O Herdeiro Da Luz
1 Mais Um Dia
Notas iniciais
"Triiiiim, triiiiim, triiiiim."
Ouço o som do alarme e me forço a abrir os olhos. Esse é o som que tem me acordado nos últimos anos, ou melhor, em toda minha vida, pelo que me lembro. Não, eu não tenho alguém pra me acordar e me desejar "bom dia", porque moro sozinho e todos os dias penso que seria bom ter alguem pra cumprimentar de manhã, mas não posso reclamar da minha vida, tenho coisas que mais ninguém tem.
Me levanto e caminho até o banheiro,sem muita pressa, e me olho no espelho, Meu cabelo bagunçado e meu rosto entregavam que tinha acabado de acordar, já eram 6:50 da manhã, então só tinha 25 minutos pra chegar na escola. Passo pelo box e o fecho, ligo o chuveiro em uma temperatura agradável. Tomo um banho rápido e quando volto pro quarto minha roupa já estava na cama. Trco de roupa bem rápido e desço as escadas para a cozinha. Meu café já estava na mesa, torradas e suco de maracujá, eu mesmo havia preparado ele quando ainda estava tomando banho. Termino de comer e volto para o quarto e arrumo meus materiais e pego minha mochila. Assim que estou pronto me teletransporto para o banheiro da escola, sim, é assim que vou pra escola todos os dias, por teletransporte. A vida não me deu pais, mas me deu algo muito mais legal, poderes.
Quando chego na sala de aula a professora já estava escrevendo no quadro, então bato na porta que estava aberta e pergunto se posso entrar, ela se vira e me olha da cabeça aos pés como se estivesse julgando se deve me deixar entrar ou não, então faz um movimento com a cabeça para que eu entre. Caminho até minha cadeira de sempre, que fica atrás do meu melhor amigo, Liam, as garotas o consideram um garoto bonito, tem a pele morena e um corpo um pouco definido, diferente do meu, seus cabelos são negros e lisos e seus olhos são castanho claro, coloco a mochila no chão e me sento. Ele se vira pra mim e sussurra:
— Viu a luta ontem?
— Claro que sim, aposto que foi você quem não viu.
— Não mesmo — por um instante ele parece triste. — Meus pais não deixaram.
— Calem a boca, os dois — Sadie se vira para nós. ela se senta ao meu lado, ela é uma das únicas ruivas da escola, seus olhos são verdes, e sua pele bem branca, quando ela está com vergonha suas bochechas ficam meio vermelhas, e é minha melhor amiga, se bem que há alguns meses não a vejo só como amiga. Queria algo mais, mas tenho medo de contar a ela e estragar nossa amizade, eles são os únicos amigos que tenho, não posso perde-los. — Hoje a velha está irritada — "velha" é como chamamos nossa professora de Matemática. Ela não é realmente velha, tem menos de 40 anos, mas age como uma velha, e se veste como uma, também.
— Tá bom, tá bom — digo ironicamente e pego o caderno na mochila, o abro e começo a copiar.
O resto da aula foi bem entediante, assim que o sinal toca eu me levanto em um pulo, guardando o caderno e pegando a mochila. Sadie, Liam e eu caminhamos até o refeitório, como sempre sentamos em uma mesa abaixo da janela, não havia pego nada pra comer porque estava sem fome.
— Então Liam, seus pais deixaram você ir lá pra casa esse fim de semana? — perguntei, enquanto o vejo atacar um sanduíche.
— Eles disseram que querem falar com seus pais antes — ele diz com a boca cheia.
— Não fale com a boca cheia — Sadie o repreendeu.
— Isso vai ser fácil — toco o lado da minha cabeça com o dedo indicador e sorri, eles eram os únicos que sabiam sobre meus poderes. Meus poderes ainda são desconhecidos pra mim, sim eu sou igual aqueles heróis que aparecem nos filmes, mas eu não uso meus poderes para salvar o dia, eu apenas os uso, até hoje já demostrei me curar rapidamente de ferimentos, ler pensamentos, mover coisas pequenas com a força da mente e me teletransportar, ou seja, regeneração, telepatia, telecinese e teletransporte, às vezes não consigo controlá-los, e isso é bem chato.
— Então, Sadie, termino com o John? — há dois dias ela descobriu que o namorado dela, o John, havia traído ela. Eu torcia pra eles terminarem, além dele ser um babaca, ele não merecia uma garota como a ela.
— Noah, prefiro não falar sobre isso — ela pega o copo de suco e o leva até a boca, tomando um pequeno gole.
— Tudo bem, desculpa tocar nesse assunto — Liam me olha, eu conhecia aquele olhar, ele queria dizer "era melhor ter ficado calado" e eu sei que realmente era.
— Vou no banheiro — antes que possamos falar algo, a ruiva se levanta e caminha para fora do refeitório.
— Sério cara, você precisa controlar essa sua paixonite.
— Cala boca, Liam — por um momento estava bravo com ele, mas então nós dois começamos a rir. Não demora muito até ouvirmos o sinal tocar, significa que acabou o intervalo e devemos voltar a sala de aula.
O resto do dia foi bem tedioso, depois da aula resolvemos sair juntos pra comer algo, caminhamos até um fastfood perto da escola, nesse horário ele costumava estar lotado, e hoje não era diferente. Entramos na fila e após fazer o pedido sentamos na mesa.
