O Herdeiro Malfoy

11 Capítulo 11 - Um início de diálogo


Notas iniciais
Gente, mil desculpas por demorar para postar outro capítulo, espero que compreendam. Boa leitura ♥

Desde que tinha saído da casa Weasley, Hermione sabia que teria que fazer uma importante escolha. Sua inquietação em sua própria casa era visível até mesmo para Bichento que, ao ver o caminhar incessante de sua dona pelo apartamento sempre frustrada ou cochichando consigo mesma, passou a ficar mais tempo acordado para lhe fazer companhia.

Seus dias, antes entediantes e infinitamente longos pelas tarefas monótonas que tinha programado, tornaram-se cada vez mais curtos, parecia que lhe faltavam horas no dia para pensar o suficiente no que se fazer.

Harry e Rony começaram a mandar cartas mais seguidamente desde sua visita. As cartas de Harry, porém, estavam cada vez mais longas, cheias de perguntas e motivos pelos quais ele acreditava que a visita ajudaria à Hermione seguir em frente com sua vida. Hermione, por sua vez, devolvia as cartas cada vez mais curtas por estar ficando sem desculpas para evitar o inadiável.

Depois de dias de martírio e unhas que nunca a desculpariam pelo o que Hermione havia feito a elas, ela decidiu que iria ver Draco Malfoy. Na casa em que foi torturada. No lugar que ela jurou destruir com um único feitiço assim que houvesse a possibilidade. Mas ela iria.

Hermione enviou uma carta rápida a Harry:

"Hoje."

Hermione havia acordado predisposta a manter uma rotina matinal confortável e familiar, permitiu-se esperar até que passasse das duas horas da tarde para ir até a casa Malfoy. Contudo, apesar de seus esforços, a comida não queria colaborar com ela aquela manhã, estava difícil de ser engolida, parecia areia em sua boca, por fim, optou por barras de cereal e água. Enquanto esperava, leu e releu a mesma página por horas. Sua cabeça estava longe demais para ela se concentrar em seu livro. Pensou no que diria, no que veria e no que ouviria. Não conseguia formular uma única imagem em sua mente, aquilo era estranho demais para sequer ser cogitado como possível. Desistindo de seu livro, contentou-se em acarinhar Bichento e suspirar repetidas vezes com a mente perdida em memórias e cenas artificiais.

Quando a tarde chegou, Hermione não sabia mais como adiar aquele compromisso. Repreendeu-se. Ela nunca precisou de mais que alguns segundos para saber o que fazer no hospital em casos de vida ou morte, a sua vida pessoal não poderia ser mais difícil que situações de emergência médica. E, sem nem se despedir do felino que havia tentado tão arduamente ficar acordado, aparatou em frente à mansão.

Ela piscou até se acostumar com a luz. Quando olhou para frente, surpreendeu a si mesma ao ver que tinha mesmo levado-se até a casa. Claramente, havia um feitiço de repulsão ali. Demorou alguns segundos até Hermione pescar entre suas memórias o contrafeitiço. Uma vez feito, ela respirou fundo e, com um pé de cada vez, ela seguiu até às portas gigantescas e assustadoras. Sem ter mais o que fazer e recusando-se a recuar, ela apertou a campainha. Alguns segundos passaram-se e ela já contemplava a ideia feliz de que não havia ninguém em casa.

Mas Draco abriu a porta... Perdeu as palavras...

E parecia tão surpreso quanto ela mesma.

Alguns segundos estranhos passaram-se. Eles se limitaram a encarar um ao outro e depois analisar atentamente os detalhes sobre cada um. O silêncio encoberto com tensão era quase palpável. Nenhum dos dois sabia o que dizer.

—Você... Você está... Melhorou – disse Hermione gaguejando e sem ter certeza do que dizer ou como dizer. Não tinha certeza se estava afirmando ou fazendo uma pergunta e pela confusão no rosto de Draco ele também não havia entendido.

—Hã... Sim?

Mais alguns momentos de silêncio, ela já estava preparando-se para virar as costas e aparatar sem explicações.

—Você quebrou o feitiço? — perguntou Draco com o cenho franzido, tentando acompanhar aquela sequência de fatos bizarra.

—Contrafeitiço — disse Hermione chacoalhando a cabeça e apertando os lábios enquanto olhava para tudo menos Draco.

—Certo – disse ele devagar.

—Eu... Eu já vou – disse Hermione.

"Merda, Hermione, recomponha-se."

—Hã... O quê? — perguntou Draco com o cenho franzido.

—Eu vim para ver se você estava bem... E está. Eu... Eu preciso ir – Hermione sentia-se não como se precisasse ir, mas como se precisasse correr tão longe e tão rápido para fugir dali o mais rápido possível. Começou a virar-se para ir embora, mas Draco interceptou-a com sua voz:

—Espere.

Ela congelou e, lentamente, virou-se e encarou-o.

—Você veio aqui por algum outro motivo e eu sei que você não viria até aqui se realmente não tivesse que fazer isso, por que veio? — falou Draco extremamente sério e percebendo pela primeira vez em todos aqueles minutos constrangedores a gravidade daquela situação.

Sem querer mentir, mas com medo de expor-se demais, ela calculou as palavras que saíram de sua boca.

—Ver você no hospital trouxe a guerra para mim de novo.

Draco talvez estivesse esperando uma resposta mentirosa ou um eufemismo patético, mas aquele chute nas bolas... Ele não viu aquilo vindo.

—E você quer conversar – completou a frase que ela não terminou.

—Sim. Mas eu também queria pedir desculpas pelo que houve no St. Mungus, independente do meu histórico pessoal com você, você era meu paciente e eu não deveria ter dito aquelas coisas para você, apesar de elas serem minha opinião pessoal – ela acrescentou em um tom mais baixo puxando os cantos da boca em uma linha reta.

Draco fez uma careta que misturava dor com um sorriso, piscando algumas vezes. Ele abriu a boca para responder, mas pensou melhor.

—Você gostaria de entrar? — ele a olhou nos olhos, como se perguntasse se aquilo era ir longe demais ou algo do gênero.

—Eu não tenho certeza...

Hermione refletiu alguns instantes e decidiu que entraria, se iria passar por cima de seu passado, teria que pisar por cima dele inteiro, trazendo os olhos do chão até Draco disse:

—Gostaria.

Ele piscou surpreso e abriu passagem pela porta para ela.

Notas finais
Por favor, por favor, por favor, me contem o que vocês esperam desse diálogo. Beijos de luz