O Herdeiro Da Luz

2 Pietro ganha uma lança.


Notas iniciais
Imaginei esse capítulo como sendo um dos mais legais da história, por causa do momento de tensão que ele causa e ao clímax que ele chega. Espero que gostem!

Já estava impaciente com tudo aquilo. Quíron mandou todos comerem e disse que depois me daria mais detalhes da missão. Até aí, ok, mas os cochichos eram generalizados, e as olhadelas já estavam me torrando a paciência. Meus irmãos quase não olhavam para mim, exceto por Lara, que brincava com Aiacos ao meu lado.

Mesmo com toda história de Percy ter vencido Cronos e ter feito um trato com os deuses para que eles reconhecessem seus filhos o mais rápido possível, a minoria no acampamento já havia conhecido o seu pai divino. E agora, um deus se materializava no acampamento, confrontando as ordens de Zeus de isolamento total do Olimpo nesse conflito com os gigantes. Estava me sentindo odiado, invejado. Pior. Estava me sentindo envergonhado.

Após todos terminarem o café da manhã, Quíron bateu com seu cajado no chão, exigindo a atenção de todos. Quando todos se voltaram para ele, começou a falar.

— Semideuses! Febo foi designado pelo próprio Apolo para uma missão e, como sabem, as missões têm de ser realizadas em trio, contudo, o campista escolhido não pode escolher seus parceiros. Estamos em um impasse. Acredito que nem todos aqui querem sair em uma missão com todo esse caos que está ocorrendo. Mas temo que seja necessário. Febo, aqui.

Levantei-me e segui em direção a ele. Aiacos me acompanhou, deixando Lara sozinha com nossos irmãos. Apenas quando fui chegando perto dele, pude perceber que Rachel estava em pé ao seu lado. O olhar que ela dirigiu a mim era de uma preocupação enorme. Senti um calafrio.

— Às suas ordens, senhor. – fiz uma pequena reverência a Quíron.

— Então, vamos agora escolher os seus dois acompanhantes nessa missão – Quíron olhou para os campistas que estavam sentados às mesas – Algum de vocês se candidata?

Annabeth foi a primeira a ficar em pé. Depois dela, Lara levantou-se, mas foi puxada por algum de nossos irmãos, fazendo com que ele se sentasse novamente. Diana levantou-se, dirigindo a mim um olhar amigável, o que apenas ressaltou sua beleza e me fez ficar corado. Então, Pietro pôs-se em pé, recebendo olhares confusos do chalé em que ele estava.

Pietro sempre foi um grande amigo meu, na infância. Fugimos juntos, ele era meu vizinho. Passamos quase que seis anos vagando sozinhos e enfrentando monstros, até que encontramos alguns autômatos assassinos, que eram na verdade controlados por um filho maluco de Hefesto. Pietro e eu lutávamos sem sucesso contra esses robôs, então Aiacos apareceu, um gatinho apenas, e pulou em direção aos robôs. Daí em diante não consegui assimilar muita coisa. O gato se transformou em um tigre enorme, com um pelo brilhante e dentes pontiagudos. Os autômatos ficaram em pedaços e, então, quando procurei por Pietro, ele lutava com o filho de Hefesto, que lançou uma granada bem perto de si e do meu amigo. Vi uma explosão e desmaiei. Quando acordei, a fumaça já tinha sumido, e o gato estava deitado sobre mim. Procurei por Pietro e já não o via. Ele morreu, pensei triste, no momento. O gato me guiou até o acampamento e, em alguns meses, Apolo me reconheceu como seu filho e eu descobri que ele havia me mandado Aiacos como presente.

Então, há mais ou menos um mês atrás, ele apareceu com um sátiro e dois semideuses, dos quais tinha tomado conta nos dois anos em que eu pensava que ele estava morto. Quando o vi, fiquei assustado, mas feliz. Ele explicou que no momento em que a granada explodiu, ele foi puxado por alguma coisa, então apagou. Acordou numa floresta, e ficou vagando por aí, enfrentando monstros. Foi quando ele encontrou dois gêmeos, filhos de Hefesto, e cuidou deles. Um sátiro chamado Ricky os encontrou e os levou até o acampamento.

Pietro era um ano mais velho que eu, com um metro e oitenta, branco, com olhos pretos e cabelos lisos, que ele deixava crescer um pouco. Mesmo não tendo um porte físico no estilo gladiador, ele se saía bem em qualquer combate corpo a corpo e conseguia manejar com bastante perícia qualquer arma, além de ter um raciocínio tão bom quanto o de Annabeth, tornando-se seu principal rival dentro do acampamento em pouco tempo. Seu pai olimpiano ainda não o havia reclamado, o que o tornava membro temporário do chalé de Hermes, deus dos viajantes.

Annabeth fulminou Pietro com o olhar, ele apenas a ignorou. Dois campistas do chalé de Ares levantaram-se, mas cederam sobre o olhar penetrante de Annabeth. Então, eu tinha três candidatos à acompanhante nessa missão: Annabeth, Diana e Pietro.

— Hm... – Quíron pôs a mão sob o queixo e avaliou os candidatos – Rachel, o que você acha?

Rachel olhou para mim e, por um instante, pude ver um leve brilho verde em seus olhos, então, ela avaliou os três.

— Diana deve ir. Ela é filha da deusa do amor, e a profecia fala que o amor será necessário. Ela tem que ir, Quíron.

