Assim que saí da sala de Dumbledore, fui direto para o dormitório, onde eu não quis falar com ninguém. Assim que entrei, sem nem ao menos trocar de roupa, eu deitei na minha cama e fingi dormir para não ter que conversar com qualquer um que aparecesse. Por mais que eu tentasse, o sono não vinha. Senti o meu coração doer quando vi Harry entrar no quarto porque graças ao professor Dumbledore, eu teria que me afastar dele.

Sempre gostei muito do Harry. Simpatizava com ele antes mesmo de conhecê-lo, e agora terei que me afastar dele sem nem ao menos saber o motivo. Eu morria de vontade de pedir detalhes sobre o pesadelo de Harry para que eu tirasse alguma conclusão sobre o pedido de Dumbledore, mas eu não queria ter que admitir que escutei a conversa dele na noite passada.
Com muito custo, consegui pegar no sono e quando acordei no dia seguinte, percebi que naquela noite, Harry não havia tido pesadelo algum.
Quando desci para o café da manhã, vi Neville acenar pra mim para que eu me sentasse ao lado dele. Quando cheguei lá, ele me bombardeou com perguntas.

— Fiquei esperando você voltar pra sala comunal, mas quando parecia que nunca voltaria, eu decidi ir dormir, e então quando entrei no dormitório, você já estava lá. Aconteceu alguma coisa? – Neville me perguntou

— Ah, não, eu só estava um pouco cansado. Eu não te vi lá. – menti – então resolvi ir dormir

Neville deu de ombros e começou a comer, enquanto eu olhava de canto para o Harry pensando em como descobriria mais sobre os sonhos.
Não tardou o correio coruja chegar, e com ele alguns doces que minha mãe sempre mandava pra mim e que eu dividia com o Neville. Não pude deixar de notar o olhar de indignação de Hermione quando ela recebeu O Profeta Diário daquele dia, talvez porque mais uma vez o jornal estava difamando o Harry e o Dumbledore.
Continuei comer em silêncio até que me levantei e fui junto com o Neville para a aula de transfiguração que teríamos naquele dia.
Eu costumava sentar uma carteira atrás do Harry e do Rony, mas dessa vez, escolhi uma o mais longe possível deles, ficando perto dos alunos da Corvinal que faziam aulas com a gente naquele dia.

— O que há com você? Nunca quis sentar aqui. Você está estranho. O que não quer me contar? – Neville me perguntou

— Não conte a ninguém, mas Dumbledore pediu para eu me afastar de Harry. Algo a ver com os pesadelos que eu te contei que ele teve. Eu preciso descobrir qual a conexão desses pesadelos com a minha amizade com o Harry... – resolvi contar ao Neville

— Mas por que ele te pediria isso? Aliás, você nunca me contou porque vai ver o professor Dumbledore. Somos amigos e você devia me contar.

— Não é nada de muito importante, quer dizer... Dumbledore sabe que estou desesperado porque não sei o que será a minha vida pós Hogwarts, então ele tenta me acalmar... – disse a pior mentira que eu podia contar pro Neville

— Você mente mal, Jason, espero que um dia me conte a verdade. Bom, eu posso tentar descobrir mais sobre os sonhos, mas agora vamos ficar quietos porque a McGonagall já vem! – disse o Neville

Eu gosto disso na nossa amizade. Nunca nos forçamos a contar nada um para o outro e ambos compreendemos.
A aula foi um tanto divertida porque víamos McGonagall dar uns merecidos foras na Umbridge. No fim das aula, Rony veio reclamar por eu não ter sentado perto deles porque ele havia brigado com a Hermione e ela não queria ajudá-lo com a aula. Quando eu vi o Harry se aproximando, saí correndo num impulso e fui me reunir a Dino e a Simas, deixando o Neville pra trás, aparentemente sem saber o que fazer.
O dia foi exatamente assim: eu fugindo de Harry ou sendo seco com ele sempre que eu não podia evitá-lo. Doía ver a cara sofrida de Harry, mas até que eu descobrisse o que se passava, eu tinha que fazer o que Dumbledore pediu.
Quando a noite caiu, não teve jeito. Eu estava fazendo meus deveres junto ao Neville enquanto observávamos Fred e Jorge testarem algo novo sob os protestos de Hermione, quando o Harry veio.

— Tá legal, Jason, eu mereço saber o que fiz para fazer você me evitar dessa maneira o dia todo! – disse o Harry me olhando seriamente

— Não sei do que está falando. – respondi calmo

— Você me destratou o dia inteiro, acho que no mínimo preciso saber o motivo! – ele reclamou

— Deve ter sido impressão sua, Harry, você não me fez nada – eu disse, o que era a verdade – sentei perto dos alunos da Corvinal hoje porque estou interessado em uma garota de lá, daí pode ter ficado essa impressão...

— Jura? – perguntou Rony perplexo – esqueceu a Mione então? E quem seria essa garota? Às vezes podemos dar uma mãozinha...

Vi Hermione que estava junto a eles, pela primeira vez reparar na conversa, mas tentei não dar atenção a ela porque eu precisava parecer convincente na minha mentira.

— Na verdade, ainda não sei o nome dela, mas ainda vou descobrir...

— Mas depois saiu correndo quando eu cheguei! – me interrompeu Harry

— É que eu a vi passando, aí corri atrás dela. – menti

— Okay, eu desisto. Se um dia quiser conversar sobre o que eu suspostamente fiz, eu estarei aqui, Jason, porque somos amigos. – disse Harry se afastando em seguida e eu não o respondi mais

Me senti muito mal pelo ocorrido. Neville, Rony e Hermione não falaram mais sobre o acontecido, mas me olhavam desconfiado. Tentei afastar os olhares deles dos meus pensamentos e me concentrei nas tarefas de casa. Pra me manter ocupado, terminei as minhas e depois fiz a lição de Rony, sob os olhares de censura da Hermione, e fiz também as de Neville que estava com bastante dificuldade em poções devido a um bloqueio que o professor Snape causava nele.
Os dias que se seguiram foram estranhos porque Harry não tentou mais falar comigo e com muito pesar, eu também não o procurei. Por mais que eu sentisse a necessidade de me abrir e contar tudo sobre o que Dumbledore dissera, inclusive sobre a identidade do meu pai, eu me controlei ao máximo.
No começo, ele me lançava olhares de como quem diz que eu podia cumprimentá-lo, mas de tanto eu ignorá-lo, nem mais isso eu recebi.
Sem falar com o Harry, eu não tive mais nenhum progresso em tentar descobrir sobre os pesadelos dele, mas eu sabia que a cicatriz dele ardeu intensamente quando ele sonhou, o que significa que aquele sonho não era só um sonho porque da outra vez que algo parecido aconteceu, realmente teve uma relevante relação com o meu pai, então dessa vez também teria.
Duas semanas se passaram e Harry Potter não havia mais sonhado com o meu pai, mas foi numa sexta-feira à noite que eu acordei assutado e me levantei correndo quando ouvi um barulho de algo pesado caindo no chão. Era Harry que gritava e se contorcia no chão enquanto pressionava fortemente a cicatriz na testa com os dedos da mão esquerda.

Notas finais
Voldy dando um cansaço no Harry