O Grego Procura..

1 Uma dor de cabeça após a melhor noite de sua vida


Notas iniciais
Vocês me dizem se eu devo continuar rsrs

Beijos

Um quarto totalmente bagunçado com roupas espalhas pelo chão e comida pelo chão. Este era o cenário em que uma mulher encontrava-se deitada na cama. Os cabelos castanhos ondulados caiam em seu rosto, agoniando-a. A roupa que trajava era a mesma que usou na noite anterior. Revirou-se para o lado a fim de não escutar o barulho. Um barulho que começava a incomodar. Virou-se mais uma vez, sem sucesso, pois as batidas aumentaram ainda mais. Rolou ate a beirada da cama ate sentir o seu corpo dolorido devido a sua queda. Revirou-se antes de se levantar apoiando-se na cama. Levou a mão a sua cabeça com a intenção que aquele gesto pudesse acabar com as dores que sentia. Esbarrou-se por garrafas vazias pelo chão ate chegar ate a porta. A abriu sem ao menos ver quem era. Deparou-se com um homem alto, feições severas e um par de olhos azuis. Olhos estes que a fizeram lembrar do mar.

-Mar? – disse em voz alta sem perceber ate ver a expressão de perplexidade em sua face – O que..?

Yan recriminou-se mentalmente por estar naquela situação. Não importava quantas vezes olhasse para a mulher a sua frente, ele sabia que nunca se sentiria atraído por ela. Seus olhos percorreram o corpo dela inúmeras vezes. Nada lhe passou despercebido. O modo como o corpo dela era robusto, o seu cabelo bagunçado, a mancha preta embaixo dos seus olhos proveniente da maquiagem não retirada da noite passada. “O que podia esperar?” se perguntou ao dar de ombros e mostrar duas passagens para ela. A viu piscar como se tentasse entender.

-Sou Yan, não lembra? – perguntou paciente para a situação em que se encontrava.

-Sotaque – murmurou novamente em voz alta fazendo-o revirar os olhos – Eu, não me lembro. Como nos conhecemos?

-A melhor noite de sua vida lhe diz algo? – perguntou charmoso ao sorrir levemente. Melissa olhou abismada para o belo espécime a sua frente. Abismada por não se lembrar dele e ainda mais abismada por não se recordar dele.

-Como alguém esqueceria.. alguém como você? – se perguntou ao murmurou fazendo com que Yan tossisse levemente – Me desculpe, falei alto?

-Precisamente, Melissa – concordou sério – Vai me convidar para entrar ou teremos esta conversa no corredor? – perguntou incomodado com uma mulher que abrira a porta e olhava para eles.

-Claro, me perdoe. A minha cabeça continua girando e girando.. – disse ao dar espaço para ele passar. A expressão na face de Yan ao entrar no apartamento de Melissa não poderia descrever melhor o que pensava sobre o ambiente.

-Isto é um chiqueiro – Yan balbuciou ao chutar uma garrafa de cerveja. Olhou em sua volta e percebera o motivo dos negócios dela terem falido. – “Ela é totalmente desorganizada. E isso é eufemismo” pensou ao encará-la.

-Eu.. como nos conhecemos? – Melissa perguntou curiosa ao ir ate a cozinha, a qual era em estilo americano. Abriu um dos armários e sorriu ao encontrar uma xícara limpa, olhou na cafeteira – Meu dia de sorte – falou ao perceber que ainda tinha café.

-Sou Yan Andreti, nos conhecemos naquele bar – pronunciou a ultima palavra desgostoso consigo – Conversamos e..

-Tivemos..algo mais..intimo? você sabe.. – Melissa pronunciou vagamente ao levar a xícara aos lábios. Olhou para o homem a sua frente e quase sorriu com a expressão horrorizada dele – Isso deve ser um não, então qual o problema? Porque veio ate aqui?

-Me parece ser alguém muito controlada ou então é propicia a este tipo de..acidente ou seria proposta?

-Não sei a que esta se..referindo. – fez um sinal com a sua mão, enquanto foi ate o banheiro onde tomou a ultima aspirina. Retornou e o encontrou no mesmo lugar com as mãos encostadas em seu corpo – Então não é um ladrão ou um psicopata, certo? – o viu resmungar e assentir contrariado – Então sobre o que conversamos?

-Não se recorda de nada ou estais brincando comigo, senhorita?- indagou impaciente.

-Me perdoe – Melissa desculpe-se sem saber o motivo de fazer aquilo – quando bebo costumo esquecer o que faço. O que houve? – indagou novamente demonstrando uma paciência nada humana.

