O Grego Procura..

12 Uma praia pode ser tão provocante quanto um ziper


A cabeça de Yan começara a latejar. Desde o inicio de sua mentira sabia que em algum momento seria testado, e com toda a certeza seria em uma situação como a que estava a sua frente, a qual jamais fora imaginada.

Ao retornar das compras com Melissa, Yan pensara que o pior já havia passado, mas isso foi antes de sua mãe ter se decidido por levar todos a uma praia. Uma praia silenciosa, com apenas os membros de sua família, e Melissa trajando um biquíni revelador, apesar de usar uma espécie de túnica.

Os irmãos de Yan apenas observavam as reações dele. Todos mantinham suas curiosidades estampadas na face, já que era a primeira vez em que viam os dois juntos daquela forma. Ninguém escondia a curiosidade em observar as reações do grego problemático.

Melissa sorria bobamente ao apreciar o vento, a sensação da areia batendo em seu rosto e o frescor da Grécia que não se dera conta dos olhares em si.

Eu tenho que aproveitar cada instante. A Grécia é realmente linda.

—Ela é encantadora – Cassio falou ao se aproximar de Yan ao olhar na mesma direção do seu irmão – Não precisa ser tão ciumento. Estamos em família – sorriu diante do olhar carrancudo de Yan.

―Não estou com ciúmes – falou com desdém.

―Então porque não tira os olhos dela?

―É desejo reprimido –falou mais para si mesmo fazendo com que Cassio risse.

―Brigaram então.

―Por que não vai cuidar de sua esposa? – Yan soltou com escarnio. Todos sabiam que Yan não suportava Sandra, e que a achava uma oportunista.

―E você deveria dar mais atenção a sua namorada, Nicholas já vai atacar pelo visto – Yan olhou para aonde Cassio apontava e sentiu seu coração bater descompassado. Seu irmão se aproximara de Melissa, e ela ria de algo que ele falara. – Ele é bem rápido temos que aceitar. O que fará? – Antes mesmo que Cassio pudesse terminar, Yan já avançava em direção ao casal. – Ele é uma graça ciumento – murmurou ao apreciar a cena que se desenrolava.

Melissa não gostou de Nicholas. A sua primeira impressão não fora uma das melhores, com exceção de acha-lo lindo. Ela não poderia ser hipócrita quanto a mentir sobre isso. Um dos mais irmãos mais bonitos de Yan com certeza era Nicholas, apesar de não se sentir confortável com ele.

―Então você é dona de um restaurante? – o sotaque de Nicholas fez Melissa abaixar a sua guarda por alguns instantes.

A voz dele é tão macia. Graciosa... Será que o fator “gay” é de família? Deveria lhe perguntar?

―Sou, na verdade era da minha família e agora é meu. – Melissa olha para ele de cima a baixo e sorri antes de perguntar – Você é gay?

A expressão incrédula na face de Nicholas foi impagável. Melissa segurou-se para não gargalhar diante da perplexidade do grego.

―G...ga...gay? – ele gargalhou aturdido.

―Sim – confirmou com tranquilidade ao sorrir.

―Por que eu..seria gay?

―Intuição feminina, acho, mas fiquei apenas curiosa.

―Como...pode pensar que eu sou gay? Logo eu? – indagou confuso e raivoso – Eu não sou gay. Eu não sou. Ninguém jamais me perguntou isso. – a voz de Nicholas denunciava toda a sua confusão diante da estranha pergunta de Melissa – Como pode pensar que eu sou gay?

— Não é algo tão difícil hoje em dia – argumentou sorridente – Quero dizer, muitos homens são gays e escondem isso da família.

— Aposto que Yan falou alguma coisa para você, mas é mentira –se defendeu sem saber do quê exatamente — Eu posso provar que não sou gay.

— Não se preocupe, não precisa me provar nada – garantiu calma ao olhar para o mar – E não precisa ficar tão nervoso foi uma pergunta inocente.

— Isso não é uma pergunta inocente – grunhiu impaciente ao cruzar os braços em frente ao seu corpo. Aquela situação se tornara ridiculamente patética para ele – O que eu fiz para você achar isso? Nenhuma mulher jamais havia duvidado de minha masculinidade.

— Não é como se eu estivesse desconfiada de algo – tornou pensativa ao encará-lo – É mais como se eu estivesse curiosa.

