Apesar de estar finalmente a frente de Kha-tús-chi um dos 3 lordesda morte, aquele que é descrito por pessoas como o mais horrendo humano que já pisou na terra, que nas grandes guerras ergueu centenas de corpos mortos para lutar, que abdicou a humanidade a quase 30 anos atrás e que desde então é considerado como um demônio o medo que eu sentira ao chegar perto dele não era tão grande quão olhar para seu covil, que de certa forma há de espantar os mais corajosos aventureiros. Era uma caverna, havia cadáveres mutilados ao redor da entrada e o cheiro de sangue chegava a incomodar meu olfato, dava pra perceber que algumas das cabeças tinham acabado de ser cortadas, muitas delas enfiadas em estacas ou penduras em arvores. Mas aqui dentro era tudo tão limpo, chegava a ser estranho. Parece que eram mais do que reais seus boatos sobre necromancia. Seu nome chegava aos quatro cantos do continente de Theris, mas as únicas coisas que podiam ser ouvidas sobre ele é que os poucos que conseguiram fugir dele, hoje são considerados como loucos. Mas o meu interesse era sobre outro boato, algumas poucas pessoas diziam que ele podia trazer os mortos de volta a vida. Lidar com Kha-tús-chi talvez não seja uma das coisas mais fáceis de arriscar-se a tentar, mas se tratava de uma chance de reviver meu irmão, Telfghar.

–Realmente não achei que fosse conseguir chegar tão longe Reyland, há anos que ninguém tem a ousadia de entrar aqui, todos ficam tremendo de medo só de olhar pra minha bela e humilde casa, os boatos sobre você querer tanto me ver se provaram reais. – Dizia Kha-tús-chi, contente em me ver em seus aposentos. Os olhos dele brilhavam, mas não era um brilho qualquer, era como ver a morte em seus olhos.

– pois então, aqui estou e quero um contrato. Eu tenho algo que você quer. – Eu dizia enquanto tirava da bolsa um cálice e um pequeno frasco, mas ao certo nem tinha certeza se ele realmente iria querer o cálice, boatos diziam que ele procurava isso a anos. Provavelmente ele deve ter percebido meu medo,estava estampado na minha cara, mas me esforçava ao maximo para não demonstrar. – Tenho certeza que você vem buscando isso a muito tempo. – Completei sem se quer piscar um dos olhos, não dava para parar de prestar atenção em cada um dos gestos estranhos que ele fazia.

–Isso não seria um dos Cálices dos Anciões? – Perguntava Kha-tús-chi surpreso. Dava pra perceber que ele havia até mesmo ficado feliz, ele parecia bem interessado no Cálice. – Sim, sim, vejo que é um deles, mas o que lhe faz pensar que aceitaria um contrato por causa dele se posso te matar agora mesmo e pegá-lo? – Completava Kha-tús-chi enquanto começava a andar lentamente em minha direção.

–E o que lhe faz pensar que eu viria despreparado Khatús? Não de mais um passo a frente ou o ‘Cálice da Vida’ deixara de existir, tenho em mãos um pouco de acido élfico. – Foi a coisa mais rápida que consegui pensar em dizer e o melhor de tudo é que havia funcionado.

– Acido élfico? – Dizia kha-tús-chi, pensativo. – Onde você conseguiu isso? Não, não me diga que roubou dos elfos das montanhas? Você não conseguiria, é um reles humano.

– Exato!! Eu roubei deles e é a única coisa no mundo capaz de destruir o Cálice. — Falei em quanto começava a abrir o frasco. não havia muita escolha, tinha que pressiona-lo para que não agisse, se ele fizesse uma ação hostil provavelmente eu não sairia vivo daqui.

– Tudo bem, já entendi, você quer um contrato não é? – Perguntava Kha-tús-chi enquanto retirava um pergaminho da manga de suas vestes e se dirigia a uma mesa ao canto para pegar uma pena e um pouco de tinta. – Tudo bem e o que você quer em troca do cálice da vida?

– Quero a vida do meu irmão de volta, nada me interessa mais do que isso. – Foi o que disse sem nem ao menos pensar duas vezes.

– Ohh humanos, malditos humanos que não aceitam a morte. Qual o problema de vocês? Se julgam a espécie perfeita mas não tem coragem de aceitar a morte. – Disse Kha-tús-chi enquanto escrevia algo no pergaminho de contrato. – Eu odeio vocês, vocês são uma desgraça para o mundo.

– E quanto a você? Quebrou todos os tabus, aprendeu a arte proibida da necromancia, brinca com vidas e tem que viver aqui, longe de tudo e se alimentando daqueles que um dia você já foi. – Foram as únicas palavras que eu consegui proferir.

