Notas iniciais
Olá! Espero que gostem desse casal. A personalidade deles não é tão conhecida, mas improvisei com o tempo de rps que tenho com os dois (principalmente o Ches). E pra quem não se lembra quem é o Edward, coloquei uma imagem dele, só pra lembrar mesmo. Enjoy!

... “Eu perseguia algo,

Mas também perdi o significado ao longo do caminho.

Gatos que se perderam ainda podem caminhar.”...

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... ... ... Edward ... ... ...

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Era mais uma época difícil começando. Espectros e mais espectros nascendo, dia após dia, em um intuito de manter a guarda do submundo. É sinal de que o Imperador está para levantar de seu sono profundo e iniciar mais uma guerra sangrenta por uma vingança, que pra muitos, também é considerada tola, já que não há mais nada a ser feito.

Sobrevoando as terras mais gélidas do Cocytus, consigo treinar minha resistência às temperaturas baixas e também a longos tempos no ar. Eu sou Edward de Sylph, Estrela Terrestre do Voo. Minha principal função é o combate em altitude e atrasar ao máximo os oponentes.

Já “ele”... Chega a ser patético como espectro em si, mas admiro pela inocência e sagacidade. Via-o do alto, correndo em círculos... Andando, na verdade, completamente sem norte em meio ao gelo cortante.

Observava-o quieto e abri um sorriso nostálgico ao me lembrar da última guerra, última encarnação. Céus! Imagino como o mesmo deve ter ficado... Como um gato perdido. Ele, que sempre “precisava” de alguém pra seguir, nem que fosse pra irritar.

— Ches! – chamei alto, ao ver que o mesmo continuaria andando em círculos por mais algumas horas e fazendo um buraco maior ainda na neve. Sobrevoei aquele lugar, vendo que o mesmo parecia não me ouvir e pousei rente a seu corpo, fazendo-o bater inúmeras vezes contra mim. – Hey gatinho, acorda! – chutei-lhe e o fiz cair de costas. De nada servia, ele ainda está acordando com a surplice.

Era mesmo de dar dó, já que ele, Cheshire, é o espectro de Cait Sidhe, na mitologia, uma fada irlandesa que costuma pregar peças. O pobre é ainda um menino, que se adéqua a uma armadura pequena e pelada em um lugar tão frio e perigoso... Porque todos sabem que ele não sabe atacar.

Agarrei o mesmo pela cintura, joguei em meus ombros e abri as asas, deixando o vento frio levar nossos corpos pra cima. Enfim, achei o “Gato Fada”.

... ... ... ... ...

Em uma casa improvisada no ruir de uma rocha, havia deixado Cheshire descansar para encher de perguntas depois. Não entendo como ele renasceu ali, se os rumores indicavam que o mesmo havia sobrevivido e seguido a vida com Lady Pandora, servindo a mesma.

Ouvi um espreguiçar demasiado longo e um ronronar baixo. Havia um sorriso se formando naquele rosto, algo que inicialmente era doce e se tornava aos poucos diabólico, com toque de sarcasmo.

— Nyah! Edward! – sentou-se em minha cama, observando-me dos pés à cabeça, enquanto seu miado fino se engrossava. – Nyah pah! Morri de velho. – comentou. – Você me deve alguma coisa, não? – riu.

— Tsc! À merda com sua dívida. Não apostei nada. – meu tom soou mal-humorado, mesmo que não estivesse. – Vá caçar teu rumo, Cheshire.

— Nah! Estou com preguiça. – aconchegou-se em minha cama, apossando-se como se fosse dele. Deitou-se novamente e observou o teto, como sempre. Era um dia fatídico e ainda podia ver seu corpo tendo espasmos pelo ajuste na surplice. – Onde e quando me achou, corvo?

— Eu quem faz as perguntas aqui, gato. – aproximei-me dele e puxei a cadeira pra perto da cama e foi quando o pequeno se cobriu até o pescoço. – Achei hoje cedo no Cocytus.

