O Guardião Universal.
2 A nova vida.
Notas iniciais
Tenho viajado de planeta a planeta, acho que este é o quarto, talvez o quinto, ainda estou me acostumando ao trabalho. A comida deste lugar é ótima, a propósito, e ouvi dizer que havia uma bela lua em no céu. Mas devo dizer que as pessoas saqueando, correndo e protestando realmente causam uma má impressão. O barulho em si me incomoda bastante, talvez porque me acostumei ao silêncio do espaço.
Imagino que eu não deveria ter parado para comer numa hora dessas, mas to exausto e tinha um cheiro tão bom vindo desse lugar. Chegando mais perto pude ver que era um tipo de, ahn… café espacial, vendendo um tipo de pão de queijo vermelho e até mesmo bolinhos de bacalhau, onde surpreendentemente parecia ter bacalhau como o conheço e isso me faz pensar de onde veio o bacalhau encontrado na terra.
Cá pra nós, você deve estar se perguntando como vou pagar pela comida considerando que não tenho dinheiro algum e mesmo que tivesse, seria impossível que este dinheiro fosse aceito em todos os planetas por onde passo, mas não se preocupe, tenho vale alimentação. Ahn, tá bom, é mentira... a verdade é que por vezes as pessoas deixam de se importar com suas coisas e cobrar pela comida, afinal o mundo está acabando, isso significa que geralmente ninguém se importa que eu pegue algo. Caso me ache malvado por aproveitar a situação para conseguir uma refeição e outras tipos de coisas, saiba que não dou a mínima.
Ainda carrego o martelo comigo, pode parecer estranho, mas ele é útil para lidar com anomalias. Não sei a verdadeira extensão do seu poder, mas posso afirmar que ele é útil para lidar de forma pacífica com possíveis cidadãos hostis que acreditem que o fato da minha pessoa cair do céu tem algo a ver com o eminente fim de seu planeta, eles costumam recuar quando uso o martelo para abrir uma cratera no chão ou coisa assim.
As vezes é difícil levar ele comigo por ai, é um lembrete constante sobre uma vida para a qual não posso voltar, uma cicatriz que não vai sarar.
Já podia sentir o cheiro do oceano, queria ter tido uns minutos extras para comer um pouco mais, mas era hora de trabalhar. Agarrei o martelo e caminhei silenciosamente na direção contrária a qual a multidão se movia. Não faço ideia de como, mas alguém roubou a lua que jazia aqui, me pergunto o porque disso e se esse alguém o fará de novo, espero que não.
Nunca havia ouvido falar de uma tsunami como essa, ela era grande, vinha varrendo tudo em seu caminho e eu estava caminhando até ela. Não vou negar, tive medo.
Naquele momento, em meio a gritos e calamidade iminente em um lugar desconhecido, onde só tinha a mim mesmo, pude sentir o caminho. Balancei o martelo e atingi o chão e então, aquela grande onda viu seu fim.
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