O Herdeiro Malfoy
4 Capítulo 4 - Maldito descontrole
Notas iniciais
POV da Mione (again)
Hermione queria ser impassível, fingir que tudo estava bem até mesmo quando se encontrava sozinha, mas ela não podia fugir de si mesma. Seu plantão havia terminado e ela fora para casa, onde achava-se com uma xícara de chá quente nas mãos. Ela estava na mesma posição no sofá havia muito tempo. Os flashes da guerra vinham e voltavam, bem como os sons. O choro de Rony ao perder o irmão, o de Harry, o dela, os gritos, o desespero. A guerra tirou muito mais do que vidas, ela levou partes da adolescência e muitas outras coisas.
Hermione, muitas vezes, tinha dificuldade para dormir. A medicina bruxa exigia muitos plantões que ela ficava feliz em fazer. Seu apartamento era grande demais para apenas ela e seu felino.Ver Draco acordado, com aqueles olhos cinza foi pior do que ela esperava. Uma pessoa inconsciente é totalmente diferente de alguém com pestanas abertas. Hermione encarou aqueles olhos tempo demais. Era muito difícil desassociar todo aquele mau de Draco, tanto que ela não conseguia. Ele representava muito sofrimento. A situação que ele fora trazido para o hospital dizia muito sobre o que ele havia se tornado, uma vida miserável deve ter instalado-se na mansão desde que Lucius foi enviado para Azkaban. Com a morte da mãe de Draco, Hermione era capaz de entender porque ele decidiu por um fim àquilo. Viver sem ser lembrado por ninguém ou, pior, quando lembrassem repudiassem sua imagem não despertava ânsia pela vida, ao contrário, gerava uma vontade significativa de terminar com aquele sofrimento. Se Hermione não tivesse Harry e Rony, ela também estaria sozinha, apesar dos muitos amigos, ela preferiu se afastar de todos depois da guerra. Ela gostava do tempo que passava com os meninos, mas preferia a reclusão e eles aprenderam a respeitar sua decisão. A verdade é que desde a batalha em Hogwarts Hermione tornou-se outra pessoa, ela ainda era capaz de ver a menina dos dentes salientes às vezes, mas, na maioria do tempo, ela via alguém com muitos anos a mais do que sua data de aniversário contava. Ela tomou o resto de seu chá e foi tentar a sorte com o sono. Amanhã ela precisava trabalhar apenas no período da tarde, o que lhe rendia várias horas devorando livros, não necessariamente relacionados a sua escolha de profissão, havia alguns livros muggles que ela simplesmente não conseguia abandonar. Hermione deitou-se na cama e Bichento foi até seus pés, acomodou-se em uma bola de pelos alaranjada e imediatamente adormeceu. Granger invejou a facilidade de pegar no sono que seu gato possuía. Porém, contrariando as expectativas, a garota adormeceu no momento que fechou os olhos. Ela não sonhou com algo específico, o cansaço estava agindo como um ótimo remédio contra pesadelos. Acordou quando o sol já estava alto, seu despertador tocava para sua infelicidade."Mais um dia".Ela pensou. Ao olhar ao redor, as corujas de Rony e Harry olhavam-na atentamente. Bichento desistira de interceptar as corujas depois de algum tempo tentando sem sucesso. Apesar da sagacidade do gato, as aves eram ainda mais ágeis. A carta de Rony trazia alguns palavrões que serviam para evidenciar sua surpresa com a situação de Draco e questionava se Hermione estava bem, já a de Harry era mais polida e sucinta. Hermione escreveu as respostas rapidamente e as corujas partiram para a felicidade de Bichento, que se orgulhava de ser o único animal no apartamento inteiro e tinha problemas para dividir espaço com outros.Hermione aprontou-se para o serviço e despediu-se do gato. Aparatou no hospital e foi para o interior do recinto. Passou por Blásio e cumprimentou-o com apenas um gesto de cabeça e seguiu para