O silêncio do castelo foi subitamente quebrado pelo som metálico de instrumentos médicos sendo deixados de lado. O médico da Capital recuou, balançando a cabeça negativamente, com o rosto banhado em suor. Isadora estava perdendo a cor; o pouco de vida que restava parecia escorrer por entre os dedos de todos.


​O quarto, antes um local de esperança, tornou-se uma câmara de agonia. A respiração de Isadora tornou-se ruidosa, curta, até se transformar em um fio quase imperceptível. Seus dedos, entrelaçados aos de Átila, perderam a força e começaram a esfriar, assumindo a palidez do mármore.

​— Ela está partindo... — sussurrou Elena, cobrindo o rosto com as mãos.

​Átila sentiu o exato momento em que a alma de Isadora pareceu vacilar na fronteira entre este mundo e o próximo. Ele apertou a mão dela com uma força que beirava o desespero, como se pudesse ancorá-la à vida pelo puro poder de sua vontade.

​O Clamor do Herdeiro

​— Não! Isadora, não me deixe! — Átila gritou, a voz saindo das profundezas de seu peito, rasgando o ar pesado do quarto. Ele se inclinou sobre ela, as lágrimas caindo sobre o rosto pálido da esposa. — Você prometeu que enfrentaríamos o mundo! Você não pode me deixar sozinho neste inferno que nossos pais criaram!

​Heitor e o Sr. Valente entraram no quarto, paralisados pelo horror. Eles viram o filho e a filha, o fruto de seu ódio, destruídos. Átila não os viu; ele só via Isadora.

​— VOLTA! — Átila rugiu, um grito de dor tão puro e visceral que fez os vidros das janelas vibrarem. — Eu te imploro, Isadora! Volta para mim! Se você for, eu não terei mais nada! Nem nome, nem casa, nem vida!

​Ele encostou a testa na dela, soluçando violentamente. O herdeiro arrogante do outono havia morrido; ali restava apenas um homem quebrado, implorando a Deus, ao destino e à própria Isadora por um milagre que a medicina dizia ser impossível.

​O Peso do Silêncio

​— Isadora... — ele sussurrou agora, em um fio de voz quebrado. — Por favor... eu ainda não te levei para ver as flores da primavera na Encruzilhada. Eu ainda não te dei a paz que você merece. Acorde... só mais uma vez... lute por mim como eu lutei por você.

​No corredor, o Sr. Valente caiu de joelhos, batendo com a cabeça na parede, sufocado pelo remorso. Heitor Martinez cobriu os olhos, incapaz de suportar a visão do filho implorando à morte que devolvesse sua amada.

​O tempo pareceu parar. O tique-taque do relógio na parede era o único som, marcando os segundos de uma vida que se apagava. Átila continuava segurando a mão dela, o rosto enterrado nos lençóis, sua alma gritando em silêncio o que as palavras já não podiam expressar.