Notas iniciais
Último capítulo! Espero que tenham gostado.

“Eu estava apenas pretendendo sonhar.

A verdade é que eu não queria enfrentar o presente,
E queria que você atendesse esse sonho de uma pessoa como eu.”

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... ... ... Edward... ... ...

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E novamente era notório que seus atos não eram totalmente por maldade ou por teimosia, havia algo em seu olhar que dizia que havia coisas que não contara. Apenas confirmei com a cabeça e o segui até seus aposentos dentro do castelo.

O lugar por onde passamos era tenebroso e ainda assim, não era de assustar o felino, que não era tão covarde quanto pensei. De fato, crânios espalhados e um cheiro pútrido não são agradáveis, mas pareciam não incomodar Cheshire de maneira alguma.

Subimos a escadaria em espiral, até chegar em uma portinha com metade de meu tamanho, pequena até mesmo para o gato passar por ela, mas quando o fez, fiquei surpreso e mais ainda quando me puxou pelas pernas e me arrastou pra dentro, trancando-me com ele.

— Mas o que?! – abri os olhos, vendo algo que não esperava. – Essa é sua casa? Sério? – era quase tudo na vertical, em um cômodo tão pequeno, a ponto de caber nós dois por sermos espectros de porte médio e ele um espectro de porte mínimo.

Tudo era colocado em buracos nas paredes, visivelmente preparados em zig-zag, como se pudesse pular parte por parte daquele lugar. E quando ele se feria? Como conseguia escalar até a cama.

— Nyah! Qual a surpresa, Ed? Achou mesmo que minha casa era como?

— Não achei que fosse tão alta e cheia de detalhes. – olhava melhor e via que, apesar de tudo, era bem maior que a minha e havia uma janela bem no alto. Era uma subida quase vertiginosa. Senti aquelas mãos nas minhas de novo e olhei pra baixo, vendo o sorriso malicioso do mesmo, que quase dizia “venha me pegar, se puder”. – Não me desafie, Cheshire.

— Baka! Não consegue nem me pegar! – soltou-se de minhas mãos e começara a escalar a parede com uma agilidade incomum.

— Gato maldito. – murmurei enquanto tentava acompanhá-lo ou alcançá-lo no voo, mas era verdadeiramente impossível. Estreito? Não, havia espaço suficiente até para tentar alguma manobra, mas era alto e a temperatura aumentava até o pequeno ponto luminoso.

Minhas asas batiam freneticamente para acompanhar tamanha velocidade. Ele não estava tão cansado quanto demonstrara antes, ou talvez, eu tenha caído na ilusão de seu cosmo. Gato Fada, o que está fazendo com esse pobre Sílfo?

Via o fim daquilo tudo se aproximar e a janela enfim ser quebrada por ele, mas onde infernos está me levando? Aquele espectro desesperado por uma brincadeira boba...

O ar era tão morno que me espantei ao perceber que estava próximo ao telhado do castelo e quando enfim consegui vê-lo, acabei surpreso pelo imenso azul daquele céu, que se misturava a várias outras cores.

Ches parecia muito cansado, respirava tão rápido, que achei que o pequeno teria um ataque ou um enfarto. Provavelmente teve, mas somos imortais. Sentei-me ao lado e senti o vento que passava. Estamos no alto, pouco acima das nuvens e a visão definitivamente era incrível.

— Gostou? – perguntara cansado, ainda buscando ar, que nessa altura toda, ainda era mais difícil de conseguir.

— O céu dos humanos é muito bonito mesmo. Eu quase não me lembrava como era o anoitecer. – víamos as nuvens se tornarem laranjas e depois, olhei pra ele, que mesmo cansado, demonstrava um sorriso terno e os olhos brilhantes. – Como pôde subir assim só pra me mostrar isso?

— Nyah!... – respirou mais calmo, pausadamente. – Porque eu me lembro de passar com a carruagem por aqui para Hades-sama pintar o pôr-do-sol... O vermelho... Ele gostava do vermelho. – sorriu e olhou pra mim. – Você gosta de voar nos céus do submundo, mas não pode ir longe, por causa dos Kyotos, achei que gostaria de ter um céu só pra você.

Eu nunca havia entendido os motivos de Cheshire agir como era comigo, mas agora entendo que ele me observa melhor que qualquer outro. Afaguei seus cabelos e pude notar que os olhos dele têm um tom de verde muito bonito.

— Obrigado. – falei sincero e o vi erguer o corpo, ficando de joelhos. Quando fui falar algo a respeito daquela situação, senti seus lábios contra os meus suavemente, algo que beirava ao tímido.

Sorri com tal atitude e tomei seus lábios da “maneira certa”. Fiz sua boca se abrir levemente e explorei sua cavidade, algo que não passava muitos sentimentos de início pela inexperiência, mas logo senti que havia ali alguma coisa que impedia que o mesmo fosse aquele Ches da encarnação passada.

Quando cessei o contato com seus lábios, senti que ainda queria mais. Meu rosto estava quente e o dele um pouco avermelhado. Provável que seja por conta do beijo, mas logo a matraca incessante do felino começara a trabalhar.

— Foi bom? – perguntou, desviando o olhar para o horizonte, onde não havia mais sol, mas um amontoado lindo de estrelas. Sob as nuvens, a claridade da lua que provavelmente ainda subiria.

— Foi. – assenti e me aproximei, puxando-o pela cintura e o colocando no colo. – Você gosta de mim desse jeito, Ches? Por isso implicava tanto na outra encarnação?

— Nyah... É. – não olhava pra mim, até que segurei seu queixo. – Eu queria ter disso isso se soubesse que você seria tão idiota a ponto de morrer. – cruzou os braços e desviou o olhar de novo.

— Idiota? Eu sou o mais forte que você conhece.

— Apanhou de um ceguinho e uma garota peituda. – implicou.

— Não vai começar agora, Cheshire. – repreendi, mas o garoto estava com algo fixo na cabeça, até que seu olhar amenizou e fui abraçado. – O que há com você?

— Você é idiota, Edward! Nunca me escuta. – seu tom era trêmulo. – Eu tentei te avisar... Mas você caiu morto. – estava claro que o moreno estava chorando. – Nem pude te encostar e você sumiu. Sua estrela ficou fraca. E eu amava você. Fiquei sozinho.

Era isso então. Tudo isso pra se declarar pra mim, pra dizer algo que eu mesmo já havia notado há mais de duzentos e cinquenta anos. Olhá-lo e ver como amadureceu, mesmo que seja um pouco, é gratificante, visto ao que era antes.

Afaguei os fios claros e deixei que meu cosmo dissesse aquilo que nunca consegui falar graças ao orgulho e a minha estúpida mania de manter tudo guardado pra mim. Afastei-me um pouco para vê-lo e sorri terno ao perceber que estou certo em admitir que também o amo... Do meu jeito, mas amo.

— Dessa vez você não vai morrer sozinho. – comentou fazendo uma cara séria e com o cenho franzido. Tive que rir, nem que fosse um pouco. – O que é?

— Não sei se te aturo até lá, Ches. – comentei...

E foi como tudo começou... De novo. Ele e eu nessa eterna brincadeira de pique-pega, como gato e rato. Não. Como o gato e o corvo.

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“Meu primeiro e último egoísmo
Então quando minha hora vier,

Eu quero que você esteja próximo a mim.”

Notas finais
O que acharam? Música: I'm Not - Nightmare (Naitomea)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!