Rachel enfatizou no tem, o que me assustou.

— Quíron, eu sou a pessoa mais aconselhada para ir nessa missão – começou Annabeth – Eu completo o trio. Com meu raciocínio rápido, certamente entraremos a Lira o mais rápido possível.

— Não tão rápido, sabichona. – Pietro olhou com um sorriso irônico para Annabeth – Eu raciocino tão bem como você, assim como todos os seus irmãos, ou será que você se considera a melhor filha de Atena que existe? – Pietro havia pegado Annabeth com essa, ela ficou completamente desconcertada.

— Bem, se o oráculo disse que Diana tem que ir, só resta uma vaga para ir, e será decidido entre vocês dois. Como vocês preferem fazer? – Quíron olhava impaciente para Annabeth, mas sabia que não iria adiantar repetir.

— Bem, que a sabidinha aí decida. Eu aceito o que vier.

Annabeth alternava os olhares entre Quíron e Pietro. Ela estava pensando. Acredito que passou na mente dela o fato de que se ela escolhesse uma competição de inteligência, poderia perder. No entanto, no combate, ela tinha mais experiência que Pietro, e mesmo que ele soubesse utilizar qualquer arma em treino, Annabeth tinha experiência de campo, mais que ele até. Ela então disse:

— Um combate. Um duelo de espadas. – Seu olhar confiante dirigia-se a Pietro, que apenas sorriu e assentiu com a cabeça.

— Então, – falou Quíron – que haja luta.

Diana me acompanhou até o campo de treino de espadas. Quíron estabeleceu o combate após o almoço, o que me deixou tempo para conversar com Diana. Estávamos tentando decifrar a profecia, quando Pietro sentou conosco. Ele estava muito confiante para a batalha. Conversamos um pouco e rimos também. Pietro foi em direção ao campo primeiro, disse que queria aquecer. Segui para lá depois, na companhia de Diana.

Quando chegamos ao campo, quase todos os campistas estavam lá. Vi até mesmo Leo, em meio aos filhos de Hefesto.

Quíron chamou os combatentes ao meio. Annabeth e Pietro de dirigiram até lá. Annabeth estava com o cabelo amarrado em um rabo de cavalo, com uma camisa azul de manga comprida e uma calça jeans frouxa, calçando uma bota marrom e vestida do peitoral da armadura. Pietro estava com uma camisa preta e uma calça jeans azul novinha, e um sapato que era branco, mas que agora estava encardido de sujo. Ele também estava com o peitoral da armadura. Os dois empunhavam espadas de treino, nada mortal, mas que pode machucar bastante.

— Vocês sabem as regras. Não morram. Não matem. Tentem nocautear o inimigo ou imobilizá-lo com os mínimos danos possíveis. O vencedor dessa batalha terá mostrado valor suficiente para ir à missão designada por Apolo.

Os dois cumprimentaram-se e deram um passo atrás. Empunhavam apenas as espadas, nada de escudo. Quíron afastou-se um pouco, até chegar perto de Rachel, que olhava os dois combatentes com um olhar aflito. Quíron perguntou algo a ela, e ela fez que não com a cabeça, colocando esta entre as mãos e alisando seus cabelos desgrenhados para trás. Quíron bateu com o cajado no chão, e a batalha teve início.

Pietro avançou rapidamente na direção de Annabeth, brandindo a espada em um golpe vertical com bastante força. Ela foi para a esquerda, mirando com a espada a perna dele. Ele girou em um pé e utilizou a força do golpe ineficiente para golpear o ataque da oponente, que quase foi desarmada com a força do impacto. Eles cruzaram as espadas por diversas vezes, desviando, pulando e recuando.

Annabeth estava levando vantagem, ela havia acertado mais golpes nele do que o contrário. Pietro avançou num corte horizontal com muita força. Annabeth fez careta e dirigiu um ataque feroz para contra atacar o oponente, até que as espadas se encontraram. Ela então empurrou a espada de Pietro para baixo, entrelaçou sua lâmina na dele e acertou seus dedos no cabo da espada, então puxou as duas espadas para a esquerda. Ela ficou com a espada na mão, enquanto que a de Pietro voou longe, deixando-o desarmado. Ela o atacou, mas ele desviou de todos os seus cortes, tentando se aproximar da espada derrubada. Annabeth investia ferozmente contra o inimigo desarmado, impedindo que ele se aproximasse da arma.

Ela deu mais uma investida nele. Ele hesitou por um segundo. Percebi um brilho vermelho em seu olhar quando ele se esquivou rapidamente, dando um chute na perna de Annabeth, fazendo-a perder o equilíbrio. Então ele puxou a espada da mão dela e a empurrou com o ombro, derrubando-a próximo de sua espada.

Pietro pegou as duas espadas e encostou as lâminas cegas de ambas no pescoço da filha de Atena.

— Eu venci, sabidinha.

Quíron bateu com o cajado no chão, dando a luta por encerrada. De repente, o chalé de Ares vibrou fervorosamente, sem nenhum motivo aparente. Todos olhavam Pietro. Não, não ele. Acima dele. Uma lança ensangüentada brilhava sobre ele num vermelho vivo.

Ele acabara de vencer uma batalha honorável e seu pai o reclamou por isso.

Guerra.

Notas finais
Sim, um semideus filho de um dos deuses mais odiados da série. Nem tudo é o que parece, e a vida é uma caixinha de surpresas :3