O HERDEIRO DO OUTONO livro 3 Martinez
13 O Refúgio nas Nuvens
A tempestade rugia do lado de fora, mas dentro do pequeno chalé de madeira no topo da montanha, o silêncio era interrompido apenas pelo estalar da lenha na lareira. Átila e Isadora estavam exaustos, encharcados e marcados pela violência do dia, mas finalmente estavam sós.
Átila ajudou Isadora a tirar o manto encharcado. Suas mãos ainda tremiam, não de frio, mas pela adrenalina que começava a baixar. Ele a conduziu até a frente do fogo, onde a luz alaranjada dançava na pele pálida da jovem.
— Estamos seguros aqui — sussurrou Átila, aproximando-se dela. — Pelo menos por enquanto.
Isadora olhou para o rosto dele. O corte no supercílio havia parado de sangrar, mas o hematoma estava escuro. Ela levou a mão ao rosto dele, tocando a ferida com uma delicadeza que contrastava com a fúria da fuga.
— Você quase morreu por mim hoje — ela disse, os olhos cheios de lágrimas. — Seu pai... ele te renegou.
— Ele não pode renegar o que eu sinto, Isadora. — Átila segurou a mão dela e a beijou. — Ele perdeu o filho, mas eu ganhei uma esposa. Eu trocaria mil castelos por este momento, aqui, no meio do nada, com você.
O Consolo e a Paixão
O clima de tensão deu lugar a uma necessidade desesperada de reafirmar que estavam vivos. Átila começou a desabotoar a camisa molhada, e Isadora o ajudou, os dedos roçando na pele quente dele. O contraste entre o frio da chuva que ainda escorria e o calor da lareira incendiava os sentidos.
Eles se entregaram um ao outro ali mesmo, sobre o tapete de pele diante do fogo. Não havia a urgência proibida da cachoeira, mas uma profundidade nova, selada pelo sacramento do altar. Cada toque de Átila era uma promessa de proteção; cada resposta de Isadora era um juramento de lealdade.
Na penumbra do chalé, os corpos se moviam em uma coreografia de redenção. Átila a possuía com uma adoração quase religiosa, sussurrando o nome dela entre beijos que sabiam a lágrima e desejo. Isadora, pela primeira vez na vida, sentia que não era a "filha do falido" ou a "vítima dos Martinez". Ela era a rainha daquele herdeiro, a mulher que unira o ódio em amor.
A Manhã da Caça
Enquanto o casal encontrava paz no alto da montanha, o vale abaixo estava em chamas.
Heitor Martinez e o Sr. Valente, movidos por um ódio que agora os tornava aliados improváveis, organizavam os homens.
— Eles não podem ter ido longe com essa tempestade! — gritava Heitor, montando seu cavalo negro. — Eu quero o meu filho de volta, nem que seja em correntes!
— E eu quero a minha filha longe desse animal! — berrava Valente, empunhando uma tocha. — Se ele não a soltar, eu mesmo acabo com a linhagem Martinez hoje!
Maurício observava de longe, encostado no portão da fazenda. Ele sabia que tinha dado a Átila uma chance, mas sabia também que a fúria de dois pais feridos em seu orgulho era mais perigosa que qualquer geada.
— Corra, Átila — sussurrou Maurício para o vento. — Corra para longe, porque o outono acabou, e o inverno que seu pai está trazendo vai queimar tudo o que encontrar pelo caminho
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