sua sala, organizou-se e vestiu o jaleco. Não possuía muitos pacientes aquela manhã, mas os que tinha decidiram que Hermione era a melhor pessoa para tirar as mais diversas dúvidas sobre ferimentos. Ao final da tarde, ela já havia falado desde furúnculos até acidentes com varinhas quebradas, esses que ela mesma viu acontecer e teve que guardar o sorriso para si mesma. Ela visitou, também, alguns internados. O último era Draco.Ao entrar no quarto, encontrou o loiro acordado e já longe do respirador. Seu pescoço estava cheio de hematomas roxos, algumas partes já verdes, a cor de sua pele estava voltado aos poucos, mas os ossos sobressalientes ainda eram bem visíveis.— Boa tarde — disse Draco. — Boa noite — respondeu Hermione tentando manter-se neutra.Ela checou o prontuário dele, não houve nenhuma crise durante a noite, nem nada do tipo, tudo correra bem. — Amanhã você já pode ir para casa se continuar estável.— Da próxima vez ninguém vai interromper e não vou ocupar seu tempo, doutora, não se preocupe.Hermione congelou no lugar, aquelas palavras fizeram-na ferver de ódio, ela engoliu rapidamente tentando segurar a língua, mas já era tarde demais. Todo o ódio e nojo que ela sentia por Draco saíram de seu controle.— Você ganhou uma segunda chance de fazer as coisas certas, Malfoy, graças ao seu amigo, que não arreda o pé do seu lado há dois dias inteiros. Você pode achar que está fazendo um grande favor à humanidade cometendo suicídio, mas só está fazendo um favor a si mesmo. Você está fugindo das consequências de seus atos. Todos os dias nós que vivemos aquela guerra acordamos ouvindo os gritos e o choro, independente de qual lado estávamos lutando. Todos os dias eu vejo pessoas reclamando por não ter tempo de realizar seus sonhos, de não terem dinheiro, você tem as duas coisas, e apesar de achar que ninguém liga para a sua existência, tem um menino do outro lado da sala desesperado por notícias suas.
Hermione estava sem fôlego e sua explosão obviamente pegara Draco despreparado. — Você não sabe como é todo mundo olhar para você e segredar com a pessoa do lado tudo que você já fez de ruim. As pessoas exaltam a sua existência, Granger. — Para de sentir pena de si mesmo, Malfoy. Você errou grotescamente, pessoas morreram por causa de você...— Você foi torturada na minha casa.— ... e, ao invés de lutar para que uma coisa horrenda dessas nunca mais aconteça, você está acovardado em casa. O silêncio impregnou o quarto, Hermione estava transtornada. — Você tem alta amanhã. Hermione disse e saiu do quarto. Fechou a porta atrás de si e saiu a passos largos. Despiu o jaleco, pegou a bolsa e decidiu que iria caminhando até seu apartamento, aquele dia exigia um momento de reflexão a céu aberto.Hermione estava frustrada consigo mesma, pois não devia ter falado tudo que disse, mas não conseguiu evitar. A tentativa de suicídio de Draco encaixava-se perfeitamente com a personalidade de covarde. Algumas pessoas e criaturas que serviram a Voldemort pediram perdão por seus atos e tiveram as devidas punições, essas pessoas mereciam mais respeito que Draco. Muitos seguidores de Voldemort estavam ao seu lado porque temiam o bruxo, mas havia outras que simpatizavam com suas ideias, apesar dos atos tenebrosos, elas lutaram por algo que acreditavam. Quando a batalha acabou, alguns deles entenderam que suas ideologias estavam distorcidas e aceitaram suas penalidades. Essas pessoas mereciam até um certo tipo de respeito, mas Draco desconhecia os valores dos leões. Draco estava tão perdido e acovardado nas sombras que esquecera até mesmo os valores das cobras, não possuía mais nenhuma ambição.
Notas finais
Que 'cês acharam?
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