O Herdeiro de Voldemort
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Rony parecia sem reação porque tinha medo de acontecer alguma coisa a Harry que não parava de gritar. Embora eu ainda não estivesse falando com ele, eu gostava muito dele pra não ajudá-lo, então eu peguei a minha varinha e comecei a murmurrar encantamentos de efeitos relaxantes pro Harry parar de se debater, o que eu estava conseguindo com sucesso.
— Rony, chame a McGonagall. Eu vou tentar manter o Harry calmo. – eu disse ainda vendo Rony em estado de choque – Depressa! – eu disse em voz alta o que o fez despertar e sair correndo atrás dá professora.
Meus feitiços até que estavam dando o efeito esperado, mas eu tinha medo de acontecer alguma coisa mais grave, então esperei ansiosamente pela McGonagall que não tardou a chegar. Engraçado que sem a postura autoritária que ela possuía, ela parecia tão frágil e tão mais idosa.
— O que aconteceu aqui? – Ouvi a professora perguntar num misto de nervosismo e cansaço
— Eu estava dormindo quando de repente acordei com os gritos dele. Eu tentei acalmá-lo com alguns encantamentos mas tudo o que eu consegui fazer foi parar os gritos de dor de Harry. – eu tentei dizer calmamente para que ela entendesse – Salva ele, professora! – eu disse, por fim, suplicante. Rony continuava a olhar com os olhos arregalados.
— Vamos levá-lo para a enfermaria! – disse a professora, mas quando ela ia se levantar, escutamos o Harry dizer
— Não, todos já me chamam de pirado, se me levarem para a enfermaria por causa daquela cicatriz vai ser pior. – pediu o Harry com a voz fraca – não é a primeira vez que isso acontece, eu vou ficar bem, me sinto mais tranquilo – disse forçando um sorriso
— Bom, Potter, não posso obrigá-lo a ir a enfermaria, mas me prometa que se você começar a se sentir mal de novo, você irá até lá. Harris e Weasley, garantam isso! – pediu a professora, se afastando logo em seguida
— Obrigado, Jason. Acho que você me salvou. Minha cabeça parecia que ia explodir – disse o Harry enquanto eu dava a mão pra ele se levantar
— Não foi nada, cara, mas que pesadelo teve? Sua cicatriz doeu, não vai dizer que o seu sonho tem a ver com... – eu disse instigando Harry a falar
— Um corredor! Ele quer algo do corredor, mas foi frustrado outra vez! Eu ouvi ele dizer isso a um tal de Dolohov! – Harry respondeu mais para Rony do que pra mim.
— Dolohov é um dos seguidores de você-sabe-quem! – ouvi o Neville se pronunciar pela primeira vez naquela noite
— Eu estava no corredor, depois eu o vi furioso com esse tal Dolohov, foi aí que senti minha cicatriz queimar. Mas por favor, não comentem sobre isso com ninguém! Eu não quero que falem mais mal de mim do que já falam! – pediu Harry e todos nós assentimos, mas eu precisava saber mais
— Então sempre que você sente sua cicatriz doer, é porque está partilhando as emoções de você-sabe-quem? – eu perguntei tentando manter o meu tom desinteressado
— É por isso que não gostamos de conversar perto de você, Jason! Você é mais inteligente que a Mione para perceber as coisas. – disse o Rony ainda pálido e todos rimos. Harry não me respondeu, mas pelo jeito a resposta para a minha pergunta era afirmativa.
Voltei rapidamente pra minha cama porque já que Harry estava bem, eu teria que voltar a manter distância dele. Felizmente, eu fiz um pequeno progresso nas minhas investigações ao descobrir que a o fato da cicatriz de Harry doer estava relacionada às emoções que o meu pai sentia. Talvez, por isso então que Dumbledore pediu pra eu me afastar dele porque se ele podia partilhar as emoções do meu pai, meu pai também poderia partilhar as dele, então quem estivesse perto de Harry também estaria exposto. Era tudo tão óbvio e eu não fui capaz de perceber! Mas, o que mais me intriga nessa história toda é o que há de tão importante nesse corredor e o que Dolohov fez de errado. Será que o Dolohov é o mesmo cara que foi castigado da última vez? Eu nunca saberia.
Após me revirar na cama por um bom é longo tempo, eu adormeci.
Acordei feliz no sábado porque isso significava que chegara a nossa visita à Hogsmeade! Meu estoque de doces já estava quase no fim, por isso eu precisava reabastecê-lo.
