O Guardião e a Raposa

9 Dor de todas as formas...


Notas iniciais
Yoo minna-san! É gente o último cap ficou mesmo meio estranho e francamente tenho que confessar...desde aquele dia eu não consigo mais parar de escrever pro GR!! O tempo todo eu penso em novas oportunidades ou desafios...blá, blá, blá... Inclusive vou procurar/providenciar imagens pras personagens assim fica mais fácil de imaginar a estória né gente? Ok vocês não estão aqui pra me ouvirem/lerem então vamos logo com o capítulo que vocês tanto esperam... Jya ne!

– “Onde?” – Me pergunto a caminho do castelo, eu e o mensageiro estamos viajando de barco. Pra falar a verdade agora que eu percebi que o rio perto das montanhas é o mesmo que sai dos lagos da Capital.

– Estamos quase chegando. – O mensageiro, que aliás se chama Ushio, fica olhando pela janela da pequena embarcação fechada a todo instante.

– Você usa isso pra entregar mensagens? – Pergunto vendo a diversidade de cartas em uma estante no lado direito do barco.

– Não. Eu uso esse barco apenas para enviar cartas para vossa Alteza. – Ele mantém-se sério e com o olhar fixo na direção do rio.

– Então de quem são esse monte de cartas? – Me agacho e começo a ver as datas, são de pelo menos uns 8 anos atrás.

– São cartas pessoais do Rei e do Príncipe. Eles sempre se comunicam ao menos duas vezes por semana desde que vossa alteza deixou o palácio para seguir seu rumo a procura de algo que ninguém nunca fez ideia do que poderia ser. – Ele sorri de um jeito nostálgico.

– Mas...se eles sempre se falam, então por que Ame não recebeu uma resposta do pai quando falou sobre... – Não consegui continuar devido ao nó se formando em minha garganta.

– Seu noivado?...Talvez tenha ficado surpreso com a notícia de que seu único filho está prestes a se casar com uma Raposa da Chuva... – Ele faz uma pausa e volta a olhar para mim. – Você disse que ele não recebeu? – Perguntou desconfiado.

Assenti confirmando o que sabia para ele que parece entrar em choque.

– C-Como assim? Eu mesmo entreguei a carta para ele! A menos que... – Ele para de falar e volta a olhar para a direção.

– “A menos que...o que?” – Estou com medo, não do que ele disse, mas do que pode estar insinuando. – “Ame me disse que o pai dele talvez não aprovasse nossa união...” – Acho que agora estou começando a entender.

Há muito tempo, foi comprovado que a diferença de sobrevivência entre Guardiões e Raposas é muito grande, aparentemente, as Raposas vivem de 200 até 300 anos e os Guardiões vivem de 400 até 500 anos cada um.

Balanço a cabeça em discordância comigo mesma.

– “N-Não...não pode ser isso...tem que ter algo a mais...” – Agora já começo a me perguntar por que eu me importo tanto se nossa união não acontecer. – “Afinal eu...não sinto nada real por ele...sinto?” – Essa pergunta começa a me atormentar enquanto eu fico observando as margens do rio aumentarem de tamanho. Estamos bem perto dos lagos.

– Temos que descer aqui. – Ushio começa a desligar todo o sistema mecânico avançado do barco, que parece um casulo de metal com três janelas, e encosta na lateral esquerda do rio prendendo o barco em uma árvore bem na margem.

– Você não acha que isso está meio inseguro? – Olhei para o casulo de metal e vi que ele não tinha nenhuma proteção a vista.

– Não se preocupe que ele é mais forte do que parece. – O mensageiro da as costas e eu o sigo alguns paços atrás. – Antes de entrarmos na Cidade Estado temos que arrumar algo que me disfarce. – Ele retorna ao barco e pega uma bolsa de cor verde alga e tira um kimono lá de dentro. – Espere aqui! – Ele entra e fecha a porta.

– “Eh...?” – Estou perdidinha, mas comecei a entender melhor quando ele saiu do barco com um kimono azul marinho e com os cabelos presos em um rabo de cavalo. – Precisa mesmo de tudo isso?

– É claro! – Ele faz parecer como se fosse óbvio. – Se me descobrirem, vão prender a mim e você estará em grandes problemas com a corte...temos que chamar o mínimo de atenção possível, então vamos ter que nos misturar. Tome. – Ele me joga uma roupa um pouco amarrotada, quase cai no chão, consigo segurar com firmeza e estico para ver o que é.

– Um kimono? – Perguntei olhando para ele. Era um kimono vermelho com detalhes laranjas costurados em forma de flores ou borboletas.

– Exato, agora vá se trocar...temos um festival no meio do caminho e não quero que os guardas me encontrem zanzando por aí. – Eu me apresso em vestir o kimono e passo uma leve maquiagem para parecer que ao menos estou preocupada em me arrumar para o festival.

– “Francamente...que monte de obstáculos...bem que poderia ser mais fácil...” – Termino de me arrumar e ambos vamos direto para o tal festival, acho que fica a uns 500 metros daqui.

