O Gato e a Lua

1 Por isso, observava.


O gato olhava pra lua, e a lua olhava para o gato.

A luz suave do astro banhava os telhados das casas de Londres com um brilho prateado. O Gato, superior sobre tudo naquela torre de igreja, não considerava a cidade adormecida sob suas patas suaves digna de seu olhar amarelo e nobre. Olhava a bela Lua vestida de prata e luz. Olhava o astro.

Como gato, o Gato nascera livre e nobre, despido de qualquer corrente e com o dom das Sete Vidas. Não olhava o que estava abaixo de si. Admirava apenas ao que reconhecia, e só reconhecia aquilo que era superior a si próprio.

A noite caíra há muito tempo, como veludo negro sobre a cidade. Silêncio se fizera. O Gato, imortal, sabia que logo a cidade se encheria de máquinas barulhentas que fariam suas sensíveis orelhas doerem e a visão da lua seria encoberta por nuvens fedorentas e incômodas que ele não poderia controlar.

Por isso, longe de toda aquela paisagem transcendental, ele observava.

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