O Homem De Preto

10 Capítulo 10 - Sala de Pesquisas


Notas iniciais
Voltei! Depois de muito tempo sem escrever estou continuando a história e vou tentar postar aqui frequentemente. Espero que gostem!

—--Vamos menina, levante logo daí, não tenho o dia todo!

O homem de preto estava agora do lado da porta, e disse que estava na hora de começar seus planos comigo. Ainda sentada e apoiada na parede, fui rastejando para o lado, querendo ficar o mais longe possível daquele homem.

---Não vou a lugar algum com você!

---Ah, pobre criança – Disse ele com um sorriso no rosto – Não é algo que você realmente tenha escolha.

Ao dizer isso, dois homens apareceram atrás dele, mas não eram os mesmos da noite anterior, eram ainda maiores e mais fortes, me esmagariam com apenas uma mão. Ele fez um sinal afirmativo com a cabeça e os dois vieram em minha direção. Como já era esperado, pegaram-me pelos braços e ergueram-me em direção à porta. Não tentei lutar contra eles, pois sabia que de nada adiantaria; apenas permaneci parada enquanto era guiada para o fim do corredor.

Paramos depois de alguns minutos de caminhada, em frente a uma porta branca que não continha fechadura alguma, apenas um quadrado na parede ao lado dela. Ele colocou sua mão no quadrado e a porta se abriu com um estalo. Seguimos por mais um corredor, porém este era mais estreito e longo, deixando-me apreensiva. Ao chegarmos no final, uma porta grande de metal – que também não tinha fechadura- Se abriu a nossa frente, revelando uma sala terrivelmente grande e espaçosa, equipada com tecnologias que iam de computadores até máquinas indescritíveis.

Na frente de cada computador haviam várias pessoas que digitavam sem parar e pareciam nem perceber nossa presença, e, no centro da sala, encontrava-se uma espécie de cadeira, muito parecidas com aquelas de dentista, mas muito mais assustadora.

Os dois me botaram de volta no chão, mas continuaram segurando meus braços.

—--Este, menina, é o nosso centro avançado de pesquisas.

Permaneci em silêncio. Uma parte de mim estava curiosa para saber o que era feito ali e o que aqueles computadores escondiam, mas outra queria apenas fugir, ir pra casa e esquecer tudo o que está acontecendo.

O homem virou-se e começou a caminhar em direção à cadeira enquanto eu era guiada atrás dele. Ele disse para eu me sentar e finalmente me soltaram, mas barraram a passagem, não me dando outra opção se não subir na cadeira. Ajeitei-me sentada e ele deu um sorriso que me arrepiou até a alma. Comecei a olhar ao redor pensando em alguma possibilidade de fuga, mas ele aparentemente já havia previsto isso, então agarrou meu tornozelo e o prendeu na cadeira com uma espécie de cinto que havia nela. Fez o mesmo com o outro tornozelo e com os pulsos.

Quando me vi ali presa, um terror se apoderou de mim e comecei a me debater desesperadamente tentando me soltar, enquanto lágrimas escorriam pelo meu rosto.

—--ME DEIXE SAIR!

Ele começou a rir

—--Oh, não se assuste, não irei machuca-la... ainda.

Ao dizer isso, foi até o outro lado da cadeira e apertou um botão contido na parte lateral, na altura de minha cintura, abrindo uma “gaveta” logo abaixo dele. De dentro dela, foi puxando pequenos fios – como aqueles usados para monitorar a frequência cardíaca nos hospitais – e colocou-os na minha testa. Haviam seis fios, e todos estavam conectados a um pequeno monitor, que ao ser ligado, mostrava diferentes ondas, das quais eu não fazia ideia do que significavam.

Após terminar, caminhou até o outro lado da sala, onde havia uma estante com vários armários e um balcão de metal. Abriu um deles, pegou algo que eu não consegui identificar e colocou o objeto no balcão. Ficou lá alguns minutos e voltou-se em minha direção. Enquanto se aproximava, percebi que o que segurava era uma seringa com um líquido transparente dentro. Novamente comecei a me debater tentando escapar, mas de nada adiantou. Senti a picada enquanto a agulha perfurava meu braço e então tudo ficou preto.

Eu estava caída no chão em cima de uma poça de lama. Olhei para os lados procurando por minhas amigas e vi que as três estavam caídas também um pouco atrás de mim. Estava chovendo e ao nosso redor só haviam densas árvores e raízes que nos derrubavam a cada pouco.

Comecei a me levantar para tentar ajuda-las e no momento em que fiquei de pé uma dor aguda irradiou pelo meu corpo. Sangue escorria do corte em minha barriga e havia hematomas por todo meu corpo. Tentei ignorar a dor e fui o mais rápido que pude até Bruna, que já estava de pé e, juntas, ajudamos as outras.

Assim que nos certificamos de que todas estavam bem continuamos correndo por entre as árvores. Não sabíamos se estávamos seguindo pelo caminho certo, mas sabíamos que parar não era uma opção. A chuva aumentou e a terra molhada tornava o caminho mais escorregadio, forçando-nos a andar mais lentamente.

Após cerca de cinco minutos avistamos uma abertura entre as árvores que dava a uma área mais vasta e nos direcionamos para lá. Eu estava na frente, mas no meio do caminho paralisei, fazendo com que as outras se chocassem contra mim.

—--O que aconteceu, por que você parou? – Pediu Let

Não precisei explicar, logo após dizer isso, o homem de preto apareceu cerca de dois metros a nossa frente com sua faca na mão.

Acordei suando e tremendo. Quando abri os olhos vi que ainda estava na sala de pesquisas e que o homem de preto me olhava fixamente com uma expressão irritada.

—--Levem-na de volta – Disse friamente

Olhei para o lado e vi que os dois homens estavam vindo em minha direção. Não sabia quanto tempo havia se passado nem o que havia acontecido, estava atordoada e minha cabeça latejava.

—--O que vocês fizeram comigo?

Silêncio. Os homens soltaram meus pulsos e tornozelos e começaram a me levar de volta.

—--ME RESPONDA! – Falei olhando para ele, que apenas me ignorou e saiu da sala.

Comecei a me debater, mesmo sabendo que seria inútil, e gritava por respostas. Quando chegamos ao “meu quarto” jogaram-me lá dentro como na noite anterior e trancaram a porta, me deixando sozinha, e sem nenhuma explicação do que tinha acontecido lá.