– Hahahaha!! tolo não me compare a um humano, todos que fizeram isso sofrem eternamente, hoje eu faço de marionete cada um desses malditos e um dia você vai ser meu também... aqui está o maldito contrato, já está assinado por mim, vamos rápido com isso. – Dizia Kha-tus-chi enquanto jogava o pergaminho para min. – É uma pena saber que você talvez saia vivo daqui por causa deste maldito contrato, mas você vai ser meu...

– Pronto, está assinado... – Eu disse alguns segundos depois de ler o pergaminho, o contrato era de espantar. Se eu morre-se eu seria mais um de seus fantoches e serviria a ele pra sempre, e o Cálice seria dele . Eu teria que derrotar meu próprio irmão, afinal no contrato dizia que quem matou a pessoa em vida teria que derrota-lá na morte, ter que ‘’matar’’ meu irmão mais uma vez para telo vivo me deixava um pouco receoso, mas tinha que ser feito.

Alguns preparativos foram feitos e logo depois um corpo surgiu de um dos círculos desenhado por Kha-tús-chi. Segundo ele aquele homem a minha frente era meu irmão, mas ele estava a usar uma armadura e um elmo. Kha-tús-chi disse que não me mostraria o rosto de meu irmão, ele era fiel com seus contratos e queria que eu desse meu máximo, quase não acreditei nas palavras dele. Realmente, lutar vendo o rosto do meu irmão não me faria dar tudo de min.

Acordar algumas horas depois foi um alivio, poder respirar e ver alguns poucos feixes de luz que entravam por uma rachadura que havia no teto de onde eu estava, mas... Havia algo estranho, de certa forma o ar não era mais o mesmo e pouco que eu conseguia enxergar me mostrara uma porta. Com um andar tão lento parecia que levaria horas para chegar a porta. Ao chegar e abri-la pude ver uma silhueta. Era Telfghar, tenho certeza.

– Irmão!!? – Eu gritei com o pouco de força que ainda me sobrava. – Telfghar? Você pode me... – Minha voz não saia mais, parecia haver algo na minha garganta me impedindo de falar. Logo percebi um estranho gosto de sangue.

Apenas aguentava me manter em pé, nem um passo a mais. Demorei quase uns 20 segundos para perceber que ao lado de Telfghar estava Kha-tús-chi morto no chão e o cálice ao lado que aos poucos ia se transformando em pó. Também me dei conta que não havia como eu estar vivo, eu havia sido mutilado pelo meu irmão, fui me lembrando aos poucos o que acontecera logo após ter visto ele a minha frente, nós tivemos uma luta bem equilibrada, mas por um descuido eu acabei tropeçando em uma pedra e isso foi o suficiente para ele cravar a espada no meu peito. Após lembrar-se disso meu peito começou a doer e realmente havia um enorme buraco. Não aguentei mais muito tempo em pé e apaguei.

– Reyland, Reyland... Responda Reyland. – Era uma voz familiar que dizia meu nome, tenho certeza que era a voz de Telfghar, mas abrir os olhos na condição que eu estava era uma tarefa muito difícil.

– É você não é Telfghar? – Apesar da dificuldade e da dor pra falar havia muito tempo que não me sentia tão confortável, fazia toda a força para abrir meus olhos e conseguir fazer isso foi quase um arrependimento.

– Sim irmão sou eu – A voz com certeza era de Telfghar, mas o rosto pálido e seco, os cabelos brancos e suas mãos secas me deixaram assustado por alguns instantes. Sei que havia lutado contra ele há pouco tempo atrás mas antes ele estava usando um elmo e armadura. – O que foi irmão, você está bem? Há algo de errado? – A preocupação dele foi o suficiente para eu ter a certeza absoluta de que era Telfghar.

– Estou bem, não, não há nada de errado. – Menti para não oh deixar preocupado. Será que ele sabe como sua aparência está?

Notas finais
''Contratos'' no mundo fictício de Azenedi são feitos a partir de duas pessoas ou mais. São sempre feitos em pergaminhos mágicos muito raros de se encontrar. As regras do contrato são descritas pelos propiás pessoas que o fazem. Mas há algumas regras obrigatórias em todos os contratos como por exemplo:- As pessoas que fazem o contrato não conseguem ferir, tocar e/ou acertar algo em outra pessoa num prazo de 2 dias, as duas pessoas se tornam intocáveis em relação a outra.- Durante os próximos 30 segundos se tornarão aptos a atravessar objetos e pessoas assim impedindo qualquer emboscada contra qualquer uma das 2 pessoas.- Qualquer outra regra escrita no pergaminho estará valendo. exceto regras que quebrem as regras acima. Só assine se concordar.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.