-Acho que seria coerente falar novamente – Yan tornou sério de uma forma que não costumava ser – Me prometeu viajar comigo e se passar por minha namorada e eu lhe darei o dinheiro que precisa para quitar as dividas de seu restaurante.

Melissa pousou a xícara que estava em suas mãos no balcão próximo de si. Olhou para o homem tentando compreender o que ele havia falado. Piscou uma vez, e mais outra ate ter percebido ter se passado um minuto.

-Está me dizendo que irá me pagar para que eu vá para cama com você? – perguntou calma tentando não transparecer a revolta que sentia tanto consigo quanto com o homem a sua frente – Olhe, você é um homem bonito, mas não acho que precise disso. Pagar alguém para ir pra cama com você. Vamos fazer assim, eu fingirei que nunca escutei isto e você.. bem..continua a fazer isso.

Yan suspirou enquanto contava de 1 ate 20. Ele já tinha escutado que esta técnica conseguia apaziguar nervosismo, mas percebeu ser mentirosa quando se viu caminhando ate onde Melissa estava e parar em sua frente com uma expressão nada amigável.

-Acha que eu preciso pagar a alguém? – falou ao ranger os dentes ao ver o olhar temeroso dela – eu não sou assim. Eu vim ate aqui, pois me prometeu e irá cumprir afinal dar a sua palavra é o bastante.

-Eu...não me lembro – murmurou hipnotizada pelo olhar dele.

-Mas eu me recordo de tudo – resmungou.

-Eu... porque eu? – indagou confusa – Quero dizer, poderia fazer como nos filmes e simplesmente pedir ajuda a sua amiga ou...

-Porque VOCÊ tornou isso impossível.

-Eu?

-Sim quando me agarrou em frente a um dos meus primos.

Melissa pela primeira vez percebeu que algo havia saído de controle.

-Exatamente como a três anos atrás – murmurou ao engolir em seco – Em que fui me meter desta vez? – se perguntou quase em desespero ao ver a expressão nada amigável de Yan – Eu...te agarrei? – perguntou apenas para ter certeza, pelo menos antes que pudesse entrar em pânico.

-Sim. Me agarrou, beijou meu pescoço, marcou seus lábios em meu colarinho e depois me beijou. E depois disso tudo, como se isto não fosse o bastante, gritou para que todos escutassem que era minha namorada. Isto não é o suficiente? – Melissa esboçou uma careta ao virar o rosto, levou a mão aos lábios e sentiu o desespero tomar conta de si.

-Bem..eu estava bêbada – tentou se explicar sem jeito – pessoas bêbadas...cometem erros.

-Eu iria relevar se o meu primo, o mais fofoqueiro da família, não estivesse lá e fizesse questão de avisar a todos sobre a nova noticia.

-E... o que eu tenho com isso? – perguntou ao pensar em inúmeras possibilidades de sair daquela situação.

-Não teria nada se não houvesse... gravado tudo – Yan tornou com um sorriso divertido na face ao tirar um aparelho celular de seu bolso, digitar uma senha e em seguida mostrar para ela um vídeo. Melissa olhou horrorizada para o vídeo a sua frente. Ela encontrava-se abraçada a ele ao mesmo tempo em que beijava o seu rosto e ria. – Eu.. prometo.. o que mesmo? Ah sim, sair com este cara, fingir na verdade, e ele.. o que você fara em troca mesmo? Ahh sim.. pagar as dividas do restauranteeee – gritou a ultima parte.

-Isso de alguma forma.. é uma prova, mas nada disse tem..lógica. Eu não farei isso, é ridículo.

-Não mais ridículo do que foi naquela noite – rebateu ao guardar o aparelho.

-Não irei, está bem? Não sei por que o deixei entrar. É melhor ir embora – falou séria ao se afastar dele.

-Então ficará bem se perder o restaurante de sua família? – Yan indagou diante do que ela lhe informara na noite anterior. A viu hesitar antes de apontar para a porta, ele assentiu e se dirigiu para a porta – A única culpada será você por destruir as lembranças dele – falou antes de sair. Melissa olhou para um retrato que estava a poucos centímetros de si, e sorriu levemente ao ver a imagem de seus pais – Droga! – xingou ao correr para a porta – YAN – gritou –EU ACEITO.

-Estou do seu lado – ele murmurou próximo ao ouvido dela lhe assustando. Ele sempre esteve parado, encostado na parede a espera dela.

-Como sabia..que eu iria aceitar?

-As pessoas tendem a fazer coisas ilógicas para proteger algumas coisas preciosas – argumentou ao lhe estender uma passagem aérea.