— E aí, tá treinando aquele negócio lá? — O negócio do qual o Liam fala, são os meus poderes, mas precisamente a telepatia. — Quando meus pais vão poder falar com os seus "pais"? — ele faz aspas com os dedos quando fala a palavra pais. Bem, eu só tenho 15 anos, tecnicamente não poderia morar sozinho, por isso aprendi a controlar a mente das pessoas e fazer elas vêem coisas que não existem, como os meus pais.
— Hoje já é sexta... então teria que ser hoje a noite, quando seu pai for levá-lo lá em casa.
O celular de Sadie toca, ela se levanta e caminha até o lado de fora pra atendê-lo. Eu sabia porque ela havia feito isso, por que era o John no telefone.
— Tem certeza que quer tentar isso de novo? — Liam voltou a ficar receoso quanto a essa ideia, e eu também, já que da última vez eu não consegui manter a ilusão e ela desapareceu. Ficamos em silêncio por um curto tempo antes que eu responda.
— Eu andei treinando, tenho certeza que vai dar tudo certo dessa vez — tento dar um sorriso confiante, mas a verdade é que não tinha certeza se dessa vez não haveria falhas. S
Sadie volta e se senta, suas bochechas estavam vermelhas e seus olhos pareciam molhados, era óbvio que ela estava chorando, toda vez que uma lágrima escorria ela limpava rapidamente. Por uns quatro minutos, tudo ficou silencioso, o que foi torturante, eu não sabia o que falar, sabia o que tinha acontecido. Ela tinha terminado o namoro, mas isso era algo bom ou ruim? Ele traiu ela, mas eu devia estar feliz ou triste? Então o Liam me faz o favor de quebrar aquele silêncio.
— O que houve? — ele pergunta com a sua voz meiga, que só faz quando quer consolar alguém.
— Terminei com ele — ela diz e em seguida limpa as lágrimas com a manga da camisa.
— Sei como é difícil, mas logo isso passa — Liam também havia terminado com a namorada a pouco tempo, e eu era o único que não namorava.
— Bem, pelo menos agora eu posso tentar achar alguém que realmente goste de mim — ela se vira pra mim e vejo um sorriso se abrir no seu rosto. Meu coração dispara, e meu Deus, será que ela gosta de mim? Esse sorriso entregou tudo, ela gosta de mim, ou será que foi só um sorriso normal e eu é que estou imaginando coisas?
Depois que a tenção passa o lanche chega e nós comemos, em seguida vamos andando pra casa, nós três moramos na mesma rua, a primeira casa é a da Sadie, então continuamos somente eu e Liam.
— Eu vi aquele sorriso que ela deu pra você quando fez aquele comentário — ele me empurra batendo ombro com ombro.
— Será? — estava sorrindo e não conseguia parar, ou melhor, eu não queria parar de sorrir.
— Noventa e nove por cento de certeza que ela também gosta de você, mas fica tranquilo, você é muito apressado em relação a isso, na hora certa, tudo vai acontecer — eu apenas o olho e sorrio ainda mais. Liam era o melhor amigo que alguém poderia querer, sempre sabia o que dizer ou quando não dizer nada, ou o que fazer e quando não fazer nada, ele me ajudou muito em todos esses anos.
Chegamos em frente a casa dele, ele me dá um tchau e entra enquanto eu sigo caminhando por mais alguns minutos até chegar em casa, quando chego na frente o sono já estava chegando, então só entro e subo direto pro quarto, me jogo na cama e durmo.
Quando acordo já eram quase 17:00 horas, então me levanto, desço as escadas e caminho até a cozinha. Faltava poucas horas para Liam chegar, quando estava preparando um suco ouço um barulho na sala, talvez fosse Liam ou Sadie, eles tinham a chave.
— Liam? Sadie? — grito ainda na cozinha mas como ninguém responde decido ir até lá ver. Quando chego na sala, levo um susto, não era nenhum dos dois, tinha uma mulher sentada no sofá, parecia ter entre entre 30 e 36 anos, vestia um longo vestido, seus cabelos eram negros e encaracolados, ela estava de cabeça baixa lendo uma revista.
— Você está invadindo minha casa, então saia — ela levanta a cabeça quando me vê. Abriu um sorriso, seus dentes brancos e perfeitamente alinhados em contraste com seus lábios vermelhos e seus olhos que tinha um tom de caramelo, ela se levanta e continua me olhando.
— Como você está grande, meu garoto — aquelas palavras, seré que ela era minha mãe? Se é ou não, eu não ligo. — Eu apenas quero conversa e explicar algumas coisas para você.
— Então comece explicando quem é você — cruzo os braços e lhe olho seriamente, esperando sua resposta
— Sou sua tia, Morgana Lauxen. — Estou dividido, uma parte de mim fica alegre em saber que não era minha mãe, mas a outra parte fica triste.
— Ah, okay, está tudo explicado. Oi, titia, foi bom lhe ver, avisa pra mamãe que estou com saudades, agora saia da minha casa e nunca mais volte — no início da frase tinha um tom de deboche e ironia na minha voz, que em seguida fica séria.
— Eu entendo que esteja com raiva, mas depois que lhe explicar tudo, tenho certeza que essa raiva irá passar — ela caminha até mim mas assim que toca meu rosto me teletransporto para trás dela.
— Eu sou um demônio, saia da minha casa, ou vou matá-la — ela se vira pra mim mas não parece assustada, ou surpresa por eu ter me teletransportado. Como ela pode não está surpresa? Quando mostrei isso a Liam, ele achou que fosse alguma ilusão ou que eu tivesse pacto com o capeta, enquanto Sadie quis me bater.
— Não, você não é um demônio, é um seleto.
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