.