Eu me levantei do chão sujo enquanto ela sorria e tentava me ajudar. Logo derrubou o balde no chão e me arrastou em um bom sentido para o porão do castelo.

— vire — se ou não se quiser ver.

Ela começou a desabotoar o vestido e eu instantaneamente me virei de costas esperando ela terminar.

— prontinho — ela disse cantarolando. Quando olhei ela estava usando uma roupa rasgada e bem gasta.

— por que desta roupa? — perguntei achando estranho.

— porque só ela combina com a moto do meu primo.

Moto? Do que ela está falando? Eu pensei até ver uma Halley Davidson debaixo da grande coberta branca, meu queixo ficou caído.

— posso tocar para ver se é real?

Ela olhou para mim com um olhar de “claro, mas se quebrar você paga" eu toquei no corpo de aço. O gelado dele fazia meu corpo ter calafrios deliciosos.

— então. Você vai querer se desligar do que aconteceu ou vai ficar excitado com uma moto?

Afastei-me e ela ligou a belíssima raridade, ela me ofereceu um capacete e pediu para que me sentasse no banco do carona. Logo depois disso ela partiu com a moto para algum lugar.

— Nossa. — eu disse- nunca conheci e nem li nenhuma princesa tão legal! Todas eram mimadas e chatinhas.

— Fico lisonjeada por ser a primeira. — ela disse sorridente — Me chamo Victoria e você?
Meu rosto estava pelando e meu coração batia mais rápido do que qualquer outra coisa poderia bater.

— Luke Dambos. Prazer.

— O prazer é meu. Então, já esteve em Sundeath antes?

Sundeath era a capital, eu mal saia de casa para ir à padaria comecei a ficar ansioso.

— Não.

— então vamos para lá hoje! — ela pegou uma rota alternativa pela rodovia principal e acelerou com tudo.

Em menos de 20 minutos estávamos em Sundeath às luzes faziam parecer que nem anoitecia naquele lugar. O trânsito me fez ficar observando um gigante telão com uma mulher oferecendo um maiô em uma propaganda sensual, desviei o olhar e em outro telão passava um prato delicioso espanhol não importava para onde eu olhava sempre havia uma propaganda.
O trânsito voltou a fluir e conseguimos entrar em outros lugares além daquele.

—seu cabelo está horrível. -ela disse

—Agradeça aos guardas que armaram uma emboscada para mim. — eu disse com raiva.

—Como assim?

—depois eu posso explicar para você.

Então ela estacionou em um shopping e nós dois entramos. Eu vi lojas, pessoas, tudo extremamente vivo e bonito as cores eram encantadoras. Eu nunca entrei em um lugar assim, o único que chegava perto era um teatro que tinha na minha cidade, mas ele já estava velho e abandonado fazia anos.

Ela me levou até um lugar chamado "salão" para que eu ficasse mais apresentável, com roupas normais ninguém sabia que ela era a princesa deste lugar, meu cabelo estava mais curto do que eu estava acostumado parecia que minha mãe havia cortado já que ela não tinha muita noção de cortes, seu cabelo era o mesmo de sempre, longo, loiro e ondulado com uma trança entre sua cabeça.

— vamos? -ela perguntou olhando para a porta.

— para onde?

—Banho de loja em você.

"O que é um banho de loja?” fui me perguntando enquanto ela me enfiava em várias lojas e me jogava roupas e acessórios, mas nenhum deles foi melhor do que um terno preto que ela me entregou.

— veste para eu ver. — ela disse animada.

Eu entrei em um provador bem maior dos quais estava acostumado ele era tão grande que podia parecer uma sala, comecei a me despir e me observei no grande espelho na minha frente.

Marcas roxas estavam cobrindo minhas costas e meu abdômen, olhei o terno e comecei a me vestir devagar senti o tecido correr pela minha pele, cada peça que colocava me olhava em um espelho quando terminei Comecei a imaginar minha mãe dando seus pulos de alegria ao ver seu filho mais velho em um traje elegante.

— já está pronto? – ouvi ela me chamar.

Quando saí do provador ela ficou com o rosto um pouco avermelhado, ela estava corando.