Infelizmente, eu não poderia ir à tal reunião que o Rony falou há semanas atrás, mas eu encontraria muito do que fazer durante o passeio, ainda que eu tenha que fazê-lo sozinho.
— Animado para o passeio de hoje? – Neville me perguntou enquanto descíamos para o salão principal para o café da manhã.
Hoje, poderíamos ficar sem o uniforme, Até porque não fazia sentido andarmos no nosso dia livre uniformizados como se estivéssemos em uma excursão de uma escola trouxa. Então vesti a minha calça jeans favorita, coloquei uma blusa vermelho vivo de mangas longas e deixei o cabelo espetado pra eu me sentir mais descolado.
— Não muito. Não vou poder ir ao encontro com todo mundo. Lembra do que Dumbledore falou? – respondi ao Neville e o vi franzir o cenho
— Mas, depois de ontem, pensei que você iria voltar a falar normal com ele!
— Ajudei o Harry do mesmo modo que ajudaria qualquer um, mas isso não quer dizer que eu vá voltar a ficar perto dele. – eu disse, mas me arrependi de ter respondido isso alto demais, porque Rony havia escutado, apesar de Harry não estar perto dele nesse momento.
— Ainda vai continuar nessa, cara? Aposto que nem vai ao encontro hoje! – disse Rony vindo caminhar ao meu lado
— Pois é, não vou à reunião hoje... – eu respondi olhando para o chão e Rony se afastou.
Fiquei muitíssimo feliz quando chegamos à mesa no salão principal. Eu estava com muitíssima fome, então comi o máximo de coisas que eu consegui, sentindo a minha calça apertar pelo estufamento da minha barriga.
Após o café, foi-nos dito que poderíamos sair para Hogsmeade, e eu fiquei o tempo todo visitando as lojas junto ao Neville. Entrei na Dedosdemel que estava lotada de alunos, e consegui comprar todos os doces que eu podia carregar. Depois visitamos a Zonko's para dar uma olhada nas novidades, embora depois que eu vi as coisas que Fred e Jorge inventaram, nada na Zonko’s me pareceu tão engraçado. Finalizamos o nosso passeio tomando uma cerveja amenteigada porque Neville iria para a reunião e eu voltaria para o Castelo, já que todos os meus melhores amigos iriam para o Cabeça de Javali.
Após me despedir de Neville, rumei ao Castelo para deixar as coisas que eu comprei no meu quarto e ir direto ver Dumbledore para falar sobre o sonho de Harry. Para a minha felicidade, o diretor estava na sala dele, e quando entrei, fui direto ao assunto.
— Professor, Harry sonhou de novo, dessa vez foi um tal Dolohov que deixou meu pai zangado para não dizer furioso. Harry não quis me dizer, mas eu concluí que meu pai e ele partilham as emoções, então é por isso que o senhor me pediu para eu me afastar de Potter, por medo de meu pai me notar! – joguei tudo de uma vez enquanto eu via Dumbledore me olhar com o mesmo rosto bondoso de sempre que me fazia sentir vergonha por eu entrar ali daquele jeito.
— Você é um rapaz realmente muito inteligente, Jason. Você também herdou isso do seu pai. Ele, em sua época de escola, conseguia saber de coisas usando a pura dedução. Era perigoso falar sobre algo importante perto dele porque ele sempre ligava os pontos. – me respondeu o professor me indicando um lugar para eu me sentar. Às vezes, tenho a impressão que Dumbledore se esforça para que eu não odeie o meu pai.
— Já me disseram isso. À propósito, o sonho também tinha a ver com um corredor que levava a algo que o meu pai queria muito. O que poderia ser isso? – perguntei me sentando no lugar que o professor indicou. Pela primeira vez, vi o rosto de Dumbledore se contrair em preocupação. Ele parecia tão cansado...
— Receio dizer que a cicatriz que Harry possui desde quando Lorde Voldemort tentou matá-lo, criou uma ligação entre eles. É perigoso que esses sonhos continuem, e eu vou pedir que continue a manter distância do Harry. O que o corredor significa? Bom, teremos que verificar. – ele disse – agora, Jason, sugiro que vá aproveitar o restante do seu sábado, lá fora faz um dia lindo. Até mais, Jason. – ouvi o professor dizer, mas na verdade querendo me expulsar da sala.
Sorri para Dumbledore e me levantei para sair. Às vezes, tenho a impressão de que o professor me conta menos coisas do que eu gostaria de saber. Eu entendo a motivação de ele não querer que meu pai me descubra, mas será que ele nunca imaginou, que apesar de tudo, eu gostaria de conhecê-lo?
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