O Herói e A Torrente
1 O Reinado
Às quintas-feiras, as crianças almoçavam mais cedo. Ao meio-dia, tinham um encontro.
Com um beijo na testa, Ame se despedia do irmão e ia até a geladeira pegar doces.
Dava um beijo no rosto da mãe, um abraço caloroso no pai e partia com um saco de guloseimas.
O ponto de encontro era o beco. Sempre o beco.
A cadeira velha e quebrada era o trono.
O lençol surrado, o manto. A lata amassada, sua coroa.
Sorridente, Ame cumprimentava os súditos.
— Encerrei a guerra sangrenta com minhas mãos! Hoje, vamos comemorar a vitória!
Uma chuva de guloseimas molhava as crianças.
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