Pov Percy

Chegamos em Washington rapidamente, comigo e Zoe intercalando a direção da van e Annabeth, Max e Thalia discutindo algumas coisas. Parei em uma rua não muito movimentada, e saímos rapidamente da van. Annabeth falou alguma coisa sobre irmos a uns prédios próximo ao shopping comermos algo. Comecei a segui-los um pouco mais atrás. Mas então congelei.

Uma quadra depois, a porta de um sedan preto se abriu. Um homem de cabelo cinza e corte militar saiu. Ele estava usando óculos escuros e um sobretudo preto. Esse mesmo carro eu já havia visto várias vezes na rodovia, nos seguindo.

O sujeito pegou o celular e falou alguma coisa nele. Então ele olhou e volta, se assegurando, e começou a andar na mesma direção que nós. Quando ele se virou, reconheci seu rosto. Era o Dr. Espinheiro, o manticore que minha irmã tinha enfiado uma flecha no peito. Meu extinto de caçador falou muito alto, fazendo meu corpo já produzir adrenalina, para uma possível batalha.

Dei uma desculpa esfarrapada para os outros e falei para ficarem juntos que já os encontrava, eles não entenderam nada, mas também não questionara, e me pus a segui-lo à distância. Andei poucos passos até notar que estava sendo seguido.

—Eu falei para ficar com os outros – eu disse sem olhar para trás. Sabia quem era, a única pessoa que não tinha assentido quando eu falei para ficarem juntos.

—Você não manda em mim – disse Thalia petulante se colocando ao meu lado. Revirei os olhos e deixei quieto.

—O que você está procurando? – perguntou.

—Algo – respondi evasivo, recebendo um olhar raivoso dela em troca. Perguntei-me, não pela primeira vez, se essa era a maneira que os deuses me punirem: tirando Dora de mim e colocando uma garota dez vezes pior, a qual, ainda por cima, eu nem sequer podia jogar de um penhasco sem me preocupar, já que diferente de Dora, Thalia não era imortal.

—Tipo? – era engraçado vê-la contendo a raiva.

—Alguém – quando ela me encarou completei, de mal gosto – O Dr. Espinheiro, ele estava nos seguindo em um sedan preto.

—Por que não nos avisou? – Ela gritou isso no meio da rua, olhei-a com meu olhar 53 e ela se acalmou, baixando a cabeça.

—Porque eu queria ver até onde ele vai – respondi. – E seguindo-o agora eu acredito que vamos saber mais sobre com o que estamos lidando. –Ela ficou quieta depois disso.

Espinheiro manteve distância dos outros, tomando cuidado para não ser visto. Finalmente, Annabeth parou na frente de um grande prédio que dizia MUSEU NACIONAL DO AR E ESPAÇO. Parei ao ver a hesitação do monstro e Thalia ao meu lado fez o mesmo.

O manticore não entrou no museu. Ele virou e partiu através do shopping. Fiz sinal com a cabeça para Thalia e seguimos o monstro. Espinheiro atravessou a rua e andou por umas três quadras, parando em frente a um galpão industrial abandonado. Dois guardas mortais estavam na porta da frente e abriram a porta para Espinheiro passar. Fiz um sinal para Thalia e demos a volta na quadra, ficando longe das vistas dos guardas.

Dando a volta na quadra nos pechamos com um beco sem saída, quase sai em disparada para achar algum lugar para entrar quando vi, pelo canto do olho, uma janela alta e quebrada do galpão. Sorri.

Aproximei-me de um container de lixo, empurrando-o o mais silenciosamente que eu conseguia, Thalia me olhou em dúvida até eu apontar para cima, vendo o mesmo que eu vi ela começou a me ajudar. Estando o lixo sob a janela, subi ali, ajudando Thalia logo em seguida. Como a janela era bem alta, ambos estávamos na ponta dos pés, eu tinha uma vista boa, já Thalia ao meu lado por ser mais baixa que eu, enxergava só a metade do galpão.

Dentro do galpão havia algumas maquinas empoeiradas nos canto, mas o centro era o que mais se destacava. Diferentemente do resto, ali se encontrava bem limpo e a iluminação era boa. Pelo menos uma dúzia de guardas mortais se encontravam no local, mais duas mulheres cobras ou dracaenaes da Citia. Em pé entre as mulheres cobras havia um rapaz loiro com os cabelos quase cinza, ele devia ter a minha idade aparente e a minha altura, os olhos era de um azul fosco e continha uma raiva efêmera nos mesmos, a pele era pálida e uma cicatriz vermelha e feia estava presente ao lado de seu rosto.

