O Herdeiro Da Luz
5 Entrada alternativa
Notas iniciais
Dois capítulos por semana fica meio pesado para mim, mas quando der vou fazê-lo, enquanto não, apenas um por semana, aos domingos. Beijos e boa leitura!!!
Chegamos a Hollywood por volta das dez da noite. Havíamos dormido a maior parte da viagem, para estarmos bem descansados. Saímos da rodoviária e fomos caminhando, em direção ao letreiro da cidade, a entrada para o submundo.
- Isso é muito estranho. – Pietro falou quando começamos a subir num caminho íngreme em direção às letras.
- O quê? – Diana perguntou.
- Já saímos do acampamento há quase doze horas e nenhum monstro nos atacou.
Fazia sentido. No geral, semideuses atraiam monstros sozinhos pelo simples fato de existirem. Realmente, o fato nenhum ser estranho ter surgido do nada para tentar nos devorar passou a ser algo relevante.
Eu estava apenas esperando vocês.
A voz sibilante falou novamente e, pela expressão de Diana e Pietro, dessa vez eles também haviam escutado.
- O que... O que foi isso?
Antes que eu pudesse responder, as pequenas plantas no chão criaram vontade própria. Demos alguns passos para trás, mas as plantas foram mais rápidas que nós. A grama seca novamente ficou verde e começou a alongar-se. Cipós brotaram da terra, um deles agarrou Diana pelo pescoço, puxando-a de costas para o chão. Ela se debatia e, quando fui tentar ajudar ela, senti uma raiz grossa agarrando minha perna. Pietro já estava cercado por raízes, quase não conseguia mover-se. Chamei por Aiacos.
Quando fui saindo do acampamento, não o encontrei, mas esperava que ele aparecesse em algum momento. Afinal, ele era um animal mágico.
Ouvi um rugido no momento em que uma árvore nascia às minhas costas, com galhos prendendo meus pulsos e cercando meu pescoço. O tigre dourado, meu pequeno gatinho, apareceu e atacou a árvore, quebrando os galhos e me libertando. Corri para salvar Diana, que já estava quase sem conseguir respirar, enquanto Aiacos rasgava os cipós que prendiam Pietro. Cortei as plantas que prendiam Diana com uma adaga que eu sempre levava, me esquivando das que novamente tentavam prender a mim e a ela.
- Acho que você que deveria ser filho de Apolo, vidente. – falei ironicamente para Pietro, que sorriu.
Quando terminei de falar, percebi que duas árvores quase decompostas tinham brotado do chão. Então elas começaram a andar, fazendo aparecer mais plantas ao nosso redor, e nos atacando com os galhos, braços, ou o que quer que fossem aquelas coisas.
Toquei o broche com o anel, e senti aquelas duas peças aquecerem. Minha aljava e meu arco estavam a postos, e Pietro já tinha uma lança nas mãos, cortando todos os ramos assassinos. Diana estava atrás de Aiacos, com a mão no pescoço. Aiacos destroçava as plantas com os dentes e suas garras de tigre gigante. Ele era quase do meu tamanho, estando sobre quatro patas.
Tirei duas flechas e as atirei simultaneamente no que eu pensei serem os olhos da árvore. O som que ela emitiu foi como o de um rugido, mas ela continuava a nos perseguir. Pietro avançou com sua lança, esquivando-se dos ramos que brotavam do chão. Diana cortava as pequenas plantas com sua adaga e Aiacos tentava acertar a árvore, mas os movimentos dela eram muito rápidos. Nunca imaginei que uma árvore pudesse se mover, muito menos uma árvore decomposta.
Quando Pietro avançou para enfiar a lança na árvore, um galho-braço o atingiu no peito e ele caiu longe, sobre Diana. Por sorte, consegui me desviar dos seus ataques, mas até Aiacos foi pego. De repente, tive uma idéia.
Agora a árvore tinha cinco braços, e estava nascendo um sexto. Dois deles vieram na minha direção. Desviei de ambos, mas pulei sobre o segundo, agarrando-me a ele. Com um pouco de dificuldade, consegui chegar até o tronco.
A árvore parecia não entender o que estava acontecendo. Ela tentava me pegar com seus galhos, mas não adiantava. Os poucos ramos que estavam me cercando eu cortei com uma pequena adaga. Agarrei o tronco com as duas mãos e me concentrei bastante.
