Notas iniciais
Esse é o último capítulo, e é o meu adeus. Eu agradeço por terem ficado comigo até agora e eu sinto muito se eu acabei estragando tudo, mas eu fiz tudo o que eu achei que estava certo e eu idealizei, então... Enfim, amo vocês e sou muito agradecida por todos os comentários e mensagens.. Até a próxima história!

Peguei Josh pelo braço e arrastei ele pra longe daquela confusão toda. Eu precisava de um pouco de paz e sossego, o que só ia acontecer se a gente se afastasse de todo mundo.
— Josh, a gente precisa conversar. — eu não sei como estava meu rosto, mas deveria estar bem sério porque Josh ficou me encarando por um tempo sem dizer nada.
— Pode falar.
— Olha, eu já enrolei demais com essa história. Nós já brigamos, nos beijamos, rimos, quase choramos e ficamos sem nos falar, mas eu quero resolver isso de uma vez. — ele suspirou.
— Você escolheu.
— Sim, escolhi.
— E foi ele, não foi? — fechei os olhos e respirei fundo.
— Sempre foi o Will, Josh. Desde o começo, era o Will. — ele parecia ter levado um tapa e eu fiquei sem reação.
— Você não devia ter me dado esperança, se tinha tanta certeza. — ele estava indo embora, mas peguei ele pelo braço e o forcei a ficar.
— Mas eu não tinha certeza. Olha, o problema todo, Josh, foi que quando eu comecei a descobrir que amava o Will, descobri também que amava você e isso me confundiu.
— Como?!
— Eu sei que é confuso, mas eu amo você, só que não do jeito que você gostaria.
— Você me ama como um irmão, é isso? — ele parecia cada vez mais perdido e magoado.
— Não, Josh. Espera. Deixa eu explicar. Desde o dia que eu te conheci, eu senti uma atração louca por você e isso me assustou, foi por isso que eu tratei você mal logo de cara. Mas a culpa não era sua, então tentei aos poucos deixar isso pra lá e eu estava conseguindo quando os meus problemas com o Will começaram. Eu, naturalmente, me voltei para você e fiz isso inconscientemente. Só que o que era atração física, ou algo do tipo, foi crescendo de um jeito assustador, eu até estava conseguindo guardar isso pra mim, até o dia em que você me beijou na casa da Allison e do Phelipe. A partir daquele dia, tudo explodiu e eu me vi presa em uma confusão. Meu coração estava dividido e eu não sabia o que fazer, eu amava o Will, mas tinha medo. Medo de ser mentira, medo de não ser correspondida, medo de que ele cansasse de mim. Era um medo atrás do outro. E você estava lá, tão certo, tão presente. Eu te amei aos poucos e bastante. Só que... — eu suspirei e ele deu de ombro.
— Só que você o ama mais. — assenti meio perdida. As lágrimas estavam ameaçando sair e para minha surpresa, Josh me abraçou.
— Eu sinto muito. — falei e ele balançou a cabeça.
— Não sinta. As coisas aconteceram como tinham que ser e bem, quem pode prever as coisas do coração? — sorri.
— Não sabia que você era inteligente. — ele riu.
— Faz um tempinho que eu estou ficando especialista em coisas do coração.
— Tipo, um guru do amor?
— Não, tipo cardiologista. Estou pegando uns livros de medicina e... — soltei uma gargalhada.
— Idiota.
— Não se preocupe comigo, tá? Eu vou ficar bem. Já estava na hora dessa história se resolver. Quero ser seu amigo e voltar a ser amigo do Will como era antes.
— Eu estraguei tudo, né?
— Mais uma vez a culpa não foi sua. Tudo começou a desgringolar quando eu te beijei.
— Mas tinha que acontecer, Josh. Só assim resolvemos as coisas de vez, mesmo que tenha demorado meses para que resolvesse.
— Está certa. Bom, agora está na hora de você conversar com o Will.
— Acho que vou falar com ele depois do casamento e...
— Você não acha, Jessie, que já esperou tempo demais? — sorri.
— Está certo.
— Sei que sim. Vai lá. — abracei ele mais uma vez e dei um beijo na sua bochecha.
— Obrigada por tudo.
— Disponha.
Saí correndo a procura do Will, eu não aguentava mais guardar isso pra mim. Eu o amava, eu sempre soube disso. Eu queria passar o resto da minha vida com ele, eu só conseguia me imaginar entrando na igreja com ele me esperando no altar e isso é motivo suficiente para arriscar.
