Prólogo

Era uma quinta-feira de inverno, a lua refletia como em uma noite comum, uma incidência de luz adentrava a janela do quarto, iluminando-o por completo, uma luz fraca, levemente esbranquiçada, de momento em momento era tampada, mas logo surgia novamente. Ventava muito, era possível sentir o frio presente nos céus, os fios de cada milímetro da nuca se arrepiavam.

Um grito ecoa pela casa até chegar ao quarto, repentinamente seus olhos começam a piscar, um borrão é tudo o que se pode ver, aos poucos a imagem começa a ficar mais nítida, é possível identificar a figura de uma mulher na porta do quarto, vestida com um roupão aparentemente quente, com o cabelo solto, chegando até a cintura.

— Filha acorda! A comida está pronta — diz a mãe enquanto se aproxima do interruptor e liga as luzes.

O brilho repentino da luz cega seus olhos por alguns segundos, leva um tempo para se acostumarem e voltarem ao normal.

— Mãe... Que horas são?- ainda meio desnorteada pelo inesperado grito.

Os olhos se viram para a direita em busca do celular ao lado da cama, em cima da cômoda.

— Está na hora do jantar, vamos logo antes que esfrie.

Ela pega o celular e aperta o botão na lateral do aparelho, a tela se acende, 19horas e 36minutos. Levanta da cama a procura dos chinelos, encontra-os perto da porta, jogados de qualquer jeito, calça-os e vai em direção à cozinha. Um homem velho de aproximadamente setenta anos está sentado na ponta da mesa com um jornal nas mãos lendo as ultimas notícias, ele se vira para olhar a menina.

— Finalmente acordou, já estava na hora – seus olhos azuis são nítidos na luz do cômodo, a aparência desgastada pela idade é notável, barba que não é feita há dias e rugas na face inteira.

— Desculpa vovô, hoje foi um dia agitado, queria descansar um pouco.

— Tudo bem filha, você soube das ultimas? – ele se levanta da mesa e vai até a menina, mostrando-lhe o jornal diário — Estamos sem internet – aponta para a parte do jornal onde está a notícia, enquanto encara a menina que lê atentamente o pequeno pedaço do papel — Parece que um satélite está quebrado.

— Como assim quebrado? E eles não vão conserta ou algo do tipo?

— Mandaram um grupo de astronautas para consertar, inclusive eles devem estar lá nesse instante — Os dois se viram para a janela próxima a eles.

Olham para o céu, a lua maior do que o normal é a primeira coisa que a menina enxerga em um mar negro inundado de estrela de diversos tamanhos, algumas maiores, outras menores, cada uma com seu tamanho. O velho se aproxima da janela, destrava a tranca e ergue o vidro. O ar frio entra pela cozinha, a menina sente um arrepio pelo corpo, ela cruza os braços na tentativa de aquecê-los.

— É muito linda a lua nessa época do ano, não acha?- comenta o avô tentando quebrar o silencio.

— Verdade, parece diferente do normal, parece maior, mais bonita, como se estivesse mais próxima da terra.

Instantaneamente os olhos se arregalam tão abertos que aparenta que o globo ocular cairá de ante sua face. O incrível satélite natural da terra, que antes era branca como queijo, se tornara escura, com um vermelho quase preto, semelhante ao sangue venoso que corre pelas veias, ele se condensa e se torna uma sombra de uma criatura alada gigantesca.

A mãe da menina se aproxima para ver o que os assombra e se depara com a imagem de uma sombra negra que se aproxima gradativamente do pequeno planeta azul, o medo toma conta deles, as mãos começam a tremer, o estomago da um nó e o ar é difícil de respirar, seus corações batem mais rápidos e eles sentem que em brevê, algo acontecera. Algo que mudara tudo.