Eu não fui o único a nota-lo, já que Thalia ao meu lado soltou um arquejo, o som seria mais alto se eu não tivesse tampado sua boca a tempo, a repreendi e ela me encarou arrependida. Tirei lentamente minha mão de sua boca e me virei novamente para a janela, com o braço mais próximo dela desta vez, temendo que ela tivesse outra reação estranha.

Ao lado do cara loiro e estranho, que Thalia parecia conhecer, sentado de forma que as sombras o ocultassem, estava outro homem. Tudo o que eu conseguia ver eram os nós de seus dedos nos braços dourados da cadeira, como um trono.

—Bem? – perguntou o homem na cadeira. Sua voz era ácida, profunda e grave, preenchia toda a sala, como um eco, mesmo que ele não estivesse gritando. Eu reconhecia esse tom de voz, era o mesmo que eu usava.

Dr. Espinheiro tirou os óculos escuros. Seus olhos de duas cores, castanho e azul, brilhavam de excitação. Ele fez uma mesura rígida, então falou com seu estranho sotaque.

—Eles estão aqui, General – um arrepio se fez presente em minha coluna, esperava muito que não fosse quem eu estava pensando.

—Eu sei disso, seu tolo – rosnou o homem. – Mas onde?

—No museu dos foguetes.

—O Museu do Ar e Espaço – corrigiu irritado o loirinho.

—Como quiser, senhor – a palavra ‘senhor’ saiu engasgada dos lábios do manticore, pelo visto o loiro, quem quer que fosse, ainda era um novato, um novato que tinha seus inimigos.

—Quantos? – perguntou o loiro.

Espinheiro fingiu não escutar.

—Quantos? – exigiu o General.

—Cinco, General – Espinheiro disse. – Uma garota com cabelo preto espetado e roupas... punks? E um escudo horrível.

—Thalia – disse o loiro e eu senti a filha de Zeus no meu lado se retesar.

—Duas caçadoras, uma usa uma tiara prateada.

—Essa eu conheço –rosnou o General. Com essa frase conclui minhas suspeitas.

—Há dois garotos também – disse Espinheiro quebrando o silencio que se estendeu depois da frase do General. – Ambos filhos do mar.

—Quando eu saí só havia um – disse o loiro olhando para Espinheiro com desconfiança. –Maxwell.

—O outro chegou há poucos dias – revidou o manticore – Ele e uma outra garota apareceram em minha última missão, atrapalhando-a.

—Claro, dois semideuses desconhecidos conseguiram o derrubar – o garoto provocou, Espinheiro parecia a ponto de revidar quando um guarda entrou as pressas no recinto.

—Meu Senhor – o homem se curvou perante o General – trago o que me pediu.

—Então plante-os – pela primeira vez o General parecia alegre com algo, não gostei nenhum pouquinho disso.

No centro da sala havia um grande círculo de terra, onde acho que uma exposição de dinossauros devia estar. Olhei nervosamente enquanto o guarda tirava dentes brancos afiados de dentro do pote e os enterrava no solo. Ele bateu a terra por cima deles enquanto o General sorria friamente. O guarda deu um passo para longe da sujeira e limpou as mãos.

O guarda pegou um pequeno regador de metal com margaridas pintadas nele, o que era meio bizarro, porque o que ele derramou não era água. Era um líquido vermelho escuro

— Dentes de dinossauro — rá! Esses tolos mortais nem ao menos sabem quando possuem dentes de dragão. E não é qualquer dente de dragão. Estes vêm da própria antiga Síbaris! Devem servir muito bem. – o General se levantou, mas ainda não se podia ver seu rosto.

—Ergam-se!

A lama tremeu. Uma única, esquelética mão surgiu da terra, agarrando o ar. O General olhou para a sacada.

— Rápido, você tem o aroma?

— Ssssssim, lorde – uma das mulheres cobra falou. Ela pegou uma faixa de tecido prateado, do tipo que as Caçadoras usavam.

— Excelente – o General disse. – Uma vez que meus guerreiros captem esse aroma, eles vão perseguir seu dono sem descanso. Nada pode pará-los, nenhuma arma conhecida por meio-sangue ou Caçadora. Eles vão dilacerar as Caçadoras e seus aliados em pedaços. Jogue para cá!

