O Herói e A Torrente
17 A Torrente
Notas iniciais
Chuva.
Enquanto corria desarranjado, Ame se viu no meio de uma torrente. Água, suor, lágrimas... Era tudo um só naquele rosto esquálido e desesperado.
Em todo o caminho, se culpava por ter baixado a guarda. Naquela altura, já tinha certeza do que havia acontecido com seus companheiros. Eram mil pensamentos e uma sensação de medo que experimentava pela primeira vez em treze anos. Corria aos prantos, gritando e perdendo o equilíbrio diversas vezes.
No caminho, na frente de uma casa, um machado de lenhador. Só então parou para pegá-lo e continuar correndo imediatamente.
Quando alcançou o armazém e destruiu a porta com um chute, viu os garotos mais velhos cercando Yuri, amarrado e vermelho de chorar.
Tudo após tal visão aconteceu no automático: avançou sem pensar na direção dos garotos. Bateu neles sem pena com o cabo do machado, sem cair com nenhum soco ou chute. Batia enquanto gritava de angústia. Não parecia extinguível enquanto desacordava um a um. Na visão daqueles garotos, era um demônio.
“Acabou”, repetia, chorando. Abraçava forte o irmão, escondendo a cabeça dele em seu peito encharcado.
De costas para os “desacordados”, não pôde notar quando um se levantara.
Sem reação, foi desacordado com um chute.
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