O Grego Procura..

2 Uma decisão não é nada ate se ter um bom motivo


Notas iniciais
Espero que gostem desse capitulo, apesar de não achá-lo tão legal quanto o primeiro rssrs

Melissa olhou pela janela ficando aliviada ao ver Yan entrar em um carro e afastar-se rapidamente de seu apartamento. Ela voltou a sua atenção para a passagem aérea em sua mão ainda perplexa consigo.

–Eu fiz isso tudo mesmo? – se perguntou ao sentir a cabeça latejar. Pensou por alguns segundos ate se recordar de sua amiga. Correu em busca do telefone sem fio, encontrando-o na cozinha, em cima da geladeira. Discou os números e logo escutou uma voz rouca – Já vi que bebeu demais – Melissa tornou sorrindo. – Sim, sou eu. Me diga July, o que aconteceu ontem?

–Não se lembra mesmo hein? Acho um desperdício ainda mais porque você agarrou um dos homens mais lindos daquela boate – falou sorrindo.

–Eu o agarrei mesmo?

–Sim, e foi apresentada a um membro da família dele, se não estou enganada. Subiu em cima do balcão e já estava prestes a fazer um strip tease quando o bonitão que você pegou a tirou de lá. Ele te levou para a área VIP e quando fui..encontrá-la. Vocês estavam se agarrando.

–Como posso não lembrar de nada?

–Isso já é normal vindo de você – sorriu ainda mais antes de lembrar-se de algo – Você também me falou algo sobre...conseguir o dinheiro pro restaurante, mas não me recordo os detalhes.

–Isso é suficiente – Melissa murmurou tristemente antes de desligar. – A única noite em que fugi do controle depois de três anos.. fiz tudo o que não deveria ter feito. Ah, que azar – murmurou ao bagunçar o cabelo com as mãos.

***
Yan estacionou o seu carro em frente ao autodramo. Ele odiava recordar-se daquela noite, mas pegou-se sorrindo ao se lembrar dos beijos e caricias trocado com a sua namorada. Acenou para algumas mulheres que gritavam o seu nome da arquibancada e caminhou ate o homem que lhe sorria. O seu agente possuía cinquenta anos, mas dizia a todos que estava com trinta e oito. Seus cabelos brancos eram constantemente pintados, e o seu estilo de se vestir era um dos piores que Yan já tinha visto.

–Irá para a Grécia esse final de semana? – o seu agente indagou curioso por imaginar os problemas que teria quando Yan regressasse. – Quando irá voltar? Preciso deixar tudo pronto.

–Tudo o que?

–Ora, Deixar os repórteres longe quando voltar, afinal sei que vai criar confusão, como sempre faz.

–Não faço isso – murmurou fazendo uma careta.

–Não? Após os encontros com a sua família sempre bebe, arruma confusão em algum lugar e eu tenho que ir limpar, afinal sou o seu agente.

–Meu agente? Você vive da minha imagem. O dinheiro que consegue é por minha causa, então nada mais justo que limpar a minha sujeira, certo? – sorriu ao dar as costas ao seu agente e seguir para o vestuário. Yan não queria admitir mesmo sabendo ser verdade. Todas as vezes em que encontrava a sua família acabava parando no hospital ou sendo preso. –Talvez essa vez seja diferente – se pegou dizendo, mas ao recordar-se de sua “namorada”, meneou a cabeça – será o mesmo de sempre – percebeu ao se despir e ir para o chuveiro. A água caiu pelo seu corpo fazendo estremecer ao perceber o quão gelada a água estava. Sua mente começou a ser invadida pelas lembranças de sua infância e logo percebeu o quão desgastante seria passar por tudo aquilo novamente. Recordou-se da frieza de seus irmãos e da implicância de sua família com seus relacionamentos. – Será um final de semana assustador – percebeu ao sorrir.

***
Melissa olhou com preguiça para a bagunça que o seu apartamento se encontrava. Ela não conseguia se lembrar de como tudo aquilo havia se tornando uma confusão, e muito menos sobre Yan, o homem misterioso que havia ido a sua casa. Assim que Yan saiu de seu apartamento, jogou-se no sofá e após alguns cochilos optou por tomar uma ducha gelada, que esperava melhorar a sua ressaca física, pois a ressaca moral demoraria para ser curado.

–Talvez eu devesse procurar ajuda – Melissa disse a si mesma séria – Deve ter grupos de apoio a pessoas como eu, não é? O que estou pensando? Basta não beber assim novamente – falou séria sorrindo em seguida ao perceber que seria impossível. Recordou-se dos olhos de Yan e uma sensação estranha passou pelo seu corpo – Eu não me lembro, mas o meu corpo se lembra? Patético. Estou realmente perdida – percebeu ao sair do banho. Enrolou-se na toalha e caminhou pelo quarto molhando o chão, sem importar-se. Seus cabelos encharcados fizeram com que uma careta surgisse ao parar em frente ao espelho. –Talvez devesse pintar o cabelo? – meneou a cabeça negando a ideia. Retirou a toalha evitando se olhar no espelho, vestiu-se confortavelmente com a sua calça de moletom e uma blusa surrada branca. Ligou o som, colocando uma musica agitada e logo começou a arrumar o seu apartamento. Passou mais de uma hora, e uma coleção de musica de rock, para conseguir terminar de arrumar tudo. Assim que acabou se viu sentada no chão envolta de saco de lixo. Levantou-se após respirar fundo, e foi para o quarto onde se jogou na cama e rezou para que dormisse e só acordasse dali a um mês.