Assim que ele falou isso, esqueletos emergiram do solo. Havia doze deles, um para cada dente que o guarda tinha plantado. Não eram nada parecidos com os esqueletos de Halloween, ou do tipo que se vê em filmes extravagantes. Estes estavam criando carne enquanto eu assistia, tornando-se homens, mas homens com pele cinza desbotada, olhos amarelos e roupas modernas – camisas cinza apertadas, calças de exército e botas de combate. Se você não olhasse bem de perto, quase podia acreditar que eram humanos, mas sua carne era transparente e seus ossos cintilavam por debaixo, como imagens de raio X.

A dracaenae soltou o lenço e ele flutuou para baixo em direção ao General. Assim que eles o entregasse aos guerreiros, eles iriam caçar Zoe até que ela fosse extinta. Antes que eu pudesse pensar em algo, o lenço estava na mão do General e depois na mão de um esqueleto. Ele farejou o lenço, passando-o para os outros e ficaram todos em posição de sentido.

—Vão! – rugiu o General.

Os esqueletos saíram porta a fora lentamente, Thalia ao meu lado se empertigou pronta para impedi-los. A segurei pelo braço, ela não teria a mínima chance contra eles.

—Já vamos avisar Zoe, espere um pouco – cochichei em seu ouvido, vendo-a se acalmar. Eu tinha a impressão que o que veríamos agora seria importante.

—Espinheiro! – rugiu o loiro ao ver o manticore se afastar. – Você não nos disse quem era o quinto semideus.

—Sim, senhor – o manticore parecia querer sair correndo dali – era um rapaz de cabelos negros e olhos verdes. O nome era... Peter... não era esse. Percie ou algo assim.

—Perseu? — falou o General e o Espinheiro assentiu. O homem se levantou com uma gargalhada sonora e assustadora. Vi Thalia me olhar de relance. O homem andou um passo e pela primeira vez pudemos o ver.

Ele era alto e musculoso, com pele morena clara e cabelo escuro engomado para trás. Vestia um caro terno de seda marrom como os rapazes da Wall Street usam, mas você nunca confundiria esse homem com um corretor. Ele tinha um rosto bruto, ombros largos, e mãos que podiam quebrar um poste ao meio. Seus olhos eram como pedra.

— Que pena, meus soldados não vão durar tanto quanto eu pensei – ele falou com ironia, mas seus olhos crisparam com raiva.

—Então deixe-me impedi-los – disse o loiro dando um passo à frente.

— Paciência – o General disse. – Eles já vão estar de mãos cheias. Enviei um coleguinha para mantê-los ocupados.

— Mas...

— Nós não podemos arriscar você, meu garoto.

— Sim, garoto – Dr. Espinheiro disse com um sorriso cruel. – Você é frágil demais para correr o risco.

—Meu exército é muito bem treinado, podemos acabar com três semideuses e duas caçadoras. – disse o garoto irritado.

—Eu não duvido disso – falou o líder friamente – porém com Perseu entre eles tudo muda. –Dr. Espinheiro saiu de fininho.

—Eu posso derrota-lo se o.... – o loiro começou mas foi impedido de terminar pela risada estranha do General, que andava de um lado para o outro em frente ao trono.

—Sua confiança em ser o melhor espadachim é admirável, Luke Castellan – falou o mesmo com a voz cortante. – Mas você não possui a mínima chance contra ele, seria como colocar um garotinho que nunca segurou uma espada contra um guerreiro. E posso lhe afirmar que: você seria o garotinho. – o garoto encarou o mais velho com raiva, e o mesmo o encarou-o com um olhar debochado.

—Não fique com raiva de mim, garoto – deu ênfase ao ‘garoto’ com a voz debochada – Perseu é meu, e eu irei lutar com ele, de General para General.

Um rugido alto se fez presente, fazendo Thalia se desequilibrar com o susto, consegui segurá-la pela cintura e por um momento nossos rosto ficaram colados e eu me perdi em seus olhos elétricos. Outro rugido nos fez voltar ao normal.

—E quando vocês se enfrentarem? – perguntou o loiro que eu descobri se chamar Luke.

—Será inimaginável – mais um rugido se fez presente e o General sorriu – Meu coleguinha chegou ao seu objetivo.

Eu e Thalia nos encaramos e rapidamente pulamos do container sem ligar para o barulho que aquilo iria fazer, e corremos em direção ao museu. Em meu interior havia uma única vontade, retirar aquele sorriso besta do General.