— Nossa. Não pensei que iria ficar tão bem. Pensei que ia ficar normal como qualquer outro garoto, mas nossa.

E mais uma vez Lucy me veio à cabeça, nosso primeiro encontro não foi uma coisa extravagante, foi na beira de um rio e nosso jantar a luz de velas foi um McLanche feliz que a gente se virou para dividir. Eu lembro que brigamos pelo brinquedo que veio dentro da caixa e depois o quanto rimos daquilo quando a lua já estava sumindo.

Lembrar-me de Lucy é como se eu estivesse me torturando, até por que a causa do nosso termino foi eu, eu era uma criança e não pensava nela, achava que namorada e melhor amiga eram iguais, éramos adolescentes com os sentimentos á flor da pele e o que aconteceu á ela foi minha e única culpa. Deixei uma lagrima escorrer de meu olho ao me lembrar dela, seu cheiro, seu cabelo em uma cor natural suas antigas roupas, tudo me fazia ficar triste.

— Esta chorando? – ela perguntou – Não chore. Esta tudo bem.

Ela pegou minha mão de maneira delicada e envolvente fazendo com que eu corasse também, seus olhos tinham um ar de suplica e eu limpei meus olhos com meu dedo.

— Estou bem, isto é choro de felicidade. – eu menti rezando para que ela acreditasse nunca fui o mestre da mentira. – não se preocupe Lucy digo Victoria.

Ela me lançou um olhar de duvida.

— Lucy? É alguma parente sua né?

Desviei meu olhar para um canto qualquer.

— Sim, ela é quase uma prima de consideração. – muito bonita por sinal.

Ela colocou a mão no queixo e ficou um momento pensativa.

— Sabe? Que tal você ir visitar sua família? Quero dizer, os guardas voltados para a realeza não são os mesmos dos quais vocês estão fazendo o teste.

— Como assim?

Ela suspirou e disse.

— Então, estes dos testes quando passarem por todo esse procedimento se tornarão aprendizes dos guardas de guerra. Se você passar e eu mexer alguns palitinhos mágicos você se torna um “guarda diamante” significa que você estará dentro do castelo e terá que proteger os residentes e não em uma trincheira qualquer.

Um mundo novo se abriu em minha cabeça, esse tipo de guarda nunca havia ouvido falar em minha cidade.

— Quanto é o pagamento?

— Não sei ao certo, até porque quem mexe com isto é meu pai. Ele que é o líder dos guardas diamantes, por isso ele escolhe a dedo quem entra.

O rei, quase nunca vemos o rei, somente em desfiles da coroa ele aparece, sua aparência de arrogância dá medo nas crianças, mas as pessoas que o conhecem bem dizem que ele é uma pessoa muito gentil.

— Tem alguma coisa á mais? — perguntei curioso.

— Acho que a família dos mesmos recebem auxílios de vários tipos, meu pai diz que quanto mais honra e trabalho duro mais o mesmo e a família sai ganhando, é um incentivo.

Logo me veio na cabeça, meu pai, minha mãe, a pequena Ashley, se eu conseguisse com certeza eles teriam uma vida extremamente melhor.

— Eu quero muito este emprego! – disse com muita empolgação.

—Então irei fazer o possível por você! – ela disse sorrindo.

Voltamos a fazer compras e a andar pelo shopping ate que o mesmo fechasse, voltamos para o castelo na calada da noite, fugindo dos guardas que patrulhavam o castelo, eu consegui coloca-la em seu quarto, quando me virei ela me puxou pelo pulso e me beijou na bochecha.

— Boa noite. Luke.

— Boa noite. Victoria.

Logo sorrimos um para o outro e eu voltei aos quartos dos futuros membros da guarda, abri a gavetinha do criado mudo e lá não havia nada, me senti pelado, sem meu caderno, sem meu colar. Coloquei a mão embaixo da cama para pegar os sapatos de treino quando senti um papel.

— O que? – puxei o mesmo. – uma carta? Para mim?

Quando li as informações estava escrito “confidencial não abra á não ser Luke Dambos.” Eu já sabia quem tinha escrito aquilo.

Uma garota de cabelos azuis chamada Lucy.