O Gato Da Meia Noite
1 Prólogo
Notas iniciais
Nunca havia acreditado naquela coisa de maldição. Sempre tivera a mais absoluta certeza de que, se havia algo que não fosse real eram as tais “maldições” e “feitiços”. Sempre achou que aquela era a maior lorota do mundo. Podia acreditar em Deus, fantasmas, até fadas, talvez. Mas não ia acreditar que, só por fazer uns movimentos estranhos e falar uma série de palavras sem nexo alguém poderia mudar o destino de outras pessoas.
E, no entanto, ele estava vivendo a mais magnífica prova de que maldições eram reais, e que poderiam acabar com a vida de uma pessoa. Nada daquilo fazia sentido, era... Bom, não podia ser real, por mais que fosse. Porém, lá estava ele, vendo a vida de alguém ficar de pernas pro ar – e, o que era pior, estava levando ele junto pro fundo do poço.
Sabia que, depois daquilo, as coisas não seriam iguais, nunca mais. Primeiro, ia desenvolver felinofobia¹. Depois, passaria a desconfiar de todas as pessoas que lhe aparecessem na frente – afinal de contas, vai saber se o seu vizinho não vira um lobo gigante toda lua cheia? Então, nunca, nunca mais, chegaria a duzentos metros de distância de um cemitério, porque é sempre nesses lugares que acontecem rituais macabros. E, por fim, ia se trancar em seu quarto sempre que seu pai pensasse em abrir a clínica.
Ou seja: já ia se despedir da sanidade mental permanentemente. Sua vida social estaria acabada – afinal, como poderia se socializar com as pessoas se sempre ficasse pensando na possibilidade delas serem amaldiçoadas? Garotas? Um padre gordo e nojento faria mais sucesso entre elas do que ele. Era o fim.
E o culpado de tudo era aquele maldito de cabelos azuis metido a valentão.
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