– Vamos ter que burlar a vigilância em todo o lado oeste, preciso que faça o que eu mandar ou podemos ser pegos e ir direto pra cadeia. – Isso é um belo incentivo pra não desobedecer.

Com alguns problemas por causa das roupas compridas, nos conseguimos passar, mas quase fomos pegos por 5 guardas que cuidam das entradas e saídas alternativas da corte, as famosas rotas de escape rápido. Libero um suspiro quando Ushio dá o sinal de que estamos livres dos guardas enfim.

– Isso deu trabalho. – Comento tomando meu fôlego de volta aos pulmões.

– Não foi nada comparado a muitas coisas que já fiz, mas se não fosse o festival seria muito mais rápido eu admito. – Ele também tenta recuperar o fôlego. Levamos alguns minutos até podermos nos movimentar direito novamente. – Você tem que subir por essas escadas e ir até o fim do corredor, tenho certeza de que ele acabou de sair de uma reunião importante e está vagando por aí como sempre, olhe para ambos os lados enquanto estiver lá, pode ser que ele esteja nos corredores adjacentes ao principal, e...tire logo esse monte de maquiagem da cara ou ele não vai lhe reconhecer.

– Ah! Tem razão! – Começo a esfregar um pano branco no rosto, isso tira o pó e o excesso do batom vermelho, mas minha boca continua de um tom escuro, nos olhos não fiz quase nada então nem me incomodei.

– Vá...e não saia do rumo que eu lhe falei! Se ele não estiver lá é só você voltar pra cá e nós esperamos mais um pouco até que vossa Alteza apareça. – Ele está determinando a me ajudar de um jeito ou de outro.

– “Mas...e se ele não quiser me ver...talvez tenha realmente me abandonado...” – Fico com dor, não física, emocional, meu coração dói e minha garganta novamente forma um nó. Ushio deve ter percebido porque sua próxima fala é de tentativa de ânimo.

– Não tenha medo! Eu sei que ele está esperando para lhe ver... – Ele sorri de leve, eu retribuo com outro sorriso e começo a subir a escadaria, quando chego mais ou menos na metade, me encontro contando os degraus que já subi.

– “523, 524, 525...” – Isso até mil, quase morri de cansada e comecei a andar no corredor principal assim como Ushio me disse. A ansiedade dentro de mim estava ficando cada vez maior, não aguentei ficar apenas andando e comecei a caminhar correndo olhando de um lado pra outra como uma doida.

– “É quase o fim...” – Faltam poucos metros pro fim do corredor, já estou praticamente correndo e meu coração não para de acelerar. – “Ame...onde você está...?!” – A esperança quase se acabando em mim e eu já não aguento mais correr aqui. – “É melhor eu voltar...” – Já estou completamente perdida quando reconheço algo ali.

Uma cortina começa a balançar no vento enquanto sinto meu coração parar ao olhar para o último corredor e encontrar algo que eu não esperava.

– “Ame...” – Travei, não consigo acreditar, não consigo entender nada, tudo ficou confuso dentro de mim. – “Por que...” – Até em pensamentos tudo estava sem cabimento.

Ele estava bem na minha frente, mas...por mais que eu quisesse ir até lá eu não podia, meu corpo não se mexeu mais...Ame não estava sozinho, colada ao seu corpo, uma mulher de cabelos curtos e brancos...os dois se abraçavam com força e...eu parecia invisível para ambos, por mais que estivessem de olhos fechados e sorrindo um para o outro.

– Ame... – Murmurei para mim mesma, eu não quero mais ver isso...eu tenho que sair daqui...não quero ficar aqui vendo isso...mas...minhas pernas não se mexem nem por um decreto. – Ame... – Murmuro novamente, eu quero chama-lo, mas...me sentindo realmente desprezada, agora eu abaixo a cabeça e tento segurar o nó na minha garganta.

– Yuki...?! – Meu nome é chamado. Levanto a cabeça e lá está ele, espantado com a minha presença.

– Quem é ela? – A mulher junto dele pergunta me olhando de cima a baixo, não consigo responder. O nó na garganta forçou meus olhos a ficarem lacrimejando e finalmente eu tive como sair correndo, voltei a me mexer pelos corredor. – Yuki! – Ame está logo atrás de mim, mas eu não quero que ele venha...

Agora estou realmente chorando enquanto corro de volta para Ushio, eu me transformo em raposa no meio do caminho e começo a correr mais rápido para fora dali.

– Senhorita...! – Passei direto por Ushio que ficou para trás sem entender nada e fez Ame parar aonde ele estava. Fiquei devendo uma pra ele.

Tudo o que eu menos quero agora...é encarar aquele homem...

Notas finais
Nada como uma traiçãozinha pra apimentar esse romance... Falando sério, se não tem drama ou triângulo amoroso então não é história minha... Podem crer sempre tem isso mais cedo ou mais tarde em todas as minhas histórias...(não perguntem 'por que?' que eu não respondo) Ok eu já falei de mais... Quero ver os comentários gente =^-^= Jya ne!