Imaginei o sol, o calor num deserto, e descarreguei muita energia sobre a árvore. Meu corpo estava quente. Eu era a fonte de calor dali. A árvore começou a gemer, depois ela secou. O mesmo aconteceu com os ramos do chão. Tanto calor fez com que eles ficassem ressequidos, até a areia ficou rachada.
Para proteger meus amigos do calor, Aiacos se colocou à frente deles. Já que ele era uma criatura de Apolo, o calor não lhe causava muito mal.
Aproximei-me deles, um pouco cansado. Fazia bastante tempo desde a última vez que tinha usado meu calor tão intensamente. Minha pele estava um pouco vermelha e um pouco de calor ainda emanava de mim. Senti-me zonzo, mas quando ia caindo, Pietro me segurou.
- Tudo bem Febo? – Diana perguntou, preocupada.
- Acho... Acho que sim. É só a falta de costume. – Pietro me sentou no chão.
Aiacos, agora um gatinho novamente, veio para o meu lado, esfregando sua cabeça em meu braço. Retribui o carinho com uma das mãos.
- E agora? – Pietro perguntou.
- Acho que devíamos procurar a entrada para o submundo.
- Pietro, da próxima vez que você achar alguma coisa estranha, tente ficar calado, por favor. – falei, brincando.
Ele me deu um leve soco no ombro esquerdo.
- Cala a boca, senhor esquentadinho. – Diana soltou um leve gargalhada com o comentário de Pietro.
- Annabeth me falou alguma coisa sobre ter uma pichação feita em grego em alguma das letras da cidade.
Observei bem as letras. Estávamos a uns quinze metros delas. Ainda sentado, curvei-me com os braços cruzados sobre os joelhos e abaixei minha cabeça.
Escutei palmas e alguns passos. Olhei na direção do som. Aiacos avançou um pouco para frente, pondo-se em posição de ataque e rosnando. Ele era um gatinho fofinho e assustador ao mesmo tempo.
- Muito bem. Muito bem. Acho que deveria ter insistido mais nesse combate. – falou uma pessoa envolta por um manto verde, escondendo o rosto sob um capuz.
- Quem é você? – Pietro quicou sua bola e sacou uma espada longa.
- Eu? Sou o pior pesadelo de vocês. Seja bem-vindo ao seu local de morte, filho de Apolo.
Senti meu estômago apertar. Como ele sabia que eu era filho de Apolo?
- Diga quem é você! – Diana disse, usando todo o seu charme para convencer o estranho e pondo a mão no meu ombro para me acalmar.
- Nada disso, filha de Afrodite. Já convivi com muitos dos seus irmãos, sei como funciona esse seu charme. Não vai adiantar comigo.
- O charme dela pode até não funcionar, minha espada vai funcionar. – Pietro avançou de espada na mão na direção do estranho, que estava a uns quatro metros de nós.
- Nada disso, filho de Ares. – o indivíduo encapuzado moveu-se sob o pano, seus braços em posição como se estivesse sacando uma arma, então emitiu um som agudo que jogou Pietro para trás no momento em que ele iria dar um golpe bem no ombro dele.
Pietro caiu sentado ao meu lado, arfando. Diana sacou seu chicote pôs-se à minha frente, Aiacos fez o mesmo, agora já como tigre. Novamente, fiz aparecer meu arco e minha aljava.
- Não, semideuses tolos. Não aqui. Minha mestra ordenou-me matar vocês apenas no submundo.
- Quem? – perguntei, agora já em pé com uma flecha pronta para ser atirada.
- Alguém bem mais forte que seu pai, isso com certeza.
Um arrepio percorreu minha espinha, eriçando os pelos de minha nuca.
Sim, filho do sol. Eu preciso do seu sangue. Venha até mim.
De novo aquela voz reptiliana falando na minha mente.
- Está na hora de vocês começaram a sua missão. Vou dizer a vocês o que precisam para concluí-la. Morrer.
Um som bem mais grave, de uma única nota, soou vindo de sob o manto do indivíduo, então o chão começou a rachar, com as rachaduras emitindo um leve brilho roxo e vermelho.
O chão abriu e nós caímos.
Notas finais
Submundo,adoro esse lugar. Espero que os três saiam vivos de lá, ou não. MUAHAHAHAHAAH.
Até o próximo capítulo, abraços!
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