— Lá mesmo que morri. Vim morrer no submundo. – falou como se fosse algo a levar méritos, quando na verdade o menino não tinha nada a se orgulhar.

Afaguei os fios platinados do mesmo e o percebi ainda sendo o mesmo boboca de sempre, que ronrona com atos tão pequenos e se acalma com o afagar de cabelos. É mesmo como um gato. Só fica com quem lhe “serve” ou com quem cuida, mas Cheshire não é tão manso quanto é imaginável.

A Estrela Terrestre da Besta/Selvagem, é como o nome diz e quando sai do controle, é uma peste. O menino não para quieto, destrói tudo que encontra e tudo que for menor é devorado... Mas é difícil achar coisas menores que ele.

Puxei as cobertas ao ver a tremedeira que o mesmo arrumava e ri quando o vi tentando arrancar as peças metálicas que grudavam na pele.

— Não lute contra, ela sairá depois. – comentei.

— Nya! Tá coçando! Coçando! Coçando! As costas... – saltou da cama e começara a rolar de um lado pro outro no chão, como se pudesse fazer algum efeito.

Suspirei e o puxei pelos cabelos, dando uns chutes nas costas do mesmo até os cacos de gelo caírem e derreterem. Infantil? Claro que é, afinal é um garoto de treze anos, não entende direito nada da vida.

— De nada. – falei sério.

— Pois é. – afirmou e ele sabe o quanto isso é irritante. – Eu te avisei que iria morrer de velho. – olhou-me. – Por que não fez o mesmo? Custa correr um pouco?

— Correr é pros covardes... E eu não tenho culpa se você é um dos generais da Pandora. – comentei ríspido, não entendendo como a morena o designou pra essa função. – Você é covarde e fraco, um verdadeiro incapaz de matar uma mosca! Como você é o general dela?

— Não sei. Sou? – coçou a cabeça. Deixei o mesmo sentado na cama de novo e ele cruzou as pernas, fazendo uma borboleta. – Eu sou por quê? Não fiz nada e nem sei mandar.

— Todos dizem que sim, porque você vive atrás dela. Ou vai dizer que não é por isso? – cruzei os braços, esperando a resposta, que veio em forma de riso. – O que foi?

— Eu ando atrás dela porque ela me dá comida e não me deixa ser atacado. – riu. – Eu ando atrás dela porque não sou espectro de ataque, igual ao zelos que cuida do Radacelha-sama. – levou uma das mãos à boca. – Radamanthys-sama. – corrigiu-se.

— Você é um mercenário, sabia? – fiquei o encarando e ele apenas mostrou a língua e esticou uma das mãos para que eu tocasse. Inicialmente não entendi, mas quando encostei, pude sentir o cosmo que emitia. Era algo fraco e muito bom de sentir.

Ele estava implicando comigo minutos antes e agora está com essa “paixão” toda. Seus olhos esverdeados ganharam um tom mais ameno e do nada, absolutamente do nada, levantou-se da cama e veio pro meu colo, abraçando forte.

Foi então que tive a certeza de que havia algo que Cheshire não havia me contado ainda. Algo que só ele sabe e escondeu por muito tempo... Algo sobre mim... Melhor dizendo, algo que se lembrou de nós dois em outra vida.

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... “Aquele dia eu fiz um voto sob o céu noturno,

Mas guardei aqueles sentimentos em algum lugar ao longo do caminho.

A tristeza então,

Brilho através da minha felicidade com uma luz negra”...

Notas finais
Eu usei o termo "surplice" porque é o que é certo, eles falam "sapuris", mas também falam "Miro" e "Cheshera"... XD Uso Cait Sidhe, porque é uma fada felina irlandesa, não Cat Sidhe. Nesse caso, não sei se é o certo, mas Cait Sidhe faz mais sentido.