Mas tudo desmoronou rápido demais. Eu encontrei o Will no corredor do hotel se agarrando com a Julie como nunca antes. Eu comecei a ficar enjoada, as mãos que apertavam minha cintura com firmeza, apertavam a dela com o mesmo vigor. O mundo parecia girar e sair do eixo. A culpa era toda minha, eu esperei demais e agora ele seguiu em frente. A culpa era minha. Mea culpa, mea maxima culpa.
Não sei quanto tempo fiquei parada olhando aquilo em choque, minhas pernas não se mexiam, eu queria sair dali, mas não conseguia. Minhas pernas não me obedeciam, eu abria a boca, mas não saía som.
— Jessica. — era a voz da Charlie no meu ouvido. Eu me virei devagar e ela estava me olhando com pena. — Vamos embora.
— Eu... eu... eu não...
— Jessie, por favor. — falou Allison, eu nem sabia que ela estava lá também.
Eu me virei para ver a cena de novo. Will estava beijando o pescoço dela com uma paixão que embrulhou meu estômago. As lágrimas voltaram a cair no meu rosto e finalmente minhas pernas resolveram se mexer.
— Vem, vem cá. — Allison e Charlie me abraçaram e me levaram para algum lugar.
Eu não conseguia assimilar o que estava acontecendo a minha volta. Enquanto parte de mim se culpava por isso, a outra parte de mim torcia para que minha mãe não me visse com esse cara, eu não queria estragar o dia dela.
— Senta aqui, Jessie. — elas me colocaram sentada em um sofá longe do barulho da festa.
— Minha culpa. — falei com a voz sufocada.
— A culpa não é sua. — falou Allison.
— Claro que é minha. Eu esperei muito tempo para escolher e agora ele decidiu seguir em frente, eu não posso culpá-lo.
— Não, não pode. — falou Charlie e eu olhei pra ela surpresa. — O que foi? Achou que eu fosse mentir pra você? Não vou. Sim, você demorou muito. Sim, ele tem o direito de ficar com quem quiser porque está solteiro e Jessie, nada é tão preto no branco.
— Eu sei disso, sei disso. — comecei a soluçar. Allison sentou ao meu lado e me abraçou, Charlie vez o mesmo.
Não sei quanto tempo passei chorando e me martirizando agarrada as minhas duas melhores amigas. Fiquei pensando se era assim que ele se sentia quando descobriu que eu tinha beijado o Josh, mesmo que o beijo não tenha sido com aquela intensidade, ele não tinha como saber.
— Jessica. — eu não queria levantar a cabeça, eu não queria olhar pro Josh. — Jessie, por favor.
— Josh, agora não. — falou Allison, mas ele a ignorou.
— Eu sinto muito. Eu não sabia que... — levantei a cabeça e ele parecia mesmo bem magoado.
— A culpa não foi sua, a culpa é minha.
— Jessie, foi só um momento ruim. Eu sei que você está mal, mas se vocês conversarem...
— Conversar o quê, Josh? Provavelmente ele nem vai pra casa hoje. E como eu me declaro pra ele? Sabendo que no dia anterior ele estava com a Julie. — Josh deu de ombros.
— Não foi isso que ele fez? Se declarou pra você um dia depois de eu ter te beijado.
— É diferente. — falei.
— Sim, é. Dessa vez ele está solteiro. — parecia que eu tinha levado um tapa. Um tapa chamado verdade.
— Eu vou precisar de um tempo. — ele assentiu.
— Tudo bem, mas vê se dessa vez o tempo vai ser menor.
Ele saiu me deixando meio perdida diante de todas essas verdades, eu não queria ter que lidar com isso agora. Eu não queria ter que lidar com isso nunca, mas não creio que tenha sobrado outra opção pra mim.
— Jessie, está na hora da sua mãe e Richard irem pra Lua de mel. — falou Allison e eu assenti.
— Tudo bem, vocês me ajudam a retocar a maquiagem no banheiro?
— Claro.
Fomos pro banheiro rapidinho, as meninas me ajudaram a tirar o lápis borrado e passar de novo, um pouquinho de pó de arroz para tirar a cara de choro e eu estava pronta pra sorrir pra todo mundo.
— Jessica, onde você estava? Na hora de cortar o bolo, eu te procurei, mas... — perguntou minha mãe.
— Eu estava conversando com as meninas e acabamos nos distraindo.
— Ah, sim. Bom, como estou? — minha mãe vestia um vestido cinza com uma meia calça fina preta. Seu cabelo estava solto no rosto, mas era o sorriso dela que deixava tudo lindo.
