O Herdeiro Malfoy

6 Capítulo 6 - O que apenas Blásio viu


Notas iniciais
Ooi, meu pedacinhos de cookies, desculpa mais de um ano de demora, mas problemas vieram e problemas se foram. Espero que eu consiga me redimir com vocês.

POV Blásio

Dias antes...

Quando Blásio desceu para tomar seu café da manhã aquele dia já era tarde, estava feliz que passara mais tempo na cama que o habitual, entretanto, ao ver os olhares atordoados e cheios de sofrimento de seus pais, entendeu logo que não havia boas notícias.

Os dois estavam sentados à mesa, há muito já haviam servido-se e só aguardavam a chegada de Blásio. O pai segurava uma carta em mãos e quando ele entrou na sala de jantar onde o café estava servido, o pai remexeu-se na cadeira e pigarreou para limpar a garganta.

—Filho, Narcisa Malfoy morreu esta noite.

Seu pai nunca teve o hábito de eufemismos ou enrolações. A objetividade quase cruel realçava ainda mais o impacto da notícia.

Não era segredo que Narcisa deteriorara-se com a ida de Lucius para Azkaban, seu estado de saúde era visto por muitos como resultado de um acúmulo de péssimas decisões, dito, até mesmo, merecido, mas Blásio via a situação de um modo diferente. Para ele, Narcisa foi a única peça que sustentou todos aqueles anos a família Malfoy unida, pois Blás lembrava de toda a aversão que Draco tinha ao pai e de como o patriarca era agressivo com a esposa e o filho. Narcisa sofreu muito antes de o Lord das Trevas entrar na casa dos Malfoy, sua saúde debilitada era resultado de um acúmulo de discussões domésticas, desgaste do casamento e agressividade do marido, contudo, o maior motivo, com absoluta certeza, era o estado do filho.

Depois da batalha, Draco e a mãe refugiaram-se na antiga mansão Malfoy. Sabia-se que Draco havia desaparecido do mundo bruxo, alguns acreditavam, ainda, que havia morrido, mas Blás, nas escassas correspondências trocadas com a matriarca de Draco, já que o próprio recusava-se a dialogar, tinha conhecimento da depressão do amigo e de como havia adotado a reclusão para punir-se por seus erros. O que Blás não percebera era que o amigo estava tão mal quanto a mãe. E, por ter deixado isso acontecer, jamais pararia de se culpar.

No momento em que Blásio digeriu o que se pai dizia e compreendeu a magnitude dos fatos. Teve o ímpeto de aparatar na mansão, mas ao vislumbrar o olhar da mãe mudou de ideia. Ela parecia tão chateada quanto ele, afinal Narcisa e ela eram grandes amigas.

—Blásio, eu sei que sua primeira intenção é ir consolá-lo. Mas não pode ir –Ela respirou tão fundo para dizer essas palavras que parecia doer pronunciá-las.

Blásio não compreendeu na hora o porquê, soou como se sua mãe quisesse privá-lo de ir até Draco.

"Ela não entende. Draco está sozinho no mundo. Sem perspectivas de presente ou de futuro. A esta hora,eledeveestarcuidandosozinhodospreparativosparaenterraraprópriamãe,ecomonomedafamílianalama,provavelmentenãoteráumamigoaoseulado".

—O que diabos você quer dizer, mãe? -Blásio estava atingindo um novo nível de desespero ao ter todo o tipo de pensamento de como Draco estaria.

—Blás, a família Malfoy não reconheceu seu erro ao seguir Você-Sabe-Quem, se você for até lá, você estará pondo o nome de sua família unido aos Malfoy. Nós pagamos e ainda estamos pagando pelas nossas escolhas, admitimos que foi errado, você não pode jogar isso fora.

—Você está louca? Mãe, Draco está sozinho cuidando do enterro da mãe dele! -A ira de Blásio era tão grande que ele tremia- Provavelmente não haverá ninguém com ele, como tem sido por dois anos.

—Blásio, sua mãe está certa. -Disse seu pai- Não vá até Draco. Todos temos nossos pecados para nos redimir, você não precisa sofrer junto com ele.

Blásio não conseguia mais ouvir. Aquele monte de bobagens atravessou seus ouvidos de forma direta e sua boca respondeu imediatamente.

—Eu pensei que a pior coisa que poderia acontecer a nossa família seria a guerra, mas vocês esperaram ela terminar para perder seus corações. Até mesmo na noite mais sangrenta, vocês nunca teriam virado as costas para seus amigos para poupar um nome, vocês teriam encontrado uma maneira.

Blásio colocou tanto veneno em cada palavra que se sentiu como um integrante da casa das cobras como não se sentia há tempos. Sem nem cogitar um segundo olhar para o rosto da mãe, Blásio voltou para o quarto em silêncio.

Ao chegar no aposento refletiu o que poderia ser feito. Era fato que ele iria até Draco, mas receou que o amigo repelisse-o, após tantos anos temia que Draco não desejasse mais sua amizade. Depois de refletir as consequências de uma visita até à mansão Malfoy, decidiu aparatar.

Estava pensando nos jardins da casa, mas, de repente, uma enxurrada de memórias dos meninos comparando suas coleções de vassouras no quarto de Draco quando crianças, de eles abrindo sapos de chocolate quando as coisas eram tão mais simples na beirada da cama do amigo e conversando sobre quão longe Lucius tinha chegado aquela e depois outra e outra vez de machucar gravemente a mãe e o filho inundaram-no. Blásio perdeu o controle e caiu deitado com as costelas para baixo no quarto de Draco.