— Isso não faz sentido – falou confuso sem perceber a aproximação de Yan, o qual se segurava para não gargalhar diante da conversa deles. Obviamente, ele já imaginava o motivo de Melissa perguntar algo tão esdrúxulo ao seu irmão.

—Querida, está se divertindo? – Yan perguntou ao passar os braços em volta da cintura dela, enquanto encarava o seu irmão friamente – Não tem ninguém com quem conversar, Nicholas? Não deveria ficar rondando a namorada dos outros.

Nicholas sorriu ao dar de ombros e seguir na direção oposta do casal. Ele ainda tentava entender o motivo da pergunta de Melissa.

—Na próxima vez tente não dar em cima tão descaradamente dele – Yan se viu falando ao soltá-la. Não que ele estivesse com ciúmes, longe disso, apenas queria ter certeza que não seria chamado de tolo pela sua família quando toda a farsa acabasse – E eu disse que deveria manter distância dos meus irmãos.

—Não é como se eu estivesse correndo atrás de algum deles – disse mais para si mesma ao fazer uma careta e desviar o olhar de Yan. – Além do mais, estávamos conversando de forma bem inocente.

—Nicholas nunca tem uma conversa inocente com as mulheres – se viu falando ao olhar para onde estava Nicholas, o qual sorria ao falar algo com Cássio.

Melissa se viu sorrindo ao criar expectativas, pois para ela quanto mais ficava próxima de Yan, maiores seriam as chances de transformá-lo em hetero.

Eu vou conseguir. Não tem como ele escapar disso.

Todos que olhavam para o casal, sorriam, pois para eles Yan e Melissa se mostravam cada vez mais apaixonados um pelo o outro. Alicia não conseguia conter a expressão de felicidade na face ao perceber que enfim seu Yan havia conseguido uma boa garota como Melissa.

— Eles ficam bem juntos – comentou para Sandra, a qual resmungou algo inaudível ao virar o rosto. Ela ainda acreditava que Yan deveria ser apenas dela, mesmo que precisasse se separar de Cássio para isso. – Já estou imaginando os filhos deles – confessou baixo apenas para Sandra escutar.

—Isso não vai acontecer – disse ríspida ao se levantar e ir em direção a Cássio – Querido, estou ficando cansada – manhosa enroscou-se nos braços do seu marido – Podemos ir na frente?

Cássio suspirou frustrado antes de concordar. Ele tinha consciência que não iria adiantar tentar argumentar com a sua esposa, e a única coisa que poderia fazer era concordar. Despediu-se de todos o mais breve que conseguiu e ao ir até Sandra percebeu o seu olhar em Yan.

— Não deveria olhar tanto para ele – a advertiu no instante em que segurou em sua cintura – Afinal, escolheu a mim para se casar, não foi? – Sandra manteve-se em silêncio. Ela apenas se deixou guiar por ele até o carro.

***

Já havia se passado algumas horas desde que haviam chegado a praia. Melissa permanecia deitada na canga de costas, exibindo o biquíni que havia levado, aproveitando os momentos de tranquilidade apesar de escutar risos histéricos e palavras gregas que não compreendia. O sol queimava as suas costas, e internamente, ela não se importava, já que para ela, aquilo seria apenas mais uma dolorosa recordação da viagem.

E eu sempre posso chorar nos braços do lindo gay.

Sorriu ligeiramente antes de fechar os olhos tentando afastar seus pensamentos do barulho, mas não demorou para sentir algo gelado em suas costas, fazendo-a gemer sem perceber. Abriu os olhos assustada e ao olhar para ao lado, sorriu. Yan estava ajoelhado ao seu lado passando protetor solar em suas costas.

Esse é o momento em que o homem se apaixona pela garota. Sempre é.

Sorriu cada vez mais entusiasmada pela sua fantasia até perceber que a sensação havia sumido. Ele havia acabado de passar o protetor em suas costas e não tentou tocar em nenhuma outra parte de seu corpo.

— Deveria passar direito – falou soando despretensiosa ao olhar para ele. Yan possuía o olhar firme ao segurar o protetor solar em sua mão – O que?

Um resmungo inaudível foi a resposta de Yan ao voltar a se ajoelhar. Os olhos dele se dirigiam, mesmo contra a sua vontade, para as nádegas de Melissa, e reprimindo um gemido despejou um pouco de protetor na área, e antes de espalhar pelo seu corpo, respirou fundo mais uma vez. Ele não entendia como ela conseguia deixa-lo completamente aéreo. Assim que voltou a sua atenção para suas pernas, engoliu em seco. Melissa possuía pernas grossas, brancas e macias.