— Está linda.
— Obrigada. — ela me abraçou apertado.
— Ah mãe, nada de chorar, por favor.
— Não vou chorar. Eu só vou ficar com saudade.
— Claro que não. Você vai estar em lua de mel, eu te proíbo de sentir saudade de mim. Divirta-se. — ela riu.
— Pode deixar.
Os convidados fizeram um caminho pra eles passarem e jogaram pétalas de rosas conforme eles andavam, até a entrada do hotel onde o carro estava os esperando pra ir. Will estava na porta esperando pelo pai e meu coração quase saiu pela boca.
— Pai, divirta-se e não faça nada que eu não faria. — Richard riu.
— Vou me lembrar disso.
Abracei o Richard e a minha mãe mais uma vez antes de entrar no carro e esperamos eles irem embora para voltar. As pessoas começaram a se dispersar. Meus amigos foram dançar enquanto eu e Will nos despedíamos das pessoas na entrada do hotel. Eu não olhei para o Will, mantive o meu olhar para qualquer outro lugar, menos pra ele e obviamente, ele percebeu.
— Está tudo bem? — eu tive vontade de vomitar diante da pergunta.
— Aham... — falei apenas.
— Você está estranha.
— Estou cansada.
— Eu também.
— Hum...
Quando finalmente todos tinham ido embora, e sobraram só nossos amigos (e Julie), voltamos para a festa com uma distância segura um do outro.
— Hora de ir embora? — perguntou Phelipe.
— Só faltam vocês. — falei.
— Já estamos indo. — falou Chelsea.
— Você vai pra casa? — perguntou Josh.
— Não, vou pra casa do Derek.
— Bom, então, alguém quer carona?
— Eu quero. — falou Chloe e eu sorri.
— Pois bem, então vamos.
Chloe me abraçou com um sorriso e sussurrou: "Seu amigo Josh está mais bonito do que nunca.", não consegui evitar a risada, mas só pude concordar. Josh me abraçou também, um abraço forte e cheio de significado.
— Fica bem. — falou e eu assenti.
— Vou ficar.
— Se precisar de mim, é só chamar.
— Eu sei.
Abracei a Chelsea e o Derek que foram embora logo em seguida, depois foi a vez de Trina e Chris que eram só sorrisos e eu estava feliz por eles. Quando a Julie foi embora, usei toda a minha força de vontade para sorrir pra ela, mas pela cara da Allison, não foi um sorriso muito bom.
— Nós já vamos, Jessica. — falou Charlie.
— Eu queria tanto conversar com você.
— Amanhã. Eu e Austin vamos ficar o fim de semana.
— Ah, ótimo. Eu te ligo.
— Faça isso. — ela me abraçou com força e sussurrou. — Tenta resolver as coisas com o Will, tá?
— Eu vou tentar. — sussurrei de volta e me virei para falar com o Austin.
— Obrigada por virem. — falei e ele sorriu.
— Foi um prazer e Jessica, boa sorte aí com o seu caso. — sorri.
— Meu caso? — ele assentiu.
— Exatamente. Acho que você não tem muita sorte com os caras. — não pude deixar de sorrir.
— Não muito.
— Mas vai dar tudo certo.
— Espero que sim.
— Dedos cruzados. — o abracei rapidamente e pelo canto do olho, vi a Charlie conversando com o Will.
— Então, vamos? — perguntou Austin.
— Vamos, e Jessica não esquece de me ligar.
— Pode deixar.
— Hora de ir também. — falou Allison.
— Obrigada, amiga, por me ajudar com tudo isso. — ela sorriu.
— De nada. Sempre que precisar. E oh, resolve os seus problemas.
— Vou tentar. — a abracei rapidamente e me virei para o Phelipe.
— E aí? — perguntei e ele sorriu.
— E aí?
— Obrigada por ter vindo.
— Sabe que eu adoro comer de graça. — revirei os olhos e sorri.
— Sei, sei sim.
— Vem cá. — Phelipe me abraçou apertado.
— Não deixa ninguém te magoar de novo, tá? — no começo, fiquei um pouco surpresa, mas depois assenti.
— Vou tentar.
— Seja feliz, Jessica.
— Vou ser.
Quando todos foram embora e eu me vi sozinha com o Will, não soube o que fazer. Eu queria falar alguma coisa, mas falar o quê?
— Então, vai dormir em casa? — perguntei e ele me olhou surpreso.