Uma pontada de dor subiu de uma região próxima aos pulmões e fez ele se enrolar no chão em posição fetal e gemer baixo. Pontos na sua visão foram ligando-se e ele formou uma imagem nítida do quarto. Era como ele se lembrava, mas coberto por uma camada de poeira, cheirava a mofo e estava frio. Blásio levantou-se com dor e seguiu sua procura por Draco, depois do barulho de sua queda esperava que o amigo tivesse previsto sua chegada e fosse ao seu encontro.

Nada.

A casa estava em absoluto silêncio.

De repente, Blásio ouviu um barulho no andar inferior e pensou ser no escritório. Desceu as escadas com certa pressa, mas congelou.

Nunca na vida Blásio achou que estaria tão próximo de vislumbrar os contornos da morte como naquele dia. Ele passou pela guerra, pela destruição que ela deixou, mas, mesmo assim, ver Draco enforcado foi algo que ele sabia que nunca iria se recuperar.

Ao sair de seu momento de catatonia, ele correu até o amigo, soltou o nó e tirou a corda de seu pescoço. Pensou no que poderia ser feito e imediatamente aparatou no hospital.

Aos gritos chegou no hall de entrada do St. Mungus. Draco em seus braços estava assustadoramente roxo e leve. Ele não tinha fé, mas naquele momento desejou ter alguém para quem pedir ajuda para interceder por Draco.

Quando ele viu Hermione, ele estava tão apavorado com a situação de Draco que mal pôde entrar em pânico por estar na presença dela.

Sabendo da competência da garota, mas temendo que ele tivesse chegado muito tarde, ele viu Draco ser levado para longe e esperou. Esperou até alguém lhe dar notícias. Esperou com fé. Esperou que Draco tivesse uma segunda chance. E esperou.

Lembrou que durante toda a confusão não avisara seus pais e, depois da breve conversa que tivera com eles, simplesmente decidiu esquecê-los naquele momento.

Blásio passou todas as horas em que não teve notícias de Draco culpando-se por ter demorado demais. Uma voz pequena retrucava que não era sua culpa. Uma voz absoluta dominava seus pensamentos: Blásio era culpado por Draco ter tentado suicídio. Nos piores momentos, ele se afastou, mesmo tendo em mente a situação precária de saúde mental do amigo e, lembrando da leveza do corpo de seu amigo, de sua saúde física também.

Quando Hermione passou o relatório completo sobre Draco, ele quase não podia acreditar. Blásio poderia abraçá-la por ter salvo o amigo, mas decidiu resumir sua reação a um suspiro. Ele ouviu a voz de novo em sua cabeça e, mesmo que Hermione Granger não dissesse uma palavra, ele via um certo julgamento em seus olhos, ele não tinha certeza se era por ter falhado com Draco ou se por Draco ter tentando suicidar ou, até mesmo, por ter que os rever. Ele conseguia mensurar algumas emoções que ela deveria estar sentindo por estar na presença deles. Ele resolveu tentar um diálogo sincero, sentia-se exausto. Após algumas palavras, ele foi ver o amigo.

No outro dia, Blásio não tinha conseguido dormir, as cadeiras eram confortáveis para a espera, mas não para uma noite de sono. Foi ver Draco assim mesmo. Durante sua espécie estranha de diálogo com o herdeiro Malfoy ele percebeu como ele estava mal. Draco havia desistido de viver e ter a noção disso assustava Blásio. Sem objetivos, realmente não haveria uma razão para continuar. Mas a dor de Blásio veio com as palavras de ressentimento de Draco em relação a sua ausência.

Blásio viu Draco dormir e desceu os olhos até as marcas da corda em seu pescoço. A visão era quase insuportável.

Em certo momento, Blásio dormiu na cadeira de visitas um sono pesado e de apenas algumas horas, acordou mais cansado do que antes e lembrou que ainda não havia conversado com seus pais. Foi até o Corujal do hospital e encaminhou uma carta curta e sucinta sobre o que havia ocorrido.

No outro dia passou por Hermione em seu caminho para a lanchonete enquanto ela ia até o quarto de Draco e sentiu-se gelar. Finalmente a presença dela atingiu-lhe como imaginara que esta faria. Por uma hora inteira ficou fingindo mastigar algo, mas em seu interior tudo que vira na guerra voltou. Demorou para reestabelecer-se e voltar para o quarto de Draco.

Draco estava acordado e parecia mais saudável do que quando chegara ao hospital, apesar das marcas no pescoço. Ele recebera tantas poções que seria impossível para Blásio nomeá-las, muito do que havia aprendido apenas tornou-se uma massa cinzenta e desforme na sua cabeça e ele não se esforçava muito para recuperar lembranças de Hogwarts.

Os dois conversaram extensivamente e Blásio percebeu uma ponta de melhora no ânimo de Draco.

No outro dia Hermione liberou-os. Draco estava preparado para iniciar uma mudança e, apesar de não serem recomendados esforços depois de sair do hospital, ele nem ouviu os protestos de Blásio quando começou a colocar a antiga mansão em ordem. A presença familiar de Draco era bem-vinda. Blásio não se sentia assim há muito tempo. Lembrou de seus sentimentos por Draco, rapidamente os afastou. Draco precisava de um amigo e somente, não haveria espaço para o amor naquele momento.

Notas finais
Eu espero que vocês gostem e comentem muuuito. Faz tanto tempo que eu não atualizo essa fic que eu adoraria saber o que vocês andaram pensando enquanto leram e releram ela. Beijinhos de luz.