Preciso apenas passar o protetor. Disse a si mesmo ao tocar as pernas delas com suavidade antes de perceber o que fazia, sua mão adquiriu vida própria ao acariciar suas pernas. Apertou a perna direita com força sentindo a maciez de sua pele, o calor de seu corpo, e como se estivesse hipnotizado, viu a sua mão subindo em direção a intimidade dela. Roçou o dedo de leve antes de acariciar as costas dela com delicadeza contornando o laço do biquíni com sensualidade, a medida que aproximava o seu rosto do pescoço dela.

— Temos crianças na praia – Alicia gritou sorrindo sendo acompanhada por outros que olhavam para a cena estupefatos. Somente então Yan percebera o que fazia. Se levantou assustado tentando não olhar para trás, mas ao olhar para Melissa, percebeu que o seu rosto estava levemente vermelho. Ela o olhava com completa surpresa.

—Você é mesmo gay? – sussurrou ainda estupefata pelo o que ele acabara de fazer. Ele praticamente a atacara, de uma forma muito mais sedutora do que ela havia imaginado como ataca-lo. – Isso não foi... Quero dizer, isso...

— Não diga nada – Yan se viu falando antes de fugir em direção ao mar sem perceber que Melissa o seguia. Por onde ele passava, seus primos gritavam algo em sua direção, e somente quando entrou no mar, arrependeu-se ao sentir a água um pouco fria.

— Não vai fugir – Melissa disse logo atrás dele. Yan rogou aos céus para que estivesse escutando vozes ao escutar Melissa, mas assim que ela tocou em suas costas, percebeu estar perdido. – O que foi aquilo? Você me tocou!

Com um suspiro frustrado, Yan se virou tentando não olhar para os seios dela. Respirou fundo antes de pensar em alguma resposta convincente a sua mentira, mas nada encontrou.

Talvez eu devesse admitir, pedir desculpas, e dizer que estou confuso com a minha opção sexual. Mas que droga! Eu não sou gay. É claro que eu poderia sentir atração por ela, afinal eu sou homem e ela é uma mulher que adorou me agarrar naquela boate.

— Foi um erro – disse o mais sério que conseguiu ao olhar em seus olhos – Erros acontecem.

— Aquilo não foi um erro, eu acho.

Na face de Yan o desespero era visível. Ele havia chegado a um nível de sua mentira que não podia retornar.

— Fiz isso para que eles vissem – mentiu ao passar a mão pelos seus cabelos – Deveria ter falado com você antes.

Melissa olhava para o homem a sua frente sem conseguir acreditar no que ele havia lhe dito.

— Irei lhe fazer uma pergunta simples – Melissa disse séria ao se aproximar de Yan, e antes que ele pudesse fugir, segurou em seu pescoço, aproximando os seus corpos o máximo que conseguia – Você é mesmo gay?

Yan engoliu em seco ao olhar para os seios dela que encontravam pressionados contra o seu peito, os lábios de Melissa nunca lhe pareceu tão apetitoso quanto agora, e antes que perdesse a cabeça sorriu, sabendo que iria se arrepender em algum momento daquela farsa ridícula.

— Ainda desconfia?

— Sim.

— Mas eu sou – se viu falando sério ao encará-la.

Merda!

Melissa continuou olhando para Yan tentando entender como chegara a aquilo.

Fundo do poço. Fundo do poço. Disse a si mesma antes de fechar os olhos e beijá-lo. Ela estava determinada a transformá-lo em um hetero.

Yan sabia que estava cometendo um erro, mas se deixou corresponder ao beijo dela, suas mãos agarrarem a sua cintura com força a puxando mais contra si. Logo os braços dela contornavam o seu pescoço, e sem perceber as pernas dela foram em direção a sua cintura, e por reflexo, ele as segurou com força. No momento em que Yan afastou os lábios de Melissa, apenas para ir em direção ao seu pescoço, a escutou.

— Eu sabia que você era bi – ela disse em um sussurro que foi suficiente para ele soltar as pernas dela, fazendo-a cambalear – O que?

Yan grunhiu algo antes de sair do mar e andar em frente, sem hesitação. Ele precisava se afastar de Melissa.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.