***
A semana passou mais rápido do que Melissa desejava e quando se deu conta já era sexta-feira, um dia antes da viagem. Ela ainda sonhava com o momento em que ele lhe diria que tudo não havia passado de alguma brincadeira. Apesar de ter necessidade em abrir o restaurante naquela semana, não conseguiu. Sua cabeça ainda estava confusa pela confusão em que havia se metido e ao se deparar com a sua amiga, July, em frente a sua porta pela tarde, não a ajudou em nada. July era a única amiga que Melissa possuía. Possuía trinta anos, cabelos negros e rosto sereno, o que contrastava com a sua personalidade.

–Imagino que veio jantar – Melissa falou ao esboçar um sorriso cansado ao ver July entrar na casa sem cerimônia.

–Eu jantei antes de vir – July disse séria – mas vim falar sobre outra coisa.

–O que? – Melissa perguntou ao se jogar no sofá exibindo as olheiras e os cabelos despenteados.

–Você é uma mulher bem desajeitada, sabia?

–Sim – assentiu ao fechar os olhos – se vai ficar muito tempo, basta trancar a porta quando sair – July largou a bolsa e no chão e parou ao lado de Melissa com o olhar sombrio.

–Levante – July a advertiu antes de começar a bater nela fazendo-a cair do sofá em uma tentativa de se proteger.

–Você deveria ser minha amiga – se lamuriou ao afastar-se de July – qual o seu problema?

–O meu problema é você. Como posso ser amiga de uma pessoa assim?

–Me pergunto isso todos os dias – argumentou ao encará-la de cima a baixo fazendo uma careta.

–Não vai me contar o que houve? O restaurante ficou fechado a semana toda. Como espera conseguir dinheiro para quitar as dividas? Acha que cairá do céu?

–Já caiu.

–Como?

–Se lembra do homem do bar? — a viu assentir curiosa – ele me ofereceu dinheiro.

–Agora vai virar prostituta? Sei que está desesperada, mas tem um limite para tudo. Primeiro vamos vender alguns órgãos seus e se não der dinheiro podemos ir para a prostituição. Ou prefere contrabandear drogas primeiro?

–Que amiga é você? – fez uma careta ao se sentar no chão – Ele quer que eu seja sua falsa namorada.

July a olhou demoradamente por longos minutos tentando compreender o que havia escutado.

–Está me dizendo que aquele Deus não tem namorada? E que ainda pediu para que fosse sua falsa namorada, e vai lhe pagar por isso?

–Absurdo, não é? – perguntou incerta ao olhar para o nada – eu sei que faço loucuras quando bebo e o exemplo perfeito foi o que aconteceu a três anos, mas isso é demais, certo?

–Sim – concordou pensativa – mas, porque não faz isso?

–O que?

–Fingir ser a namorada dele.

–Eu não sou uma loira burra, eu assisto filmes, sei como acaba.

–Não esta exagerando Mell?

–Não – negou carrancuda.

–Vamos, poderá ser divertido. Para quando ele quer o grande show?

–Amanhã.

–Aonde?

–Grécia – falou sorrindo ao ver o olhar de espanto de sua amiga – sim, ele quer me levar para o outro lado do mundo.

–Outro lado do mundo? – olhou para ela incrédula – não pode estar falando sério?

–Sobre o que?

–Melissa, o que é mais importante para você: vender o seu corpo para um homem maravilhoso, ganhar uma viagem e pagar as dividas do restaurante ou ficar aqui sentada se lamentando?

–Porque ele ficou com a parte mais atrativa? – questionou pensativa ao se recordar dos olhos dele – ele parece um sonho, não é?

–Sonho? Sim, me pareceu um sonho bem erótico – sorriu ao ver a careta que Melissa trazia no rosto. – Ele pode pagar por toda a divida? – questionou séria tomando o seu papel como mulher de negócios, que não era.

–Eu não faço ideia – disse sincera ao bagunçar ainda mais os cabelos com as mãos.

–Tem algum contato dele? – a viu negar e suspirou em seguida – então como sabe que tudo isso não passa de uma brincadeira?

–Aquela passagem – indicou a passagem depositada em cima de mesa. Viu July ir ate ela, e a olhar com perplexidade.

–É primeira classe.

–Eu sei – murmurou ao encará-la – se ele for um maníaco?

–A única maníaca é você, afinal foi a única que agarrou ele. Acho que o assediou também.

–Eu estava bêbada.

–Como á três anos, eu sei.

–Eu me arrependo do que aconteceu a três anos e tenho certeza que vou me arrepender também dessa vez.

–Eu sei disso, mas o restaurante é.. tudo o que você tem – falou gentil ao vê-la bufar em resposta.

–Eu sei.

–O que fará? Mas antes de tomar uma decisão precisamos descobrir quem é ele. Ele lhe disse o seu nome?

–Yan Andreti – disse ao observar uma sonoridade em seu nome – o nome dele é bem legal. Sensual até.

–Esse nome..é familiar – murmurou pensativa ate ir a uma revista jogada no chão, e sorrir – Ele é um piloto profissional.

Melissa ergueu-se do chão rapidamente, agarrou a revista e olhou incrédula para a foto dele. Ficou admirando durante alguns minutos ate rir de forma escandalosa.

–Quem diria que minha bebedeira faria algo bom por mim.

–Então irá?

–É claro, sei que ele terá o dinheiro para me pagar. O que de errado pode acontecer? – perguntou decidida ao colocar a revista de lado e ir para o seu quarto arrumar a mala.