— Onde mais eu dormiria? — dei de ombros.
— Então, vamos.
Antes de ir, conversei com a cerimonialista e com o pessoal do buffet, o decorador se assegurou de que ia arrumar tudo de novo e eu pude finalmente ir pra casa descansar.
Durante o caminho pra casa, não quis falar nada e Will também não, o que significou uma viagem de puro silêncio constrangedor e eu sinceramente não estava animada para ter uma conversa.
Assim que entramos em casa, avisei que ia tomar banho e ele assentiu. Caminhei para o meu quarto a passos lentos, enquanto eu pensava no que dizer para o Will quando eu saísse.

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Nada relaxa mais do que água quente, fechei os olhos e deixei a minha mente dispersar com o vapor, só saí de lá quando os meus dedos ficaram bem enrugados. Antes que eu pudesse colocar uma roupa, Will bateu na porta.
— Posso falar com você? — perguntou.
— Espera um minuto. Vou colocar uma roupa.
— Se você quiser abrir antes também, não tem problema. — sorri.
— Só um minuto.
Eu peguei um short de moletom e uma blusa qualquer, penteei o cabelo rapidamente e abri a porta. Will também tinha acabado de sair do banho, seu cabelo estava molhado e caía na testa de um jeito charmoso.
— Entra aí. — Will sentou na minha cama e esperou eu sentar ao seu lado pra começar a falar.
— Você disse que eu tinha que esperar até o final do casamento pra gente conversar, então... — eu queria ser mais sutil, mas não consegui.
— Eu vi você beijando a Julie. — Will ficou muito surpreso, em choque.
— Hum... é... como...
— Eu fui procurar você e vi você beijando ela ferozmente no corredor.
— Não era pra você ter visto aquilo.
— Não, não era. — ele me olhou por um tempo tentanto entender o meu tom de voz.
— Você está chateada? Comigo?
— Não, não estou. A culpa disso é toda minha.
— Culpa? Que culpa?
— Dessa situação...
— Situação? Jessie, você estava... sei lá, o que você estava fazendo com o Josh naquela pista de dança. Eu fiquei muito mal mesmo, e eu soube que você tinha escolhido ele, então eu e a Julie fomos pro corredor conversar e bom, acabou acontecendo.
— Eu achei que vocês fossem transar. — ele deu de ombros.
— Eu também, mas não tive coragem.
— Porque você me ama.
— Estupidez, não acha?
— Não acho. E só pra você saber, eu não escolhi o Josh. — Will me encarou intensamente, seus olhos começaram a escurecer lentamente.
— O que você disse?
— Eu disse que eu não escolhi o Josh.
— Mas eu pensei que...
— Pois é, eu fiquei com ciúme de você com a Julie e acabei descontando no Josh. Mas depois o Chris e a Trina se resolveram, e foi quando eu percebi que era você, sempre foi você. E por esse motivo, fui atrás de você pra contar, conversar e eu acabei te vendo com a Julie.
— Eu não... eu... como...
— Eu amo você, William Corrigan. E eu sabia disso desde que eu te conheci, mas eu tinha tanto medo. O amor sempre foi algo tão sério pra mim e quando você disse que me amava, eu me apavorei e eu sinto muito por isso. Sinto muito por ter demorado tanto tempo pra aceitar e admitir que o meu coração é todo seu. Eu amo você e não posso mais negar isso pra mim mesma.
— Você não sabe o quanto eu imaginei isso.
Will me beijou com desespero e eu correspondi com a mesma intensidade. Eu o queria tanto e a tanto tempo. Eu sentia tanta falta dele, do seu beijo, do seu corpo no meu.
— Eu amo você, Jessica Lowe.
— E eu amo você, William Corrigan.
O seu beijo agora era mais leve, calmo e dizia que me amava. Arranquei sua camisa rapidamente e fiquei um tempo analisando aquele abdômen que era meu de novo, passei a mão por ele devagar, matando a saudade. Ele me deitou devagar na cama e me beijou novamente, fazendo meu corpo inteiro se arrepiar.
A cada peça de roupa tirada eu me sentia mais amada e querida por ele. Sem pressa nenhuma, deixamos tudo acontecer, porque tínhamos todo o tempo do mundo. Ele era meu e eu era dele, nada ia mudar isso. O amor não me assustava mais, só me dava a certeza de que não importava o que acontecesse tudo ia ficar bem.

Notas finais
Amo vocês e já estou com saudades, até a próxima...
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!