O Guardião e a Raposa
22 Achar um jeito...
Notas iniciais
Já tem alguns dias que estamos no palácio...eu não consigo deixar de me sentir nervosa...
Além da pressão que anda caindo mais e mais sobre mim, não consigo me sentir confortável perto do Ame...o pior é que ele não tem culpa de nada, mas mesmo assim eu tenho evitado ele mais do que nunca esses dias.
A verdade é que desde que vi aquele cara de cabelo azul eu não consigo parar de pensar em o que pode ter acontecido com Meriu...
Mesmo que Ame pareça sempre preocupado, eu não consigo evitar pensar no assunto.
Estamos no meio de um café da manhã...eu, Ame e sua tia, sempre esqueço o nome dela, mas vou perguntar novamente quando a oportunidade surgir...
– M-Me desculpem a falta do meu irmão...ele anda muito ocupado com as relações do reino e tem faltado muito às refeições, ontem mesmo tentei falar com ele sobre isso e ele não pode me receber...fiquei sabendo que só voltou para o quarto no meio da madrugada...
A tia dele ele é uma pessoa muito simpática, mas ao mesmo tempo ela fala mais do que minha mãe, o que eu achava ser algo impossível...
.....
Terminamos o café da manhã e eu me levantei da mesa.
– Se me derem licença, eu vou me retirar...estou um pouco cansada e queria—
– Ora minha querida não se preocupe, por mim está tudo bem... – Ellyz, sim esse é o nome, já tinha me dispensado. – Isso é claro se meu sobrinho também não se importar...
– C-Claro, pode ir... – Me curvei levemente e me retirei...
A verdade é que só consegui me tranquilizar quando passei de um corredor que os tirou de minhas vistas.
Suspirei e comecei a olhar a riqueza de detalhes que se encontravam até mesmo nas paredes.
– “Nós...somos de mundos tão diferentes...”
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Ame
Depois que Yuki se retirou, minha tia ficou falando mais alguns minutos sobre como está desapontada com meu pai, mas eu também não posso fazer nada enquanto ele não me receber.
– Tia. – Cortei sua conversação com as paredes.
– ...?
– A senhora poderia me fazer um favor? – Perguntei já sentindo o medo do que está por vir.
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Yuki
Joguei meu corpo pesado de tensão no meu lado da cama. Senti um completo vazio me tomar conta conforme o medo e a culpa me corroíam por dentro. Aos poucos fui me sentindo cansada e caí no sono como se fosse o descanso final da minha vida...
.....
Abri os olhos lentamente, a luz foi entrando aos poucos enquanto a visão voltava ao normal. Vi uma sombra em meio àquela luz. Paralisei completamente. Mesmo que eu tente confiar...acho que isso pode nunca ser possível.
– Minha querida? — A tia dele, sempre me sinto mais tranquila com ela por perto.
– Sim, pode entrar... – Ela abriu mais a porta e fechou após entrar, em seguida veio ao meu encontro.
– Eu...quero te perguntar algo, talvez seja um pouco pessoal, mas eu não sei se consigo me segurar mais. – Só acho que ela é muito curiosa para uma pessoa da idade dela.
– O que foi? – Me senti apreensiva, mas decidi esperar a pergunta.
– Eu percebi que, você parece muito travada... — Entendi o que está acontecendo.
– Então...a senhora percebeu. – Falei sentindo aquele aperto estranho de novo. Mas eu confio nela e mesmo sabendo que ela tinha a oportunidade de falar pra Ame, eu contei o que vinha me fazendo daquele jeito.
.....
– YUKI! – A voz estrondosa me deu arrepios, olhei para a porta do quarto que foi aberta bruscamente. Ame apareceu, de primeira ele parecia completamente furioso, mas logo em seguida seu olhar foi uma mistura de medo e tristeza que eu não consegui entender.
Ele veio até mim com passos largos e eu acabei dando um ou dois passos para trás antes que ele me prendesse em seus braços. Não consegui controlar dessa vez. Me dei conta do que tinha feito somente quando vi Ame afastado de mim e eu com os braços esticados, eu tinha empurrado ele e nem percebi isso.
– E-Eu... – Não consegui falar direito e corri pro banheiro.
– Yuki! – Ele bateu com muita força na porta. Consegui trancar antes que ele me pegasse. Agora estou encolhida de costas para a porta e só pelo som que veio do outro lado posso deduzir que ele está praticamente do mesmo jeito que eu. – Por que...? – Sua voz soou com tanta fraqueza que eu senti o nó na minha garganta aumentar. – Por que não me contou antes...? Você...Você realmente não confia em mim...
Naquela hora eu queria nunca ter existido, nunca ter nascido, se fosse pra trazer esse tipo de sofrimento pra Ame, eu queria que nós nunca tivéssemos nos encontrado...
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